domingo, fevereiro 26, 2006

Aos Subcomandantes com carinho...

Existem pessoas que se constituem em gratas alegrias em nossa caminhada...
Não poderia deixar de mencioná-las neste blog.
Por conta da viagem que fiz à Cuba, no retorno, conheci o Rocha e o Nílton Atayde, ambos visitaram a terra de Fidel; com o Rocha aprendemos que toda radicalização é pequena frente a fome que dizima e desumaniza os excluídos, chamados num passado recente de descamisados... Com sua verve audaz, discorre sobre as vicissitudes na qual o homem comum está mergulhado, para sempre ao final da conversa transbordar de esperança em dias-melhores-que-virão...
O Nílton Atayde já é uma pessoa mais comedida, atento nas argumentações expostas pelos amigos, provavelmente por ter uma formação filosófica (formou-se também em direito)... O vejo sempre com um olhar perspicaz, como a mergulhar em cada um, com a agudeza de espírito que a vida profissional lhe proporcionou, desvendando os enigmas de desventuradas vidas...
O elo que nos uniu, atende pelo nome de Duda Bueres, reproduzindo suas falas "nós somos da resistência francesa", "irmãos de terço e terçado..."
Resumindo, o Bueres é o nosso irmão sex... (como diria o Nilton: Sexagenário).
É bom recordar o subcomandante Marco, a figura mítica da Revolução Zapatista, dizendo em alto e bom tom - "comandante é o Povo!!! "
Fica aqui neste espaço a saudação aos dois subcomandantes, ambos com sonhos e utopias que haveremos de um dia compartihá-los "con los hermanos..." Ao som de Pablo Milanes e Sílvio Rodriguez...
Arriba e em frente sempre...
É isso aí.

4 comentários:

Anônimo disse...

Querido amigo, com toda certeza existe uma conspiração transcendental, que força a convergência das pessoas do bem, quer seja pelas suas convicções políticas (socialistas), quer seja por sua visão humanista, quer seja pela sintonia musical, e quem sabe mesmo, somos convergidos pelas espumosas (bem geladas).
Este contubérnio é muito salutar para o nosso engrandecimento social, humano e pessoal, com certeza a conspiração que nos uniu lá pelos “portelas” da vida, tem nos agraciados com pessoas tipo você, Edu Bueres, Flávio, Léo Tocantins e tantos outros, que nos permite a cada dia e a cada reencontro novas emoções.
Quanto ao radicalismo, meu nobre amigo, ele foi forjado pelas injustiças que no decorrer destes anos de vida, temos vivenciado e por vezes sofrido na própria pele. E na expectativa de que a estenia socialista, ora decorrente sobre nosso continente, consiga a derrocada deste anátema que conhecemos por neoliberalismo, temos fé de que a construção de um mundo mais justo, mais fraterno e sobre tudo mais humano, tenha se desencadeado neste novo século, sobre os auspício destes novos governantes que vem empunhado, além de um discurso, a bandeira socialista.
VIVA CUBA SOCIALISTA,VIVA FIDEL,VIVA EL CHE, VIVA A MÚSICA BRASILEIRA(além das muchachas brasileiras é claro)
Rocha

Anônimo disse...

Nobre amigo Panda, este artigo é de um pensador que tive a grata satisfação de conhece-lo na internet(ainda não tive o prazer de conhece-lo pessoalmente)
vale a pena divulga-lo


Tomada de posição: O Brasil, a América Latina, o Mundo e as eleições 2006


O momento político que o Brasil vivencia é de importância crucial para o seu destino e para o destino da América Latina. E não se trata de uma questão ideológica ou demagógica ou político-partidária, como os meus pretensos críticos irão acusar: é que o momento atual, tanto no plano internacional, quanto regional e nacional é de definição de posições. No plano geopolítico, trata-se de elegermos um governo que se tornará cativo de Washington ou um que continuará mantendo uma postura independente em relação aos EUA. Em nível regional, trata-se de uma questão estratégica: se o governo popular e de centro-esquerda que ora temos cair, todo o movimento de esquerdização que está em processo na América Latina estará comprometido, se o mantivermos, esse processo tende a se acentuar. Em nível nacional, trata-se de mantermos um curso de modernização e reaparelhamento das instituições sociais, políticas e econômicas, com vista a um Capitalismo mais amadurecido e desenvolvido, ou de voltarmos atrás, e entregarmos as rédeas da história para as oligarquias retrógradas que alimentam suas fortunas da prebendarização do Estado.
A atual crise entre o ocidente e o mundo árabe-muçulmano reforça a necessidade de se posicionar cada vez mais independentemente em relação aos Estado Unidos, mas também em relação aos fundamentalismos de diversas espécies que vêm tomando conta dos países do sul. Esses fundamentalismos, tanto o de Bush quanto o de Chavéz ou o de Castro, tanto o dos partidos de ultra-direita da Europa quanto o dos árabes-mulçumanos, podem levar o mundo a mergulhar numa nova era de guerras quentes ou de ditaduras, seja de direita, seja de esquerda ou, ainda, de ditaduras populistas, numa espécie de consumação do famoso eterno retorno de Nietzsche. A tendência é a de que as potências ocidentais se tornem cada vez mais intransigentes com o quintal de seus impérios, isso porque a polarização norte-sul, típica da Nova ordem Mundial, vem se acentuando cada vez mais com a contestação, pelos países do sul, da hegemonia econômica, política e cultural do norte. De fato, o que está em marcha é o aprofundamento do conflito norte-sul. Depois de meio século de uma Guerra Fria entre Leste/Oeste, Socialismo/Capialismo, as contradições, de todas as ordens, entre o Norte e o Sul podem vir a provocar guerras cada vez mais quentes, caso haja radicalização de ambas as partes. Fruto dessas contradições é não somente a rebelião do mundo árabe-muçulmano contra o ocidente, mas também o movimento de esquerdização política que ocorre na América Latina, a criação do Grupo dos 20, entre outras. É, portanto, um momento em que os países da periferia do Capitalismo tentam se afirmar e disputar espaço no cenário internacional, exigindo, junto às grandes potências, a formulação de uma Ordem Mundial mais justa. Tanto é assim que o tema pobreza e miséria já ganhou um grande espaço de debate dentro dos organismos de poder internacionais e supra-nacionais. É, então, no interior da proposta de uma Ordem mais justa, mas sem radicalismos ou fundamentalismos, que se encaixa a posição do Brasil no cenário geopolítico global hoje. Isso porque, como dito antes, três cenários possíveis emergem da radicalização dos fundamentalismos: um, do patrocínio, por parte das grandes potências, de uma série de golpes de estado e a instalação de ditaduras de direita nos países mais estratégicos do sul; outro, de que os conflitos políticos e diplomáticos cheguem à esfera militar; e o terceiro, de que governos populistas consigam se fortalecer e manter uma ditadura interna a ferro e fogo. Nenhum desses cenários é, para o bom humanista, desejável. Não precisamos mais vivenciar um retorno dessas histórias, porque já sabemos que elas só levam à flagelação da humanidade.
A estratégia brasileira, que vem dando certo, representa a possibilidade de que os conflitos entre o Norte e o Sul se resolvam pelo diálogo e pela concessão mútua. Mas, acima de tudo, apóia-se na confiança de que é possível se criar uma Ordem Mundial, mais comprometida com o social. Por isso, o Brasil tem sido cada vez mais ouvido dentro das esferas internacionais de poder. Mas, caso rompamos com esse trajeto, elegendo um governo conservador do PSDB e do PFL, novamente o Brasil voltará assumir uma postura de subserviência perante as grandes potências.
No cenário latino-americano, portanto, um governo de centro-esquerda num país tão estratégico como o Brasil é necessário para a manutenção do equilíbrio de forças no continente. Não somente porque o Brasil possui boas relações tanto com os EUA quanto com os governos de Chavéz e de Fidel, mas porque o atual governo já deu mostras de que não aceitará os Estados Unidos se intrometendo nos assuntos internos dos países com governos democraticamente constituídos. E, para os EUA, é muito mais interessante ter o Brasil como um aliado condicional do que como um inimigo. Assim, a permanência de um governo de centro-esquerda, no Brasil, representa o ponto de equilíbrio que pode evitar o desencadeamento de uma nova onda de barbarismos políticos, bem ao sabor das classes mais reacionárias que estão vendo seus privilégios seculares serem desmantelados por esses governos populares. Se entra, novamente, o PSDB em cena, toda a estratégia de reconstrução da Ordem Mundial que vem sendo reivindicada pelos países mais importantes da periferia do sistema –Brasil e Índia principalmente- entrará em colapso.
No cenário nacional, está em marcha, e os números dos diversos institutos de pesquisa demonstram isso, um processo de redistribuição de renda no Brasil e de elevação da renda do trabalhador, que jamais ocorria desde o governo Vargas nos anos 50. Fora isso, a sociedade civil organizada –sindicatos, movimento estudantil, ONGs, Movientos de bairro etc.- tem se fortalecido com a atual administração federal. Somente o fato de que os sindicatos tenham resgatado parte de seu prestígio vencendo praticamente todas as causas trabalhistas contra o empresariado é um sinal muito positivo nessa direção. Mas não somente isso, mesmo com o conjunto de denuncismos contra o Governo, não houve um governo na história desse país que mais tenha combatido a corrupção no interior do Estado. Foram dezenas de máfias desbaratadas pela Polícia Federal. Some-se isso a uma administração mais enxuta e mais responsável, que vem conseguido acumular superávits primários cada vez maiores e aumentando as reservas do país no exterior, tem-se um processo de fortalecimento do Estado que só pode se manter com uma gestão que vê no Estado o indutor de um projeto de nação, e não como patrimônio particular passível de ser privatizado a revelia dos interesses públicos por aqueles que o controlam, como ocorrera na gestão tucana.
Assim, faz-se mister pensar no futuro do país, da América Latina, do mundo e nas direções que serão tomadas pelo governo que elegermos nessas próximas eleições. Assim, o voto que formos depositar é, também, uma tomada de decisão que estaremos assumindo. Espero que prevaleça o bom senso, que consigamos pensar além de nosso próprios interesses e de nossas frustrações emocionais de maturidade.





(Válber Almeida)

Direito & Esquerdo disse...

Prezado Nelito,

Muito bom o texto.
Doravante, tu serás um dos sub-comandantes do Bar da Portela.
Sds
Bruno

Notícias e Controvérsias disse...

Prezado Nelito,

Muito bom o texto.
Doravante, tu serás um dos sub-comandantes...
Sds
Bruno