terça-feira, março 28, 2006

A Modernidade de Rousseau

Rousseau em sua novela - A Nova Heloísa, assinala com sua pena romântica-nostálgica uma arquetipal sociedade que se delineava nas expressões e situações vivenciadas pelo jovem Saint-Preux, grafadas por Rousseau de forma brilhante. O Caminhante Solitário, como ficou conhecido Rousseau, provocou um grande impacto em seus contemporâneos, revelando a contradição em que todos estavam mergulhados...
Para o autor d'A Nova Heloísa, Paris representava um redemoinho - le tourbillon social.
Saint-Preux, um jovem que vem do campo para morar em Paris, expõe por cartas à sua namorada Julie todas as suas angústias e perplexidades vividas no le tourbillon social. Ele escreve dizendo que existe "uma permanente colisão de grupos e conluios, um contínuo fluxo e refluxo de opiniões conflitivas... Todos se colocam freqüentemente em contradição consigo mesmos... Tudo é absurdo, mas nada é chocante, porque todos se acostumam a tudo...".
Rousseau relata através de seu jovem herói, que "... este é um mundo em que o bom, o mau, o belo, o feio, a verdade, a virtude, têm uma existência apenas local e limitada".
A novela de Rousseau nos revela a Modernidade nascente, forma de pensar a sociedade e as relações sociais que se chocava com as antigas e tradicionais, que ainda estavam presentes, porém, moribundas.
Para o fecho, Saint-Preux num misto de espanto e prazer relata: "Após alguns meses nesse meio, eu começo asentir a embriaguez a que essa vida agitada e tumultuosa me condena. Com tal quantidade de objetos desfilando diante de meus olhos, eu vou ficando aturdido. De todas as coisas que me atraem, nenhuma toca o meu coração, embora todas juntas pertubem meus sentimentos, de modo a fazer que eu esqueça o que sou e qual meu lugar."
Pretende manter-se fiel à Julie, mas expressa meio titubeante, o seu receio de mudar e sua busca por algo que lhe dê segurança: "Eu não sei, a cada dia, o que vou amar no dia seguinte... eu vejo apenas fantasmas que rondam meus olhos e desaparecem assim que os tento agarrar."
Rousseau tão moderno e temeroso diante das novidades... Revela os novos valores que eclodem em um turbilhão de incertezas,num processo de desumanização crescente das relações sociais...
Os revolucionários de 1789 não o esqueceram, levantavam o Contrato Social como se fosse o Evangelho da liberdade, igualdade e fraternidade...
Um novo mundo era possível e se construía a partir dali, daquele momento!!!
Rousseau estava presente nos arroubos varonis, nas expressões de esperanças fincadas nas faces de um povo que se fez autor de sua história.


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