quinta-feira, março 30, 2006

O Mundo prepara homenagens para Borges

"Publicamos para não passar a vida corrigindo rascunhos. Quer dizer, a gente publica um livro para livrar-se dele."(Borges)


Já se vão quase 20 anos da morte de Jorge Luís Borges (14/06/86), o escritor argentino será homenageado pelo mundo inteiro este ano. Um grande tributo à memória de um escritor ímpar possuidor de uma obra que é um clássico da literatura universal. Genebra, Lisboa, Madrid, Paris, Nova York. Porto Rico e Buenos Aires são algumas das metrópoles onde se realizam desde março conferências e exposições vinculadas com a vida e o universo borgeano. A Fundação Internacional Jorge Luis Borges tem participado da organização dos atos, que terão seu ápice em junho próximo, mês em que faleceu o autor de "Outras Inquisições".
Em maio próximo, em data ainda não determinada, o escultor argentino Federico Brook, radicado na Itália, inaugurará uma obra comemorativa de Borges em uma praça situada em frente a embaixada argentina em Lisboa, sob os auspícios dos governos de Portugal e Argentina.
Em agosto, em Buenos Aires, a Fundação Borges comemorará o 20° aniversário de seu falecimento e o 80° aniversário de seu segundo ensaio, "O tamanho de minha esperança", com as jornadas "Borges e os outros". Se abordará a relação entre o escritor e a ciência, a cabala, o tango, assim como a vinculação do autor com a filosofia, o jornalismo e os gêneros literários...
Existe um interesse crescente entre os jovens pela obra de Borges. Em muitos países (Argentina, Espanha...) os universitários elegem Borges como tema de suas teses.
A geração que viveu o golpe de 1964, aqueles mais engajados, não viam Borges com "bons olhos", um contexto muito politizado pela guerra fria e outras utopias. Não agradava Borges o comunismo, dizia o argentino: "O fato é que eu cresci com a convicção de que o indivíduo deve ser forte e o Estado, fraco. Não consigo apreciar teorias segundo os quais o Estado é mais importante do que o indivíduo.".
Sobre poesia, Jorge Luís Borges dizia-se mais sensível à épica do que à lírica. Entre as obras épicas que ele mais admirava, incluía Os Lusíadas, de Camões, e o nosso Os Sertões, de Euclides da Cunha, talvez sem propor-se a tal, mas de fato e é... Relata Borges sobre Os Sertões: "Eu o descobri numa livraria de livros velhos, em Buenos Aires, e o li sem dicionário. Não sei se entendi tudo ou senti muitas coisas. Emocionou-me muito esse livro... Agora tenho lembranças pessoais de Os Sertões, caatingas que nunca vi. Mas as imagens dos livros se transformam, com o tempo, em imagens pessoais."

Aproveite vá até à livraria Jinkings e pegue um Borges, sugestão História universal da infâmia.




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