domingo, maio 28, 2006

Amizade



Estava remexendo uma caixa, naquele lugar da casa em que ficam as coisas esquecidas ou que não são mais úteis, mas não queremos jogar fora.
Pois é, mexe-pra-cá mexe-pra-lá... Encontrei umas cartas, é verdade... Existiu um tempo, que não tínhamos computadores em abundância, telefone não era barato... E aí as cartas comunicavam as nossas esperanças e aflições aos amigos distantes.
Uma carta de uma amiga de São Paulo escrita com muito carinho, depois de alguns anos me deixou muito emocionado, ela finaliza a missiva com uma poesia de Vinícius de Moraes que fala sobre a amizade.
Fiquei pensando em muitos amigos que passaram em minha vida, e a tornaram mais alegre.
É muito reconfortante termos pessoas com quem partilhar alegrias e frustrações... Verdades e mentiras...
Em momentos de nossa existência, os amigos são os pais... Mas existe aquela pessoa que você passa a considerar independente do laço de parentesco, como uma pessoa importante, e que sempre você está em contato...
É o amigo...
O detalhe mais importante, sentimos o quanto ele se torna importante pra gente, passa a fazer parte da vida que levamos, a ausência dele é sentida como um vazio em nosso coração.
Penso que é possível homenagear os amigos e amigas, com a poesia de Vinícius, que ficou tanto tempo guardada em uma carta esquecida no fundo de um baú...
Vinícius fala com muito mais ternura sobre a amizade, é poeta. Fala poetinha...

"Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.

Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor..
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão.

Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.
Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.

Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive."

Como a amizade é uma construção - tijolo por tijolo, e muita solidariedade como cimento, dedico este post ao amigo Tico Futrika, às vezes é cabeça dura (não é por isso que é chamado de cabeção), mas tem uma doença que o absolve de todos os males que um dia possa praticar - tem o CORAÇÃO GRANDE.

sexta-feira, maio 26, 2006

Pablo Neruda


Em "Canto Geral", Neruda escreve sobre o nosso continente, relata as injustiças, os trabalhadores e suas utopias, a certeza que os ditadores perecerão... Vida e morte... Testamento...

"A MORTE

Renasci muitas vezes, desde o fundo
de estrelas derrotadas, reconstruindo o fio
das eternidades que povoei com as minhas mãos,
e agora vou morrer, sem nada mais, com terra
sobre o meu corpo, destinado a ser terra.

Não comprei uma parcela do céu que vendiam
os sacerdotes, nem aceitei trevas
que o metafísico manufaturava
para despreocupados poderosos.

Quero estar na morte com os pobres
que não tiveram tempo de estudá-la,
enquanto os espancavam os que têm
o céu dividido e arrumado.

Tenho pronta a minha morte, como uma roupa
que me espera, da cor que amo,
da extensão que procurei inutilmente,
da profundidade que necessito.

Quando o amor gastou a sua matéria evidente
e a luta debulha os seus martelos
em outras mãos de acrescentada força,
vem a morte para apagar os sinais
que foram construindo tuas fronteiras."

O engajamento político do poeta é marcante, inclusive no dia em que Neruda recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1971, fez um discurso dizendo “...Hoje faz exatos cem anos, em que um pobre e admirável poeta, o mais atroz dos desesperados, escreveu esta profecia: "Ao amanhecer, armados de uma ardente paciência, entraremos nas esplêndidas cidades".
Acredito nesta profecia de Rimbaud, o vidente. Venho de uma província obscura, de um país separado de todos os outros pela cortante geografia. Fui o mais abandonado dos poetas e a minha poesia foi regional, dolorosa e chuvosa. Mas sempre tive confiança no homem. Jamais perdi a esperança. Talvez por isso chegasse até aqui com a minha poesia e também com a minha bandeira. (...) Em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade, aos trabalhadores, aos poetas, que todo o futuro foi expresso nesta frase de Rimbaud: só com uma ardente paciência conquistaremos a esplêndida cidade que dará luz, justiça e dignidade a todos os homens.Assim, a poesia não terá cantado em vão.”

Em 12 de julho, o mundo irá comemorar os 102 anos do nascimento do poeta Pablo Neruda.
Neruda não foi esquecido pelo cinema, em 1995, foi lançado o filme "O Carteiro e o Poeta"(The Postman Postino) com direção de Michael Radford, baseado em livro de Antonio Skármeta, fez um sucesso estrondoso. A trama se desenvolve numa remota ilha do Mediterrâneo, um carteiro recebe a ajuda do poeta Pablo Neruda a fim de conquistar o amor de sua vida. Com Massimo Troisi e Philippe Noiret. Vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora.
Uma curiosidade o ator e roteirista Massimo Troisi morreu de ataque cardíaco apenas um dia após a conclusão das filmagens de O Carteiro e o Poeta.

A película é linda, vale a pena correr até à locadora e levar pra casa, convide a pessoa que você gosta, é certeza que a emoção vai deixar os olhos marejados de ternura...

LEI COMO FORMA DE COMUNICAÇÃO HUMANA

“A lei é uma forma de comunicação humana. Forma imperativa de comunicação, destinada a regular a conduta de um grupo social e emanada de um homem, de um grupo de homens, de uma classe, ou da totalidade do grupo social, para traduzir os interesses absolutos da classe minoritária dominante, numa sociedade de opressão ilimitada, ou para expressar soluções de compromisso, numa sociedade onde os dominados tenham possibilidade de fazer valer sua força, ou para estabelecer a igualdade e o direito de todos, numa sociedade que tenha superado, ou esteja em vias de superar, qualquer forma de dominação e exploração”. (João Baptista Herkenhoff in Como Aplicar o Direito. Rio de Janeiro: Forense, 1986, p.6)

PARADOXO, ESPERANÇA E FÉ.


Erich Fromm nasceu em Frankfurt am Main, Alemanha, a 23 de março de 1900, descendente de rabinos. Criado num ambiente de profunda devoção judaica, a sua visão humanista também recebeu influência das idéias de Spinoza, Goethe, Karl Marx e Sigmund Freud. O início da Primeira Guerra Mundial, quando tinha catorze anos, causou-lhe um choque profundo e acabou por lançar a idéia do pacifismo que viria a nortear toda a sua existência. Formado em filosofia pela Universidade de Heidelberg, em 1922, iniciou a prática da psicanálise na Universidade de Munique entre 1923 e 1924, quando completou os estudos no renomado Instituto de Psicanálise de Berlim. Considerado o “revisionista cultural de Freud”, Erich Fromm acabou se afastando gradualmente das teorias freudianas que negligenciaram os fatores sociais e econômicos atuantes sobre o pensamento do ser humano. Também do judaísmo Erich Fromm acabou por distanciar-se: “... não quero participar de nenhuma divisão da raça humana, seja religiosa ou política”. Porém, quando o assunto é a salvação da existência humana, ele jamais se afasta de seus princípios, que dizem estar no “socialismo humanista” o renascimento social, econômico, político e espiritual do homem moderno.

Erich Fromm no livro “A Revolução da Esperança” discorre de maneira genial sobre o elemento que segundo o autor é decisivo em qualquer tentativa para ocasionar mudança social, baseada em maior vivência, consciência e razão: a esperança.

Vamos escutar o psicanalista Erich Fromm:

"O PARADOXO E A NATUREZA DA ESPERANÇA

A esperança é paradoxal. Não é nem uma espera passiva nem um forçar irreal de circunstâncias que não podem ocorrer. É como o tigre agachado que só saltará quando chegar o momento de saltar. Tampouco o reformismo cansado e o aventureirismo pseudo-radical são uma expressão da esperança. Ter esperança significa estar pronto a todo momento para aquilo que ainda não nasceu e todavia não se desesperar se não ocorrer nascimento algum durante nossa existência. Não faz sentido esperar pelo que já existe ou pelo que não pode ser. Aqueles cuja esperança é fraca decidem pelo conforto ou pela violência; aqueles cuja esperança é forte vêem e apreciam todos os sinais da nova vida e estão prontos a todo instante para ajudar no nascimento daquilo que está pronto para nascer.

A FÉ
Quando a esperança desaparece, a vida termina, na realidade ou potencialmente. A esperança é um elemento intrínseco da estrutura da vida, da dinâmica do espírito do homem. Ela está intimamente ligada a outro elemento da estrutura da vida: a fé.
A fé não é uma forma fraca de crença ou conhecimento; não é a fé nisto ou naquilo; a fé é a convicção sobre o que ainda não foi provado, o conhecimento da possibilidade real, a consciência da gravidez. A fé é racional quando se refere ao conhecimento real que ainda não nasceu; ela é baseada na capacidade de conhecimento e compreensão, que penetra a superfície e vê o âmago. A fé, como a esperança, não é a previsão do futuro; é a visão do presente num estado de gravidez.
A afirmação de que a fé é certeza necessita de uma restrição. É certeza sobre a realidade da possibilidade – mas não é certeza no sentido da previsão indiscutível.
Este é o paradoxo da fé: é a certeza do incerto.
É certeza em termos de visão e compreensão do homem; não é certeza em termos do resultado final da realidade. Não precisamos de fé naquilo que é cientificamente previsível, nem tampouco pode haver fé no que é impossível. A fé é baseada em nossa experiência de vida, de nos transformarmos. A fé que outros podem mudar é o resultado da experiência de que posso mudar."

terça-feira, maio 23, 2006

Papão, pra não esquecer...


Dizem que os jogadores posam para uma foto que nunca é publicada. Pois aí está o Paysandu que ganhou do Boca Juniors em La Bombonera, em 24 de abril de 2003 às 21:10 h(quinta-feira), 1x0, gol de Iarley. Transmissão da Fox Sport (canal 30)

Violência em São Paulo

sábado, maio 20, 2006

Os Simpsons e Aristóteles





Confesso, assisto o desenho animado "Os Simpsons"... Já se vãos uns bons anos, bem antes de minha filha nascer. O que me levou a escrever sobre os mesmos? Bem antes de mais nada, tem algumas "sacadas" interessantes sobre o modo de vida americano, alguns enfoques um tanto trashy, mas não esqueçam que com a globalização muitos valores se estabelecem em outras regiões, mesmo não sendo nada compatível com a cultura nativa de outrora... Isto quer dizer, temos "globalismo localizado", segundo os ensinamentos do jusfilósofo francês André-Jean Arnaud. Muitas posturas e valores americanos estão disseminados pelo mundo, e na sociedade brasileira com certeza. O que considero importante é a crítica ácida dessa família meio-maluca a todos esses valores, que inclusive levou o presidente americano Georges W. Bush, recentemente, a pedir aos americanos que não assistissem ao desenho que "difama" as instituições e os valores americanos de "liberdade"... e por aí vai.
Escrevo para compartilhar e multiplicar informações, quiçá, edificantes...
Caiu em minhas mãos um livro gostoso de ler - "Os Simpsons e a Filosofia", editora Madras, ano 2004. Neste livro filósofos e não-filósofos se reúnem para mostrar que algumas questões filosóficas muito interessantes são levantadas pelos personagens, pensamentos e enredos de Os Simpsons. Os ensaios são bem escritos, muitas vezes provocantes, reflexivos, inteligentes sem elitismo e, talvez, muito valiosos, divertidos de ler. Nada de uma apologia aos Simpsons (por exemplo, Bart poderia ser um herói nietzschiano ou um pensador heideggeriano?).

Do livro:
"Os tipos de caráter de Aristóteles (Raja Halwani, p. 19)
Aristóteles nos deu uma categorização lógica de quatro tipos de caráter. Falando de um modo geral, e deixando de lado os dois tipos extremos que são o caráter do super-homem e do bestial, temos o virtuoso, continente, incontinente e o vicioso. Para compreendermos melhor cada tipo, vamos contrastá-los em termos de como cada caráter se manifesta em ações, decisões e desejos. Devemos também considerar uma situação como exemplo e ver como cada um reagiria a ela.
Suponha que uma pessoa, a quem chamaremos de "Lisa", estivesse andando na rua e encontrasse uma carteira com uma considerável quantia em dinheiro. Se Lisa fosse virtuosa, ela não só tomaria a decisão de entregar a carteira às autoridades competentes, mas ainda se sentiria bem em fazer isso. Os desejos de Lisa estariam em harmonia com a correta ação e decisão. Considere agora Lenny, que é continente: se Lenny achasse a carteira, ele tomaria a decisão certa - devolver a carteira intacta - e seria capaz de cumprir a decisão - mas estaria agindo de forma contrária ao desejo de não devolver. Essa é a marca da pessoa continente: lutar contra os desejos para conseguir fazer a coisa certa.
Com os tipos incontinente e vicioso de caráter, as coisas pioram. A pessoa incontinente é capaz de tomar a decisão certa, mas tem a vontade fraca. No caso da carteira, e supondo que Bart seja o tipo de caráter incontinente de que falamos, ele sucumbiria ao desejo de ficar com a carteira e não agir corretamente, embora saiba que é errado não entregá-la ao dono. Com a pessoa viciosa, não há luta entre os desejos nem vontade fraca. O motivo disso, porém, é que a decisão da pessoa viciosa é moralmente errada, e seus desejos cooperam plenamente com ela. Se Nélson fosse vicioso, ele resolveria ficar com o dinheiro (e jogar fora o resto da carteira, ou devolvê-la e mentir sobre o que encontrou nela), desejaria fazer isso e agiria de acordo com o desejo.
Observemos melhor o que constitui um caráter virtuoso. Uma pessoa virtuosa é aquela que tem e exerce virtudes. Essas virtudes, aliás, são estados (ou características) de caráter que dispõem seu detentor a agir da forma correta e reagir emocionalmente da mesma maneira. Diante disso, vemos por que Aristóteles insistia em que as virtudes são estados de caráter que concernem tanto à ação quanto ao sentimento (A Ética a Nicômaco, livro II)".

Ao amigo Tales Queiroz, taí o que tínhamos conversado em uma mesa "gelada" - em relação ao caráter das pessoas, a conversa se reportava a uma "mala", no texto acima a referência é a "carteira", mas a essência é a mesma, um abraço.

quarta-feira, maio 17, 2006

Minha Belém, querida...


Descansar sob o túnel de mangueiras...

Negociar com PCC ou ajuda Federal?!


A Agência Estado, noticia que o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, acusou o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), de preferir negociar com o PCC do que aceitar a ajuda oferecida pelo governo federal. O ministro criticou o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), e sua administração de São Paulo e afirmou que Alckmin estava querendo transferir a responsabilidade de seus erros para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Alckmin criticou o governo federal, afirmando que o Ministério da Justiça diminuiu os repasses de recursos do Fundo Penitenciário Nacional e do Fundo Nacional de Segurança Pública para os Estados e que a melhor ajuda seria liberar mais recursos. Mas, para Tarso Genro, Alckmin estava tentando transformar a crise de segurança de São Paulo em um questão eleitoral e não quer assumir sua responsabilidade no caos que tomou conta do Estado nos últimos dias.

"O governador Alckmin está fazendo uma transferência de responsabilidade. Ele deveria assumir as responsabilidades do que está acontecendo em São Paulo", afirmou. "Nós temos que, nesse momento, despolitizar essa questão ou não vamos tratá-la com seriedade. Parece que ele está querendo exatamente fazer isso."


"São Paulo é um dos Estados mais ricos do Brasil. Proporcionalmente tem financeiramente mais condições do que qualquer outro Estado para ter uma política de segurança pública adequada", disse. "Quando a crise acontece, primeira tendência é transformar em uma questão eleitoral e transferir responsabilidade para o governo federal. É surpreendente, é lamentável que isso esteja acontecendo. Nós não podemos agir dessa forma. Nós devemos é nos unir para combater o crime e a violência."

Tarso afirmou que a responsabilidade do governo federal com a segurança é apenas "supletiva", com a Polícia Federal, a mobilização da Força Nacional de Segurança e o Exército. "E isso só pode ocorrer quando os governadores requisitam e o governador de São Paulo rejeitou", disse. "As pessoas têm que assumir, em momentos graves, a responsabilidade política pelo que fizeram enquanto estiveram no governo."

PASSEANDO EM SÃO PAULO


A inspiração foi decorrente de um final-de-semana em São Paulo?!

SOLIDÃO A DOIS E TÉDIO

O psicólogo Pierre Weil, escreveu um livro superinteressante – "Amar e ser amado: a comunicação no amor" -, da Editora Vozes, 1985. O autor pergunta ao leitor –“Será que estamos amando realmente? – Será que somos realmente amados?"
São perguntas feitas por todos nós, lá no nosso íntimo...

No 2º Capítulo do livro, Weil discorre sobre “A forma sensual do amor”, diz o autor: “Enquanto a forma genital do amor tem por finalidade o alívio da tensão sexual, a forma sensual consiste na procura do máximo de prazer para todos os sentidos através do atraso do alívio dessa tensão; na forma sensual do amor, os parceiros procuram aumentar a tensão, prolongá-la, visando a tirar da mesma todos os proveitos possíveis para os sentidos”.

Continua o autor: “O instinto sexual é semelhante a fome, poderíamos dizer que a forma genital corresponde ao alívio da fome com qualquer alimento, o mais depressa possível; a forma sensual corresponderia à gastronomia, à arte de comer bem, isto é, de prolongar o prazer de matar a fome com todos os requintes possíveis”.

Vejamos o que Pierre Weil escreve sobre o tema título do post:

“SOLIDÃO A DOIS E TÉDIO

A forma sensual do amor está cheia de emoções tão violentas que o resto do tempo, que é maior, parece desprovido de interesse; o contraste entre o período de relações amorosas e o de outras atividades é tão grande que, da mesma forma que no caso da relação genital, os casais costumam queixar-se de uma sensação de solidão e de tédio, que só desaparece com mais sensualidade. Quanto maior a sensualidade, tanto maior é o tédio posterior; quanto maior é o tédio, mais sensualidade se procura; os parceiros entram num círculo vicioso”.

Aos amigos Sílvio Meira, Milton Campos, Renato, Rogério Friza, Wanderlei Ladislau, Eduardo Bueres, Dias, Nilton Ataíde e muitos outros...
Há a vontade de sublimar...
Desprender-se do efêmero...
Mas, em nossas lutas pequenas, íntimas, somos confrontados por um turbilhão de novidades, que a todo o momento nos revelam a necessidade de “ter”...
Como diria Nietzsche em Além do Bem e do Mal (1882) nos vemos em meio a uma enorme ausência e vazio de valores, mas, ao mesmo tempo, em meio a uma desconcertante abundância de possibilidades. “Nossos instintos podem agora voltar atrás em todas as direções. Nós próprios somos uma espécie de caos”. E segue Nietzsche: “Nós modernos, nós semibárbaros. Nós só atingimos nossa bem-aventurança quando estamos realmente em perigo. O único estímulo que efetivamente nos comove é o infinito, o incomensurável”.

Apesar de tudo que expôs acima, Nietzsche deposita sua fé em uma nova espécie de homem – “o homem do amanhã e do dia depois de amanhã” – que, “colocando-se em oposição ao seu hoje”, terá coragem e imaginação para criar novos valores, de que o homem e a mulher modernos necessitam para abrir seu caminho através dos perigosos infinitos em que vivem.

Nietzsche veio em minha mente, na hora em que lia “Solidão a dois e tédio”, a colocação forte e perturbadora, é desafiadora...
Pensar, pensar...

MOBILIZAR FORÇAS PARA GARANTIR A VIDA...


Precisamos mobilizar forças e cobrar das autoridades o compromisso com a vida...
Reage Brasil!!!!!

Mais dignidade e cidadania. Depende da gente.

terça-feira, maio 16, 2006

ACORDO COM A BANDIDAGEM, SÃO PAULO & O BRASIL NÃO MERECEM.


Indignação!

É a palavra que resume o estado de espírito de todo brasileiro, não somente os paulistas...
E o que mais deixou atônitos os brasileiros, é sem dúvida, saber que o governo de São Paulo teve que fazer acordo com a bandidagem, para cessar os ataques às delegacias e prédios públicos.
Basta!!! Chega!!!
É necessário que todas as pessoas de bem demonstrem a sua indignação, diante da capitulação do Estado paulista...
Acordo com bandido, é demonstração de que falta política de segurança pública e acima de tudo falta vergonha-na-cara.
Não postei antes sobre a investida do crime organizado em São Paulo, esperando baixar a poeira, para melhor vislumbrar os acontecimentos...
Duas observações:
1. O tucanato deve uma explicação plausível ao povo brasileiro, mais de 10 anos de administração do maior e mais rico Estado brasileiro e a segurança em frangalhos.
2. FHC e Lula, ambos terão que responder o quanto investiram em segurança? E por que as taxas de juros sempre em alta?

Pobre povo brasileiro, entregue a ira dos bandidos, que sentenciam os rumos de nossas vidas. É a sensação de insegurança... É a sensação de que algo está fora da ordem... Mas acima de tudo, é a sensação de uma solidão atroz... É o abandono do Estado.
Faltam estadistas e políticas sérias.

domingo, maio 14, 2006

MINHA MÃE (Vinicius de Moraes)


Fiquei pensativo, o amigo Carlos Ponte de Portugal fez uma linda homenagem à mãe, não poderia deixar de lembrar dessa mulher que não abandona em nenhum momento os filhos...
Pensei...
E Vinícius soprou em meus ouvidos o poema abaixo, não preciso dizer o quanto o "poetinha" é especial. Eu e mais 20 amigos comemoramos há quatro anos o aniversário de Vinícius, e sempre cresce o número de adeptos da comemoração, muita música e declamação das poesias.
Deixemos o poetinha emocionar a todos...
Mãe, feliz dia das mães!!!


"Minha Mãe

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo

Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora.
Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fronte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.
Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim:
— Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme.
Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão, que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade.
Velo eu
Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia.
Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe."

O poema acima foi extraído do livro "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 186

quinta-feira, maio 11, 2006

"Teremos que caminhar da tolerância para a solidariedade"


Opinião de Zygmunt Bauman, de 80 anos, a "nova" estrela da sociologia


Em 1990 o sociólogo polonês Zygmunt Bauman tomou uma decisão importante: abandonou seu claustro na Universidade de Leeds. Os resultados foram imediatos. É o caso mais assombroso de florescimento tardio do mundo acadêmico, passados os 80 anos e lançando praticamente um livro anual, se convertendo, desde então, na “nova” estrela da sociologia contemporânea. Seus conceitos –“modernidade líquida”, “resíduos humanos” e “populações supérfluas”– revolucionaram o campo sociológico e hoje é considerado uma eminência entre seus pares. Ademais, os livros de Bauman são sucessos editoriais – para quem os problemas do mundo de hoje serão solucionados, a partir da passagem da tolerância para a solidariedade, e, sobre a sociologia, disse que a mesma hoje é imprescindível para as pessoas comuns. Seus livros são bestsellers, lidos por um público muito geral e sempre que dá uma conferência recebe tratamento de estrela pop.


O professor Bauman entende que a Globalização impõe novos dilemas.
A elite global sai do nada, compra a empresa onde as pessoas trabalham, racionaliza, despede a metade dos empregados, e é uma força que ninguém pode ver, cujas decisões se tomam em países distantes do país onde se localiza a empresa. É a fonte de incertezas de nossa vida cotidiana. Alguém pode estar desfrutando do momento, com boa relação com os amigos, chefes e colegas, mas quando chega a noite começam os pesadelos: o que aconteceria se perdesse o emprego? Se a nossa empresa se transferir para outra cidade?

A fonte de nossas angústias é a globalização da indústria financeira, do mercado de capitais, do comércio, mas tudo isto são noções abstratas que ninguém pode controlar. Mas, todos estes conceitos abstratos, podem resultar numa surpresa desagradável. Sendo assim, a reação natural é fazer algo sobre a parte de nossa vida que ainda controlamos.

Ninguém pode escrever a Rodríguez Zapatero e pedir-lhe que pare o comércio internacional, porque a Espanha seria severamente castigada, mas sim que dite novas leis para fortalecer as fronteiras ou que redobre o muro em Ceuta e em Melilla. É como o velho gracejo do bêbado que está buscando algo ao pé de um poste de luz. Um homem que passa lhe pergunta o que busca e ele responde uma cédula de vinte euros que perdeu. "A perdeu aqui?", pergunta o homem. "Não, na outra quadra", responde o bêbado. "Então por que a busca aqui?", insiste o desconhecido. "Porque aqui há luz!" Bom, todos nós estamos buscando a solução para nossos problemas no lugar equivocado, simplesmente porque é o que podemos ver. Sobre as empresas internacionais só podemos ter notícias das mesmas lendo nos diários, mas em relação ao imigrante, vizinho nosso, de um país pobre, nós agimos com uma maior impetuosidade – podemos expulsá-lo de nosso país.

Justiça toma hotel de delegado que ganhou na loteria 17 vezes

É incrível, mas de vez em quando aparecem pessoas que nasceram com as nádegas viradas pra lua, ô gente sortuda!!! Vamos ler e refletir.

Após um relatório feito pela Coaf (Conselho de Controle da Atividade Financeira) que mostrou que o delegado Luiz Ozilak, da Polícia Civil de São Paulo ganhou 17 vezes em loterias da Caixa em apenas três meses, a Justiça nesta terça-feira, 7 de março de 2006, decretou o seqüestro de um hotel de sua propriedade. Segundo informou O Estado de S. Paulo, ele é investigado pelos promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), do Ministério Público de São Paulo, e pela Corregedoria da Polícia Civil sob a suspeita de enriquecimento ilícito.

"CUIDADO COM OS BURROS MOTIVADOS"

A revista Isto é publicou em 19 de outubro de 2005, edição 1879, uma excelente entrevista. O entrevistado era o médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional, com vários livros publicados – Roberto Shinyashiki.
Vamos escutá-lo, vale a pena:


“Cuidado com os burros motivados”

No livro "Heróis de Verdade", Shinyashiki questiona a supervalorização da Aparência e diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.
Conforme a entrevista vai se desenvolvendo, Roberto Shinyashiki expõe que está Cansado dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das famílias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam que deve ser dito. Num teatro constante, são todos felizes, motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na competência. Dizem-se perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Como Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) em Poema em linha reta, o psiquiatra não compartilha da síndrome de super-heróis. "Nunca conheci quem tivesse levado porrada na vida (...) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe", dizem os versos que o inspiraram a escrever "Heróis de verdade" (Editora Gente, 168 págs., R$ 25). Farto de semideuses, Roberto Shinyashiki faz soar seu alerta por uma mudança de atitude. "O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras".


Sobre os “Heróis de verdade”: explica Roberto Shinyashiki – “Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.”

Quais os exemplos? Continua Shinyashiki – “Dona Zilda Arns, que não vai a determinados programas de tevê nem aparece de Cartier, mas está salvando milhões de pessoas. Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito “100% Jardim Irene”. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.”

Qual o resultado disso? Shinyashiki sentencia – “Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas.
Pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer, que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.”

Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus? Shinyashiki conclui – “A sociedade quer definir o que é certo. São quatro Loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: "Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz". Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.”

quinta-feira, maio 04, 2006

"AS PESSOAS NÃO MORREM, FICAM ENCANTADAS".

Quem melhor traduziu a linguagem regionalista, dotando-a de uma universalidade fundada na indagação sobre as forças que mobilizam secretamente o homem: Guimarães Rosa.
Estamos aqui debruçado sobre um escritor, tipicamente mineiro, sem alardes ou pirotecnias...

João Guimarães Rosa nasceu a 27 de julho de 1908, em Corsdisburgo, Minas Gerais. Depois de concluir os estudos secundários, ingressou na Faculdade de Medicina de Belo Horizonte. Formado, Guimarães Rosa seguiu para Itaiguara, no interior de Minas Gerais. Em 1933, já em Belo Horizonte, tornou-se capitão-médico da Força Pública de Minas Gerais. Durante a Revolução Constitucionalista, alistou-se como voluntário. Aprovado em 1934 num concurso para o Itamarati, ingressou na carreira diplomática. Com “Magma”, um livro de poemas, venceu, em 1936, um concurso promovido pela Academia Brasileira de Letras. Apesar do prêmio, não publicou o livro. Em 1938, o diplomata seguiu para Hamburgo como cônsul adjunto. Em 1946, publicou “Sagarana”, e em 1956 duas obras-primas: “Corpo de baile” e “Grande Sertão: veredas”. Em 1962, “Primeiras estórias”...

“As pessoas não morrem, ficam encantadas”.

O escritor discorre sobre sua arte: “Todos os meus livros são simples tentativas de rodear e devassar um pouquinho o mistério cósmico, esta coisa movente, impossível, pertubante e rebelde a qualquer lógica, que é a chamada realidade, que é a gente mesmo, o mundo, a vida. Antes o absurdo que o óbvio, que o frouxo. Toda lógica contém inevitável dose de mistificação. Toda mistificação contém boa dose de inevitável verdade”.
Para Guimarães Rosa, a elaboração da linguagem e a organização da narrativa devem restituir a complexidade e o mistério inerentes à vida.

A infância: “Não gosto de falar em infância. É um tempo de coisas boas, mas sempre com pessoas grandes incomodando a gente, intervindo, estragando os prazeres... Fui rancoroso e revolucionário permanente, então... Gostava de estudar sozinho e de brincar de geografia. Mas, tempo bom de verdade, só começou com a conquista de algum isolamento, com a segurança de poder fechar-me num quarto e trancar a porta. Deitar-me no chão e imaginar estórias, poemas, romances, botando todo mundo conhecido como personagem, misturando as melhores coisas vistas e ouvidas”.

A Revolução Constitucionalista: “Sim, fui médico, rebelde, soldado. Foram etapas importantes de minha vida, e, a rigor, essa sucessão constitui um paradoxo. Como médico, conheci o valor do sofrimento; como rebelde, o valor da consciência; como soldado, o valor da proximidade da morte.”

Novamente, sobre os seus livros: “Eles são, em essência, antiintelectuais... e defendem o altíssimo primado da intuição, da revelação, da inspiração sobre o bruxulear presunçoso da inteligência reflexiva, da vazão, a megera cartesiana... Quero ficar com o Tão, com os Vedas, e Upanishad, com os Evangelistas e com São Paulo, com Plotino, com Bérgson, com Berdiaeff – com Cristo, principalmente.

Academia Brasileira de Letras: Eleito em 1963 para a Academia Brasileira de Letras, o escritor adiou por quatro anos sua posse. Três dias depois (19 de novembro de 1967), faleceu vitimado por um enfarte. Ao assumir sua cadeira na Academia, havia declarado: “As pessoas não morrem, ficam encantadas”.

Obs.: Os excertos acima foram extraídos do Livro “Sagarana”, ano 1984, edição Círculo do Livro (Editora Nova Fronteira S.A.).

terça-feira, maio 02, 2006

O MUNDO NECESSITA DE UMA ESPIRITUALIDADE LAICA

Abri agora o La Nación, li e considero a entrevista do Dalai Lama uma vacina contra o proselitismo exacerbado de algumas seitas religiosas, que desconsiderando as contribuições que outras religiões proporcionam ao ser humano, se consideram como as únicas com a chave do Paraíso, neste momento, como deixar de citar o escritor-aviador americano - Richard Bach e o título de um de seus livros: "O Paraíso é uma questão Pessoal", cada pessoa com o seu momento de iluminação, descoberta, encantamento e paraísos... Ninguém viverá por você este momento, é único... Como a experiência da morte... Lembra?! Só você vive...
Vamos a uma pequena parte da entrevista com Dalai Lama, fiz uma tradução livre:

"O mundo necessita de uma espiritualidade laica"

Deve estar baseada na compaixão, disse

" O Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano, que chegou anteontem na Argentina, afirmou que “não tem sentido dizer que uma religião é melhor que outra” e que o mundo necessita de uma espiritualidade laica, não religiosa senão baseada em valores como o amor e a compaixão. Tenzin Gyatso, reconhecido pelo budismo como a décima-quarta reencarnação do primeiro Dalai Lama, que viveu no século XVI, veio acompanhado por três geshe (monjes como ele e doutores em filosofía), um secretário, um tradutor, três agentes de segurança e três políticos do Tibet. Mais de 10.000 pessoas assistiram as três conferências (uma dia 30 e duas ontem) proferidas com o tema – a paz, a sabedoria e a relação entre saúde e espiritualidade. A última palestra será hoje (02/maio).Num inglês combinado com tibetano, expôs que é melhor não mudar de religião e continuar com a tradição espiritual que se recebe. “Os ensinamentos devem adaptar-se as disposições mentais de cada indivíduo”, afirmou o prêmio Nobel da Paz de 1989, outorgado pela luta em defesa de seu país, Tibet, que foi ocupado pela China em 1959.


Sobre a sugestão de não se trocar de religião, as palavras do Dalai Lama:

– Tenho visto em alguns amigos que se converteram do cristianismo ao budismo, quando chega o momento da morte, ficam num estado mental de confusão. Em termos gerais não estou a favor da conversão; cada tradição tem o seu método peculiar e único. O que realmente necessitamos é de uma ética secular, uma espiritualidade laica, não religiosa.

–Uma ética secular que não rechace as religiões, mas sim que esteja sustentada nas qualidades inatas do ser humano. Não é necessário ser religioso para ser uma pessoa moralmente ética. O amor e a compaixão, por exemplo, não têm por que estar relacionados com uma religião. A idéia é que possamos viver em harmonia e conviver sem problemas."

Espero não abalar a fé de ninguém, o próprio Dalai Lama busca preservá-la, o importante é viver e deixar viver, não interessando as idiossincracias das pessoas ou grupos... Que cada cidadão possa expressar as suas convicções religiosas e respeitar as convicções dos demais, sem esquecer que o fato de alguém não possuir religião, não diminui a sua cidadania, portanto, a palavra-chave: respeito.

segunda-feira, maio 01, 2006

CURSO DE FORMAÇÃO DE "HOMENS".

Curso de formação de HOMENS!, este é o título do e-mail enviado pela amiga Marta Gama, resolvi divulgar, fiz o curso há vinte anos, por isso, tiro de letra o que se propõe os realizadores do novo curso. Não preciso fazê-lo, mas o amigo COLHER tá precisando, Eduardo Bueres já foi casado e demitido do lar por não ajudar nas prendas-domésticas, talvez devesse se candidatar a uma vaga, afinal vai que ele encontre uma feminista para compartilhar as aventurasa & desaventuras de uma-vida-a-dois, novamente.
Martinha, os machistas vão ficar arrepiados, mas não há como deixar de agradecer a sua contribuição com o blog - OBRIGADOOOOOO!
Estava esquecendo, se alguém tiver amigo necessitando, deixa o comentário aí, que a gente arranja uma vaga com um desconto generoso.

" CURSO PARA FORMAÇÃO COMPLETA DE HOMEM.

OBJETIVO PEDAGÓGICO: Permite ao homem desenvolver a parte do corpo da qual ignora a existência (o cérebro).

Duração: 4 MÓDULOS:
Módulo 1: Obrigatório

1. Aprender a viver sem a mamãe (2.000 horas).2. Minha mulher não é minha mãe (350 horas).3. Entender que não se classificar para o Mundial não é a MORTE (500 horas).
Módulo 2: Vida a dois

1. Ser pai e não ter ciúmes do filho (50 horas).2. Deixar de dizer impropérios quando a mulher recebe suas amigas (500 horas).3. Superar a síndrome do "o controle remoto é meu" (550 horas).4. Não urinar fora do vaso (1.000 horas - exercícios práticos em vídeo).5. Entender que os sapatos não vão sozinhos para o armário (800 horas).6. Como chegar ao cesto de roupa suja (500 horas).7. Como sobreviver a um resfriado sem agonizar (450 horas).
Módulo 3: Tempo livre

1. Passar uma camisa em menos de duas horas (exercícios práticos).2. Tomar a cerveja sem arrotar, quando se está à mesa (exercícios práticos)
Módulo 4: Curso de cozinha

1. Nível 1 (principiantes = os eletrodomésticos (ON/OFF = LIGA/DESLIGA).2. Nível 2 (avançado = minha primeira sopa instantânea sem queimar a panela).3. Exercícios práticos = ferver a água antes de por o macarrão.

CURSOS COMPLEMENTARES:
POR RAZÕES DE DIFICULDADE, COMPLEXIDADE E ENTENDIMENTO DOS TEMAS, OS CURSOS TERÃO NO MÁXIMO 3 ALUNOS.

1. A eletricidade e eu: vantagens econômicas de contar com um técnico competente para fazer reparos.2. Cozinhar e limpar a cozinha não provoca impotência nem homossexualidade (práticas em laboratório).3. Porque não é crime presentear com flores, embora já tenha se casado com ela.4. O rolo de papel higiênico: Ele nasce ao lado do vaso sanitário? (biólogos e físicos falarão sobre o tema da geração espontânea). 5. Como baixar a tampa do vaso passo a passo (teleconferência).6. Porque não é necessário agitar os lençóis depois de emitir gases intestinais (exercícios de reflexão em dupla).7. Os homens dirigindo, podem SIM, pedir informação sem se perderem ou correr o risco de parecerem impotentes (testemunhos). 8. O detergente: doses, consumo e aplicação.Práticas para evitar acabar com a casa.9. A lavadora de roupas: esse grande mistério!10. Diferenças fundamentais entre o cesto de roupas sujas e o chão (exercícios com musicoterapia).11. A xícara de café: ela levita, indo da mesa à pia? (exercícios dirigidos por Mister M).12. Analisar detidamente as causas anatômicas, fisiológicas e/ou psicológicas que não permitem secar o banheiro depois do banho."