sexta-feira, maio 26, 2006

Pablo Neruda


Em "Canto Geral", Neruda escreve sobre o nosso continente, relata as injustiças, os trabalhadores e suas utopias, a certeza que os ditadores perecerão... Vida e morte... Testamento...

"A MORTE

Renasci muitas vezes, desde o fundo
de estrelas derrotadas, reconstruindo o fio
das eternidades que povoei com as minhas mãos,
e agora vou morrer, sem nada mais, com terra
sobre o meu corpo, destinado a ser terra.

Não comprei uma parcela do céu que vendiam
os sacerdotes, nem aceitei trevas
que o metafísico manufaturava
para despreocupados poderosos.

Quero estar na morte com os pobres
que não tiveram tempo de estudá-la,
enquanto os espancavam os que têm
o céu dividido e arrumado.

Tenho pronta a minha morte, como uma roupa
que me espera, da cor que amo,
da extensão que procurei inutilmente,
da profundidade que necessito.

Quando o amor gastou a sua matéria evidente
e a luta debulha os seus martelos
em outras mãos de acrescentada força,
vem a morte para apagar os sinais
que foram construindo tuas fronteiras."

O engajamento político do poeta é marcante, inclusive no dia em que Neruda recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1971, fez um discurso dizendo “...Hoje faz exatos cem anos, em que um pobre e admirável poeta, o mais atroz dos desesperados, escreveu esta profecia: "Ao amanhecer, armados de uma ardente paciência, entraremos nas esplêndidas cidades".
Acredito nesta profecia de Rimbaud, o vidente. Venho de uma província obscura, de um país separado de todos os outros pela cortante geografia. Fui o mais abandonado dos poetas e a minha poesia foi regional, dolorosa e chuvosa. Mas sempre tive confiança no homem. Jamais perdi a esperança. Talvez por isso chegasse até aqui com a minha poesia e também com a minha bandeira. (...) Em conclusão, devo dizer aos homens de boa vontade, aos trabalhadores, aos poetas, que todo o futuro foi expresso nesta frase de Rimbaud: só com uma ardente paciência conquistaremos a esplêndida cidade que dará luz, justiça e dignidade a todos os homens.Assim, a poesia não terá cantado em vão.”

Em 12 de julho, o mundo irá comemorar os 102 anos do nascimento do poeta Pablo Neruda.
Neruda não foi esquecido pelo cinema, em 1995, foi lançado o filme "O Carteiro e o Poeta"(The Postman Postino) com direção de Michael Radford, baseado em livro de Antonio Skármeta, fez um sucesso estrondoso. A trama se desenvolve numa remota ilha do Mediterrâneo, um carteiro recebe a ajuda do poeta Pablo Neruda a fim de conquistar o amor de sua vida. Com Massimo Troisi e Philippe Noiret. Vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora.
Uma curiosidade o ator e roteirista Massimo Troisi morreu de ataque cardíaco apenas um dia após a conclusão das filmagens de O Carteiro e o Poeta.

A película é linda, vale a pena correr até à locadora e levar pra casa, convide a pessoa que você gosta, é certeza que a emoção vai deixar os olhos marejados de ternura...

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