quarta-feira, maio 17, 2006

SOLIDÃO A DOIS E TÉDIO

O psicólogo Pierre Weil, escreveu um livro superinteressante – "Amar e ser amado: a comunicação no amor" -, da Editora Vozes, 1985. O autor pergunta ao leitor –“Será que estamos amando realmente? – Será que somos realmente amados?"
São perguntas feitas por todos nós, lá no nosso íntimo...

No 2º Capítulo do livro, Weil discorre sobre “A forma sensual do amor”, diz o autor: “Enquanto a forma genital do amor tem por finalidade o alívio da tensão sexual, a forma sensual consiste na procura do máximo de prazer para todos os sentidos através do atraso do alívio dessa tensão; na forma sensual do amor, os parceiros procuram aumentar a tensão, prolongá-la, visando a tirar da mesma todos os proveitos possíveis para os sentidos”.

Continua o autor: “O instinto sexual é semelhante a fome, poderíamos dizer que a forma genital corresponde ao alívio da fome com qualquer alimento, o mais depressa possível; a forma sensual corresponderia à gastronomia, à arte de comer bem, isto é, de prolongar o prazer de matar a fome com todos os requintes possíveis”.

Vejamos o que Pierre Weil escreve sobre o tema título do post:

“SOLIDÃO A DOIS E TÉDIO

A forma sensual do amor está cheia de emoções tão violentas que o resto do tempo, que é maior, parece desprovido de interesse; o contraste entre o período de relações amorosas e o de outras atividades é tão grande que, da mesma forma que no caso da relação genital, os casais costumam queixar-se de uma sensação de solidão e de tédio, que só desaparece com mais sensualidade. Quanto maior a sensualidade, tanto maior é o tédio posterior; quanto maior é o tédio, mais sensualidade se procura; os parceiros entram num círculo vicioso”.

Aos amigos Sílvio Meira, Milton Campos, Renato, Rogério Friza, Wanderlei Ladislau, Eduardo Bueres, Dias, Nilton Ataíde e muitos outros...
Há a vontade de sublimar...
Desprender-se do efêmero...
Mas, em nossas lutas pequenas, íntimas, somos confrontados por um turbilhão de novidades, que a todo o momento nos revelam a necessidade de “ter”...
Como diria Nietzsche em Além do Bem e do Mal (1882) nos vemos em meio a uma enorme ausência e vazio de valores, mas, ao mesmo tempo, em meio a uma desconcertante abundância de possibilidades. “Nossos instintos podem agora voltar atrás em todas as direções. Nós próprios somos uma espécie de caos”. E segue Nietzsche: “Nós modernos, nós semibárbaros. Nós só atingimos nossa bem-aventurança quando estamos realmente em perigo. O único estímulo que efetivamente nos comove é o infinito, o incomensurável”.

Apesar de tudo que expôs acima, Nietzsche deposita sua fé em uma nova espécie de homem – “o homem do amanhã e do dia depois de amanhã” – que, “colocando-se em oposição ao seu hoje”, terá coragem e imaginação para criar novos valores, de que o homem e a mulher modernos necessitam para abrir seu caminho através dos perigosos infinitos em que vivem.

Nietzsche veio em minha mente, na hora em que lia “Solidão a dois e tédio”, a colocação forte e perturbadora, é desafiadora...
Pensar, pensar...

2 comentários:

Direito & Esquerdo disse...

Pô amigo Nelito,

Estás bem?
Fumaste algo?
E a bebida, estás indo com calma?
Não beba mais Coca-cola com Guaraná em pó, valeu !
Um abraço amigo
Bruno

citadinokane disse...

Dissoluto Bruno,
Pelo visto, estavas novamente a beber...
"Ebrietas tunc est insania voluntatis, auferi memoria, dissipat sensum, obtundit visum, infirmat nervos, obturbat auditum, onerat cerebrum, confudit intellectum, secreta pandit, rixas excitat et multa alia fait".

Traduzindo: "A embriaguez, pois, é loucura voluntária, tira a memória, dissipa o sentido, obscurece a vista, enfraquece os nervos, perturba o ouvido, onera o cérebro, confunde a inteligência, abre os segredos, excita os ódios e faz muitas outras coisas".

Resumindo: "Pára de beber!"