quinta-feira, maio 11, 2006

"Teremos que caminhar da tolerância para a solidariedade"


Opinião de Zygmunt Bauman, de 80 anos, a "nova" estrela da sociologia


Em 1990 o sociólogo polonês Zygmunt Bauman tomou uma decisão importante: abandonou seu claustro na Universidade de Leeds. Os resultados foram imediatos. É o caso mais assombroso de florescimento tardio do mundo acadêmico, passados os 80 anos e lançando praticamente um livro anual, se convertendo, desde então, na “nova” estrela da sociologia contemporânea. Seus conceitos –“modernidade líquida”, “resíduos humanos” e “populações supérfluas”– revolucionaram o campo sociológico e hoje é considerado uma eminência entre seus pares. Ademais, os livros de Bauman são sucessos editoriais – para quem os problemas do mundo de hoje serão solucionados, a partir da passagem da tolerância para a solidariedade, e, sobre a sociologia, disse que a mesma hoje é imprescindível para as pessoas comuns. Seus livros são bestsellers, lidos por um público muito geral e sempre que dá uma conferência recebe tratamento de estrela pop.


O professor Bauman entende que a Globalização impõe novos dilemas.
A elite global sai do nada, compra a empresa onde as pessoas trabalham, racionaliza, despede a metade dos empregados, e é uma força que ninguém pode ver, cujas decisões se tomam em países distantes do país onde se localiza a empresa. É a fonte de incertezas de nossa vida cotidiana. Alguém pode estar desfrutando do momento, com boa relação com os amigos, chefes e colegas, mas quando chega a noite começam os pesadelos: o que aconteceria se perdesse o emprego? Se a nossa empresa se transferir para outra cidade?

A fonte de nossas angústias é a globalização da indústria financeira, do mercado de capitais, do comércio, mas tudo isto são noções abstratas que ninguém pode controlar. Mas, todos estes conceitos abstratos, podem resultar numa surpresa desagradável. Sendo assim, a reação natural é fazer algo sobre a parte de nossa vida que ainda controlamos.

Ninguém pode escrever a Rodríguez Zapatero e pedir-lhe que pare o comércio internacional, porque a Espanha seria severamente castigada, mas sim que dite novas leis para fortalecer as fronteiras ou que redobre o muro em Ceuta e em Melilla. É como o velho gracejo do bêbado que está buscando algo ao pé de um poste de luz. Um homem que passa lhe pergunta o que busca e ele responde uma cédula de vinte euros que perdeu. "A perdeu aqui?", pergunta o homem. "Não, na outra quadra", responde o bêbado. "Então por que a busca aqui?", insiste o desconhecido. "Porque aqui há luz!" Bom, todos nós estamos buscando a solução para nossos problemas no lugar equivocado, simplesmente porque é o que podemos ver. Sobre as empresas internacionais só podemos ter notícias das mesmas lendo nos diários, mas em relação ao imigrante, vizinho nosso, de um país pobre, nós agimos com uma maior impetuosidade – podemos expulsá-lo de nosso país.

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