sábado, julho 22, 2006

Gibran Khalil Gibran

Você já leu algum livro de Khalil Gibran? Nas edições brasileiras a tradução é de Mansour Chalita. Em minha adolescência certo dia um amigo emprestou-me "O Profeta", surpreso com o texto que a cada página me prendia mais, me perguntava no silêncio da leitura - como era possível uma pessoa traduzir tanta emoção e ensinamento virtuoso?... Sim, era possível, e cada linha do texto confirmava que Deus inspirava amorosamente aos seus enviados a paz, o amor, o respeito, a tolerância... Estava tudo isso desfilando sob o meu olhar juvenil e profundamente impactado com essa descoberta. Era Gibran, o poeta, o profeta, o reformador social, o grande professor ensinando a esperança nas parábolas do profeta...
Gibran amava o Líbano, os relatos e passagens dos seus vários textos retratam os montes e o Mar Mediterrâneo, revelam a beleza do Líbano iluminada pela sua geografia - com larga planície costeira e duas cadeias de montanhas ao norte e ao sul (as montanhas do Monte-Líbano e Anti-Líbano). Gibran não esquecia do fértil Vale de Bekaa, com seus rios Litani e Orontes, que separam essas montanhas e regam o terreno.
No livro "Jesus o Filho do Homem", segundo alguns amigos do escritor, Gibran escreve como se estivesse em transe, dia-e-noite sem parar quase ficando com a saúde abalada, é pura emoção...
Abaixo um trecho desse livro, e não esqueçam do Líbano de Gibran...

“UMA DAS MARIAS*
De sua tristeza e de seu sorriso

Sua cabeça mantinha-se sempre erguida, e a chama de Deus estava em seus olhos.
Estava freqüentemente triste, mas sua tristeza era ternura manifestada àqueles que sofriam, e camaradagem dada aos solitários.
Quando sorria, seu sorriso era como a fome daqueles que anseiam pelo desconhecido, e como a poeira de estrelas caindo sobre as pálpebras das crianças. E era como um pedaço de pão na garganta.
Ele era triste, mas de uma tristeza que subia aos lábios e tornava-se um sorriso.
Era como um véu dourado na floresta quando o outono está sobre o mundo. E algumas vezes parecia como o luar nas margens do lago.
Sorria como se seus lábios cantassem numa festa de bodas.
Todavia, era triste com a tristeza do ente alado que não ultrapassa no vôo seu camarada.”

*Extraído do livro “Jesus o Filho do Homem” de Gibran Khalil Gibran. Rio de Janeiro: Mansour Challita, 1975, p. 71.

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