domingo, julho 30, 2006

Nada é impossível de Mudar (Bertold Brecht)


Nada é impossível de Mudar

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar."

Sempre me impressionou a força das idéias de Brecht. O texto de Brecht é uma verdadeira navalha, corta e expõe as mazelas de uma sociedade atravessada de contradições...

O grande Bertold Brecht nasceu no dia 10 de fevereiro de 1898. Viveu os grandes acontecimentos da primeira metade do século passado, a 1ª Grande Guerra Mundial, a Revolução bolchevique. Confiante com a Revolução alemã, frustrado ao vê-la massacrada pela reação e seus líderes serem barbaramente assassinados, assim como milhares de operários e também as lideranças sindicais. Conviveu com a fome dos anos 20, acompanhou a ascensão de Hitler, viu a perseguição de perto.
A pesar de todas as perseguições Brecht escreveu de tudo: poesia, teatro, ensaios, roteiros de cinema. Enfrentou muitas dificuldades para sobreviver: pouco dinheiro e o rótulo de comunista.
Depois do fim da guerra volta para a Alemanha, e num curto espaço de tempo Brecht teve o seu teatro e o seu coletivo de trabalho: o Berliner Ensemble.
Brecht lutou durante toda a sua vida pelos oprimidos. Claramente assumiu posições de esquerda e procurou colocar a luta de classes no palco. Nunca de forma dogmática. Sempre buscando a dúvida dialética. Morreu aos 58 anos no dia 14 de agosto de 1956.

2 comentários:

Carlos Ponte disse...

Por vezes, passando em revista todas as imutáveis mazelas do mundo, quase juraria que, neste caso, Brecht não tem razão.
Convençamo-nos do contrário!
Com certeza, amanhã o Sol brilhará!
Um abraço p'ró meu amigo Pedro.
Carlos Ponte

citadinokane disse...

Carlos,
Acredito que um dia os radicais do Hamas e do Hezbollah irão depor as armas e aceitar a possibilidade de existência do Estado de Israel...
Acredito também que os carniceiros de Telaviv aceitarão conviver pacificamente com os islâmicos...
Acredito que existe uma força na gente que nos direciona para uma convivência amorosa...
Mas, às vezes duvido de tudo isso... Me revolto com a violência gratuita, sem justificativas... praticadas em nome da paz e me sinto um nada quando num mundo globalizado escutamos os gemidos de tantas crianças, velhos, mulheres, homens dearmados sendo triturados pela máquina da guerra, aqui do nosso lado, na tela do computador...
Ah! quanta dor iremos vivenciar ainda?!
Até quando?!