quarta-feira, julho 19, 2006

Remorso (Olavo Bilac)



Às vezes uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.

Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah ! Mais cem vidas ! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando !

Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude.

Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!

2 comentários:

Anônimo disse...

Se as pessoas soubessem o quanto é maravilhoso, gratificante, procurar viver intensamente seus sentimentos. Desabafar, dizer: "Eu te amo", "Estou com saudades de você", "Penso em você", enfim... Ter a liberdade de amar e viver, sem ter que depois lamentar o tempo perdido. Estes..., ah! estes já não voltam mais... Então..., ficarás dentro de ti, apenas com a sensação de arrependimento, de não ter sabido desfrutar os melhores momentos de teu sentimento.

Mari

citadinokane disse...

Mari,
O que escreves é de uma profundidade abissal. Quem está disposto a se arriscar?!
Ser feliz é simples. O que está exposto nas últimas linhas do teu comentário,é o remorso daqueles que tiveram medo...
Um abraço,
Pedro