terça-feira, julho 25, 2006

ROSEBUD

A imagem em preto e branco, a neve caindo... A Mansão sombria , nos limites da propriedade um alambrado com as palavras “No Trespassing” – proibida a entrada, a música de fundo aumentando mais o ar funesto da cena, o portão suntuoso com grades trabalhadas e no alto a letra K em destaque, a cena continua, o nevoeiro, mas é possível vislumbrar melhor a Mansão como se fora um castelo antigo com várias torres e uma janela com a luz acesa... A câmera recua possibilitando uma imagem do portão de entrada, uma jaula com uma placa escrita "Bengal Tiger", mas não aparece o tigre e sim dois macaquinhos que estão nas grades um tanto assustados... A névoa se dissipa aos poucos e podemos ver o lago que circunda a Mansão com os barcos estáticos, uma tabuleta de madeira uma silhueta de um felino, talvez um tigre olhando para o rio... A câmera se aproximando da mansão, em destaque a janela com a luz acesa... A cena seguinte, a sonoplastia dá um clima de suspense, para de repente a luz se apagar... Agora a imagem é de dentro do quarto, aparece uma cama com uma pessoa deitada e coberta pelo lençol, não se enxerga o rosto da pessoa, a janela ao fundo recebendo os primeiros raios de sol e com o entardecer a neve voltando a cair... A neve caindo e a imagem que surge é de uma casinha coberta de neve, sendo que a casinha está dentro de uma esfera de vidro na mão de uma pessoa, a câmera focaliza a boca de um homem com bigode grisalho que murmura a palavra ROSEBUD, a cena em seguida, o homem deixa cair de sua mão a esfera de vidro com a casinha dentro, a esfera rola dois degraus ao lado da cama, espatifando-se no chão, a água de dentro esparrama-se e a casinha fica exposta fora do vidro quebrado, e aí a imagem é sensacional, a enfermeira abre a porta, sendo que a câmera foca a enfermeira a partir do ângulo da casinha jogada no chão, a casinha e o vidro quebrado ficam em primeiro plano e a enfermeira no fundo refletida em parte da esfera de vidro. A enfermeira se dirige para o corpo na cama, pega os braços acomodando-os sobre o peito, mãos entrecruzadas e o último movimento da enfermeira, puxa a ponta do lençol que envolve o corpo do homem levando-a por sobre a cabeça, isto é, cobrindo o rosto do homem. O corpo inerte na cama ao fundo a janela do quarto e os raios de sol penetrando. Charles Foster Kane está morto.
O relato acima trata-se do filme "Cidadão Kane", estrelado pelo próprio Orson Welles, a película vai discutir o 4º poder- o da imprensa(mídia), é muito interessante, foi considerado o melhor filme de todos os tempos - votado pelo American Film Institute.

Filme: Cidadão Kane
Direção: Orson Welles
Ano: 1941

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