domingo, agosto 20, 2006

José Saramago: Leitura é para minoria...


Navegando pela internet encontrei uma reportagem da Ag. Lusa, nela o escritor português José Saramago diz que leitura é para minoria, esse depoimento está datado de 1 de junho passado em Lisboa. José Saramago, Prêmio Nobel da Literatura, questionou a utilidade de o Estado estimular a leitura, afirmando que "voluntarismos" não valem a pena no que "sempre foi e será coisa de uma minoria".
Saramago integra juntamente com o jogador de futebol Luís Figo, o presidente do Grupo Sonae, Belmiro de Azevedo e outros a Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura, iniciativa dos ministérios portugueses da Cultura e da Educação que será apresentado ao público hoje.
Em debate ocorrido na Biblioteca Municipal de Oeiras, distrito de Lisboa, Saramago expôs que não vale a pena o voluntarismo, considera inútil mesmo, porque desde sempre ler foi e será coisa de uma minoria. Para o Prêmio Nobel de Literatura não se deve exigir a todo mundo a paixão pela leitura, visto que o estímulo à leitura é uma coisa estranha, não deveria existir outro estímulo além da necessidade de um instrumento que permita conhecer, o escritor português assevera que mal vão as coisas quando é preciso estimular. Observa que no futebol ninguém precisa de estímulos para ficar entusiasmado.
Outro ponto levantado por ele foi com relação: instrução x educação. Para Saramago não se pode confundir a "instrução", que está ligada ao conhecimento, com a "educação", ligada aos valores. O festejado escritor pergunta: - Onde está a educação na escola em que os professores são agredidos, humilhados e desprezados? Os professores são os heróis do nosso tempo, afirma Saramago. Não deixa de lembrar que existem "professores incompetentes", aqueles que trabalham "sem vocação".
Recomenda Saramago que a leitura em voz alta deveria ser encorajada na sala de aula.E criticou a linha de ensino que prega que a correção ortográfica não é importante. Finaliza o escritor dizendo: "Qualquer operário sabe que tem que ter suas ferramentas limpas e em condições de serem usadas. A língua é a ferramenta por excelência".

7 comentários:

Carlos Ponte disse...

Pedro,
Como escritor o José Saramago é um dos meus favoritos. Tem obras que considero verdadeiras obras primas: Memorial do Convento; Levantado do Chão; História do Cerco de Lisboa; O ano da morte de Ricardo Reis; A Jangada de Pedra; Ensaio sobre a Cegueira; etc, etc, etc. Como pessoa tenho algumas reservas e não concordo com muitas das suas ideias e decisões, como por exemplo a razão pela qual decidiu ir viver para Lanzarote - pelo menos a razão que ele apresenta no seu diário.
Sobre a ortografia ele tem que defender a sua dama já que a sua escrita é, neste particular, bastante criativa, tendo o leitor que estar muito atento já que a pontuação, praticamente, não existe.
Mas o José Saramago são os seus livros por isso,
Viva o Saramago!
Pedro, um abraço fraterno para si.
Carlos Ponte

citadinokane disse...

Carlos,
Me parece que Saramago gosta da polêmica...
Se fosse para estabelecer essa saia-justa no governo português, era melhor não participar da comissão concorda?!
Um abraço,
Pedro

marisanblog disse...

Pedro, escrevi aqui um monte de coisas, divaguei, depois deletei. Quem sabe outra hora, mas adianto que o assunto é bastante polêmico...

Abraços

Mari

citadinokane disse...

Com certeza.

Carlos Ponte disse...

Saramago é mesmo assim Pedro. Rapaz de ideias arreigadas. Se se metesse mais na política - na activa como sói dizer-se - por certo lhe chamaríamos por cá cassette Saramago. De qualquer modo é leal para com os amigos. Veja-se, por exemplo, o caso do amigo Grass: numa altura que meio mundo o critica Saramago defende-o com unhas e dentes. Amigo é mesmo assim, é para as ocasiões.
Note-se, no entanto, que eu não estou a criticar a conduta do Günter Grass.
Um abraço,
Carlos Ponte

citadinokane disse...

Carlos,
Lealdade é muito importante.
Viva Saramago!!!
Abraços irmão,
Pedro

Carlos Ponte disse...

Viva!