terça-feira, agosto 08, 2006

Música alucinógena


Alguns anos atrás quando o amigo Duda Bueres era visitante assíduo do nosso escritório, gostávamos de ouvir os famigerados vinis dos ícones da MPB, a eletrola não parava, um vinil atrás do outro... Quando o líquido fermentado começava a fazer efeito, Duda lançava uma loa aos monstros sagrados... Para depois virar-se de lado, com os olhos marejados de lágrimas, sussurrar, quase inaudível - pô cara tu és irmão pra caramba! Depois contava como conheceu o Xico Rocha, os olhos dele brilhavam, segundo a lenda os dois brincavam de peteca-paga-bolo... Existiam momentos inesquecíveis, relato um: Duda escutava o vinil Traduzir se de Fagner e resolveu, chorando dramaticamente, pegar uma escada e arrancar Jesus do crucifixo que tenho na parede do escritório, virei pra ele e disse: Ê "mermão" qual foi a bebida que tu fumaste? Parecia que o desgraçado estava em transe, depois ele me falou com calma que estava muito estressado... Em seguida suspendemos o fermentado.
Abaixo a letra da música que deixou o Duda louco.

"La Saeta
Fagner
Composição: Antonio Machado, Joan Manuel Serrat

Disse uma voz popular
Quem me empresta uma escada
Para subir ao altar
Para tirar os cravos
De jesus, o nazareno

Oh! la saeta el cantar
Al cristo de los gitanos
Siempre con sangre en las manos
Siempre por desenclavar

Cantar del pueblo andaluz
Que todas las primaveras
Anda pediendo escaleras
Para subir a la cruz

Cantar de la tierra mia
Que hecha flores
Al jesus de la agonia
Que es la fe mis mayores

Oh! no eres tu mi cantar
No puedo cantar ni quiero
A esse jesus del madero
Si no al que anduvo en la mar"

10 comentários:

Anônimo disse...

Caro Pedro Nelito, o nosso amigo Bueres já não pode mais sentir emoções desta natureza, o peso do viver lhe concedeu o lhano sentir. As rememorações de velhos amores, grandes paixões, por vezes o coloca em situações de encravelhação. Não sendo dificil aquele gesto, em que ele com suas mãos em forma de concha, as conduz até os olhos e o prnto aflora de maneira copiosa.
Abraços
Xico Rocha

citadinokane disse...

Xico,
Esse homem vive no passado... é incrível quando ele lança o olhar em direção ao horizonte, os olhos ficam vidrados, para logo em seguida apresentarem um brilho estranho...
Quando ele incorpora a entidade sapo-boi, fala em língua de fogo, dialetos que foram extintos, é uma maravilha...
É nosso irmãozinho.
Um abraço,
Pedro

Anônimo disse...

Afinal.., quem Diabo é esse Bueres ?? Estou louca para conhecer essa entidade, certamente muito carismática e desconcertantemente linda, inteligente. Deve ser o tipo que faz nos, mulheres(e talvez homens nem tão homens), ficarmos todos instigados à saber mais sobre ele, já que os tipos comuns nos cercam. Bueres Cadê Voce ? preciso desesperadamente te encontrar..!
Angelina Hathmann

citadinokane disse...

Angelina,
Não irá demorar e ele deve fazer algum comentário aqui nesse espaço.
Ele é de carne, osso e muita emoção...
Um sonhador, um homem dos anos 60 que foi congelado e só agora no início do novo milênio foi degelado, não é por menos que ele só pensa nos Beatles...
Bom, não sou muito expert em descrever entidades, mas fiz um pequeno esforço.
Duda te manifesta!!!!
Um abraço Angelina,
Pedro

Anônimo disse...

Sabe Angelina..,turss..Perdoe, a minha voz, esta rascante esta noite..

Na impossibilidade de evoluir já que sou apenas um velho homem, um anônimo na multidão,resolvi regredir, mas no bom sentido.

Nestes ultimos dias do verão que passou, viajei para cidade de Soure.

Lá, em plena lua cheia, resolvi emitir o meu grito primal para as pradarias,
eu nestava nú e carregava apenas uma moeda na lingua.

Foram tres dias bebendo a agua pura, diretamente dos corregos, comendo pequenas frutas silvestres,

E foi deitando a tez na relva, olhos para as estrelas
que compreendi que sou um cara apaixinado pelo que se foi

e que a civilização já não pode me dar nada.

O novo para mim é velho..

tão velho quando o meu ultimo amor, que se esvaiu feito a fumaça de um velho navio cargueiro no horizonte..

Perdoe-me, querida Angelina, agora estou com os olhos vermelhos, acho que do vinho ratuíno que ora bebo,

ou talvez da musica da Piaf que do vinil do meu tísico vizinho, me chega quase inaldível, que trata de amores mal sucedidos.

Agora devo apagar a vela da escrivaninha, não por ser a última,

mais para levar voçe na mente para o meu surrado colchão,

porque o melhor do mundo são as ilusões e sonhos que podemos construir
e a mente, só tem esse nome porque gera as mentiras mais doces.

sem nunca ter te visto,

neste momento, voce é a minha luz e minha vida..,

receba um delicado beijo em seus pés e imaginárias rosas de verdade.
(E.B)

Anônimo disse...

Sabe Angelina..,turss..Perdoe-me, é a minha voz, esta rascante esta noite..

Na impossibilidade de evoluir já que sou apenas um velho homem, um anônimo na multidão,resolvi regredir, mas no bom sentido.

Nestes últimos dias do verão que passou, viajei para cidade de Soure, fica na Ilha do Marajó.

Lá, em plena lua cheia, resolvi emitir o meu grito primal para as pradarias,
eu nestava nú e carregava apenas uma moeda na língua.

Foram três dias bebendo a água pura, diretamente dos córregos, comendo pequenas frutas silvestres,

E foi deitando a tez na relva, olhos para as estrelas
que compreendi que sou um cara apaixonado pelo que se foi

e que a civilização já não pode me dar nada.

O novo para mim é velho..

tão velho quando o meu último amor, que se esvaiu feito a fumaça de um velho navio cargueiro no horizonte...

Perdoe-me, querida Angelina, agora estou com os olhos vermelhos, acho que do vinho ratuíno que ora bebo,

ou talvez da música da Piaf que do vinil do meu tísico vizinho, me chega quase inaudível, que trata de amores mal sucedidos.

Agora devo apagar a vela da escrivaninha, não por ser a última,

mais para levar você na mente para o meu surrado colchão,

porque o melhor do mundo são as ilusões e sonhos que podemos construir
e a mente, só tem esse nome porque gera as mentiras mais doces.

sem nunca ter te visto,

neste momento, você é a minha luz e minha vida...

receba um delicado beijo em seus pés e imaginárias rosas de verdade.
(E.B.)

gabriela disse...

Olá Pedro,
Acho essa letra de Machado, muito linda e acredito que pudesse fazer alguem ficar com a inspiração necessaria para tirar os pregos da cruz a Jesus. Não é muito mais linda a imagem do Jesus "que anduvo en la mar"? E quase uma troca de Fé na Vida e não na morte como querer nos fazer crer!!!
A interpretação do Serrat é demais!!!

Abraço catalão-argentino

citadinokane disse...

Gabriela,
Muito bom falar dessa letra... Tocaste certeiramente na minha ferida. Não lembro em que película sobre a vida de Jesus, talvez com a direção de Fellini(não estou bem certo), assisti um Jesus tão humano, tão bonito, tão próximo da gente... Sorria descontraído, era realmente demasiadamente humano... Acredito nEle, na vida que pulsa em nossas veias e na possibilidade de mudarmos o mundo.
Quando Serrat interpreta essa música, impossível não procurar uma escada para tirá-lo da cruz, é uma emoção muito forte, é de arrepiar...
Fé na vida e não na morte.
Obrigado Gabriela por fazer que a emoção dessa imagem se espraie em meu coração...
Um fraterno abraço hermana,
Pedro

marisanblog disse...

Pedro,
Eu acho que a música transmite no presente, um momento vivo do passado.

Abrçs

Mari

marisanblog disse...

O Duda é o cara. Revolucionou mermo né?!