quarta-feira, setembro 13, 2006

Papéis velhos, guardados e bem guardados.

Costumo remexer papéis velhos, guardados e bem guardados. Um hábito antigo não compartilhado com minha companheira de jornada, ela é bem mais objetiva do que este renitente sonhador e guardador de papéis...
Ela guarda mesmo contas e os meus cartões enviados e transbordados de lirismo oitentista, as contas até cinco anos e os cartões já vão alguns lustros e só.
E dentre os vários papéis, eis que encontro um todo amassado e rabiscado, ineludível... Agora começo a lembrar, era uma daquelas reuniões do movimento estudantil, uma garota (não lembro o nome) embalada pelo fervor que contagiava a todos, se aproxima e entrega-me uma folha com os seguintes dizeres:

"A exigência de abandonar as
ilusões sobre a situação é a
exigência de abandonar uma
situação que necessita de ilusões"(Marx)

Fico aqui lendo e pensativo, mudar o mundo rapidinho era objetivo de todos os militantes, pelo menos o nosso... Era reunião pra cá, pra lá... Acordos, conchavos e todos os tipos de negociações, sempre fazendo o que seria melhor para a classe trabalhadora, não esqueça, naquele momento todos achavam que a "classe operária" era o verdadeiro sujeito histórico, responsável pela superação do capitalismo pelo socialismo... Um mundo melhor, sem explorados e exploradores, todos sonhando e cobrando mais empenho dos que se dedicavam a esta tarefa...
O tempo passou correndo e os caminhos foram trilhados com esperança e fé. A utopia de construir um mundo melhor continua, assim como o sol nasce todos os dias...
Mais um bilhete, mais lembranças... Agora é do amigo Oliviomar, a Revolução Zapatista no México cativa, o subcomandante Marcos um ícone, nem sabemos se ele existe de verdade, mas Oliviomar escreve, ou melhor, transcreve uma parte de um texto do subcomandante Marcos que diz:

"Ensinou-me o Velho Antônio que somos tão grandes quanto o inimigo que escolhemos para lutar, e tão pequenos quanto grande for o medo que tivermos. 'Escolha um inimigo grande e isso te obrigará a crescer para poder enfrentá-lo. Diminua seu medo porque, se ele crescer, você vai diminuir', me disse o Velho Antônio numa tarde chuvosa de maio, nessa hora em que reinam o fumo e a palavra."

O amigo Olívio é quase monossilábico, a história de vida dele daria um livro, mas é um outro papo, com certeza ao enviar-me o texto dos zapatistas, ele quer dizer que existem outras possibilidades de mudar a vida.

Que leituras estranhas, elas nos chamam para as ruas...

18 comentários:

fabricio lima disse...

as vezes me pego lembrando, justamente dessas reunioes estudantis, das brigas e principamente de imaginar que as coisas sao tao faceis como imaginamos.....
http://jeitotucuju.zip.net

Mixikó disse...

OLá Pedro,

vim retribuir a visita...
Parabéns pelo blog.Gostei e voltarei...

São dessas "leituras estranhas" que espirito se alimenta.

Ciao

Navi Leinad disse...

Velhos escritos, antigas lembranças de um tempo de lutas... a vontade de ir para as ruas se justifica perfeitamente até hoje, pois os ciclos históricos são repetitivos, muda só o cheiro e a vestimenta.

Mikas disse...

É bom recorda, tenho um montão de coisas que acho que nunca vou conseguir deitar fora.

citadinokane disse...

Fabrício,
És do Amapá e tenho acompanhado através do amigo Ivan o que ocorre por aí. É claro que visitei o teu blog.
Espero que a minha filha, e não tardará, tenha uma participação ativa no movimento estudantil, considero um verdadeiro aprendizado de cidadania...
Serás sempre bem vindo.
Um forte abraço,
Pedro

citadinokane disse...

Mixikó,
Concordo contigo. São dessas leituras estranhas que o espírito se alimenta.
Obrigado pela visita singela.
Abraços fraternos,
Pedro

citadinokane disse...

Ivan,
Por acaso quiseste dizer - mudam as moscas, mas a m... é a mesma?! Hehehe...
Abraços irmão de leite,
Pedro

citadinokane disse...

Mikas,
Sou como tu és... Adoro guardar papéis e fico com pena de jogá-los fora... rsrsrs...
Beijos,
Pedro

marisanblog disse...

Anotações, bilhetes, cartões, enfim, um monte de papéis dos quais, muitos não queremos nos desfazer por causa de certas recordações...

Abraço poético

Mari

Moura disse...

Eu ando sempre a dizer aos meus alunos que os quero revolucionários toda a vida, e não revoltados! A diferença está em ter uma solução positiva/construtiva para sair dos problemas.
Por isso gosto de dar a Revolução Francesa e a Americana.
Um abraço

Ps- as aulas estão prestes a começar e tenho andado de volta das planificações(planos para as aulas e períodos, que aqui são três), por isso não tenho comentado...mas tenho acompanhado os posts!

citadinokane disse...

Mari,
Certas e muitas recordações...

citadinokane disse...

Amigo Moura,
Tenho andado meio atribulado, postado de madrugada, aulas e preparar provas...
Concordo com a comparação entre revolucionário e revoltado, sintentizaste com primor.
Irei ao teu blog para comentar sobre os presentes que enviarei, ok?!
Abraços,
Pedro

marisanblog disse...

Pedro,

Muita Paz pra você nesse corre-corre.

Abraços

Mari

citadinokane disse...

Mari,
Abraços

Direito & Esquerdo disse...

Nelito,

Após um longo período sem visitar teu blog, volto e sempre encontro post de qualidade.
Quanto ao post, é sempre bom recordar o passado recente.
Principalmente, lembrando de velhos e bons amigos como o "Velho" Oliviomar.
Um amplexo bicolor
Bruno

citadinokane disse...

Dom Soeiro,
Velhos e bons amigos, the best - Oliviomar!

Carlos Ponte disse...

Não há dúvida, o fumo tornava loquaz o velho António. E que sábias eram as suas palavras, mesmo que, eventualmente, brunidas pelo comandante.
Pedro, não se desfaça dos papéis velhos.
Um abraço,
Carlos Ponte

citadinokane disse...

Carlos,
Percepção apurada.
O fumo do velho Antonio produzia um ambiente favorável ao filosofar despretensioso... Controlar o medo para ser feliz.
Com relação aos papéis velhos, visitei minha mãe e encontrei uma caixa cheia de anotações antigas, ai Jesus! Mas deixa pra lá...
Abraços querido amigo,
Pedro