sábado, outubro 14, 2006

Adoro ter Operário de Esquerda no Poder.


Locobueres chegou firme e disse: "Irmão, a pressão é grande, vamos resistir?!
A direitona quer voltar, não podemos deixar, passamos uma vida lutando contra os reacionários da política... Eu sei, tem muita coisa a ser feita ainda, os caras levaram mais de 500 anos mandando em tudo e agora eles querem falar que tudo está errado...
Não me comovem!!!
Eu vou resistir irmão!!!
Tenho uma faca peixeira e um punhal, a minha trincheira está armada... Eles podem vir, não tenho medo, olha aqui no deles!!!" Bueres com dedo médio em riste aponta para o céu estrelado.
Conheço o meu amigo, não adianta pedir para atenuar, ele vai confrontar e tem argumento de uma vida de militância política...
Emocionado, puxou duas folhas de papel do bolso e pediu com o olhar marejado que publicasse o texto de uma jornalista que foi despedida da Folha de São Paulo por ser de esquerda.
Ainda fez a seguinte recomendação o amigo: "Não aceito o Bruno naquela posição diet, diz pra ele que o momento é de unirmos forças contra os demônios que estão doidos pra voltar..."
Não irei guardar esse texto. Taí o que o Locobueres pediu para publicar:

"Adoro ter operário de esquerda no Poder

Adoro pelo simbólico que é, pela afronta que representou e representa, pelo que esfrega na cara da classe dominante, pelo desespero em que ela tem entrado diante da possibilidade de que o operário seja reeleito – desespero expresso de maneira reiterada, em letras de manchete, pela imprensa irresponsável, covarde e, ela sim, corrupta, mentirosa.

Adoro! Pelo simples fato de que a presença de um operário de esquerda no poder humilha as oligarquias e os oligopólios. Pela primeira vez, tudo o que é poder e prestígio – a presidência da República – escapou das mãos dos ricos da classe política dominante: a direita neoliberal e seu séqüito. Está nas mãos de um operário nascido nas brenhas de Caetés, distrito de Garanhuns, Pernambuco, que se bateu para os confins da metrópole de São Paulo ainda menino, na carroceria de um “pau-de-arara”. Está nas mãos de um trabalhador de nível médio, sem diploma universitário, e que teve seu primeiro registro assinalado na carteira de trabalho aos 14 anos de idade. E daí? E então? Isso não é importantíssimo?

A-do-ro. Porque não tem CPI, não tem manipulação de imprensa marrom nem tem ardil de bandoleiros da chamada “oposição” que consigam alterar esta realidade: um operário de esquerda no poder já é uma tremenda duma revolução num dos países de maior desigualdade social do mundo. Isso está acima de partidos, de personalidades políticas, de ideologias econômicas e políticas. Ainda que o operário não fosse reeleito, este momento de agora já seria de comemoração.

As CPIs são novelas de quinta categoria (que a maioria da população, felizmente, não acompanha), inverossímeis, cheias de personagens rasos e contraditórios, bandoleiros (os “oposicionistas”) travestidos de retidão ética e moral – quando todo mundo está cansado de saber que são eles os piores, os mais corruptos, os mais sacanas.

A maioria da população, felizmente, não acompanha as CPIs nem acredita na imprensa. O próprio Ibope, braço armado da Rede Globo para a pesquisa, divulgou recentemente pesquisa em que 58% dos brasileiros dizem não acreditar ou desconfiar da televisão e 56% dizem não acreditar ou desconfiar dos jornais impressos. Isso é uma maravilha! Só isso já é motivo de comemoração. Mas é evidente que a novela de quinta categoria continuará no ar por muito tempo ainda, tentando derrubar o presidente operário, exibida em horário nobre pelas redes de TV imorais e regurgitada no dia seguinte pelos jornalões reacionários e pelo lixo das revistonas semanais. A mídia, como diz um manifesto da Universidade Nômade, sabendo que seu candidato (leia-se, homem do PSDB) deve perder nas urnas (ao menos até hoje) a eleição para a presidência da República, quer voltar a ganhar do jeito de sempre: no conchavo das oligarquias. “A mídia”, diz o manifesto, “pretendendo representar e sobretudo ser a ‘opinião’ pública, apenas defende seus próprios interesses, ou seja, os interesses do monopólio privado que ela representa. A mídia não é a opinião pública, mas o resultado das concessões da ditadura! Trata-se de uma operação reacionária e totalitária, que usa uma falsa identidade entre opinião pública e mídia. A mídia não foi eleita por ninguém, a não ser pelo dinheiro da publicidade que recebe por um discurso que agrada ao poder econômico. Ela já deixou, há muito tempo, de expressar a opinião pública, desde que as concessões públicas lhes foram entregues pelo Estado, em períodos históricos que estão longe de ser éticos e democráticos: a ditadura! A efetividade do poder da mídia (sua ‘audiência’ e suas tiragens) tem apenas bases totalitárias!”

Ademais, as CPIs não provaram nada de fato. Uma comentarista da Rádio Nederland, em texto divulgado pela Argenpress, agência de notícia da Argentina, no início de abril, explicava:

“Não existe nenhuma prova de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteja envolvido no esquema de supostos subornos. A esta contundente conclusão chegou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso brasileiro depois de mais de dez meses de investigação.” O que há, continua a comentarista Nora Di Pacce, é perseguição da imprensa brasileira contra o atual governo, imprensa que, juntamente com a oposição, tenta impedir a reeleição de Lula. Di Pacce cita um dos jornalões diários de São Paulo como o carro-chefe da perseguição. Segundo ela, este jornal “começou a utilizar um título particularmente chamativo para as notícias obre o tema: ‘Cerco’. Nas notas, divulga-se todo tipo de denúncias contra o governo, sem importar se se referem a Lula ou a um empregado que trabalhe na casa de algum funcionário do governo. A idéia de um Lula ‘cercado’, ‘encurralado’, é a que mais se tenta destacar nos grandes meios de comunicação, em particular na imprensa escrita. Não é novidade a posição da imprensa com relação ao governo, nem sua clara preferência pelos candidatos e governos da direita neoliberal, representada pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), que governou o Brasil durante os períodos anteriores à chegada de Lula ao poder.” Adoro operário de esquerda no poder porque é um raro momento para experimentar um alívio na opressão social antes exercida aqui pelo grupo do PSDB de Fernando Henrique Cardoso (o mesmo que quer voltar ao poder a qualquer custo), uma momentânea interrupção no abuso, na exploração e na injustiça sistemáticas que esse grupo político pratica contra as camadas pobres da população.

Adoro! Só para observar que quem acompanha CPI são exatamente os órfãos do PT, mergulhados num egocentrismo patético ou num ressentimento constrangedor. Tudo gente diplomada em universidade, tudo gente pretensiosa, que se acha o supra-sumo do saber – e que precisava passar um mês que fosse (muitos deles) nos bastidores de uma redação de jornal para descobrir com quantas linhas de mentira e manipulação se tenta construir um candidato favorável ao poder econômico e se quer destruir um presidente operário. Só para adquirir (muitos deles) um pouco da aprendizagem técnica para a decodificação de mensagens. Só para descobrir (muitos deles) a que grau a imprensa consegue manipulá-los e deformá-los, especialmente a eles, os diplomados. "

Marilene Felinto é escritora e jornalista.

16 comentários:

Loredana disse...

algo entendi.

Leonardo Bruno disse...

Dona Marilene Felinto Mûller é capaz de sacrificar a moral pela ideologia. Mas que podemos esperar do ódio racista de uma nazistinha parda, que justificou o estupro e assassinato uma mulher judia, pq ela era simplesmente judia e rica? Mas para quem fez tamanha defesa de um assassinato brutal, por razões de ódios pessoais de classe, inoculados nos sentimentos de inferioridade visíveis de uma criatura tão ralé, não me espanta que ela defenda o corrupto governo Lula, pq posta uma estrelinha vermelha!

marisanblog disse...

Pedro querido,

São 04:30h, e aqui estou aguardando o início da minha jornada rumo ao trabalho, sabes. O tempo faltou-me para postar algo sobre o Dia do Professor, mas meu coração não esqueceu de você o do amigo Bruno, bem como de todos àqueles que labutam em prol do aprendizado. Sabes que para mim é a profissão mais linda.

Tudo de bom para você, Bruno, Alberto (meu companheiro) e todos àqueles professores e poetas Bueres, Ivan e a Vida...

Um beijo pra vocês.

Feliz Dia do Professor.

Mari

Fred Guerreiro disse...

Égua, Nelito! O que foi isso mano? Ela tomou o tal do chá do Santo Daime, foi? Ou é apenas uma romântica que sonhou que dormia com Lenin e acordava com Trotsky?

Direito & Esquerdo disse...

Fala Nelito,

Direi para o amigo LocuBueres que o cerne da questão está em saber qual dos dois projetos busca diminuir a desigualdade social existente há cenetenas de anos em nosso país.
Corrupção, falta de ética, como o Leonardo Bruno acima menciona, são palavras da moda que, na prática, exercem pouca influência no seio social, pois estão presentes em ambos projetos. Ou seja, não há "santinhos" e defensores da ética como tentam propalar os tucanos.
Isto que estamos vendo é a política real e há muito venho perdendo o romantismo.
O que tenho observado é que, regra geral, nós, os eleitores, optamos por um dos candidatos mais em virtude de simples simpatia do que pelo projeto político adotado. Isto é ruim, pois deixamos o lado emocional suplantar o racional.
Assim, posso dizer a você e ao Bueres que continuo acreditando em projetos, agora sem romantismo, e, por isso, comparando os que estão postos, vejo como claro que o projeto petista privilegia a diminuição das desigualdades entre as classes sociais, assim como vê o estado como interventor em setores essenciais e de segurança para o Brasil, o contrário do que defende o projeto ultra-neoliberal tucano, em que vê no estado mínimo a salvação da pátria.
Parabéns pelo dia de hoje professor.
Um amplexo docente.

Bruno

Anônimo disse...

Ops! A "patrulha dos bogs" está em ação aqui também.
hehehe

Leonardo Bruno disse...

Direi para o amigo LocuBueres que o cerne da questão está em saber qual dos dois projetos busca diminuir a desigualdade social existente há cenetenas de anos em nosso país.

Leonardo-É curioso que nosso amigo fez aquilo que um totalitário faria: renunciou a ética elementar e reduziu o discurso a um apelo ideológico de igualitarismo, como se o aparelhamento do Estado e a crença cega da onipotência estatal do PT fossem algum elemento equalizador.


Corrupção, falta de ética, como o Leonardo Bruno acima menciona, são palavras da moda que, na prática, exercem pouca influência no seio social, pois estão presentes em ambos projetos. Ou seja, não há "santinhos" e defensores da ética como tentam propalar os tucanos.

Leonardo-A questão não é partidária e política, mas moral e ética de uma sociedade: se temos poder pra votar nos menos corruptos, nos menos criminosos, votemos. Agora, reduzir a política a um niilismo cinico de que o PT é justificável, pelo simples fato de existir corrupção em todo o Brasil, realmente uma pessoa assim perdeu a vergonha de olhar para sua casa, sua familia, seus pais e seus filhos. A corrupção petista não justifica o PT no poder. A arma necessária para combater a corrupção, é combater a manutenção da corrupção. É escolher os menos piores dentro da politica. Lula provou, mais do que ninguém, que é um mentiroso indigno de credibilidade. Achar que a ética é apenas um modismo faz parte da mentira consciente de todo petista. Até pq mentiram durante oito anos, apregoando a "ética" dos alcaguetes e escrotes, enquanto são piores ainda no poder. Quem sacrifica a moral pela ideologia é uma pessoa moralmente doente, uma pessoa indigna de respeito.


Assim, posso dizer a você e ao Bueres que continuo acreditando em projetos, agora sem romantismo, e, por isso, comparando os que estão postos, vejo como claro que o projeto petista privilegia a diminuição das desigualdades entre as classes sociais, assim como vê o estado como interventor em setores essenciais e de segurança para o Brasil,

Leonardo-Eu bem perguntaria a um esquerdista: como alguém pode imaginar, logicamente falando, em reduzir as desigualdades sociais, concentrando plenos poderes de foro econômico e politico na esfera do Estado? O Estado está com quase a metade do Pib nacional, aparelhou-se num partido, cuja inspiração é ditatorial, nos ditames de Fidel Castro e Chavez, e a classe média ´so tem empobrecido. Mais, o país simplesmente está decrescendo economicamente, e a tendência é cair numa recessão, pq não soube aproveitar o crescimento da economia mundial. O Estado interventor é o mal do país. Ele que gera a concentração de renda, a estrangulamento da economia e a pauperização da classe média, com impostos escorchantes.

o contrário do que defende o projeto ultra-neoliberal tucano, em que vê no estado mínimo a salvação da pátria.

Leonardo-Chamar um tucano de liberal é desconhecer completamente o liberalismo enquanto pensamento econômico e politico. O tucano médio é um socialista fabiano, com chiliques sociais democratas europeus. são filhos da mesma cria petista, a USP e os centros intelectuais da esquerda festiva de SP. A diferença é que o tucano, como um fabiano, faz concessões a lógica econômica elementar, enquanto o outro lado, é o Estado megalomaniaco totalitarista declarado.

Nan disse...

obrigado por me dares a saber que ainda há quem resista, como o povo brasileiro.
é claro que já deves saber este poema do Manuel Alegre ( escrito no tempo da clandestinidade) e mesmo quem ele é. se não, podes, fácilmente, informar-te no google.
e há uma bela canção feita com este poema, interpretada pelo Adriano Correia de Oliveira, cantor do nosso 25 de Abril e que, precocemente, já faleceu. poderás também sacá-la dum programa qqr. a última estrofe anda, há dezenas de anos, na boca de muitos portugueses...que não sabem ou não querem lutar como vcs.
aqui vai...

TROVA DO VENTO QUE PASSA

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de sevidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

Bjs

citadinokane disse...

Loredana,
Jornalista e sensível como és, com certeza entendeste muita coisa...
Abrazos,
Pedro

citadinokane disse...

Leo,
Ótimo debater, estabeleça o contraditório, quem quer se habilitar?!

citadinokane disse...

Mari,
Obrigado, querida amiga.

citadinokane disse...

Fred,
Como é mesmo?! Dormir com Lênin e acordar com Mussolini? Hehehe... A ordem dos fatores, não alteram o resultado. As aventuras totalitárias não escolhem o matiz ideológico... Direita e esquerda quando extremadas, o perigo é sempre presente.
Um abraço,
Pedro

citadinokane disse...

Anônimo,
Bem leve e sem patrulha... rsrsrs...

citadinokane disse...

Bruno,
O Léo está te chamando para bailar, aceitas?!

citadinokane disse...

Nan,
Muito legal, voltarei para comentar, sem falta, merece.
Pedro

citadinokane disse...

Nan,
Continuo me emocionando com a leitura de TROVA DO VENTO QUE PASSA...
Quanta emoção ainda haveremos de vivenciar?!
Volte sempre, fortalecendo a nossa fé.
Beijos,
Pedro