sábado, novembro 25, 2006

História, cultura africana e Escola

Queridos recebo por e-mail a página da Agência Carta Maior, são muitas informações importantes, destaco a que trata sobre a resistência de Escolas e professores na implementação do currículo escolar com temática sobre a história e a cultura africana, vou colar a notícia para refletirmos o quanto ainda nos falta avançar para alcançarmos uma sociedade sem preconceito racial e com justiça social:

"CONSCIÊNCIA NEGRA

Lei fica no papel e escola pública não ensina História da África
Consulta em três capitais mostra que a formação de professores para essa área continua ineficiente quase quatro anos após a aprovação da lei que inclui no currículo escolar o ensino de história e cultura africana.

Beatriz Camargo* – Especial para a Carta Maior

SÃO PAULO – A sanção da lei 10.639 - que inclui a temática História e Cultura Afrobrasileira e Africana no currículo escolar - foi uma das primeiras medidas do governo Lula, em janeiro de 2003. Quase quatro anos depois, no entanto, organizações envolvidas com educação e igualdade racial avaliam que, apesar dos avanços, ainda é necessário mais empenho para superar as barreiras de "500 anos de história equivocada."Embora altere a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a lei 10.639 ainda não é conhecida por muitas escolas, fato admitido pelo próprio diretor de ações afirmativas da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do governo federal, Jorge Carneiro. "O governo assumiu essa agenda, da promoção social. É uma agenda histórica, que enfrenta dificuldades. São 500 anos de dívida cultural", justifica. Segundo ele, estão atualmente em discussão maneiras de levar a lei para todos os municípios do Brasil, através de avanços na sua divulgação e implementação.Em fase de finalização, uma consulta realizada pela ONG Ação Educativa nas séries de Educação Infantil e Fundamental II de 15 escolas públicas revela que, apesar de já haver material sobre o tema e de ele ser conhecido por professores e funcionários - como bibliotecários, por exemplo -, ainda não há impacto sobre os alunos."A formação do educador não pode contemplar só a questão dos conteúdos, mas discutir como o racismo se manifesta na escola, os conceitos de discriminação e racismo, além de procurar abordar valores", propõe Camilla Croso, coordenadora pela Ação Educativa da consulta. Só assim, ela defende, será possível preparar devidamente os professores para abordar o tema em sala de aula. A pesquisa foi aplicada em Salvador (BA), Belo Horizonte (BH) e São Paulo (SP) em parceria com Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia (Ceafro-UFBA), Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) e Movimento Interforuns de Educação Infantil do Brasil (Mieib).
Maria Luiza Passos, educadora do Ceafro que acompanhou a consulta em Salvador, ressalta que a maioria dos professores não teve acesso a um conteúdo aprofundado sobre África nas escolas e faculdades, fato que dificulta a aplicação do tema.
"Até há pouco tempo, nós estudávamos Egito como se fosse fora da África", lembra. "Queremos uma formação de qualidade em todos os níveis, que traga a percepção de África enquanto berço civilizatório da humanidade. Não é só para falar do continente pela musicalidade e culinária, porque no Brasil isso vem sendo feito há quase 500 anos..."
A equipe que está analisando os resultados da consulta - que envolveu professores, funcionários, estudantes e pais - também percebeu um grande potencial de aplicação do assunto na sala de aula.
Em relação à pergunta do questionário "o que você gostaria de saber sobre história e cultura africana?", as crianças deram respostas variadas, demonstrando curiosidade por rituais, pela arte, pela maneira como as crianças brincam na África, como lidam com a morte etc. "Isso é incrível, revela que elas estão abertas para saber mais sobre o tema e que existem diferentes maneiras de abordá-lo", analisa Camilla Croso.
Um terceiro dado da consulta já identificado é a grande distância dos pais em relação à escola, algo que dificulta a implementação de políticas educacionais. Os questionários aplicados incluíam uma pergunta sobre a vivência de situações de preconceito ou de conflito racial na escola. Cerca de dois terços dos professores e a mesma parcela dos alunos disseram que sim, que já haviam vivenciado situações desse tipo. Já os pais, por sua vez, responderam não ter conhecimento de situações do gênero no ambiente escolar. Para Croso, isso mostra uma lacuna na comunicação entre pais, filhos e escola. "É importante que o debate das diretrizes e das problemáticas dessas questões também envolva os pais."
A pesquisa está sendo finalizada e seu lançamento está previsto para março de 2007. Serão abordados pontos como a diferença entre as três capitais no tratamento da questão racial e uma análise mais profunda sobre as possibilidades e os limites para a implementação da lei 10.639.

Séculos de dívida

Para Maria Luiza Passos, houve investimento governamental para viabilizar a implementação da lei, mas é preciso mais. "Ela entrou em vigor em 2003 e observamos que alguns livros didáticos ainda tratam a História de forma equivocada, a partir do ponto de vista do colonizador", analisa.
Ela cita como exemplo a abordagem da Abolição da Escravatura e do aniversário da morte de Zumbi dos Palmares, transformado em Dia da Consciência Negra. Por outro lado, a educadora pondera que "coisas bacanas aconteceram, como a publicação de livros e da diretriz nacional da lei, que está sendo distribuída gratuitamente".
"O absurdo do Brasil é isso: tivemos que criar uma lei para que as crianças pudessem ter acesso à sua história", expõe Jorge Carneiro, do Seppir.
Passos afirma que os estereótipos sobre a África só vão sumir quando houver conhecimento sobre o continente e suas influências. "O conhecimento faz com que educadores, jovens e crianças possam perceber que sua identidade existe para além do processo de escravidão", diz.
"Isso pode gerar uma mudança de auto-estima importante. Esses outros olhares sobre a cultura africana precisam ser despertados."

* Beatriz Camargo integra a ONG Repórter Brasil

12 comentários:

asn disse...

Olá Pedro Nelito
Boa tarde, digo eu, desde o Centro-Oeste de Portugal, num interregno, entre chuvadas e ventos fortes que se têm sentido aqui por estes lados.
Esta questão do estudo da cultura afro-brasileira penso que é uma questão muito importante para todos os Brasileiros. Afinal de contas, nós, os Portugueses, acabámos por provocar uma grande miscigenação nesse vosso grande país, qual continente, da qual só poderão sair a ganhar se conseguirem aproveitar as suas potencialidades. Quer-me parecer que já há provas suficientes que o Brasil tem gente capaz de grandes feitos e de projectar um futuro próspero para todo o Povo.
Assim se consigam organizar em redor de planos estratégicos bem delineados.
Força Brasil!

Flavia Sereia disse...

Mas no Brasil é assim mesmo, lei é só no papel mesmo.

bjs

Moura disse...

Um povo deve conhecer bem o seu passado e estar identificado com as suas origens! Parece-me que é esse o espírito da medida que está a encontrar resistência...
Um abraço e bom fim de semana!

Navi Leinad disse...

Esperamos Godot...
Não entendi quase nada ao telefone, Pedro... parecia que tu estavas ao lado do Tupinambá ou do Rubi!
Eu e o Belarmino honramos a tradição dos sábados no café da Sol. Até o Oswaldo não apareceu.
Mas esperamos Godot.

fabricio lima disse...

ta confirmado o encontro dos blogueiros?

marisanblog disse...

Acho que necessário se faz, não somente o conhecimento da cultura, mas uma mudança na condição de vida social dessas pessoas, especialmente no que diz respeito ao acesso uma melhor educação na escola pública. É o primeiro passo a sua dignidade.

Mari

citadinokane disse...

António,
Existem intelectuais aos montes, o preconceito é velado...
Os portugueses espraiaram a miscigenação acompanhada do distanciamento na CasaGrande, na Senzala tudo era permitido...
Temos desafios imensos, aproximar a casagrande da senzala e formar uma só nação, muito difícil, confesso, não é possível escamotear, temos dois países...
Precisamos superar, tenho fé!!!
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Flávia,
Eis o desafio: efetivar todas as leis, tenho fé!
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Amigo Moura,
concordo contigo, é necessário olhar para o passado, para construir um futuro consistente.
Haveremos de superar as resistências, com certerza...
Abraços de além-mar,
Pedro

citadinokane disse...

Ivan,
Puxei um punhal que sempre trago à cintura, mas não consegui me desvencilhar de outros amigos que me aprisonaram(esconderam a chave do meu carro).
O desastre foi grande nesta tarde, não gostaria nunca de relembrá-lo, e sei que tu jamais irá recordá-lo, acertei??!!

citadinokane disse...

Fabrício,
Iremos remarcá-lo, te informaremos a próxima data.
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Mari,
o Brasil concorda contigo, eu luto para que tudo isso se realize.
Paz e amor,
Pedro