quarta-feira, novembro 29, 2006

A Resposta de David Carneiro

Escrevi um post sobre as pessoas imprescindíveis, tratei naquele momento sobre a experiência de um grupo de jovens universitários, estudantes de direito, capitaneado pelo jovem David Carneiro, e expressava a minha alegria de que havia esperança, ainda...
Falei por telefone com o nosso jovem amigo e até havia adiantado que Luciane Fiuza estava disposta a dar "uma força" na parte de comunicação, visto que a nossa querida Luciane é estudante de Comunicação.
Recebi o comentário de David e resolvi publicá-lo, compartilho com todos a resposta de David.

"Meu caro amigo Pedro Nelito!
Apesar do pouco tempo que nos conhecemos, te chamo de amigo pela estima e admiração que passei a ter por ti desde o nosso encontro. E como foi rápido. Peço desculpas também pela demora em responder o post, passei esse tempo sem internet. Bem, primeiro gostaria de agradecer as palavras elogiosas a mim e aos meus companheiros. Elas nos dão muita força para continuarmos a trabalhar cada vez mais para a construção de uma sociedade justa, livre e feliz. São adjetivos tão simples, talvez até um tanto abstratos, mas não creio que existam melhores para expressar aquilo com o que sonhamos.Talvez ninguém tenha saído mais renovado do nosso encontro que eu. Se por um lado a força da nossa juventude tem o poder de renovar as esperanças dos companheiros mais maduros, a convicção desses companheiros tem o poder de dar a segurança necessária à esperança, segurança sem a qual a esperança se torna apenas uma bela poesia.
Essa segurança é justamente a certeza de saber que essa vontade de mudar as coisas é capaz de sobreviver aos anos e decepções da vida. É claro que a convicção sem a esperança também se torna apenas a canção do que poderia ter sido, ou um otimismo distante que espera chegar um novo motivo para se acreditar nas coisas.
Assim penso porque nem sempre fui sonhador e nem sempre busquei a convicção que dá segurança à esperança. No meu caso, definitivamente, minha vontade de mudar as coisas não é coisa de jovem. Portanto, quem quiser usar esse argumento para me dissuadir vai se ferrar. Na verdade, aprendi a sonhar com as pessoas mais velhas, tanto da minha família, como com alguns políticos, sindicalistas e militantes do movimento social com os quais convivi. Talvez por isso a minha utopia pareça um amor do tempo da madureza, no bom estilo de Drummond.
Se eu sou otimista? Sim. Mas sou um otimista trágico, como diz o professor Boaventura de Sousa Santos, que não desconhece a perplexidade dos nossos dias, mas não consegue se acostumar com ela. Talvez eu seja mesmo um pessimista, mas um pessimista orgulhoso, como se auto-intitulava o professor Darcy Ribeiro, que perdeu quase todas as batalhas das quais participou, mas manteve o pé firme porque o pior mesmo era ganhar estando do outro lado.
É bom saber que agora podemos contar contigo, Pedro. E como precisamos.
Acho difícil que sejamos maioria entre estudantes e advogados. Mas vamos ser uma minoria chatinha, daquelas bem barulhentas, teimosas em mostrar um outro caminho possível. Vamos ser diferentes, inverter um pouco aquela história de que devemos ser incendiários aos vinte e bombeiros aos 40, até porque hoje a universidade e a OAB já tem bombeiros demais. Vamos ser nada além de nós mesmos e dessa coisa que fica martelando dentro da gente, com todas essas idéias e sonhos, que às vezes... puta-que-pariu! Não é que dão certo?! Muitas vezes dá errado também, mas como é bom tentar sempre. Isso faz de nós um pouco de nós mesmos.
Um grande abraço meu amigo!"
29/11/06 17:33

4 comentários:

Luciane Fiuza de Mello disse...

Prezados Pedro e David,

É bom ver a sabedoria jovem e madura de vocês em torno de um ideal. Nossa, David, e que texto bonito o seu: com conteúdo, classe e ótimo discernimento! São de pessoas de caráter, independentemente da idade, que nascem as maiores realizações humanas, as mais humanas delas...
Acho que tento ser uma "otimista trágica" e uma "pessimista orgulhosa", e isso nem me dá algum mérito pois simplesmente não consigo ser diferente. O que posso dizer ao David e ao Pedro é que com 35 anos, sendo ainda uma estudante, não sei onde me encaixo, talvez eu fique na linha divisória da energia juvenil (influenciada pelos ambientes e pessoas que convivo) e da maturidade. Se ainda não casei, devo ser chamada de senhora ou senhorita, Pedro? Tanto faz. O que pretendo concluir é que, como diz uma amiga, as minhas "inquietações loucas" me levaram aos momentos mais plenos da minha vida. Posso afirmar que, mesmo sendo poucos e considerando o "preço" que paguei por eles, VALERAM A PENA! Não tem dinheiro que pague a satisfação de ver que estamos fazendo a nossa parte.
Vamos aos projetos!
Abs!
Luciane.

citadinokane disse...

Lu,
É necessário marcarmos um encontro, para conheceres a rapaziada e os projetos, né?!
Abs,
Pedro

Luciane Fiuza de Mello disse...

Pedro,
É só marcar, manda meu e-mail para eles, o "gmail". O mundo virtual é ótimo, mas não dá p resolver tudo por aqui.
Abs!
Lu.

citadinokane disse...

Lu,
Já estou tomando as devidas providências.
Besos,
Pedro