quinta-feira, novembro 02, 2006

Ron Mueck e as esculturas que falam

Blogueiros e leitores, peço que não esqueçam este nome: Ron Mueck.
Nasceu em Melbourne(Austrália) em 1958, cresceu vendo os pais construírem brinquedos e acabou aprendendo a fazê-los.
Passou a ganhar o seu sustento fazendo marionetes, participou na televisão de programas infantis. Partindo daí passou a criar bonecos em diversos tamanhos para agências de publicidades.
Os críticos sustentam que as figuras criadas por Mueck (a pronúncia é muique) são próximas das figuras dos hiper-realistas norte-americanos, isto é, estavam no mesmo patamar de Duane Hanson e de John de Andrea.
Chegou aos Estados Unidos. Por lá trabalhou durante seis meses com efeitos especiais no Muppet Show e em Vila Sésamo.
Também colaborou em Londres, com os filmes Dreamchild de 1985 e Labyrinth, 1986, este último com David Bowie.
Mas o reconhecimento e a fama só viria dez anos mais tarde.
Sua sogra uma artista anglo-portuguesa Paula Rego, radicada em Londres, pediu-lhe em 1996, que esculpisse para ela um boneco do Pinóquio. O boneco serviria de modelo para uma pintura das que apresentaria na Hayward Gallery.
Pinóquio acabou abrindo o caminho da fama e da fortuna para Mueck. Charles Saatchi, um super-poderoso empresário, publicitário e colecionador, ao ver Pinóquio no ateliê de Paula Rego encomendou de imediato quatro outras esculturas para a exposição Sensation: Young British Artist from the Saatchi Collection a ser apresentada na Royal Academy of Arts em Londres em dezembro de 1997.
Mueck foi o centro da atenção da crítica e do público em geral com a escultura Dead Dad, Papai Morto. Em escala reduzida, dois terços do tamanho natural, apresentou o corpo nu do pai. A escultura Dead Dad foi esculpida de memória, o artista utilizou a fibra de vidro. Hiper-realista a escultura é de uma verossimilhança assustadora. A cor, a textura, as imperfeições da pele, as rugas, detalhes como as unhas, as sobrancelhas, os cabelos, fizeram de Dead Dad um marco na história da escultura moderna e contemporânea.
As esculturas de Mueck hiper-realistas são produzidas em fibra de vidro, silicone, resina acrílica, poliéster...
Elas chamam a atenção pelo realismo, verossimilhança e dimensões.
São esculturas enormes, ou de proporções reduzidas.
O ver e fazer arte, depois de “escutarmos” as imagens, alcança uma dimensão espetacular, os sentimentos, emoções confusas afloram em borbotões. Vamos apreciar as esculturas de Ron Mueck:
Fiquei impressionado com a posição e expressão dessa escultura, Mueck conseguiu retratar com exatidão o sentimento de solidão humana.
Essa escultura com 2 metros e quarenta e um de altura, está no Museu norte-americano do Hirshhorn , Big Man, Homem Grande de 2000, perdido em si mesmo, isolado de tudo e de todos.
Muitos tendem a associá-lo ao pensador de Rodin. As duas esculturas possuem algo em comum: O homem retraído, absorto.













No museu inglês, na Tate Gallery, Ghost, Fantasma, de 1997, retrata uma adolescente altíssima, de 2 metros e dez em um maiô preto. A expressão da jovem demonstra que é difícil conviver com tal corpo. Seus longos braços e pernas são excessivos. Incômodos. Fora de proporção.













No museu australiano Pregnant womam, Grávida, de 2002, escultura de 2 metros e meio de altura, em fibra de vidro e silicone é o ponto alto do acervo em exibição.
Na foto a obra Pregnant finalizada. Note a diferença de tamanho entre ela e as mães de verdade. Chamo a atenção na foto abaixo, o detalhe da expressão facial, o cabelo e o tom da pele da mulher grávida.
O detalhe, observe a expressão na obra Mother and Child impressiona, parece que é real o bebê e a mãe com aquele olhar, é muito belo.













O homem barbudo, nu e gigante.
São esculturas monumentais ou nanicas que criam uma tensão entre o universo real e um mundo meio fantasmagórico. Os tamanhos diferentes alteram todas as referências conhecidas pelo nosso cérebro.













As duas esculturas abaixo, são chamadas de Two Old Ladies sempre deixa os visitantes dos museus em dúvida se são artificiais ou reais.














As peças de Mueck causam sentimentos e emoções conflitantes em quem as observa, veja abaixo a escultura de um homem sentado e curvado... A arte nos mostra outras possibilidades...

20 comentários:

Anônimo disse...

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Pedro, é IMPRESSIONANTE mesmo! Já havia visto essas imagens e sempre fico impressionado com tamanha realidade.
O cara é bom!

Paola Vannucci disse...

Essas imagens realmente é além do real,
e a mim na arte é que é mais real o que não vem dizer com essas maravilhosas esculturas.

FRIDA KALHO

muito impressionante a vida, a cultura e a forma de sobrevivencia dela.....

Depois te escreve algo sobre 11 de setembro.....

beijos meu amado amigo,

Antes de reclamar
   das coisas que você está perdendo,
     verifique o que vai ocupar o lugar
     que elas deixaram vago.
   Pode ser algo
 muito mais importante e enriquecedor.

Beijosss de sexta-feira

citadinokane disse...

Ayub,
Many Thanks for visit!
Pedro

citadinokane disse...

Ivan,
Bom!
Estou suspeitando que o Mueck, durante o processo de criação, deve se "periquitar" direto, aposto que depois de um tinto Periquita o cara entra em transe com os "dioses"...
Abraços,
Pedro

Lila Magritte disse...

Impresionante, qué fuerza poderosa para expresar tanta energía vital a través de sus esculturas inertes. Sin embargo están ahí y transmiten la angustia del ser humano y el drama sobredimensionado que representan.

Qué artista genial.

Sophia Jares disse...

muito bom mesmo,
ja tinha visto as fotos antes,
queria ter visto pessoalmente todas as esculturas! :D

marisanblog disse...

Dom Pedro,

Impressionantes imagens. Muito bom.

Mari

citadinokane disse...

Paola,
Não postei antes, estava dando erro no blogger,com relação as imagens, é parar e observar com calma... Elas falam no silêncio da resina e silicone, rsrsrs...
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Lila,
As esculturas estão inertes e mobilizam tantas energias...
Besos y abrazos,
Pedro

citadinokane disse...

Sophia,
Seja bem vinda, espero que sempre retornes, também tenho esse desejo teu.
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Dona Mari,
Imagens reais...
Abraços,
Pedro

Mixikó disse...

Já tinha ouvido falar destas exposõções e visto as fotos...parecem mesmo reais...tantoque chega a chocar...mas a Arte também serve para isso...para despertar e não para distraír...para pensarmos nos porquês de tudo o que se passa à nossa volta

citadinokane disse...

Mixikó,
Sempre com a percepção apurada.
É isso aí, arte para todo mundo e tudo seria diferente.
Abraços,
Pedro

xienra disse...

Fascinantes.

citadinokane disse...

Xienra,
São sensacionais, reais...

Glaucia disse...

nunca vi nada tão lindo, como estas esculturas. a que mais me impresionou foi o nascimento de uma nova vida... realmente o escultor está de parabéns e continue a nos presentear com tão lindas obras.

citadinokane disse...

Glaucia,
Podemos aprender com a arte, temos a dimensão do que o homem pode fazer, né?!
Abraços e volte sempre,
Pedro

Anônimo disse...

Nossa, este escultor é realmente maravilhoso.
Alguém poderia me dizer se ele reproduz cadáveres? Com certeza seria ótimo para estudantes, que muitas vezes encontram dificuldades para permanecer muito tempo em laboratórios com cadáveres humanos cujo cheiro de formol é terrível, além de outros inconvenientes...

Anônimo disse...

Estou apaixonada por essas esculturas, até onde vai a inteligência e o dom de um homem.