quarta-feira, novembro 15, 2006

Sem black-tie, mas com muita alegria...


Meu amigo Nilton Atayde, fecha mais um ciclo, mais uma primavera, vamos apagar a velinha no sábado vindouro(18/11), é também um "homem maduro"...
Meu amigo declama poesias com maestria, fico feliz e é inevitável não aplaudi-lo...
Mas o desafio é o presente, entendam o que estou dizendo - como presenteá-lo?! Atayde é filósofo, gosta de Nietzsche, é condescendente com a poesia de Vinícius de Moraes...
Nestes momentos fico a me perguntar, qual o presente para expressar a minha consideração?
A minha decisão: ofereço-te amigo, um post com uma poesia do poetinha!
Devo ofertar a poesia daquele, que quando brindamos com o néctar dos deuses do Olimpo, ele segue a nos falar tão perto do nosso coração, sussurra elegias, loas e odes ao sexo forte: a mulher é claro.
Enaltece a todas mulheres, por considerá-las uma extensão do próprio homem, e o homem a sua extensão, em resumo tudo muito humano, demasiadamente humano, cálido e provocante...
Nilton, siga em frente, o caminho tu fazes... Tenho certeza que ele está bem pavimentado, pela árdua labuta cotidiana e as amizades cultivadas: Feliz aniversário!!!

Na fotografia histórica acima o "Trio Fantástico", da esquerda para direita: Xico Rocha, Nilton Atayde e o Locobueres, todos sóbrios... Eles não usam black-tie e nunca levantaram um copo de Periquita... rsrsrs...

A brusca poesia da mulher amada (III)

Minha mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes do
passado
Minha irmã, conta-me histórias da infância em que eu haja
sido
herói sem mácula
Meu irmão, verifica-me a pressão, o colesterol, a turvação do
timol, abilirrubina
Maria, prepara-me uma dieta baixa em calorias, preciso perder
cinco quilos
Chamem-me a massagista, o florista, o amigo fiel para as
confidências
E comprem bastante papel; quero todas as minhas
esferográficas
Alinhadas sobre a mesa, as pontas prestes à poesia.
Eis que se anuncia de modo sumamente grave
A vinda da mulher amada, de cuja fragrância
já me chega o rastro.
É ela uma menina, parece de plumas
E seu canto inaudível acompanha
desde muito a migração dos ventos
Empós meu canto.
É ela uma menina.
Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina
Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes
Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos
Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos
Para cantar seus réquiens e os falsos profetas
A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.
Mas nada a detém;
ela avança, rigorosa
Em rodopios nítidos
Criando vácuos onde morrem as aves.
Seu corpo, pouco a pouco
Abre-se em pétalas...Ei-la que vem vindo
Como uma escura rosa voltejante
Surgida de um jardim imenso em trevas.
Ela vem vindo...
Desnudai-me, aversos!
Lavai-me, chuvas!
Enxugai-me, ventos!
Alvoroçai-me, auroras nascituras!
Eis que chega de longe, como a estrela
De longe, como o tempo
A minha amada última!

Rio de Janeiro, 1963

10 comentários:

Xico Rocha disse...

Muito justa a homenagem.
Também postarei algo para o companheiro.
Xico Rocha

Navi Leinad disse...

Feliz aniversário, Nilton!

Anônimo disse...

Caro Pedro.
Palavras de amigo são sempre suspeitas, especialmente quando são proferidas em sentido positivo, em exaltação ao amigo.
Creio em ti, contudo, cuja amizade tenho a honra e o prazer de privar.
Obrigado, irmão !
A gente se vê mais logo.
Nilton Atayde.

citadinokane disse...

Xico,
À esquerda e em frente companheiro, o Atayde merece.

citadinokane disse...

Nilton,
Irei comer o tão esperado feijão com um arroz reforçado, ehehehe... Levarei um Periquita, beberemos e falaremos com os deuses, ok?!
Feliz aniversário irmão!!!!
Pedro

citadinokane disse...

Valeu Ivan!

Lila Magritte disse...

Felicidades!!!

citadinokane disse...

Obrigado Lila.

Anônimo disse...

Citizen Orson Panda

Ave Atayde !
Não te vi sair da festa hermética-sideral no fatídico sabado dos IX.Somente olvido estares ao balcão triturando a dentadas uma tartaruga viva e o academico Rocha a amparar-te, guardanapo ao braço esquerdo, ao direito velando por tua taça de santa Matilde,ou era do velho alcatrão de São joão da Barra ? não sei, só lembro que com aquele Sinatra ao fundo a cena parecia um quadro de Dalí ou, talvez, um Rubens te retratando aos estudantes numa tela da série Os Anatomistas. Égua, Pax ! O nosso Amigo Nilton é um heroi de velha cêpa, se transbordou em dez, atendeu todo mundo ficou e fez a todos feliz.
Uma tulipa transbordante ao céu amigo, Saravá !( Eduardo Bueres)

citadinokane disse...

Fale irmão Locobueres,
Por tudo, uma tulipa transbordante ao céu, Saravá!
Abraços,
Pedro