quarta-feira, janeiro 10, 2007

Chávez: socialismo ou morte, juro!

Hugo Chávez acaba de tomar posse da presidência da Venezuela. Em seu discurso de posse afirmou que "apenas começou a era de construção do socialismo", e sustentou que não existe caminho de volta, ironizou o alvoroço causado pelo anúncio da nacionalização da eletricidade, da energia e outros setores estratégicos como a telefonia.
Segundo Chávez, o que está ocorrendo é um alarmismo inconseqüente, principalmente por parte da oposição “golpista” que foi derrotada nas últimas eleições. Com um discurso forte, falou das nacionalizações, mas não detalhou como serão feitas.
Exultante comentou que o povo venezuelano estava recuperando a maior reserva petrolífera do planeta e lembrou que a Venezuela está promovendo junto a petrolíferas estatais de oito países uma certidão internacional das reservas do país, calculadas de forma preliminar em pelo menos 316.000 milhões de barris de petróleo, que seriam as maiores do planeta acima das 262.000 da Arábia Saudita.
Chávez durante o seu discurso, expôs a necessidade de modificar dois artigos da Constituição relativos ao setor petroleiro. Com a Constituição da República Bolivariana da Venezuela na mão, Chávez citou o artigo 302, segundo o qual "o Estado reserva para si a atividade petrolífera", e disse: "mas não a de gás".
Ele ressalta a urgência de mudar este artigo, e sugere que seja incluída, acrescentando-se o seguinte texto "a atividade dos hidrocarbonetos, líquidos, sólidos e gasosos".
Em seu discurso, Chávez afirmou também que "pode cair a Bolsa de Caracas, o que não vai cair é a economia" venezuelana. Para Hugo Chávez não existe outra solução, a Venezuela vai tornar-se um Estado socialista mediante reformas radicais, “que ninguém poderá impedir”.
É impressionante a determinação de Chávez, leiam uma parte do discurso: “Juro pela minha pátria que não darei descanso ao meu braço, nem repouso à minha alma, que entregarei os meus dias e noites e a minha vida inteira à construção do socialismo venezuelano, na construção de um novo sistema político, um novo sistema social, um novo sistema econômico”, depois levantou o braço esquerdo e com a mão cerrada disse: “Pátria, socialismo ou morte, juro”.
Sei que no velho mundo e na América do Norte existe uma resistência ao estilo Chávez, realmente ele lembra a um caudilho, mas, as “realidades” da América Latina são perversas, as elites abaixo da linha do equador são acostumadas ao melhor vinho, champanhe, dominam várias línguas, sabem distinguir a música de Bethoven da música de Bach... Lindo, belo mesmo, eles são tão gentis e geniais... Mas...
Mas, aqui embaixo as coisas são tão diferentes, há indiferença, prepotência, desprezo... Um salve-se quem puder... A violência aumenta, a exclusão social é crescente, todos somos prisioneiros em nossa própria casa, a distribuição de renda é precária, quem faz a distribuição de renda na “marra” é a classe média, imposto de renda na fonte, e quando estacionamos o nosso carro, não demora chegam homens, crianças, mulheres pedindo para reparar o carro, é claro que a contrapartida é em moeda corrente...
Evo Morales, Daniel Ortega, Rafael Correa, Tabaré Vázquez, Lula, Hugo Chávez surgem para responder a uma demanda reprimida de séculos de tudo que expus acima, não concordo com Chávez, mas, compreendo o papel que desempenha nesse momento histórico de reacomodação das forças políticas em nosso continente.
Os excluídos se organizam e percebem a força que possuem quando estão organizados, como diria o historiador inglês Eric Hobsbawn, ainda vivemos a era dos extremos...
Temo pelo socialismo autoritário, tanto o praticado pelas vanguardas messiânicas, como pelas massas enlouquecidas, aí todos querem assumir o posto de “apontador”, ou melhor dizendo, todos querem ser o cara que faz a lista das pessoas que vão p’ro paredón... enquanto tiver anotando os nomes, o “anotador” não estará no paredão... bad, bad, bad...

4 comentários:

David Carneiro disse...

Quem tem medo de Chávez? Creio que só devem ter medo aqueles que temem a emancipação social e participação política do povo na venezuela. O movimento bolivariano nunca foi sectário. Que o diga a classe media en positivo e o circulo dos empresários bolivarianos. O socialismo bolivariano, como já foi repetido à exaustão, não pretende estatizar todas as propriedades, mas apenas manter sobre o controle do estado os setores estratégicos da economia, radicalizar a democracia e garantir dignidade para todos os cidadãos. No Brasil, nada de novo no front. Ano novo, governo velho. Lula continua perdendo boas oportunidades de transformar o Brasil, sendo assistido por uma esquerda que apesar de perplexa parece não querer se renovar

Carlos Ponte disse...

Desculpem-me mas Chávez o mundo já conheceu muitos e deu-se sempre mal.
«Avanço com a minha solicitação de uma Lei Habilitante revolucionária. Já preparámos o documento, estamos a fazer as últimas revisões para o enviar, nos próximos dias, à Assembleia Nacional e solicitar poderes especiais, para fazermos um conjunto de leis revolucionárias». Estarão flanqueadas as portas para todos os atropelos à legalidade.
O facínora do Chile, pelo menos conseguiu pôr o país a crescer algo que se visse, temo que, mau grado as incomensuráveis riquezas naturais da Venezuela, com este timoneiro, o país se afunde cada vez mais.
Um abraço para baixo do Equador,
Carlos Ponte

citadinokane disse...

David,
Compreendo o que se passa na Venezuela, mas te confesso, receio pelas atitudes extremas, acabar com a democracia para impor a democracia, às vezes paradoxal, muita calma para não alimentar os "canalhas" que se auto-intitulam "salvadores"...
Minha torcida para que a revolução Bolivariana resgate a dignidade do povo venezuelano.
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Carlos,
Tomara que o timoneiro não jogue a embarcação sobre as pedras...