sexta-feira, fevereiro 23, 2007

1 ano do Blog!!

E então, que quereis?... (Maiakóvski)

Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?

O mar da história
é agitado.

As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.

(1927)
Vladímir Maiakóvski nasceu e passou a infância na aldeia de Bagdádi, nos arredores de Kutaíssi (hoje Maiakóvski), na Geórgia - Rússia. Lá cursou o ginásio e, após a morte súbita do pai, a família ficou na miséria e transferiu-se para Moscou, onde Vladímir continuou seus estudos. Fortemente impressionado pelo movimento revolucionário russo e impregnado desde cedo de obras socialistas, ingressou aos quinze anos na facção bolchevique do Partido Social-Democrático Operário Russo. Durante a Guerra Civil, Maiakóvski se dedicou a desenhos e legendas para cartazes de propaganda e, no início da consolidação do novo Estado, exaltou campanhas sanitárias, fez publicidade de produtos diversos, etc. Entrou freqüentemente em choque com os “burocratas’’ e com os que pretendiam reduzir a poesia a fórmulas simplistas. Suicidou-se com um tiro em 1930. Sua obra, profundamente revolucionária na forma e nas idéias. (Boris Schnaiderman in "Poesia Russa Moderna", Editora Brasiliense, 1985).
Poema extraído do livro “Maiakóvski — Antologia Poética”, Editora Max Limonad, 1987, tradução de E. Carrera Guerra.

extraído do site: Releituras

2 comentários:

Edyr Augusto disse...

Parabéns! Para comemorar, um pouco de Fernando Pessoa
Nem tudo é dias de sol
E a chuva, quando falta muito, pede-se
Por isso, tomo a felicidade com a infelicidade, naturalmente
Como quem não estranha que haja montanhas e planícies, rochedos e erva
O que é preciso é ser natural e calmo, na felicidade ou infelicidade
Sentir como quem olha,
pensar como quem anda
e quando se vai morrer,
lembrar-se que o dia morre
o poente é belo
e é bela a noite que fica
Assim é e assim seja

citadinokane disse...

Edyr,
Belíssima linhas...
Fernando Pessoa continua dizendo muito...
É necessário escutá-lo.
Obrigado amigo.
Abraços,
Pedro