sábado, fevereiro 24, 2007

Edyr Augusto e Moscow

Um dia caiu em minha rede virtual uma resenha sobre um livro de Edyr, romance ambientado na Ilha de Mosqueiro, aqui pertinho de Belém. Nos acostumamos a chamá-la de maneira abreviada, simplesmente: Moscou. E o título do livro é Moscow, vou voltar a falar dele daqui a pouco.
Edyr Augusto é um artista polivalente, escreve livros e peças de teatro, jornalista da imprensa escrita e comentarista esportivo de rádio e televisão, transita do rock à arte mais refinada...
Há alguns anos atrás uma sobrinha minha, entusiasmada, com um livro do Edyr na mão me dizia: - Tio, esse cara é bom e engraçado... Era o escritor Edyr Augusto, conquistando uma jovem estudante de Direito.
Em 2002, minha filha fazia parte do grupo infantil de Teatro da Universidade Federal do Pará, o grupo ensaiou muito e apresentou uma peça muito engraçada sobre a “Jovem Guarda...” A peça fora escrita pelo engraçado Edyr Augusto.
Resolvi escrever um post sobre o grande Edyr Augusto Proença, para dizer e posso fazê-lo, o espaço é meu, por isso posso escrever, viu Cabeção?! Mas voltando ao nosso artista, nutro por ele(Edyr) uma admiração silenciosa, não o conheço pessoalmente, sou uma pessoa tímida, em vários momentos tive oportunidade de me aproximar e dizer para o Edyr: - Cara eu te admiro muiiiito! Mas a timidez estúpida, acaba freando o impulso... E fico cá com os meus botões, dizendo bem baixinho que na próxima oportunidade não irei falhar... rsrsrs...
De vez em quando, e quase sempre aos sábados, converso com o irmão do Edyr lá no Ranulfo, é remista inveterado - o Edgar Augusto, outro grande nome da imprensa paraense, que apresenta um programa diário na Rádio Cultura do Pará – “A Feira do Som”, muita música de alta qualidade, excelente!
Agora vamos conhecer mais um pouco da obra de Edyr Augusto Proença, o livro – Moscow, a resenha foi feita pela Doutora em Teoria Literária pela UFRJ – Rossi Gonçalves. Vamos ler alguns pequenos trechos, ok?! Luciane o post é um pouquinho longo, mas vamos homenagear o Edyr, ele é paraense e não desiste nunca... Um bravo brasileiro, né?!

"Moscow - uma narrativa entre porradas, punhetas, estupros e assassinatos .
Moscow, livro de Edyr Augusto, publicado em 2001 pela Boitempo Editorial, apesar de ter recebido algumas críticas favoráveis, na época de seu lançamento, é mais um caso de bom texto ignorado pelos leitores – ao menos aqueles que vivem ao sul do país.
Muito embora tenha surgido – e seu texto se configure como tal - no momento do “deixa o excluído falar”, o seu autor não é presidiário, nem figura conhecida no meio da exclusão. Edyr Augusto Proença é radialista, jornalista, publicitário e autor de peças de teatro, livros de poesia, crônica e romance.
O autor fala de uma realidade que atordoa a todos, independentemente da classe social. E Edyr Augusto parece mesmo habilitado a revelar as vozes das ruas. Moscow apresenta personagens comuns do cotidiano, bem definidos sob os aspectos psicológico, social e cultural.
A narrativa é totalmente indiscreta, perturbadora, estremecedora, sufocante. Moscow é livro que só pode ser lido aos poucos. Com muito exercício para respiração e relaxamento entre um trecho e outro. Muito embora os capítulos sejam curtinhos, não é possível ler um, de uma só vez, com raríssimas exceções. Ler Moscow angustia. Sobretudo porque é preciso parar, mas é imprescindível voltar a ler, já que o pensamento não larga o livro, os personagens, o lugar, de jeito nenhum.
O livro narra a história de um rapaz bem jovem, morador de Belém, junto com alguns amigos, em férias, em Mosqueiro. E a história desse rapaz, que é muito semelhante a dos amigos, é de uma vida de abandono. Sem família – a mãe não tem tempo para ele e é personagem quase inexistente –, quando não está dormindo em casa, está nas ruas, invariavelmente, envolvido em algum delito. Também não tem nome, rosto, nem idade e suas únicas referências são Dondinha, a amiga de infância, e a casa, para as quais sempre volta. Entre estupros, punhetas, porradas e assassinatos ele vai seguindo.
Violência que, diferentemente de narrativas de violência urbana – com tiros, roubos, tráficos -, parece sem sentido, brincadeira, maldade apenas para, por poucos minutos, regozijar-se. São poucos os assaltos com fins lucrativos. Não é dinheiro que eles querem. E o que o protagonista quer? “Não sei o que quero, mas não invejo nada. Nem esses mauricinhos que passam de carro, com roupas da moda. Tenho meu jeans, minha bermuda, meu tênis. Tá bom” . (p.31) Sobra, então, a barbárie. A gangue de Moscow quer sangue, quer desforra imediata, se possível com morte, quer estupro, mesmo que a vítima não seja um objeto muito desejável, quer eliminar qualquer problema da forma mais brutal possível. E quer muito sexo. Consentido ou forçado. Com mulher ou homem. Adulto ou criança. Com fim feliz ou não. Tudo “sem culpa”, conforme anunciado, no início do livro: “Moscow é sobre violência sem culpa ” (p.6).
E Moscow , nas suas poucas páginas , revira o leitor, também. Revira porque, como já foi dito, por mais sufocante que seja, não é possível largar a leitura. E mesmo diante de um personagem monstruoso, que mata, estupra, humilha, não é possível desejar a sua prisão, nem a sua morte. Ao contrário, causa perplexidade descobrir-se torcendo para que o protagonista se salve, conquiste a mulher que lhe revira a cabeça, continue considerado pela personagem Mara, a coroa por quem ele se apaixona sexualmente, e seja feliz. "

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7 comentários:

Mauricio disse...

poxa pedro, tu que es tao "antenado" agora q descobristes o moscow, fala serio, bom, antes tarde do que nunca. Sempre leio o teu blog. abs mauricio leal dias

citadinokane disse...

Maurício,
Te lembras do Neruda que tu me tomaste e nunca leste?!
É o caso do Moscow...
Edyr é lido amiúde e gostamos.
Cara sempre te vejo acompanhado de uma moça loira.
Eu até faço psiu, mas tu não olhas... Metido, né?!
Abraços,
Pedro

Edyr Augusto disse...

Pedro, pelamordedeus! Vc quer me matar? Obrigado! Também sou extremamente tímido, mas como vê, estou sempre por aqui. Não te conheço mas te admiro. Muito obrigado pela força!

citadinokane disse...

Edyr,
Como diria o Juquinha do 5ª emenda - "hay que tener culhones" para enfrentar a indiferença dos conterrâneos.
Fico na torcida para que mais pessoas possam ler "Moscow".
Abraços,
Pedro

Anônimo disse...

Pedro,
muito legal esta tua dica. Assim que chegar em Belém vou procurar pro Moscow. Alias, onde posso encontrar este livro? Deverias dar mais dicas literárias da turma de belém.
grande abraco, ricardo

citadinokane disse...

Ricardo,
Tens razão, vou procurar dar dicas.
Irmão, tinha visto na Jinkings. Vou confirmar, e quando tu chegas?

@n@liju disse...

que bela resenha sobre o livro moscow do edyr proença. me deu vontade de ler. estava no Rio quando do lancamento e ouvi comentarios a repeito na imprensa.pela seu comentario deu pra ver que tem um pouco do rubem fonseca, do noll, autores de quem eu gosto muito.o seu comentario e muito pertinente. quase nunca leio nada na imprensa paraense alguem escrevendo com esse discernimento.
ou estou enganado?