sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Fidel si, Fidel no: Ramonet x Montaner(parte I)


Irei reproduzir aqui no blog, artigo publicado no Blog do Emir Sader da Agência Carta Maior.
Temos dois intelectuais com focos distintos e que vão expor as suas impressões sobre Cuba com e sem Fidel, não publicarei o artigo de uma vez, farei em retalhos, i. e., irei publicá-lo por parte, tudo para facilitar os meus leitores preguiçosos, uns e outros que odeiam posts longos, é o de Mari Santos.
Passei quase um mês em Havana, deixei bons camaradas por lá. Fiz um treinamento de sobrevivência nos bares, ruas, cafeterias e paladares habaneros... Preparar mojitos e margueritas é uma arte, bebê-los uma delícia... A cultura cubana me arrebatou por completo, la nueva trova (a MPB deles) com letras e melodias encantadoras e de profunda preocupação humanista, a arte pulsando na Praça do Comércio... Lembranças que se transformam em saudades.
Meus mojitos cubanos, visitam-me como fantasmas ao cair da noite, lembrando-me que existe um povo alegre e trabalhador numa isla caribenha, e que adora a cultura brasileira, não entendo, mas os cubanos adoram as novelas da Globo... rsrsrs...
Chega de conversa, vamos ao artigo do Emir Sader.

Primeira Parte

"Fidel si, Fidel no: Ramonet x Montaner
A partir da doença de Fidel, a edição de fevereiro/março da revista Foreign Policy promoveu um debate entre Ignácio Ramonet – editor do Le Monde Diplomatique e autor do mais importante livro sobre Fidel, com 100 horas de entrevistas com o lider cubano, “Biografia a duas vozes” (Boitempo Editorial) – e Carlos Alberto Montaner – jornalista anticastrista de Miami, incluído na lista de jornalistas pagos pelo governo dos EUA, que costuma ser publicado pelo jornal Estado de São Paulo. Foi colocada a questão: O que Fidel fez por Cuba? A cada artigo de Montaner vinha a réplica de Ramonet, em um total de 4 cartas de cada um. Transcrevo trechos da correspondência:

I.Montaner: “O comunismo decepcionou a Cuba” “A morte de Fidel Catro será o ponto de partida de uma série de mudanças políticas e econômicas parecidas com as que se produziram na Europa.” “Mesmo se sua ideologia é o comunismo, pertence à mesma espécie antropológica que Francisco Franco na Espanha ou Rafael Trujillo na República Domunicana.” “...o povo cubano sabe que o sistema criado por Castro fracassou. Enfrenta-se diariamente com a realidade de que o comunismo agravou todos os problemas materiais fundamentais de Cuba até o limite do desespero.” “Cuba pertence à civilização ocidental. Faz parte da América Latina e não tem sentido que seu governo siga mantendo ao país isolado do seu entorno, de suas raízes e de sua evolução natural. Afinal, as ditaduras da América Latina, tanto as de esquerda (Velasco Alvarado no Perú), como as de direita (Augusto Pinochet e os regimes militares da Argentina, do Brasil e do Uruguai), foram substituídas por governos legitimados nas urnas.” “Eu predigo uma mudança pacífica baseada em um acordo entre os reformistas do regime e os democratas da oposição, dentro e fora da ilha.”

I. Ramonet: “O futuro de Cuba está aqu픓O presidente Fidel Castro não está exercendo seu cargo desde julho; isto é, faz mais de seis meses que existe o depois de Fidel. E, no entanto, não aconteceu nada.” “À diferença da Hungria, as grandes reformas cubanas não são produto de idéias alheias impulsionadas por tropas estrangeiras levadas por veículos soviéticos. Nasceram de um movimento popular em que se uniram as esperanças de camponeses, operários e inclusive profissionais da pequena burguesia cubana.” “Negar essa característica nacional é ignorar várias dimensões essenciais do regime. E é não compreender por que, 15 anos depois da desaparição da URSS, o sistema cubano continua de pé.” “Durante os últimos 10 anos o crescimento médio anual do PIB cubano foi de aproximadamente 5% ao ano, um dos maiores da América Latina. Em 2005 o país cresceu 11,8%, incluindo os serviços sociais e deve ter tido um crescimento igual em 2006. Pela primeira vez na sua história este país não depende de um sócio preferencial, como havia dependido sucessivamente da Espanha, dos EUA e da URSS. É mais independente que nunca. Com uma distinção tão pouco frequente e tão duramente conquistada, não parece provavel que os cubanos vão inverter esse rumo.”

6 comentários:

marisanblog disse...

Ufa...! Ainda bem que não demorou. Deu uma reduzida, rsrsrs

Beijos

Mari

Tozé Franco disse...

Bom Domingo.
Tudo de bom p'ra vocês.

xienra disse...

Ramonet. No hay color.

citadinokane disse...

Mari,
Mas que coisa, hein?!

citadinokane disse...

Tozé,
Um belo domingo e uma semana cheia de tranqüilidade.
Pedro

citadinokane disse...

Montaner. No hay color. ejejeje...
Abrazos,
Pedro