segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Quando estranhos se encontram ...


Nesse carnaval molhado não houve outro consolo para mim, livro, e mais livros... A leitura de Zygmunt Bauman é extremamente prazerosa, o sociólogo polonês é na atualidade um dos maiores estudiosos sobre globalização, o livro "Modernidade Líquida" toca em temas do nosso dia-a-dia, problemas que vivenciamos de perto.
Vira-e-mexe a blogueira Mari diz para o Ivan ou para o poster: - Tirem a máscara...
Pois veja só Mari, a máscara não é tão negativa como tu pensavas, ela acaba sendo a essência da civilidade, possibilitando o enlace de pessoas.
Transcrevi uma parte do texto de Bauman, do livro "Modernidade Líquida", Editora JZE, Ed. 2001, pág. 111.

"Na clássica definição de Richard Sennett, uma cidade é "um assentamento humano em que estranhos têm chance de se encontrar". Isso significa que estranhos têm chance de se encontrar em sua condição de estranhos, saindo como estranhos do encontro casual que termina de maneira tão abrupta quanto começou. Os estranhos se encontram numa maneira adequada a estranhos; um encontro de estranhos é diferente de encontros de parentes, amigos ou conhecidos - parece, por comparação, um "desencontro". No encontro de estranhos não há uma retomada a partir do ponto em que o último encontro acabou, nem troca de informações sobre as tentativas, atribulações ou alegrias desse intervalo, nem lembranças compartilhadas: nada em que se apoiar ou que sirva de guia para o presente encontro. O encontro de estranhos é um evento sem passado. Freqüentemente é também um evento sem futuro (o esperado é não tenha futuro), uma história para "não ser continuada", uma oportunidade única a ser consumada enquanto dure e no ato, sem adiamento e sem deixar questões inacabadas para outra ocasião. Como a aranha cujo mundo inteiro está enfeixado na teia que ela tece a partir de seu próprio abdômen, o único apoio com que estranhos que se encontram podem contar deverá ser tecido do fio fino e solto de sua aparência, palavras e gestos. No momento do encontro não há espaço para tentativa e erro, nem aprendizado a partir dos erros ou expectativa de outra oportunidade.
O que se segue é que a vida urbana requer um tipo de atividade muito especial e sofisticada, de fato um grupo de habitantes que Sennett listou sob a rubrica "civilidade", isto é
a atividade que protege as pessoas umas das outras, permitindo, contudo, que possam estar juntas. Usar uma máscara é a essência da civilidade. As máscaras permitem a sociabilidade pura, distante das circunstâncias do poder, do mal-estar e dos sentimentos privados das pessoas que as usam. A civilidade tem como objetivo proteger os outros de serem sobrecarregados com nosso peso."



Mari, Ivan, Cabeção, estão proibidos de tirarem as máscaras na frente dos amigos, só é permitido tirar na frente do Professor Alberto, Denille e Iracema respectivamente, tá?!
Dessa maneira só conheceremos o lado civilizado de vocês, o lado animal deixamos para a cara-metade de cada um, com certeza elas sabem como lidar, né?!

4 comentários:

marisanblog disse...

Pedro,

Zygmunt Bauman é um invejoso. Plagiou o que já havia te dito antes, amigo, rsrsrs. Tu que não lembras quando te disse que em muitas situações temos que ser mascarados. Num bom sentido claro.
E aí o cara somente repete o que já havia te dito. Fala sério, rsrsrs

Gostei muito do texto. Parabéns. É sempre um aprendizado.

Bom Carnaval, mas, sem máscaras, tá!?

Bjs

Mari

citadinokane disse...

Mari,
Então, tá!

marisanblog disse...

Tá!

citadinokane disse...

Mari,
A tua máscara continua, né?! Ainda bem.
Abs,
Pedro