sábado, fevereiro 24, 2007

Sexta-feira...

Ontem foi sexta-feira, foi aniversário do blog e final do carnaval, ela foi preguiçosa... Quase não ia embora, mas foi...
Abaixo veja como o poeta viu o dia de ontem, o poeta é o Ronaldo Franco, e gostei muito do texto que escorreu de suas veias, parece da cor do açaí... rsrsrs... Fala aí poeta, como foi a sexta-feira depois do carnaval?


"A cidade
- fala-se por aí –
está embrulhada
monótona e enjoada
Triste
- de cortar o fígado –
a voz moída
uma só rouquidão
Parece
que Belém engoliu a língua
E estamos quietos…
De pernas quebradas
Ela está quase adormecida
A chuva tenta acordá-la
Molhando-a
suavemente
Sua respiração
sobe e desce
edifícios e árvores
Faz vento : para uma manhã comum
Ri de si
Soluça uma tarde
distraída
e livre
Calada
arruma os minutos para o sol sumir
Comovida
abre todas as janelas da noite
E as portas da sexta-feira…
Pois agora tem mais o que lazer :
e a hora já é pouca para fazer amor
Nada pede
Quer apenas o batom
Os saltos altos
A bolsa
E a rua
Ela quer beijos e ternuras
E todos os sentimentos
fáceis da mesa do bar
E soluções amorosas facílimas
Gastar a vida
sem chicote
Num simples ficar
Sem dar contas a ninguém
Trancar-se no lado de fora da paixão
Deixar alguém morar
por muitos instantes
no fundo do seu peito
Quer o namoro vivo
Sadio
Sem a doença da amizade
Sem a cama da saudade
Pois o amor é curto
e
enquanto conversamos
a sexta se vai e finda."

Ronaldo Franco é um dos poetas mais queridos desta cidade e tem um público fiel, que o considera um profundo conhecedor da alma e do universo feminino.

8 comentários:

asn disse...

Amigo Pedro Nelito
Eu, por aqui, todo distraído, a pensar em mil e uma coisas, a refilar, a fazer décadas, e só agora é que reparo que, entretanto, 1 ano deste teu bloque, está a passar.
Parabéns, Pedro, que esta tua presença na blogosfera é importante, sem dúvida que é uma referência de assinalar.
Os poetas são loucos?! Como poderá ser assim?
O Mundo sem poesia não teria vida.
Um abraço
António

Companheira da alma disse...

Parabenss pelo aniversario do blog...
que voce continue escrevendo anos e mais anos... hehehehe
adoro os textos e as coisas que escreve.
bjo

Paola Vannucci disse...

Neliiiitooooooo! rsrsrsrs
Meu grito por ti meu amado amigo é fenomenal,
quizera eu ter grana suficiente agora pra voltar morar em Salvador, seria uma guinda extraordinária na minha vida, voltar a morar em Salvador além de poder chegar mais perto de vc , seria minha real alegria, são muitos motivos.....

Mas que Poeta bárbaro meu querido, vasculhei um pouco dele, rsrsrsrssr
Mas vc não perde seu posto, viu, rsrsrssrsrsrs

Te amo

Paola

citadinokane disse...

António,
Em pouco tempo de blog criamos um clima fraterno, que sinceramente espero que perdure por muito mais tempo.
Os poetas vão invadindo a blogosfera, e nós pobres mortais, resta admirá-los... Benditos loucos!!!
Abraços irmão,
Pedro

citadinokane disse...

Companheira,
Obrigado.
Confio no "todo-poderoso"... ehehehe... Ele manda e a gente obedece...
Que possamos compartilhar por muitos anos os nossos textos.
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Paola,
Tomara de verdade que possas realizar teus sonhos.
Um poeta de boa cepa... rsrsrs...
Abraços,
Pedro

Nan disse...

Sufocante. De real. De tanto reflectir a condição humana.

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Acho que irias gostar dum poema de Manuel da Fonseca "Domingo", que tenho num post de 20 de Novembro do ano passado (também o encontras fácilmente via busca google...)
É grande, senão passá-lo-ia aqui.
Mas é daqueles de rebentar no peito...

(não me lembro, assim de repente, se já ias ao meu blog nessa altura...)


beijos

citadinokane disse...

Nan,
Sempre no teu blog, eternamente.
O texto de Manuel da Fonseca foi pretexto do post acima.
Dilacerante, né?!
Beijos,
Pedro