quinta-feira, março 15, 2007

Meu poeta David...

Olha pessoal um novo poeta no jardim...
Sentamos em um Pub perto de uma livraria e começamos a trocar algumas idéias sobre política e amizade, imediatamente fizemos concessões, abrimos mão naquele final de tarde, quente e alaranjado, das taças de vinho e pedimos duas tulipas de chopp com colarinho... rsrsrs... David com o olhar um tanto triste, continuava a articular suas idéias sobre a América Latina e os planos de atuação na direção do Centro Acadêmico de Direito, falamos muuuito sobre política, um vício nosso, e depois passamos a discorrer sobre a importância da amizade, amizade que não pede uma identidade ideológica do "amig@", com uma única exigência(única?), tem que gostar de pessoas, pôr-do-sol, poesia, Chico Buarque e se emocionar quando for chamado de amig@...
Depois o meu amigo disse quase sussurrando, como se fosse um segrêdo de Estado, que havia acabado o relacionamento com a namorada, finalizou dizendo olhando para o chão: - Tô uma merda!
O que dizer nessas horas? Não sei. Apenas fiquei escutando, acho que ele queria falar, e deixei o "cara" falar...
O celular toca e ele lembra de um outro compromisso, mas antes da despedida meu amigo me entrega um papel com um texto, rindo ele diz que colocou no papel tudo o que pulsava no coração...
Blogueiros, como pode um cara com apenas 18 anos viver tantas emoções?!
Valeu poeta! valeu David!

"QUANDO ME DESPEDI

Quando me despedi,
A porta já estava fechada
Minha voz não encostou nos teus ouvidos
Teus olhos doídos não arderam nos meus

Desci pelo corrimão da escada
Andei na ponta dos pés
Para você não ouvir meu adeus

Fui embora esquecendo quase tudo
Espalhando a nossa história pelos corredores
Nossas lembranças, nossos vícios de amores
Na esperança de voltar buscando
Qualquer coisa que me fizesse ficar

Primeiro foi o nosso retrato
Repleto de paixão
De movimento e de fatos
Como o sutil movimento
Da aurora estática
Que desenha os céus sem saber como
Sem saber quando
Imortalizando um momento que vai sempre mudando

Depois foi o nosso disco preferido
Que embalou nosso amor e te fez duvidar
Que era único tudo aquilo que a gente vivia
Se alguém poderia nossos segredos cantar
E nos momentos de solidão
O disco me acompanhava
E disco me lembrava
Que tudo ainda estava guardado no meu peito

Voltei também para buscar a aliança
E te falei que era recordação ou lembrança
De um tempo que eu não queria esquecer
Então você me olhou com aquela cara de criança
Apertou os lábios e as lágrimas caíram
E então eu percebi o quanto te fiz sofrer

Quando voltei para buscar o nosso amor,
Não encontrei.
Procurei na gaveta
Nos teus olhos
Na nossa cama
Na tua alma
Debaixo do ventilador
E foi então que eu percebi que tudo terminou." (David Carneiro)

* Quer conhecer mais um pouquinho o David, vai lá no blog dele: Notícias de lugar nenhum.

12 comentários:

J@de disse...

Mas se é com 18 que a gente vive tão intensamente essas emoções!! É lindo o poema, vou lá futucar o blog do garoto!!
Bejios!!

dirceu franco disse...

Pedro,

O David realmente é um cara d+. O Joseph Lùkita gostou muito dele e deseja marcar uma nova "reunião" para atualizar a "pauta".

Forte abraço no David. Até mais...

citadinokane disse...

Jade,
Vivemos nessa idade muitas emoções, mas tínhamos dificuldades em expressar...
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Dirceu,
Precisamos atualizar a pauta, é verdade.
Abraços,
Pedro

Mari disse...

Pedro,

Começou muito bem, poeta David.

Bj

Mari

citadinokane disse...

Mari,
Será que ele vai disputar com o Ivan?!
Ehehehe... brincadeira, tem espaço pra todo mundo.
Besos,
Pedro

Lisânia disse...

Nelito, aprendi que amigo é a FAMILIA que Deus nos deixou escolher, para tanto se faz tão ou mais necessário que ela. ¨A dor é a inspiração do poeta, quanto maior sua dor, maior sua inspiração...¨ esse seu blog levanta o astral da gente, viu? bom fim d semana. abcs.

citadinokane disse...

Lisânia,
Quantas palavras bonitas, será que temos uma poetisa?
Obrigado por apoiar o blog, e espero que continues voltando, a porta não tem trinco e nem tramela... rsrsrs...
Abraços,
Pedro

Lisânia disse...

Gostei da ¨tramela¨ há anos não ouvia tal expressão rsrsrs. e todos temos dentro de nós um poeta adormecido, basta uma pequena inspiração e tudo aflora, e esse blog é xou. abcs.

citadinokane disse...

Lisânia,
O blog está aberto para toda expressão artística.
Abraços,
pedro

David Carneiro disse...

Meu grande amigo Nelito..aquela foi uma noite inesquecível. Talvez por termos falado sobre tudo o que é inesquecível nas nossas vidas: nos vícios, amores, política e sobretudo os amigos. Quero dedicar a você e a todos os meus amigos essa obra do nosso poetinha Vinicius de Moraes, um tanto preconceituosa com os não-amigos, mas o que no fundo todos pensamos quando nos deparamos com as criaturas que fazem a nossa vida valer à pena. Afinal,amigo não se faz, se reconhece:

Vai tua vida
Teu caminho é de paz e amor
A tua vida
É uma linda canção de amor
Abre teus braços e canta a última esperança
A esperança divina de amar em paz

Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar
A sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol, como a flor, como a luz
Amar sem mentir, nem sofrer

Existiria a verdade
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você

citadinokane disse...

David,
Realmente,
"Existiria a verdade
verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você".
Adelante camarada, arriba!!!
Pedro