sexta-feira, abril 27, 2007

Aniversário da Jade

Aqui em Plutão ando mergulhado em livros e outros compromissos, tão distante, o pensamento ainda ligado ao mundo da blogosfera, fico me perguntando: - Como andará o Segredo da Esfinge, Jade, Mari, Ivan...
Sigo encontrando dificuldades para sintonizar no dial correto, mas quando consigo é uma felicidade imensa.
Recebo notícia pelo Segredo da Esfinge que a menina Jade festejou mais uma primavera, e sintonizando firme e forte no olhar de Jade, puxei o livro Quatro Vozes, e estão lá quatro esteios da literatura brasileira, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Rachel de Queiroz e a minha querida Cecília Meireles...
Jade comecei a ler o texto de Cecília, pensando em te homenagear - "Aniversário": "Bons tempos em que os jornais publicavam deliciosos cumprimentos, em linguagem amena: 'Colhe hoje mais uma flor, no jardim da sua preciosa existência...' Que senhorita gostaria, nos dias de hoje, de ser cumprimentada assim? Nossos pais e avós eram certamente um pouco ingênuos e dispunham de mais tempo que os seus infelizes filhos e netos: mas possuíam também qualidades de gentileza que hoje só vemos nos livros de etiqueta.
Bons tempos em que se procurava para o aniversariante o mais gracioso ou expressivo cartão-postal existente na praça: ramos de flores, pássaros: 'Os passarinhos, com seus maviosos cantos anunciarão, esta madrugada...' "
Que é isso? Não tem a cara da Jade, ela é despachada e não esqueçam, taurina, igual ao poster. Resolvi parar por aí, e me espoquei de rir... ahahaha...
Ela é carioca, ela é carioca, olha o jeitinho que ela tem...
Só Vinícius pode contemplar a impetuosa Jade, então, por favor! Chamem o poetinha...
Soneto de aniversário (Vinicius de Moraes)
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
(Rio, 1942)
Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 451.

quinta-feira, abril 26, 2007

O deus que dança...

Daqui de Plutão ao ler o que escreveu em comentário a amiga Lidiane, fiquei meditando, ela só acredita no deus que dança, aí lembrei de Gilberto Gil que cantava a um deus, salvo engano, falava no deus Mu que dançava:
"Sente-se, o que chamou-se Ocidente tende a arrebentar
Todas as correntes do presente para enveredar
Já pelas veredas do futuro ciclo do ar
Sente-se! Levante-se! Prepare-se para celebrar
O deus Mu dança!
O eterno deus Mu dança!
Talvez em paz Mu dança!
Talvez com sua lança "

Eu quero sempre que o deus Mu dance, e tu querida amiga Lidiane? Agora vou confidenciar, eu só acredito num deus que dança, se ele for mulher... Falei!
Andando pela blogosfera encontrei uma poesia que falava da dança dos deuses.

Dança Primeva (Maat)

o deus a que chamais Deus não é deus
é carbono puro um diamante
que geometriza no ante-dia da luz
uma esfera de silêncio soltando pétalas de H2 e O
fazendo o seu discurso no ninho do núcleo
traçando rectas curvas portas luminosas
gotas de fogo solitários versos de chuva
brilha no centro das horas do Abismo
resplandece roda tece
o primeiro rascunho surge
uma mão pousada em Vénus outra em
Ain Sof
são de água e curvas as suas vozes
na delicada toalha de luz e pó
portas de prata os símbolos
as uvas crescem no ventre invisível de Kether
os dedos apontam os ramos das rosas
finos dedos de azeite e Sol de mãos dadas
muito antes de Mercúrio ou de Apolo
eis a linguagem primeva da Luz
com o Sonho rodando em torno do seu núcleo
uma dança de ritmo sete uma dança-prisma
cega e luminosa
de
carbono
puro.

quarta-feira, abril 25, 2007

Réquiem para Wady

Réquiem para um aluno calado, calmo e de uma simplicidade extrema - Wady Chamié Neto.
Tomei conhecimento do seu falecimento ontem... fiquei chocado, acidente automobilístico, e um jovem estudante de direito, tem uma interrupção brusca, vida, sonhos...
Os jovens e as crianças não deveriam morrer, jamais.
Não consigo discorrer mais nada, falar da morte, estranha e futura companheira de todos nós, me causa ainda um gosto amargo na boca e um nó na garganta.
Deixo as palavras de Drummond e os meus mais sinceros sentimentos acompanhados de uma prece, para que possamos superar essa perda...


Mundo Grande(Carlos Drummond de Andrade)

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.
Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.
Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)
Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.
Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.
Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.
Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.
__________________________
Ivan Daniel enviou-me um vídeo feito pela namorada do Wady, esta também foi minha aluna, fica a saudade...

domingo, abril 22, 2007

Professor Pasquale de Cipro Neto

"O sujeito que usa um termo em inglês no lugar do equivalente em português é, na minha opinião, um idiota".
Revista Veja, 10 de Setembro de 1997.
"[..] a São Paulo que fala 'dois pastel' e 'acabou as ficha' é um horror. Não acredito que o fato de ser uma cidade com um grande número de imigrantes seja uma explicação sufuciente para esse ' português esquisito' dos paulistanos. Na verdade, é inexplicável".
Revista Veja, 10 de Setembro de 1997.

Tem gente que não gosta dele, pura birra de quem não quer reconhecer lacunas em relação ao aprendizado da língua mater... O que esperar de um professor de português? Talvez os incautos esperem que identificadas as deficiências e os equívocos que nós cometemos cotidianamente com a língua de Camões, o professor aja com complacência e diga se virando de lado entre suspiros numa delicadeza perdida: - Tudo bem, nóis aceita tudo...
Gente! É claro que sempre cresço e torno mais linda a convivência com quem me rodeia quando utilizo corretamente a língua, é bom lembrar o que dizia o comunicador e apresentador - Chacrinha "o velho guerreiro": - Quem não se comunica se estrumbica... Antes que venham dizer que não sou modelo do melhor português, digo que estou no caminho para aprimorá-lo e que não desprezo o linguajar coloquial de nosso povo, a língua é dinâmica, provavelmente iremos com o passar do tempo incorporando ao nosso dia-a-dia muitas idiossincracias... Mas, negar o correto e falar errado, porque é mais fácil, qual é? ou qualé? A mensagem foi passada e todos entenderam, sem preciosismo, apenas simples, como feijão com arroz...
Pensei em postar sobre o professor Pasquale de Cipro Neto, deixa contar nos dedos, há umas quatro semanas.
Era domingo e fui até à Estação das Docas, um espaço gastronômico e cultural - restaurantes, bares, teatro, livraria, lazer... Lindo lugar, debruçado sobre a Baía do Guajará, lindo mesmo. Comprei um livro de poesia de Fernando Pessoa, uma coletânea organizada por Luiz Ruffato, com o sêlo da editora Objetiva, o título muito sugestivo - "Quando Fui Outro", temos nele heterônimos e etc... Quando estava me dirigindo para o estacionamento, dei um olhar de soslaio e localizei um amigo sentado à mesa com a sua esposa e mais um casal, fui até à mesa e cumprimentei a todos, sendo que o amigo do meu amigo que estava ali sentado parecia que era um velho conhecido meu, tentei puxar pela memória e nada, aí o Paulo me apresentou o amigo dele: - Pedro, tu já conheces o Pasquale?!
Fiquei muito alegre, e disse: - Claro! Assisto sempre o programa dele em rede nacional, na TV Cultura, "Nossa Língua Portuguesa"...
Ficamos ali conversando, trocamos algumas idéias, o professor pediu-me o livro de Fernando Pessoa para folhear, um grande sorriso estampado no rosto, e depois sentenciou: - Fernando Pessoa, sempre vale a pena...
Uma saudação fraterna e um apêrto de mão, nos despedimos e saí trazendo a alegria de partilhar alguns minutos com alguém que ajuda a difundir o interesse pela língua portuguesa em todo Brasil.
Depois do programa do professor Pasquale na TV, vários outros programas surgiram e estão no ar até hoje, muito importante o papel dele para recuperar a auto-estima dos professores de português. O programa do professor Pasquale ensina português a partir da música(MPB) e poesias, recomendo, é exibido três vezes na semana - TV Cultura.
A mierda é que no domingo tem Faustão e Gugu na Rede Nacional, e acaba esbandalhando tudo, e tome funk, pagode, calypso, sertanejo, brega, axé... O importante, continuamos na trincheira, sem radicalismo, com clareza que Canãa não está ali na esquina.
Deixo uma homenagem ao professor Pasquale de Cipro Neto, do livro "Quando Fui Outro" de Fernando Pessoa:


"Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido."(Tabacaria - Álvaro de Campos)

Agora se alguém quiser conhecer mais um pouquinho o professor clica aí no Pasquale, ok?!
Besos y abrazos!!!

sexta-feira, abril 20, 2007

Papo-cabeça...

"Sempre um pouco de loucura no amor, porém sempre há um pouco de razão na loucura".(F. Nietzshe)

quinta-feira, abril 19, 2007

Alguém tem um lenço aí?

Daqui estou escutando tudo... as lembranças em borbotões afloram, e Gal Costa vai desenterrando meus mais recônditos sonhos e projetos de adolescente, ela canta cada linha da poesia de Maiakovski com tanta emoção, torna-se urgente descer e andar entre os simples e comuns cidadãos daqui, deixando o vento embaraçar as lembranças e amores idos...
Vou falar uma coisa séria, depois de escutar e me emocionar com a poesia de Maiakovski, sinto que sou uma pessoa melhor...
Augusto me empresta um lenço? tem um cisco no meu olho...

O Amor (Maiakovski)

Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zôo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o Universo;
a mãe,
pelo menos a Terra.

quarta-feira, abril 18, 2007

Vejo tudo daqui...




Chegou aqui em Plutão uma nave não tripulada, com um dvd com imagens e parte da letra de uma música de Djavan... São imagens que deixam intrigados os plutaneanos ou pluteanos - o povo de Plutão.

Nobreza (Djavan)

Nossa velha amizade nasceu
De uma luz que acendeu
Aos olhos de abril
Com cuidado e espanto eu te olhei
No entanto você sorriu
Concedendo-me a graça de ver
Talhada em você
A nobreza de frente
O amor se desnudando
No meio de tanta gente...
(...)
E sentir a alegria de ver
A mão do prazer
Acenando pra gente
O amor crescendo, enfim
Como capim pros meus dentes...

terça-feira, abril 17, 2007

Plutão é assim mesmo...

Sinto saudades da blogosfera, o pior de tudo, não estou conseguindo visitar os amigos... E nem tampouco dar atenção para Jussara, que está a me cobrar as notas dos "plutinhos" de Direito, tenho de entregar as notas... rsrsrs...
Vejo um computador dando sopa e descarrego rapidamente algumas impressões desse mundo estranho, de dia muito calor e de noite um frio "doido", Plutão é assim mesmo.
Andando pelas ruas de Plutão, acabei encontrando o amigo Nilton Atayde, resolveu se mudar para cá, paramos lado a lado num sinal de trânsito, em um átimo de segundo, o suficiente para trocarmos uma gargalhada e depois sumirmos na poeira da estrada...
Encontrei uma folha de papel com algumas anotações de um pluteano pouco conhecido na Terra, o nome dele: Woody Allen. Segue algumas frases soltas...
"Solucionar problemas financeiros é fácil: basta ter dinheiro."
"Bígamo é um idiota ao quadrado."
"O negócio mais exposto à quebra é a venda de cristaleiras."
"Música japonesa é uma tortura chinesa."
"Diabético não pode fazer lua-de-mel."
"Quando o médico erra, o negócio é jogar uma pá de terra no assunto."
"Os mosquitos morrem entre aplausos."
"Morrer é como dormir. Só que sem levantar pra fazer xixi."
"A maconha causa perda de memória... e outra coisa que eu não lembro."

domingo, abril 15, 2007

Os dias em Plutão...

Andando pelas ruas de Plutão, a gente encontra uns caras super descolados que resolveram se mandar de vez da Terra - o planeta azul, é assim que os pluteanos chamam para o planeta que está sofrendo com o aquecimento "global", a cada ano que passa chegam por aqui umas pessoas geniais...
Paulo Leminski Filho veio morar em Plutão em 1989, e deixou na Terra uma obra de vanguarda na poesia e outros escritos, overdose certeira no coração. E assim são os dias em Plutão...

vão é tudo
que não for prazer
repartido prazer
entre parceiros

vãs
todas as coisas que vão

sábado, abril 14, 2007

Vida em Plutão...


Notícia de Plutão...
Lançada em um momento de desespero e abstinência blogosférica.

Walden, or life in the woods (1854)

"Eu fui à Floresta porque queria viver livre.
Eu queria viver profundamente,
e sugar a própria essência da vida...
Expurgar tudo o que não fosse vida;
E não, ao morrer, descobrir que não havia vivido".






Walden, ou a Vida nos Bosques
Henry David Thoreau (1817–1862)

Eu fui aos bosques
porque queria viver deliberadamente,
enfrentar somente os fatos essenciais da vida,
e ver se eu não podia aprender
o que ela tinha a me ensinar,
e não, quando viesse a morrer,
descobrir que não havia vivido.

Não queria viver o que não fosse vida,
viver é tão bom;
nem queria praticar resignação,
a menos que fosse realmente necessário.

Eu queria viver profundamente
e sorver toda a essência da vida,
viver violenta e espartanamente
de forma a derrotar tudo que não fosse vida,
e reduzí-la aos seus mais simples termos,
e, se isso se provasse pobre,
porque então alcançar a sua miséria
completa e genuína,
e anunciar esta miséria ao mundo;

ou se fosse sublime, conhecer de experiência,
e ter condições de dar um relato fiel disto
em minha próxima excursão.

domingo, abril 08, 2007

Fragmentos de uma estranha civilização...







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FRAGMENTOS...

Tabacaria (Fernando Pessoa)

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,

E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.


Futuros Amantes (Chico Buarque)

Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Goodbye (The Beatles)

Adeus. Adeus. Adeus. Adeus. Adeus. Adeus.
Meu amor, adeus.
As canções que tardam em meus bordos excitam-me agora
e tardam em minha mente.
Deixe suas flores em minha porta;
Eu deixo-os para esse quem espera atrás.
Adeus. Adeus. Adeus. Adeus. Adeus. Adeus.
Meu amor, adeus.
Adeus. Adeus. Adeus. Adeus. Adeus. Adeus.
Meu amor, adeus.

Goodbye (The Beatles)

Please don't wake me up too late.
Tomorrow comes and I will not be late.
Late today when it becomes
Tomorrow I
Will leave and go away.
Goodbye. Goodbye.
Goodbye. Goodbye.
Goodbye. Goodbye.
My love, goodbye.
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BOTECO FECHADO.
Pois é, mesmo com o boteco fechado, tem um... um não, uns quatro caras, que ficam batendo na porta, o dono do boteco doido pra ir embora, aí eles se cansaram de bater na porta, resolveram ligar pro celular... rsrsrs... Vou deixar a porta entreaberta, só um último gole e depois por favor, o dono do boteco vai fechar a porta, ok?

Coloquei umas doses de uísque escocês... Eles caem que nem rato em ratoeira cheia de queijo.
A vida é bão sebastião!
- Augusto pega essa dose de uísque! Coloquei
só duas pedras de gêlo de água de côco, do jeito que tu gostas...
- Não posso beber nada, estou me recuperando dessa desgraceira de dengue... Ah! mermão estou com o corpo estragado, pensei que estivesse tudo "dominado", mas ainda sinto uma fraqueza.
- Bueres e Cabeção nada de acender um cigarro de despedida, depois do primeiro vem o segundo e todo mundo fica doidão, é uísque do bão, é sério!
O Cabeção tem um lance te querer beijar
quando fica emocionado e bêbado, depois esquece, né?!

Todo mundo pra fora, vou fechar de vez o boteco, ficam as lembranças e as amizades.

Goodbye!

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O Eduardo Bueres ficou escondido, e quando voltei para esvaziar o freezer, o Loco já estava no segundo copo de cerveja, ele passando a mão na barriga saliente, sorrindo disse: - Sou cervejeiro... ehehehe!
Ainda rolou um papinho leve e depois o Loco se retirou numa boa, lá vai o meu amigo Loco, argumentou muito a favor da manutenção do blog e etecetera e tal...
Olhando daqui, percebo que o Loco misturou uísque com cerveja, huumm... De repente me lembrou Carlito, só está faltando o chapéu e a bengala, o Loco vai de um lado para o outro, é o efeito da desgraçada...

Luzes da Ribalta (limelight)
Charles Chaplin


Vidas que se acabam a sorrir
Luzes que se apagam nada mais
É sonhar em vão, tentar ao outro iludir
Se o que se foi, prá nos não voltará jamais
Para que chorar o que passou
Lamentar perdidas ilusões
Se o ideal que sempre nos acalentou
renascerá em outros corações

sábado, abril 07, 2007

ACABOU! ADEUS! PLUTÃO SE APROXIMA...

Meus amigos e amigas de toda a blogosfera, venho comunicar que a partir desta páscoa, estou me retirando da viagem maravilhosa pela blogosfera, minha blognave despejou pelo espaço virtual uma quantidade enorme de postagens, mais precisamente 685 postagens. Agora, é certo uma coisa, li e recolhi milhares de postagens, muitas estão guardadas em meu coração, assim como centenas de blogueiros e blogueiras.
Minha nave se encontra na órbita de Plutão e dentro de alguns momentos estarei desembarcando, são muitos compromissos em Plutão, retomo, após dois anos de licença sem remuneração, encargos profissionais que irão exigir de mim muita dedicação para adaptar-me novamente a uma dinâmica estressante...
Ainda tenho o compromisso de encerrar o mestrado no final do ano.
Nunca Plutão esteve tão próximo e eis a hora chegando...
Um peso e uma dor no peito, pô! é despedida... Sou ruim nisso, os olhos ficam marejados, a garganta com um nó seco.
Plutão é árido, o ar rarefeito, as pessoas se julgam importantes, e eu tô voltando...
Mas nem tudo é lamentação, retorno com a bagagem abarrotada de informações, poemas e histórias que arrebataram minh'alma, e quando não suportar, buscarei notícias da blogosfera com o amigo Vieirinha de Marapanim...
Deverei abandonar a minha nave no espaço virtual, provavelmente ela ficará girando em torno de Plutão, carregando todas as minhas emoções, alegrias, desilusões e revoltas...
Devo dentro de alguns minutos desligar o motor de minha nave, o som que está tocando neste momento é o da banda Rádio Táxi, eu tinha uns 15 anos quando eles fizeram sucesso com essa música - Eva, e como se encaixa na despedida:

Eva (Rádio Taxi)

Meu amor olha só hoje o sol não apareceu
É o fim da aventura humana na Terra
Meu planeta adeus fugiremos nós dois na arca de Noé
Mas olha bem, meu amor o final da odisséia terrestre
Sou Adão e você será...

Minha pequena Eva, o nosso amor na última astronave,
Além do infinito eu vou voar
Sozinho com você
E voando bem alto, me abraça pelo espaço de um instante,
Me cobre com teu corpo e me dá
A força pra viver...

E pelo espaço de um instante afinal, não há nada mais
Que o céu azul pra gente voar
Sobre o Rio, Beirute ou Madagascar
Toda a terra reduzida a nada a nada mais
E minha vida é um flash de controles, botões anti-atômicos
Mas olha, olha bem meu amor no final da odisséia terrestre
Sou Adão e você será... diz pra mim o que você será!


Quero que seja longo esse post, não estou nem aí se algumas pessoas não gostem de posts longos, como o "Vieirinha de Marapanim", é isso aí mermão dei o nome do Cabeção completo e pronto, é despedida, né?!
Escrevi o nome de algumas pessoas num pedacinho de papel, e vou guardar no cofre do meu coração, anotei: Carlos Ponte(o 1º português que abriu a blogosfera lá na terrinha), Tozé(escuto todo dia cantando em um coral maravilhoso), Moura(apesar de não visitar-me há muito tempo, mas vale a lembrança), António(e sua Zaida), Mixikó(espero do fundo do coração que esteja melhor de saúde), Xienra, Lila Magritte(o Chile em versos e prosa), Loredana Braghetto(um Chile com sotaque francês-canadense), Loira em fuga voando alto, Vera Fróes, Companheira da alma, Carolina do Silêncio lovers, Diana Siempre en prueba, Segredos da esfinge, Ivan Daniel, Grace Olsson, Juca do Quinta, Paola Vannuci, Luciane Fiuza, Jade e os seus olhos, O intimorato Fred, Notícias de lugar nenhum - David, Mulher Subjeto, Luana Caldas, Nan(a verdadeira esfinge - decifra-me ou devoro-te), Kalinka, Juana Banana, Fábio Castro - Hupomnemata, Lidiane - Giramundo gira eu girassol, Flávia Sereia, Flanar, Fernando - Fgiucich, Felícia Feliz, Complicadinha, Walter Jr - Caneta sem fronteira, Clarinha - brincando com palavras, Aline - bagaceira virtual, Yúdice Randol, Bruno - direito e esquerdo, Mari - aquarelas da mari, Edyr Augusto Proença, Cris Moreno(em pouco tempo já tenho por ti uma admiração platônica), Augusto Nunes(muita força para o blog), Marcelinho, Dirceu, Rogério, Wanderley Ladislau, Rocha, Eduardo Bueres, Nilton Atayde, Osvaldo Jr., Odinilson Dias (brecheiro virtual), Lisânia(chegaste e Plutão estava tão perto) e tantos outros...
Recebo uma comunicação dos controladores de vôos (eles são responsáveis de verdade) de Plutão, solicitam que eu desligue o motor da nave, e me lance na cápsula que me protegerá na entrada da atmosfera de meu planeta.
Aos muitos leitores que ficaram pensativos com as aventuras do Locobueres, uma palavra: o Locobueres é real, não se trata de um holograma, conversei com ele ontem, de verdade.
Aos leitores daqui de Plutão, vamos nos encontrar pelas nossas ruas.
Aos leitores distantes, um dia a gente se encontra, com certeza.
Adeus, estou ejetando a cápsula, valeuuuuu!!!
E deixo um vídeo para lembrá-los que aqui em Plutão Ele passou também, mas tirem suas conclusões...
Uma boa Páscoa e cheia de reflexões, e vamos nos encontrar um dia, quem sabe?!

quinta-feira, abril 05, 2007

Obama para presidente?!

Voto que começa a mexer com a sociedade americana: Barack Hussein Obama Jr. (Honolulu, 4 de agosto de 1961) é na atualidade um potencial concorrente às prévias do Partido Democrata em que será escolhido o candidato do partido para as eleições presidenciais de 2008, tendo formalizado sua pré-candidatura em 9 de fevereiro de 2007, não esqueçam ele é negro e no momento senador.
A grande polêmica no momento é uma propaganda que está no YouTube, uma paródia sobre o filme 1984 - no lugar do big brother, está a Hillary Clinton na tela discursando. A Hillary já solicitou a retirada do vídeo do ar, aproveitem...

Medo, medo...

Alguém já esteve tão assustado como a garotinha acima? Ah! o medo... Como seria a vida sem o medo?!

Pense!!!


Sem sair do lugar

O Cabeção sugere aos blogueiros com temas políticos e econômicos que encomendem esse modelo para o seu trabalho diário, cabe esclarecer aos neófitos, os proprietários dos blogs com esse perfil vivem 24 horas conectados, pergutem ao Juca do 5ª Emenda se é fácil manter um blog com temas políticos e econômicos.

Don Miguel de Unamuno

O grande pensador espanhol do século XX - Miguel de Unamuno, foi reitor de Salamanca, e mesmo tendo apoiado a tomada de poder pelo General Franco (18 de julho de 1936), opôs-se com muita coragem ao chefe militar Millán Astray que bradava "Viva a Morte! Abaixo a inteligência!", em pleno Salão de honra da Universidade de Salamanca , em 12 de outubro de 1936 - dia da raça.
A reação de Unamuno foi imediata, o reitor indignado com o que estava ouvindo ergueu-se e rebateu ao tresloucado comandante dizendo que não aceitaria que em plena casa da sabedoria viessem aclamar a morte, com "um brado necrófilo e insensato", e considerava aquele desvario todo o fato do general ser "um aleijado destituído da grandeza moral de Cervantes"... Unamuno ficou em prisão domiciliar, vindo a falecer em 31 de dezembro de 1936.
Justificou a sua reação dizendo: "Há momentos em que calar é mentir. Porque o silêncio pode ser tomado como aquiescência."

Con recuerdos de esperanzas
y esperanzas de recuerdos
vamos matando a vida
y dando vida al eterno
descuido que del cuidado
del morir nos olvidemos...
Fué ya otra vez el futuro,
será el pasado de nuevo,
mañana y ayer mejido
sen el hoy se quedan muertos.
Me he despertado soñando,
soñé que estaba despierto,
soñé que el sueño era vida,
soñé que la vida es sueño.
Sentí que estaba pensando,
pensé que sentia, y luego
vi reducirse a cenizas
mis pensamientos de fuego.
Si hay quien no siente la brasa
debajo de estos conceptos,
es que en su vida ha pensado
con su próprio sentimiento;
es que en su vida ha sentido
dentro de sí al pensamiento.
Flores da el amor al hombre,
flores entre hojas al viento,
mas también le da diamantes
duros, cortantes y escuetos.
No sólo el vapor calienta;
no llaméis frío a lo seco;
la carne enfría a menudo
y suele quemar los huesos. (MIGUEL DE UNAMUNO (1865 - 1936))
Com lembranças de esperanças
e esperanças de lembranças
vamos matando a vida,
e dando vida ao eterno
descuido que do cuidado
de morrer nos olvidamos...
Já foi outra vez o futuro,
será o passado de novo,
amanhã e ontem mesclados
no hoje quedam-se mortos.
Despertei-me sonhando,
sonhei que estava desperto,
sonhei que o sonho era vida,
sonhei que a vida é sonho.
Senti que estava desperto,
pensei que sentia, e logo
vi reduzir-se a cinzas
meus pensamentos de fogo.
Se há quem não sente a brasa
debaixo destes conceitos,
é que em sua vida pensou
com seu próprio sentimento,
é que em sua vida sentiu
dentro de si ao pensamento.
Flores o amor dá ao homem,
flores entre folhas ao vento,
mas também lhe dá diamantes
duros, cortantes e concisos.
Nem só o vapor aquece,
não chames de frio ao seco,
a carne esfria amiúde
e costuma queimar os ossos. (trad. Elson Fróes)

quarta-feira, abril 04, 2007

Walt Whitman revisitado...



"Esta manhã, antes do alvorecer,
subi numa colina para admirar o céu povoado,
E disse à minha alma: Quando abarcarmos esses mundos
e o conhecimento e o prazer que encerram,
estaremos finalmente fartos e satisfeitos?
E minha alma disse: Não, uma vez alcançados esses mundos
prosseguiremos no caminho." (Walt Whitman)

E continua o poeta...

"Canto a mim mesmo" (fragmentos)

Eu sou aquele que vai com a noite
tenra e crescente,
e invoco a terra e o mar
que a noite leva pela metade.
Aperte mais, noite de peito nu!
Aperte mais, noite nutriz magnética!
Noite dos ventos do sul,
noite das poucas estrelas grandes!
Noite silenciosa que me acena
– alucinada noite nua de verão!

Sorria, ó terra cheia de volúpia,
de hálito frio!
Terra das árvores líquidas e dormentes!
Terra em que o sol se põe longe,
terra dos montes cobertos de névoa!
Terra do vítreo gotejar da lua cheia
apenas tinta de azul!
Terra do brilho e sombrio encontro
nas enchentes do rio!
Terra do cinza límpido das nuvens,
por meu gosto mais claras e brilhantes!
Terra que faz a curva bem distante,
rica terra de macieiras em flor!
Sorria: o seu amante vem chegando!
Pródiga, amor você tem dado a mim:
o que eu dou a você, por tanto, é amor
– indizível e apaixonado amor!

extraído de "Folhas das Folhas de Relva" (1983, Brasiliense, trad. Geir Campos)

Um dos maiores, talvez o maior poeta da América do Norte, muito citado no filme "Sociedade dos Poetas Mortos".

No peito e na raça...

Serei absurdamente sincero, ainda mais que estou doente e jogado numa cama, com uma enfermeira me vigiando, ops, cuidando de mim.
Soy brasileiro, e a beleza feminina não está nos seios superlativamente avantajados, peloamordedeus mulheres, escutem!!!
É o sorriso faceiro, o olhar de Capitu, o balanço dos cabelos, balanço que vai descendo e faz morada nos quadris e o resto as propagandas de cervejas se encarregam de denunciar... Não me venham com esse gosto dos yankes...
Seios nem grandes e nem minúsculos, fico aqui pensando o quanto Papai-Noel sofre com dores na coluna, por carregar um saco na costa, imaginem as moçoilas aí debaixo, a coluna deve sofrer para caramba! Não é possível abraçá-las e ficar de rostinho colado, tem um negócio atrapalhando, né?!
Sou do tempo da chupeta, ah! vão me criticar... deixa pra lá!


terça-feira, abril 03, 2007

Currículo forte

Presado Cenhor,
Quero candidatarme pra o lugar de ceqretária que vi no jornau. Eu teclo muito de pressa con um dedo e fasso contas ben.
Axo que sou boa ao tefone em bora seija uma peçoa sem muito extudo.
O meu salario tá aberto há discução pra que o senhor possa ver o que mi pode pagar e o Cenhor axar qui eu meresso.
Pósso comessar imediatamente. Agradessida em avanso pela sua resposta.
Cinceramente,
Catia Vanessa Estrela
PS : Como o meu currico é muinto piqueno, abaicho tem 1 foto minha




Resposta do Empregador:
Querida Catia Vanessa,
O emprego é seu. Nós temos correção automática no word. Compareça já amanhã.

segunda-feira, abril 02, 2007

Emprego ou trabalho?! Vai lá!

A CDI - Consultoria e Informática Ltda., está contratando Programador com experiência em Delphi, se algum leitor/blogueiro se enquadrar no que é solicitado, enviar o curriculum para: cdiconsultoria@secrel.com.br .
Quem me pediu para fazer o post foi a diretora de produtos da CDI - a Lisânia, envia os dados que ela contrata logo, ok?!

domingo, abril 01, 2007

Aranha

Eu sei que muita gente tem nojo desses bichinhos, são artrópodes e pertencem à ordem Araneae da classe dos aracnídeos, estou falando das aranhas. Existem cerca de 40.000 espécies de aranhas.
Na mitologia grega, conta o mito que um dia Aracna, a filha de um tintureiro grego, desafiou Palas Atena, a deusa da tecitura e da razão; entendia Aracna que somente ela tinha o talento para tecer e bordar. A deusa Atena advertiu a filha do tintureiro, que caso não fosse mais modesta, enfrentaria a sua cólera. Aracna menosprezou o alerta da deusa que, transformada em velha, apresentou-se para o desafio. Atena teceu numa tapeçaria doze majestosos deuses do Olimpo; e em cada canto do trabalho, registrou episódios mostrando a derrota dos mortais que tinham ousado desafiar os deuses. Em seu trabalho Aracna desenhou os amores vergonhosos dos deuses com os mortais. O trabalho de Aracna ficou perfeito, o que deixou Atena, furiosa, a deusa não se conteve e rasgou-o, além de ferir a sua rival... Humillhada, Aracna tenta se enforcar. Mas Atena não deixou que ela morresse e a transformou em uma aranha, que continua a fiar e a tecer na ponta do seu fio eternamente.
Quero dizer que gosto de ler, estudar e assistir tudo sobre a mitologia grega, aprendo muito.
Não tenho medo de aranha, algumas, aquelas peludas e venenosas, respeito e só.
Para encerrar esse papo de aranha, Raul Seixas já falava da aranha da vizinha, mas quero deixar a poesia de Fernando Pessoa...

Aranha (Fernando Pessoa)

Aranha do meu destino
Faz teias de eu não pensar.
Não soube o que era em menino,
Sou adulto sem o achar.
É que a teia, de espalhada
Apanhou-me o querer ir...
Sou uma vida baloiçada
Na consciência de existir.
A aranha da minha sorte
Faz teia de muro a muro...
Sou presa do meu suporte.

Olha o Jorge Amado aí, gente!!!

Jorge Amado está vivo?! Segundo o Ivan, ele estava na feijoada do Boteco da Computer Store no sábado. Será que a Zélia Gattai sabe??? O Ivan registrou a aparição do grande escritor baiano.

Monólogo de uma sombra

Resolvi provar um cohiba junto do Locobueres, num dia completamente verde, numa belíssima tarde de nossa existência... O Bueres ali filosófico ao extremo, enigmático de vez em quando, e a cada baforada que eu dava percebia a inquietação poética do meu amigo, não esqueçam que o Bueres convive mediunicamente com outras esferas - é poeta!
Lá ele estava a rabiscar o lenço de papel, perguntei sem querer tirá-lo de suas reflexões: - Loco estás em transe?! O sorriso libanês se abriu e suas "pequenas" narinas num hausto repentino quase que roubava todo o oxigênio do entorno... Ele respondeu calmamente: - Não. Estou pensando num poeta maldito.
Curioso, pergunto novamente: - Quem é o santo?
Dando gargalhadas, ele diz: - É o Augusto que não é santo, mas é dos Anjos, tô pensando na poesia de Augusto dos Anjos, uma poesia desalentadora em relação ao destino da natureza humana, mas que proporciona a possibilidade de refletirmos sobre a nossa condição... animal... homem. . .
Na hora consegui reproduzir com sofreguidão uma parte da poesia de Augusto dos Anjos, não memorizo com facilidade, mas consegui declamar, ou o melhor seria dizer que vomitei uma parte (monólogo de uma sombra - Augusto dos Anjos):
"Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva de caos telúrico, procedo
Da escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias!

A simbiose das coisas me equilibra.
Em minha ignota mônada, ampla, vibra
A alma dos movimentos rotatórios...
E é de mim que decorrem, simultâneas,
A saúde das forças subterrâneas
E a morbidez dos seres ilusórios! "

É claro que essa poesia é imensa, não tenho condições de guardar linha por linha, mas é de uma profundidade abissal. Fitando-me com os olhos em ebulição, o Bueres aproveitou a minha deixa, deu uma gargalhada, bebeu uma taça que transbordava de tinto chileno e de supetão com os olhos esbugalhados, começou a declamar a parte que seguia os versos que declamei:
"Pairando acima dos mundanos tetos,
Não conheço o acidente da Senectus
- Esta universitária sanguessuga
Que produz, sem dispêndio algum de vírus,
O amarelecimento do papirus
E a miséria anatômica da ruga!

Na existência social, possuo uma arma
- O metafisicismo de Abidarma -
E trago, sem bramânicas tesouras,
Como um dorso de azêmola passiva,
A solidariedade subjetiva
De todas as espécies sofredoras.

Como um pouco de saliva quotidiana
Mostro meu nojo à Natureza Humana.
A podridão me serve de Evangelho...
Amo o esterco, os resíduos ruins dos quiosques
E o animal inferior que urra nos bosques
É com certeza meu irmão mais velho!"

Algumas pessoas que estavam nas mesas próximas, começaram a nos olhar, como se ali em nossa mesa estivessem sentados "marcianos", percebemos a situação e rimos aos borbotões, e o Loco ainda deixou escapar uma profunda reflexão filosófica: - Fodam-se!
Agora, peloamordedeus, não me peçam para declamar o que declamei sem um tinto chileno ou português, este servindo de supedâneo para a tertúlia coloquial...
Ei Locobueres! Esbaldar-se de Augusto dos Anjos é uma necessidade.
"Monólogo de uma sombra" tem quase dois quilômetros de poesia, não posso esquecer dessas tardes verdes...