quarta-feira, maio 30, 2007

Lô Borges


Lô Borges, posso dizer sinceramente, esse cara fez a minha cabeça, as letras e as músicas me aproximaram muito de Minas, e olha que ainda tinha o Milton Nascimento, Beto Guedes e o Toninho Horta, eu considerava tudo muito bom e nem acreditava que eles viviam entre nós...
As letras introspectivas, me falavam muito de perto, escutava o Lô cantando e dizia em silêncio: - essa música é minha, como não fui eu que fiz?!

Um Girassol da Cor de Seu Cabelo
(Lô Borges/Márcio Borges)

Vento solar, estrelas do mar
A terra azul da cor do seu vestido
Vento solar, estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo
Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?
Sol, girassol, vejo o vento solar
Você ainda quer morar comigo
Vento solar estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo
Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de mar
É filha lua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que ainda é tarde demais?
Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?
Você vem?
Será que é tarde demais?

Amigos











O Locobueres e Nilton Atayde em um momento de descontração... Os dois marcaram presença no Café Portela, num sábado maravilhoso com céu estrelado, ambos estavam felizes, por isso comemoravam a alegria do encontro permanente...
Esses caras são absurdamente tranqüilos, a vida em ritmo de paz e amor.

Anorexia

Anorexia... Espelho, espelho meu...

Livro sobre Blog

BLOG - ENTENDA A REVOLUÇAO QUE VAI MUDAR SEU MUNDO
Autor: HEWITT, HUGH
Assunto: CIENCIAS SOCIAIS-SOCIOLOGIA
Livro em português
Brochura1ª Edição - 2007 - 264 pág.
Preço = R$ 34,90
Sinopse:
"O século XXI será o século da internet. A rede mundial é um meio em que todos podem participar, publicar e gerar conteúdos, e os blogs surgiram como a principal ferramenta deste fenômeno, democratizando definitivamente o acesso à comunicação. Mais de 70 mil blogs são criados por dia ao redor do planeta e acredita-se que um em cada quatro internautas brasileiros leiam blogs todos os dias buscando informações ou entretenimento. Segundo o autor deste livro, milhões de pessoas estão mudando seus hábitos no que diz respeito à aquisição de informação. Isso aconteceu muitas vezes antes, com o surgimento da imprensa, do telégrafo, do telefone, do rádio, da televisão e da internet - agora, surgiu a blogosfera, e isso foi tão repentino que surpreendeu até mesmo os analistas mais sofisticados, observa Hugh Hewitt. Na blogosfera, há um mundo com uma platéia quase ilimitada. Trata-se de uma oportunidade extremamente econômica para se estabelecer uma marca e introduzir novos produtos."
Extraído do site da Livraria Cultura

Os monólogos da vagina

Alguém já assistiu o vídeo acima? Trata-se de quê? É muito sugestivo o título: "Os Monólogos da Vagina". Com certeza o intimorato Locobueres, ao ler o post dirá: - é pura falta de educação deixá-la falar sozinha. Concordo com ele, diálogo permanente, já!

terça-feira, maio 29, 2007

Faxina

Lá se vão os anos 80, mais precisamente 1988 e radicalizados por aprofundar a recente democracia, estávamos unidos, mobilizando o descontentamento de muitos, para forçar as "autoridades" ao atendimento de uma vida mais digna...
O texto de Carlos Drummond de Andrade, levou-me a jogar muitos papéis fora, para o lixo mesmo, rasgando os papéis sentia que um pouco de minha história de acertos e erros ia embora, pro lixo... Pô! Mas não foi o Drummond que mandou jogar fora?! Tá feito, e tirei um peso dos ombros e o atelier ficou também nais leve...
A fotografia que aí está, foi tirada numa manifestação em Ananindeua contra a falta de transporte coletivo com qualidade, resolvemos parar o trânsito, pneus queimando, fumaça, fogo, carro-som no volume máximo, chamamos a atenção de todos, bombeiros e pelotão de choque chegaram rapidamente... E estávamos lá dando a nossa mensagem, com o microfone na mão o meu amigo agitava e clamava por mais respeito ao povo.
Passados alguns anos, a pessoa que está com o microfone na mão na imagem acima, tomou outros rumos... Dedicamos os nossos melhores anos da militância política e conseguimos elegê-lo... e depois? Só decepção... quando nos despedimos, os amigos me seguravam, para que eu não cobrasse dele tantas utopias, na base de sopapos, murros e bofetões...
Andávamos juntos, sempre juntos, planos para mudar o Brasil, ele se achava revolucionário, falava em revolução...
Quando nasceu a primeira filha dele, recebi o telefonema e peguei o carro e fomos juntos lá buscar o bebezinho... Quando a mulher dele deu o pé na bunda, claro que foi na dele, o cara me ligou arrasado, ela tinha ido embora pra São Paulo, na época ele dizia que ela não entendia o projeto socialista.
Posso dizer o que o Tico Futrika já havia dito, o cara virou parlamentar e ficou deslumbrado...
Cabe perguntar: - Quem não entendia o projeto socialista? Ahahaha...
Agora para encerrar, encontrei um panfleto nosso, e como era "nosso" à época, que dizia muito do sentimento daqueles que militavam com os olhos fitando uma estrela, uma utopia...
"Não,
Não tenho caminho novo.
O que tenho de novo,
É o jeito de caminhar.
Aprendi,
(O caminho me ensinou)
A caminhar cantando como
Convém a mim,
E aos que vão comigo.
Pois, já não vou mais sozinho..."
Thiago de Mello

domingo, maio 27, 2007

Hora de fazer uma faxina

A partir da troca de impressões sobre a vida e o mundo, o texto abaixo é para uma querida amiga distante, bem distante... Ela se reconhecerá no texto de Drummond, com certeza...

FAXINA NA ALMA (Carlos Drummond de Andrade)
Não importa onde você parou...em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível e necessário recomeçar.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
E renovar as esperanças na vida e o mais importante, acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período? foi aprendizado...
Chorou muito? foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas? foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes? é porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido? era o início de sua melhora...
Pois é... agora é hora de reiniciar... de pensar na luz...
De encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal um novo emprego? Uma nova profissão ?
Um corte de cabelo arrojado, diferente? Um novo curso...Ou aquele velho desejo de aprender a pintar...
Desenhar... dominar o computador... ou qualquer outra coisa... Olha quanto desafio... quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando.
Está se sentindo sozinho? besteira...
Tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento"...
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza...nem nós mesmos nos suportamos...
Ficamos horríveis...o mal humor vai comendo nosso fígado...até a boca fica amarga.
Recomeçar... hoje é um bom dia para começar novos desafios. Onde você quer chegar?
Ir alto... sonhe alto... queira o melhor do melhor... Queira coisas boas para a vida...
Pensando assim trazemos para nós aquilo que desejamos... Pensando pequeno... coisas pequenas teremos...
Já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos
Pelo melhor...o melhor vai se instalar na nossa vida. E é hoje o dia da faxina mental...Jogue fora tudo que te prende ao passado...
Ao mundinho de coisas tristes...fotos... peças de roupa, papel de bala... ingressos de cinema... bilhetes de viagens... e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados... Jogue tudo fora... mas principalmente... esvazie seu coração...fique pronto para a vida... para um novo amor...
Lembre-se somos apaixonáveis...somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes... afinal de contas...Nós somos o "Amor"...
Porque somos do tamanho daquilo que vemos, e não do tamanho da nossa altura.

Aniversário da Mari... e tome choppe...







Só posso dizer uma coisa: dá-lhe choppe, Mari!!!
O aniversário de nossa amiga foi muito legal. O Tico ficou no tradicional(cevada), eu, Mari e Ivan na ausência do vinho, optamos pelo choppe de vinho, mas que Q-suco de uva bacana pessoal, até o Ivan provou o choppe de vinho...

Navalha neles!!!

Tenho acompanhado atentamente as prisões efetivadas pela Polícia Federal na operação Navalha, não recordo na história recente de nossa República, tanta gente graúda no meio, governador de Alagoas do PSDB, prefeito do PT, senadores, deputados do PFL, governador do Maranhão, sobrinho do ACM...
E aí embaixo o dono da Construtora Gautama, o tal do Zuleido, dizem que ele é Budista, fico imaginando se ele não fosse budista, o bicho ia pegar! O cara sendo zen, corrompia meio mundo... Licitações fraudadas, molha a mão aqui, um carrão de presente acolá, até garota-de-programa para acalmar parlamentar estressado... pode fróide?!
Não estou triste, estou confiante de que é possível mudarmos o futuro, sangrando na carne hoje... extirpando os cancros... Passa a navalha com vontade...
Eu quero que essa navalha corte a carne dos caretas e picaretas de plantão.
Ainda bem que o Presidente Lula apoia a Polícia Federal. E para quem reclama da atuação da PF, fica o recado: - parem de roubar o erário público!

Prêmios de distinção

Recebi com grande satisfação a indicação em 27/04 por Jade Carioca da Gema do Blog Olhos de Jade, para ostentar em meu blog o selo “Thinking Blogger AWARD”, é um selo de distinção, que aceito com o coração em terna ebulição.
Na semana passada recebi outra indicação, agora foi o nosso amigo Mr. Oscar Luiz que indicou o nosso blog para receber o selo “Prêmio Blog com Tomates”, a indicação foi do Oscar, mas a outorga foi da Brit Com.
Mesmo estando em Plutão o carinho que recebo da blogosfera é maravilhoso, e agradeço com um forte abraço sideral a todos @s blogueir@s amig@s. Valeu!!!

sexta-feira, maio 25, 2007

Amor de lua

A letra abaixo é de uma música do paraense Vital Lima, cantor e compositor, infelizmente não encontrei nada no YouTube, essa música fez muito sucesso com o cantor Emílio Santiago, é profundamente romântica, é uma declaração de entrega total, como só os amantes enlouquecidos sabem como fazer, flutuam e queimam como balão de São João... Quem se encarrega de juntar as cinzas?! Tô fora... tô dentro... tô fora... ou... Deixa pra lá! Chamem a síndica: - Cris Moreno, socorro!!!


AMOR DE LUA(Vital Lima)
Eu me entreguei as sensações e havia
um inferno em mim
E o coração era como se fosse um alfenim
Doido pra se machucar
só recendia a anis
e pouco importava que fosse, de novo, infeliz.
E na minha imaginação
tu olhavas para mim
E teus olhos tinham o gosto e a cor do açaí.
Tanta mentira eu criei
na minha imaginação
com as muitas pegadas deixadas
por teu coração.
Ah, meu amor de lua,
minha estrela cadente
Balão de São João que arde e que flutua!

quarta-feira, maio 23, 2007

Guernica: para não esquecer.

"Todos vocês sabem que na Espanha nós não nos situamos como meros observadores desinteressados..." - Hitler, em 29 de abril de 1937.
Foi numa segunda-feira que a pequena Guernica entrou para a história, era 26 de abril de 1937, e os camponeses do vale de Guernica chegavam trazendo seus produtos para vender naquela segunda-feira fatídica, dia de feira-livre...
Às 16h45 os aviões nazistas que apoiavam o General Franco, começaram a despejar toneladas de bombas, durante 2 horas e 45 minutos, a cidadezinha virou um inferno, as pessoas corriam para os arredores e eram metralhadas pelos aviões que voavam baixo, a cidade não apresentava abrigos contra os ataques aéreos, a população não era superior a 7 mil habitantes, após o ataque foram contabilizados 1.654 mortos e 889 feridos, praticamente 40% da população havia sido mortos ou atingidos. A repercussão foi imediata, Guernica foi na verdade um laboratório para os nazistas, e o prenúncio do que viria pela frente...
Para os nacionalistas espanhóis que eram contra a autonomia regional, a destruição de Guernica serviria como uma lição a todos os que imaginavam uma Espanha federalista ou descentralizada e democrática.
Pablo Picasso, em termos estéticos, conseguiu captar o sentimento de repulsa ao bombardeio de Guernica, se concentrou por 5 meses numa grande tela(350,5 x 782,3). Não era algo belo de ser visto, buscou retratar o clima sombrio que envolvia o desastre, utilizou-se da cor negra, do cinza e do branco. A tela de Picasso denunciava a violência e o horror que a tecnologia mortífera nazista havia espraiado por sobre a região basca.
A Guernica de Picasso encontra-se na pintura dominada no alto pela luz de um olho-lâmpada - símbolo da mortífera tecnologia - seguida de duas figuras de animais. No centro um cavalo apavorado, em disparada, representa as forças irracionais da destruição. A direita dele, impassível, um perfil picassiano de um touro imóvel. Talvez seja símbolo da Espanha em guerra civil, impotente perante a destruição que a envolvia. Abaixo do touro, encontra-se uma mãe com o filho morto no colo. Ela clama aos céus por uma intervenção. Trata-se da moderna pietá de Picasso. Uma figura masculina, geometricamente esquartejada, domina as partes inferiores. A direita, uma mulher, com seios expostos e grávida, voltada para a luz, implora pela vida, enquanto outra, incinerada, ergue inutilmente os braços para o vazio, enquanto uma casa arde em chamas. Naquele caos a tecnologia aparece esmagando a vida.
Guernica foi a ante-sala do martírio das populações de Varsóvia, de Londres, de Berlim, de Hamburgo, de Leningrado, de Dresden, de Hiroxima e de Nagasaki, que padeceriam, devido aos bombardeamentos em massa, dos mesmos tormentos das imagens dilaceradas do quadro de Picasso.
Para encerrar, existe uma história contada sobre Picasso, de que ele se achava fora da França no início dos anos 40, quando o país foi ocupado pelos nazistas. Ainda assim, voltou e continuou pintando suas telas. Pintou alguns rostos de mulheres em desespero. E aí um general nazista da ocupação mandou chamá-lo e perguntou-lhe, mostrando alguns desses quadros:
– “Foi o senhor que fez isso?
– Não, respondeu, prontamente, Pablo Picasso, acrescentando: foi o senhor.”
Abaixo um vídeo sobre Guernica, a pintura de Picasso interagindo com algumas pinturas surrealistas de Salvador Dalí, muito interessante, refletir, refletir...

A brusca poesia da mulher amada

Como é possível lançar poesia pelo ar?!
Muitos amigos telefonam e pedem para que eu publique mais poesias, arte e mais e mais...
Ah! resolvi homenagear a Mulher, a minha, a tua e a nossa.
Escrevo para as que são amadas, e as que não são amadas, e espero que não demore para morreremdeamor. Com coragem, digo: - Todas merecem um amor, nem que seja um de verão.
E escolho o poetinha para a homenagem, ninguém faria melhor, né?!
Vai a poesia completa, isto é, ministrada em deliciosos e suculentos pedaços, e espero que minhas amigas se reconheçam nessa poesia... Segue abaixo a parte I.

"A brusca poesia da mulher amada (Vinícius de Moraes)
Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede
lentamente...
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor – oh, a mulher amada
é como a fonte!
A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?
Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face
pálida dos lírios
E os lavradores foram se mudando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados...
Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias
Pousada no fundo estará a estrela, e mais além."
Rio de Janeiro, 1938

A brusca poesia da mulher amada(II)

Estão pensando que eu não iria falar nada? Acertaram. Vou falar, mesmo.
Fiquei pensando sobre o que o amigo Oscar falou - nada melhor do que falar da mulher amada.
Sento diante do pôr-do-sol, e como ele é desafiante... Penso em todas as mulheres amadas, e elas se levantam das cinzas de minha recordação e me abraçam e sussurram promessas de amor eterno... Loucas e mentirosas!
Relaxo em estridentes gargalhadas, ao perceber que o delírio assombra minh'alma.
Concordo com o Mr. Oscar, não pode a mulher amada causar pesadelos, posto que é um ideal, corra querida por entre campos floridos, pise descalça nos meus sonhos e volte sempre quando der saudades...
Ah! a mulher amada, alguns homens carregam a sua, em tresloucado desespero, enquanto outros apenas esperam por ela...
"A brusca poesia da mulher amada (II) Vinícius de Moraes
A mulher amada carrega o cetro, o seu fastígio
É máximo. A mulher amada é aquela que aponta para a noite
E de cujo seio surge a aurora. A mulher amada
É quem traça a curva do horizonte e dá linha ao movimento dos astros.
Não há solidão sem que sobrevenha a mulher amada
Em seu acúmen. A mulher amada é o padrão índigo da cúpula
E o elemento verde antagônico. A mulher amada
É o tempo passado no tempo presente no tempo futuro
No sem tempo. A mulher amada é o navio submerso
É o tempo submerso, é a montanha imersa em líquen.
É o mar, é o mar, é o mar a mulher amada
E sua ausência. Longe, no fundo plácido da noite
Outra coisa não é senão o seio da mulher amada
Que ilumina a cegueira dos homens. Alta, tranqüila e trágica
É essa que eu chamo pelo nome de mulher amada.
Nascitura. Nascitura da mulher amada
É a mulher amada. A mulher amada é a mulher amada é a mulher amada
É a mulher amada. Quem é que semeia o vento? – a mulher amada!
Quem colhe a tempestade? – a mulher amada!
Quem determina os meridianos? – a mulher amada!
Quem a misteriosa portadora de si mesma? A mulher amada.
Talvegue, estrela, petardo
Nada a não ser a mulher amada necessariamente amada
Quando! E de outro não seja, pois é ela
A coluna e o gral, a fé e o símbolo, implícita
Na criação. Por isso, seja ela! A ela o canto e a oferenda
O gozo e o privilégio, a taça erguida e o sangue do poeta
Correndo pelas ruas e iluminando as perplexidades.
Eia, a mulher amada!
Seja ela o princípio e o fim de todas as coisas.
Poder geral, completo, absoluto à mulher amada!"
Rio de Janeiro, 1950 in Novos Poemas (II)
in Poesia completa e prosa: "Poesia varia"

A brusca poesia da mulher amada (III)

Como se Vinícius estivesse aqui, agora. Escrevo para eternizar-te...
Busco com toda verdade do meu ser revelar o que existe de melhor em mim... Estendo a minha mão ao teu coração, desconfiada estendes a mão timidamente, e surpreso vejo o coração vindo junto... a mulher amada abraça-me incontinente...
Essas leituras de Vinícius equivalem a muitas garrafas de vinho Periquita, Ô leitura desgraçada.

"A brusca poesia da mulher amada (III) - Vinícius de Moraes
Minha mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes
do passado
Minha irmã, conta-me histórias da infância em que que eu haja
sido
herói sem mácula
Meu irmão, verifica-me a pressão, o colesterol, a turvação do timol,
a bilirrubina
Maria, prepara-me uma dieta baixa em calorias, preciso perder
cinco quilos
Chamem-me a massagista, o florista, o amigo fiel para as
confidências
E comprem bastante papel; quero todas as minhas
esferográficas
Alinhadas sobre a mesa, as pontas prestes à poesia.
Eis que se anuncia de modo sumamente grave
A vinda da mulher amada, de cuja fragrância
já me chega o rastro.
É ela uma menina, parece de plumas
E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos
ventos
Empós meu canto. É ela uma menina.
Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina
Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes
Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos
Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos
Para cantar seus réquiens e os falsos profetas
A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras.
Mas nada a detém; ela avança, rigorosa
Em rodopios nítidos
Criando vácuos onde morrem as aves.
Seu corpo, pouco a pouco
Abre-se em pétalas...
Ei-la que vem vindo
Como uma escura rosa voltejante
Surgida de um jardim imenso em trevas.
Ela vem vindo... Desnudai-me, aversos!
Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos!
Alvoroçai-me, auroras nascituras!
Eis que chega de longe, como a estrela
De longe, como o tempo
A minha amada última!"
Rio de Janeiro, 1963
in Poesia completa e prosa: "Poesia varia"

segunda-feira, maio 21, 2007

Oração da Mulher

Depois não venham me dizer que as mulheres não são machistas, a amiga Ivana me enviou a oração, dizendo que muitas mulheres irão se enxergar nas linhas abaixo... Oh! Pai-Todo-Poderoso, livra-nos de tais mulheres. Amém!

ORAÇÃO DA MULHER

Senhor
Até agora meu dia correu bem:
Não fiz fofoca, não perdi a paciência,
Não fui gananciosa, sarcástica, rabugenta,chata...
Não reclamei, não praguejei, não gritei...
Não comi chocolate...
Também não fiz débitos em meu cartão de crédito...
Mas já estou para levantar da cama...
a qualquer minuto...
E aí sim...
Vou realmente precisar da sua ajuda!
Amém!

Cavaleiro solitário

Toda segunda-feira, sinto-me quixotesco...
Totalmente desligado da realidade que me cerca, enxergo moinhos de vento em todos os cantos, esfrego os olhos e mesmo assim o inimigo avança com suas lanças sobre mim...
Não há Pancho e nem Dulcinéia... Apenas eu e o pangaré do meu alterego(citadinokane).
Ô segunda-feira desgraçada...

O fim do mundo. Alto pra cacete...

Não sei onde ficam esses lugares, mas no e-mail que o Eduardo Bueres mandou, este afirma que foram descobertos recentemente, a primeira imagem é conhecida como o "cú do mundo", Eduardo não soube precisar o lugar, mas ele tem uma certeza, desmetindo Caetano Veloso, não se trata da Bahia; a outra imagem é chamada de "alto pra cacete", com relação a última imagem, ele não tem prognóstico nenhum a fazer.
Claro que sei que isso é pura sacanagem, mas Ô segunda-feira preguiçosa...

Mulheres e a idade

"Você não tinha outra coisa mais interessante para perguntar?... Nossa... Vamos mudar de assunto..." As mulheres detestam dizer a idade, ousem perguntar e a resposta acompanhada de fúria, será muito próxima do que está aí acima.
Elas odeiam esse papo, conversa de idade - esse papo já está para lá de Teerã...
No Post anterior fiz uma homenagem para a blogueira Mari, só porque escrevi que ela estava fazendo quarenta e tantos anos, choveu telefonemas no meu celular reclamando, pedidos emocionados para que eu retirasse o que fora escrito, leia-se a idade, tentei explicar que não havia nada de mal, apenas uma singela homenagem, incrível, mas, até ameaça de morte sofri... Não sou espírito-de-porco, não resisti a pressão e acabei capitulando agora de manhã, retifiquei o texto do post.
Poucas são as mulheres com a coragem de nossa amiga blogueira Lidiane do "Giramundo Giraeu Girassol", ela diz a idade sem medo nenhum, e gostosamente, Lidiane acrescenta: "- Cuidado com as mulheres que dizem a idade, elas são capazes de dizerem muitas outras coisas..."
É manhã de segunda-feira, modorrenta... Deixo uma poesia para todas as mulheres, sem medo da felicidade, beijos.

Mulheres poetas (Ernane Calado de Souza Melo)

Mulheres que admiro
Quantas há?
Mulheres maduras
No seu esplendor
Experiência de vida
Passagens alegres
Passagens sofridas
Amores e desamores
Alegrias e dissabores
Sonhos sonhados
Sonhos desfeitos
Sonhos realizados
Mulheres de muitas noites
De muitos versos
De muitos nexos
De muitas curvas
Muitos amplexos
Mulheres que conheço
Mulheres que admiro

Mulheres poetas
Quantas há?
Conheço poucas
Como você
Mulher sensível
Mulher poeta
Mulher de nível
Mulher completa
Mulher erudita
Mulher seleta
Mulher bonita

domingo, maio 20, 2007

Piaf, Piaf...

Piaf, Piaf... Não pára, cante, cante...
Com Edith Piaf cantando La Foule, homenageio a nossa amiga de fé - Mari, no próximo dia 26 (sábado) completa anos, todos estão convidados, ok?

Ditados, ditados...

O grisalho Nilton Atayde mandou uma contribuição, já faz um bom tempo, agora não tem como não publicar, embaixo ditados populares ditos de forma rebuscada, no bom vernáculo de Camões:
"Ausência de percepção ocular, insensibiliza o órgão cardial."
"Olhos que não vêem, coração que não sente."
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"Espécime avícola na cavidade metacárpica, supera os congêneres revolteando em duplicada."
"Mais vale um pássaro na mão, que dois a voar."
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"Expõe-me com quem deambulas e a tua idiosincrasia augurarei."
"Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és."
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"Tem a monarquia no baixo ventre."
"Tem o rei na barriga."
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"Quem movimenta os músculos supra faciais mais longe do primeiro, movimenta-os substancialmente."
"Quem ri por último, ri melhor."
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"Quem aguarda longamente, atinge a exaustão."
"Quem espera, desespera."
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"Idêntico ascendente, idêntico descendente."
"Tal pai, tal filho."
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"O globo ocular do perfeito, torna obesos os bovinos."
"O olho do amo, engorda o gado."
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"Equino objeto de dádiva, não é passível de auscultação odontológica."
"Cavalo dado, não se olham os dentes."

Feliz da vida

O meu amigo Locobueres, peito estufado e feliz da vida...
Em sua camisa está dito tudo, fotografei e fica registrado agora na blogosfera.
Será mensagem cifrada para Vera Saavedra em São Paulo?!
Não sei, mas como o gajo faz referência a esse amor distante, ops, a essa amizade distante.
Foi uma tarde de muita conversa e um plangente violão.

Impacto

Campanha sobre a AIDS: Mortal...

quinta-feira, maio 17, 2007

Contra o racismo-nosso-de-cada-dia...

A vida em Plutão é uma correria, houve uma greve de aerobus por aqui nos últimos dias, que acabou proporcionando momentos prenhes de tranqüilidade... Consegui captar daqui, apesar da distância, um vídeo exibido no blog do nosso novo amigo o Oscar Luiz(clica aí, vale a pena visitá-lo), trata do racismo, por mais que para algumas pessoas o assunto pareça chato, não posso deixar de exibi-lo e perguntar para a blogosfera: - Como anda o nosso racismo?!
Ah! Temos aqueles que dizem que não existe racismo no Brasil... Aqui em Plutão existe, e é meio banalizado... O negão é gente boa pra cacete... Como é o nome do negão, mesmo? Mas não me apego a essa expressão do racismo, para não passar como um "espírito de porco", busco tocar no racismo que habita em nosso ser, entranhado e resistente... Perguntar não ofende: - Como anda o teu racismo?!
É hora de varrermos todos os preconceitos, dos estádios de futebol, shopping, ambiente de trabalho, faculdades... É hora de vivermos intensamente a maravilhosa oportunidade de estarmos juntos buscando a felicidade...

terça-feira, maio 15, 2007

Campanha contra a Aids, alguém pode explicar?

Estou em Plutão e as campanhas contra a Aids chegam até aqui...
Aranha desgraçadamente gulosa, alguém pode me explicar?! Fiquei confuso, juro! Não entendi nada...
Estou enviando o post por e-mail, direto de Plutão.

segunda-feira, maio 14, 2007

Até o final do mês...

Preguiçosamente levanto-me da cama para desejar um bom começo de semana, hoje retorno ao batente em Plutão, acabou a moleza, só volto a atualizar no final do mês, se tiver uma folguinha, juro que corro para a conexão e respondo aos comentários. Agora só me resta dizer: BOA SEMANA!!!
Ai meu Deus! que modorra desgraçada...
Hora de refletir, abaixo alguns rabiscos... Abraços a todos!!!



"Toda a mulher acaba por ficar
igual à sua própria mãe.
Essa é a sua tragédia.
Nenhum homem fica igual
à sua própria mãe. Essa
é a sua tragédia."
Oscar Wilde

"O amor entre marido e mulher
é uma grossa bandalheira.
É degradante que um homem
deseje a mãe dos
seus próprios filhos."
Nelson Rodrigues

domingo, maio 13, 2007

Que as mães se reconheçam...

Para as mães e todos que lutam para tornar o nosso mundo melhor...

Canção amiga(Carlos Drummond de Andrade)
Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

sábado, maio 12, 2007

Nostalgia

Falar dos anos 80, pura nostalgia...
Estão lembrados daquelas garrafinhas da Coca-Cola, brindes, era juntar não-sei-quantas-tampinhas e a gente ganhava uma, duas... e até a grade para colocá-las... Dizia a lenda que quem bebesse o líquido que vinha dentro da garrafinha morria, nunca abri para testar, tô vivo!!! ehehehe... Abaixo a abertura do Fantástico da Rede Globo, como era diferente...
Tive um par de Ki-chute quando treinei na escolinha de futebol do Papão, fico pensando o quanto fui prejudicado por utilizar o calçado abaixo, talvez um grande jogador se perdera por conta do Ki-chute...
O boneco abaixo é da coleção do meu amigo Tico, os pais dele eram mais avançados, aí ele ganhou o boneco Falco, o Bruno adorava brincar com o boneco... Olha só a minha bicicleta Caloi dobrável, naquela época lembro a disputa entre Caloi e Monark...Estou colocando porque faz parte da nostalgia dos anos 80, mas quem agüentava o chato do Palhaço Bozo?!Aí blá blá blá... ti ti ti... Você diz pra ela Tá tudo muito bom (Bom) Tá tudo muito bem (Bem) Mas realmente, Mas realmente Eu preferia que você estivesse Nuaaaa Você não soube me amar Você não soube me amar...
O Evandro Mesquita pulando e fazendo todo um mis-scene... É a banda Blitz e chega por hoje.

sexta-feira, maio 11, 2007

Menino Jesus...

Vou contar uma coisa, sem ter vergonha... Trazemos o sangue lusitano em nossas veias, né?! Escutei o poema abaixo declamado pela Maria Bethânia, confesso que fui tomado de um enternecimento prazeroso, os poetas sabem como lidar com o divino, ou melhor, com o menininho que habita em nosso coração, as palavras, os sentimentos tudo bem colocado, vai num crescendo, de um sorriso singelo desembocando em forte emoção, arrebatadora mesmo, repetiria as palavras de Fernando Pessoa para esse menino que me acompanha:
"Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e
humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu
tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu
brincar.
" É certeza de emoção, vamos ao texto de Fernando Pessoa:

Poema Do Menino Jesus
(Fernando Pessoa)
Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como
uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez
menino, a correr e a rolar-se pela erva
A arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo a
ouvir-se de longe.
Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais pra
fingir-se de Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que DEUS estava dormindo e o Espírito Santo
andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e
roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que
Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou
eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele
criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado
na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro
raio que apanhou.
Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo. É uma criança
bonita, de riso natural.
Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poças
d'água, colhe as flores, gosta delas, esquece.
Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares,
e foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente acha
graça, Ele corre atrás das raparigas que levam as
bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.
A mim, Ele me ensinou tudo. Ele me ensinou a olhar
para as coisas. Ele me aponta todas as cores que há
nas flores e me mostra como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão e olha devagar para
elas.
Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro. Vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas no
degrau da porta de casa. Graves, como convém a um DEUS
e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo
e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair
no chão.
Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos
homens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ri
dos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir
falar das guerras e dos comércios.
Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da
minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o
lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo
materno até Ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes Ele acorda de
noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de perna pro ar,
põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho,
sorrindo para os meus sonhos.
Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais
pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua
casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e
humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu
tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu
brincar.

Eu sei, mas não devia

Não preciso falar mais nada, leiam...

Eu sei, mas não devia (Marina Colasanti)
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Mulher e Marina Colasanti


Conversando com a Esfinge que trazemos n'alma, acabei destampando um barril de recordações, os anos 80 chegando ao final, a redemocratização se completando, Sarney e o FMI nossos inimigos, naqueles anos amávamos tanto a “revolução”... Os debates se levantavam em torno da condição das mulheres, discussão sobre gênero... Pôxa! Os cabelos grisando aos poucos, mas que recordações gostosas, vou deixar um pequeno texto, extraí de um livro, cabe esclarecer, conhecer o ser feminino não é fácil, para decifrá-las (mulheres) comecei a ler naquela época Marina Colasanti, dois livros ficaram e tenho muito carinho por eles, são muito interessantes: “Contos de Amor Rasgados” e “Mulher daqui pra frente”, Marina vai desnudando o “ser-mulher” e cutuca o machismo que impregna a alma feminina, vai dizendo e com isso dando voz pra quem emudece diante da imposição de subalternização das mulheres, e o mundo fragmentado-se... As notícias chegando de lugar nenhum... Sociedade massificada e tome coca-cola... E nós? Todos impetuosos e cheios de utopias... Atento aos acontecimentos, seguia com Marina Colasanti nas mãos e Supertramp na vitrola... ehehehe... Como era “bão” meu Deus!

“Amor de uma noite só

Um homem que a gente mal conhece e subitamente deseja. Olhares, primeiras aproximações, e logo os corpos, o quarto de hotel, o prazer. Depois cada um para o seu lado, sem precisar dar adeus. Sorriso na pele. Mais um homem passou, e a vida segue.
Qual a mulher que ainda não criou esta fantasia?
Poder dormir com um homem sem compromisso de amor, sem compromisso social, sem envolvimento de espécie alguma. Quem não quer? Quem não gostaria de amar fisicamente apenas, solta e natural, como fisicamente se nada e se mergulha?
Entretanto, se a fantasia é comum a todas, a realidade é vivência de poucas. E mesmo no nosso mundo que se quer tão liberado, o amor de uma noite só continua sendo bem mais problemático do que seria desejável.” (extraído do livro: Mulher daqui pra frente. São Paulo: Círculo do Livro, 1981. p.89.)

Goodbye Stranger (Supertramp)
It was an early morning yesterday

I was up before the dawn
And i really have enjoyed my stay
But i must be moving on
Adeus Estranho
Era cedo ontem de manhã
Eu estava de pé antes do amanhecer
E eu realmente curti minha estadia
Mas preciso ir

quinta-feira, maio 10, 2007

Aniversário da pequenina...


Quero te homenagear, neste 9 de maio.
Minha filha, 12 anos se passaram... Será que Cecília Meireles pode me ajudar?
Quero te dizer uma única coisa: - Te amo, muito!
Canção (Cecília Meireles)
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

domingo, maio 06, 2007

O Louco

Eduardo Bueres, com um tom de senhor de si, explica que leu o post anterior e solicita publicação de artigo, que não lhe pertence, mas que considera importantíssimo para consolidar a postura irreverente.


O LOUCO (khalil Gibran)

Perguntais-me como me tornei louco.
Aconteceu assim:
um dia, muito tempo antes
de muitos deuses terem nascido,
despertei de um sono profundo
e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas - as sete
máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas - e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim
e alguns correram para casa, com medo de mim e quando cheguei à praça
do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:
"É um louco!".
Olhei para cima, pra vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se
de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras.
E, como num transe, gritei:
"Benditos, benditos os ladrões
que roubaram minhas máscaras!"
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:
e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

Emoções buerianas...

Tenho o hábito de imprimir algumas mensagens enviadas por e-mail de amigos, como diria o Tico, amigos diletos, ah! como ele gosta da palavra dileto, mas deixemos de lado as preferências do velho e bom Futrika, voltando ao que estava falando antes, imprimo para ler com calma e guardar com carinho e patchouli numa caixa de madeira, parecida com um baú, só parecida, é uma caixa que falta pintar... Remexe papéis aqui, ali e... olha o que encontrei, o meu amigo Atayde, falando sobre uma notícia no jornal aqui de Belém e emocionado relatando a dedicatória feita para ele pelo Loco Bueres num livro de Augusto dos Anjos, um poeta maldito, apesar de ser dos Anjos...
Amigo Nilton, fiquei emocionado também, a vida depois dos 40, deixa a gente besta para garaio, emoções se assomam aos borbotões, o olhar embaçado com recordações recentes, vagueia procurando um ponto no horizonte imaginário, para firmar as recordações... Já prometi mil vezes para o crucifixo pendurado na parede do meu atelier que não beberia mais uísque escutando Lupicínio Rodrigues, a gente fica com um nó na garganta e na verdade a gente sente no peito um vazio... e lá estou com o Lupicínio na vitrola...
"Eu não sei se o que trago no peito/É ciúme, despeito, amizade ou horror/Eu só sinto que quando a vejo/Me dá um desejo de morte ou de dor."

Amigos quebrei o LP.

Agora quero compartilhar com todos as anotações feitas pelo valente Atayde:
"Assunto: Coisas do (e para o) Bueres.
Nobre parceiro.
Consta no "Jornal Pessoal" (Lúcio Flávio Pinto) dessa quinzena, na matéria "Memória do Cotidiano", a seguinte nota sobre - já imagino o bueres loco - CHICO BUARQUE DE HOLANDA. Ei-la : " O I Festival da Música Paraense foi realizado há 39 anos, exatamente em 6 de setembro de 1967, abrilhantado com a presença de Chico Buarque de Holanda, que já estourara na praça. Dentre as 25 músicas classificadas, havia duas do atual governador, Simão Jatene, na época exclusivo personagem do mundo artístico, como compositor, instrumentista e cantor : eram "Meu Regato", em parceria com Raimundo Gondim, e "Unificação", com Dennys. Quem mais conseguiu classificar músicas foram Paulo André e Ruy Barata, Marily velho (por onde andará a excelente pianista ?), João de Jesus Paes Loureiro, De campos Ribeiro e José Maria Vilar Ferreira. A final, com arquibancadas lotadas, foi no ginásio Serra Freire, do Clube do Remo (arc!!!!). Chico teve que ser conduzido até o palco, no meio da quadra, e devidamente apresentado ao violão. Estava um pouco além da octanagem adequada. Mas deu seu recado. E que recado."
OBS: O grifo é meu, o (arc!!!) também.
________________________
Essa é do Bueres.
Outro dia, procurando um livro em casa, entre as caixas em que ainda estão depositados, pois ainda não consegui arrumá-los decentemente por conta de não ter concluído o local onde pretendo alocá-los (um mezzanino), encontrei o livro "Toda a Poesia de Augusto dos Anjos", com estudo crítico de Ferreira Gullar, que me fora presenteado,em janeiro de 1997, pelo meu, pelo teu, pelo nosso amigo "Locobueres".
Eis a dedicatória : "Ao amigo irmão Nilton Atayde, cão de bar, cervejeiro visionário, poeta nato de olho arguto e boca de inferno, ofereço essa arma PODEROSA para quando de seus delírios, quem sabe, nas luas praianas das margaritas ou nas rodas de viola da Bodeguita (Mui bien acompanhado, é claro). Louco, você suba em dunas ou mesas, quebrando copos e garrafas com os pés, para delírio dos presentes e possa saudar seus companheiros com uma baforada de conhaque da poesia do Anjo(s). Seus amigos erguem um brinde a você !!!.
Belém, 17/01/97.
Eduardo Bueres."
----------------------------
Após a releitura eu fiquei emocionado novamente, não tanto pelos excessos do Bueres, mas por sentir que esse "cabôco" é singular, é uma das mais fantásticas pessoas que já conheci. Tantas outras demonstrações de carinho e amizade já foram demonstradas pelo Bueres a nós, seus amigos.
Levantemos um brinde ao Bueres.
Quanto a ti, Pedro, não menos amigo-irmão, um forte abraço.
Nilton Atayde
13/09/2006"

sábado, maio 05, 2007

Morrer de amor

Andei me perguntando o quanto de amor nos falta... Meu coração respondeu pulsando forte: é necessário amar!
Hoje observei as pessoas acenando umas para as outras, e perguntei-me o quanto elas amam? Em descompasso meu coração respondeu: é urgente amar!
Aos amigos Ivan, Lidiane, Jade, Esfinge, Mari e todos que visitam o nosso barraco virtual, fica a mensagem de alguém que morre de amor...
Adotarei o amor (Kalil Gibran Kalil)

Adotarei o amor por companheiro
e o escutarei cantando,
e o beberei como vinho,
e o usarei como vestimenta.
Na aurora,
o amor me acordará e
me conduzirá aos prados distantes.
Ao meio dia,
conduzir-me-á à sombra das árvores
onde me protegerei do sol como os pássaros.
Ao entardecer conduzir-me-á ao poente,
onde ouvirei a melodia da natureza
despedindo-se da luz,
e contemplarei as sombras da quietude
adejando no espaço.
À noite,
o amor abraçar-me-á,
e sonharei com os mundos superiores
onde moram as almas
dos enamorados e dos poetas.
Na primavera,
andarei com o amor, lado a lado,
e cantaremos juntos entre as colinas;
e seguiremos as pegadas da vida,
que são as violetas e as margaridas;
e beberemos a água da chuva,
acumulada nos poços,
em taças feitas de narciso e lírios.
No verão,
deitar-me-ei ao lado do amor
sobre camas feitas com feixes de espigas,
tendo o firmamento por cobertor
e a lua e as estrelas por companheiras.
No outono,
irei com o amor aos vinhedos
e nos sentaremos no lagar,
e contemplaremos as árvores se despindo
das suas vestimentas douradas
e os bandos de aves migratórias
voando para as costas do mar.
No inverno,
sentar-me-ei com o amor diante da lareira
e conversaremos sobre os
acontecimentos dos séculos
e os anais das nações e povos.
O amor será meu tutor na juventude,
meu apoio na maturidade,
e meu consolo na velhice.
O amor permanecerá comigo até o fim da vida,
até que a morte chegue,
e a mão de Deus nos reúna de novo.

Memory...

Estou em Plutão e cheio de nostalgia...

Relaxa

É só para sorrir...

Nome e embaraços...

O meu amigo Augusto Nunes fica na Internet (o cara não dorme) pesquisando tudo sobre direito, encontrou uma consulta feita por uma senhora para mudança, ou melhor, retirada de nome que lhe causava embaraços. A senhora Maria José faz uma consulta ao juizado especial, sobre a retirada do nome embaraçoso, vamos ler a consulta e a resposta dada pelo juiz.

“Brasília, 15 de outubro de 2006
Exmo. Sr. Dr. Juiz do Juizado Especial de Brasília

Eu, Maria José Pau, gostaria de saber da possibilidade de se abolir o sobrenome Pau de meu nome, já que a presença do Pau tem me deixado embaraçada em várias situações.

Desde já antecipo o meu agradecimento e peço deferimento.

Maria José Pau"
_______
Em resposta, recebeu a seguinte informação:

"Brasília, 31 de outubro de 2006
Cara Senhora Pau,

Sobre sua solicitação de remoção do Pau, gostaríamos de lhe dizer que a nova legislação permite a retirada do seu Pau, o nosso Código Civil reformado acolhe a sua solicitação, mas devo esclarecer desde já, que o processo é extremamente complicado.
Senão vejamos, se o Pau tiver sido adquirido após o casamento, a retirada é mais fácil, pois, afinal de contas, ninguém é obrigado a usar o Pau do marido se não quiser.
Se o Pau for de seu pai, se torna mais difícil, pois o Pau a que nos referimos é de família e vem sendo usado por várias gerações. Se a senhora tiver irmãos ou irmãs, a retirada do Pau a tornaria diferente do restante da família. E convenhamos cortar o Pau de seu pai pode ser algo que o deixe muito chateado.
Outrossim, o fato de seu nome conter apenas nomes próprios, poderá ficar esquisito caso não haja nada para colocar no lugar do Pau. Isso sem falar que as demais pessoas estranharão muito ao saber que a senhora não possui mais o Pau de seu marido.
Uma opção viável seria a troca da ordem dos seus nomes. Se a senhora colocar o Pau atrás da Maria e na frente do José, o Pau pode ser escondido, porque a senhora poderia assinar o seu nome como Maria P. José.
Se o Pau é de sua mãe, e se ela for mãe solteira, não será aconselhável a remoção do Pau, já que ele representa o elo que caracteriza a sua filiação, ou seja, precisará continuar usando o Pau de sua mãe.
Nossa opinião é a de que esse preconceito contra este nome já acabou há muito tempo e que, já que a senhora já usou o Pau do seu marido por tanto tempo, não custa nada usá-lo um pouco mais. Eu mesmo possuo Pinto, sempre o usei e muito poucas vezes o Pinto me causou embaraços.

Atenciosamente,

Dr. Rogério Mecogi Frizante Pinto
Juizado Especial - Brasília/DF”
________
Agora cabe acrescentar mais uma informação, esse Augusto é danado mesmo, fuçou e descobriu que a senhora Maria José Pau aceitou a orientação do Dr. Rogério M. F. Pinto, e que agora em fevereiro ela casou-se com um alemão radicado em São Paulo chamado Karl Gustav Molly. Segundo o intimorato Augusto Nunes, a senhora Maria José Pau logo-logo estará consultando novamente o Juizado Especial... rsrsrs...

quinta-feira, maio 03, 2007

Silêncio! O amor no ar...na água...


"Bendita lâmina grave que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais"(João Bosco/Aldir Blanc)
O poema que nasceu em silêncio

... é aquele que se fez no início das manhãs
quando o mundo estava em suspenso.
E denso, imprimiu sua trajetória na alma insana,
na febre tamanha que ocupa os desejos.
Febre de ti, que aos ritos de amor louco me compelia,
Febre de mim, que aos poucos e sem saída me perdia,
Febre de amor, que era a loucura daquele encanto,
Febre da dor, que era a ternura, ao avesso e tanta.
O poema que nasceu em silêncio
e tem a robustez de uma estória em apenso
tem a altura do grito desesperado,
que o mundo consolida nas memórias e nos lenços,
perde-se num sopro cansado
como a voz que vira acorde sussurrado e lento.
E eu gritava por ti, para dentro de todos os silêncios;
e eu gritava por mim, habitado por teus mistérios;
gritava o amor, num sonho acordado e intenso;
gritava a dor, entre soluços e esperas.
E meu grito é tropeço do coração
no tênue ponto entre a sagração e a insensatez,
entre a paixão e a lucidez de a ela não ceder,
entre a busca das palavras e do encontro
entre uma lua inquieta e a voz do poeta.
O poema que nasceu em silêncio
tem a magia das manhãs e é fonte de luz,
reflexo da alma em agonia. É língua em sintonia
com o fogo da existência
ecoando por mil vozes arrancadas de suspiros
que gritam, em todos os meus medos, por ti.
Nada faço, porém, que não faças antes por mim,
e o silêncio que pensas ouvir
é em verdade o clamor dos instantes em rodopio,
é a claridade de uma salva de assobios
que o peito amante verte, qual clarim.
O silêncio que pensamos ouvir
são parecenças do vazio repleto de nossas presenças,
são vontades que escapam das palavras, arredias...
são olhares arrancados da fotografia
do porvir, e instalados pelo oráculo da cumplicidade
na beleza límpida dos lírios brotados em nosso jardim.
Prelúdio da revelação mais pura,
o silêncio que trocamos tem a simetria do universo,
suas estrelas e luas, que amamos!
Tem a vibração primordial dos sinos
e soltam as amarras e viram este grito mudo
que só nossa amante alma reconhece, enfim.
( Mauro Veras em parceria com a poetisa Carol Marisco)
Mauro Veras

O inseto

Recebo diariamente, mesmo estando em Plutão, centenas de e-mail, agora é que foi... Não sei quem me enviou os círculos abaixo, mas gostei pra cacete!!!

Onze anos do massacre

Encontrei o livro de um colega advogado, mas estou falando de um advogado que assumiu um compromisso: lutar ao lado dos "esquecidos"...
Walmir Brelaz lançou um livro sobre "Os sobreviventes do massacre de Eldorado do Carajás", não permite o esquecimento de uma ferida aberta no coração da América do Sul, muitos mortos e mutilados pela ação de confronto da polícia e os sem-terras... O conflito ocorreu em 17 de abril de 1996, ficou conhecido como "O Massacre de Eldorado de Carajás".
Walmir em trabalho acadêmico, demonstra a violação do princípio da dignidade humana por parte do Estado do Pará, visto que os sobreviventes foram abandonados a própria sorte, muitos necessitando de tratamento médico devido as seqüelas do confronto. Agora com o novo governo, a governadora Ana Júlia assumiu compromisso com todos de virar a página dessa história triste, e providenciar todo atendimento necessário aos sobreviventes e também pensão para as viúvas.
Pura coincidência, há uma semana atrás encontrei o Walmir e trocamos idéias rápidas sobre o livro, é a dissertação dele de mestrado que agora resolveu publicar, e faz muito bem, espero que a tragédia não se repita mais e que possamos avançar com políticas públicas e a tão sonhada "Reforma Agrária", proporcionando dignidade para os cidadãos do campo e a paz. O tema é polêmico, mas uma coisa não se pode deixar de refletir, é bom pensar, pensar bastante: o Brésil tem dívida com o Brasil.
Visitem o blog do Walmir Brelaz e leiam muito mais sobre este caso. O que me chamou muita atenção ao visitá-lo, ele consegue transformar em poesia o que ele escuta dos sobreviventes, abaixo um texto pungente e os depoimentos dos sobreviventes:


A Dor Entranhada

Sonho com pessoas que me perseguem
Todas querem me pegar
Fugir? Em vão
Estou preso em um pesadelo
Que me acorrenta
Na lucidez ou na escuridão
A dor física entranha-se no meu espírito
Cravando-me nítidas imagens
Eu vejo pais, mães
Viúvas e órfãos
Eu ouço tiros, gritos
Visões angustiantes
De um passado
Presente em meu sofrimento
E eles?
Ceifaram vidas
Abriram feridas que não cicatrizam
E ainda impunes
Livres, inocentes
Empunhando armas e patentes
Voluntários de novas operações
Justiça?!
Eu vivo o mesmo trauma
Não tenho saúde, alegrias
Condições físicas
Nem psicológicas de trabalhar
O cansaço toma conta de meu ser
Dor que não me deixa esquecer
O massacre que ainda não terminou
Mas, também sonho
E luto
Por uma vida sadia
Pelo direito de viver bem
Luto e sonho
Por uma vida digna
Pelo direito de ser feliz
Eu sonho. Eu luto
Eu sobrevivo ...


Rubenita Justiniano da Silva
"Eu sonho com uma multidão de gente querendo pegar em mim, sabe? Aquela agonia. Todas aquelas pessoas que pegam em mim, eu tomo um susto, eu fico apavorada. "

Maria Abadia
"E a vida é essa. De melhora mesmo a gente não pode contar de nada. Minha idade já está avançada, completei 65 anos. Me parece que eu não tenho esperança de nada de bom na minha vida, não."

Josimar Pereira de Freitas
"Meu maior sonho é esquecer o massacre, mas não dá. Quando a gente anda pelas ruas, encontra uma viúva, um órfão, um mutilado, o parente de um amigo que se foi. A gente não passa um dia sem comentar o caso. Foi terrível e não dá para esquecer. "


Antônio Alves de Oliveira (Índio)
"Nós vivemos os mesmos traumas do massacre (...) nós não temos saúde, nós não temos condições físicas nem psicológicas de trabalhar para sustentar nossas famílias. Então o massacre pra nós até agora ainda não terminou. O massacre pra nós só vai terminar no dia em que pudermos dizer: hoje nós temos os mandantes presos, temos as nossas viúvas e os nossos mutilados indenizados, aí nós podemos dizer assim: hoje acabou o massacre pra nós."