terça-feira, maio 29, 2007

Faxina

Lá se vão os anos 80, mais precisamente 1988 e radicalizados por aprofundar a recente democracia, estávamos unidos, mobilizando o descontentamento de muitos, para forçar as "autoridades" ao atendimento de uma vida mais digna...
O texto de Carlos Drummond de Andrade, levou-me a jogar muitos papéis fora, para o lixo mesmo, rasgando os papéis sentia que um pouco de minha história de acertos e erros ia embora, pro lixo... Pô! Mas não foi o Drummond que mandou jogar fora?! Tá feito, e tirei um peso dos ombros e o atelier ficou também nais leve...
A fotografia que aí está, foi tirada numa manifestação em Ananindeua contra a falta de transporte coletivo com qualidade, resolvemos parar o trânsito, pneus queimando, fumaça, fogo, carro-som no volume máximo, chamamos a atenção de todos, bombeiros e pelotão de choque chegaram rapidamente... E estávamos lá dando a nossa mensagem, com o microfone na mão o meu amigo agitava e clamava por mais respeito ao povo.
Passados alguns anos, a pessoa que está com o microfone na mão na imagem acima, tomou outros rumos... Dedicamos os nossos melhores anos da militância política e conseguimos elegê-lo... e depois? Só decepção... quando nos despedimos, os amigos me seguravam, para que eu não cobrasse dele tantas utopias, na base de sopapos, murros e bofetões...
Andávamos juntos, sempre juntos, planos para mudar o Brasil, ele se achava revolucionário, falava em revolução...
Quando nasceu a primeira filha dele, recebi o telefonema e peguei o carro e fomos juntos lá buscar o bebezinho... Quando a mulher dele deu o pé na bunda, claro que foi na dele, o cara me ligou arrasado, ela tinha ido embora pra São Paulo, na época ele dizia que ela não entendia o projeto socialista.
Posso dizer o que o Tico Futrika já havia dito, o cara virou parlamentar e ficou deslumbrado...
Cabe perguntar: - Quem não entendia o projeto socialista? Ahahaha...
Agora para encerrar, encontrei um panfleto nosso, e como era "nosso" à época, que dizia muito do sentimento daqueles que militavam com os olhos fitando uma estrela, uma utopia...
"Não,
Não tenho caminho novo.
O que tenho de novo,
É o jeito de caminhar.
Aprendi,
(O caminho me ensinou)
A caminhar cantando como
Convém a mim,
E aos que vão comigo.
Pois, já não vou mais sozinho..."
Thiago de Mello

12 comentários:

crisblog disse...

No meu jeito de caminhar...o que aprendi pelos caminhos...é que ainda tenho caminho novo...e continuo cantando...nesses caminhos embora silenciosos...

Beijos.

Lidiane disse...

Pedro.

Protesto até hoje.
Protesto, mesmo que silenciosamente.
E, já que falou em Drummond, às vezes, leio Congresso Internacional do Medo, só pra ter mais força.
Ou lembrar dela.

Beijo.

Lidiane disse...

Pedro.

Protesto até hoje.
Protesto, mesmo que silenciosamente.
E, já que falou em Drummond, às vezes, leio Congresso Internacional do Medo, só pra ter mais força.
Ou lembrar dela.

Beijo.

crisblog disse...

Gostei do CIM, bem lembrado.
Ei Pedro, coloquei uma pedrinha pra vc no blog. Já que é tudo preto no branco...
Outra, "caminhando é que se encontra o caminho"...slogan de um ex-governador...tá lembrado?

Beijos.

citadinokane disse...

Cris,
Os caminhos são diversos> Ando devagar, porque já tive pressa...

citadinokane disse...

Lidiane,
Força, protestos, flores derramadas pelo chão e muito sangue na areia de nossas desilusões...
Vou ler Drummond de novo...
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Cris,
Vou lá ver a pedra. E não mexe com quem está sepultado, tá?!

David Carneiro disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
David Carneiro disse...

Até o grande Florestan Fernandes disse que a coisa mais dificil em sua vida foi se manter fiel às suas origens. Não culpo só o nosso nobre companheiro. A estrutura social é como uma avalanche pra submergir as nossas utopias. Mas, felizmente, temos a nosso favor a história de homens e mulheres que se mantiveram fiés até o final, não eram perfeitos, mas não capitularam. É nesses que temos que nos espelhar para continuar lutando. Abraços

Direito & Esquerdo disse...

Nelito,

Depois de algumas semanas sem visitar teu blog, encontro este post que já vinha sendo maturado há alguns meses, não é?
Bastava um elemento material para ensejar o mesmo, neste caso, foi a foto daquele que ainda diz que "a luta continua companheiro".
Indago-te: será que a luta a que "ele" se refere é a mesma pela qual lutamos ou é uma luta pela sobrevivência?
O mundo gira, algumas pessoas mudam, outras deixam-se corromper.
Saudações companheiro.
Bruno

citadinokane disse...

David,
Tu sabes o quanto é difícil manter a coerência num mundo totalmente incoerente... Mas, eis o desafio. Quem se habilita?
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Bruno,
Acho que ele luta pela sobrevivência dele, só dele, infelizmente, só dele...