quarta-feira, maio 23, 2007

Guernica: para não esquecer.

"Todos vocês sabem que na Espanha nós não nos situamos como meros observadores desinteressados..." - Hitler, em 29 de abril de 1937.
Foi numa segunda-feira que a pequena Guernica entrou para a história, era 26 de abril de 1937, e os camponeses do vale de Guernica chegavam trazendo seus produtos para vender naquela segunda-feira fatídica, dia de feira-livre...
Às 16h45 os aviões nazistas que apoiavam o General Franco, começaram a despejar toneladas de bombas, durante 2 horas e 45 minutos, a cidadezinha virou um inferno, as pessoas corriam para os arredores e eram metralhadas pelos aviões que voavam baixo, a cidade não apresentava abrigos contra os ataques aéreos, a população não era superior a 7 mil habitantes, após o ataque foram contabilizados 1.654 mortos e 889 feridos, praticamente 40% da população havia sido mortos ou atingidos. A repercussão foi imediata, Guernica foi na verdade um laboratório para os nazistas, e o prenúncio do que viria pela frente...
Para os nacionalistas espanhóis que eram contra a autonomia regional, a destruição de Guernica serviria como uma lição a todos os que imaginavam uma Espanha federalista ou descentralizada e democrática.
Pablo Picasso, em termos estéticos, conseguiu captar o sentimento de repulsa ao bombardeio de Guernica, se concentrou por 5 meses numa grande tela(350,5 x 782,3). Não era algo belo de ser visto, buscou retratar o clima sombrio que envolvia o desastre, utilizou-se da cor negra, do cinza e do branco. A tela de Picasso denunciava a violência e o horror que a tecnologia mortífera nazista havia espraiado por sobre a região basca.
A Guernica de Picasso encontra-se na pintura dominada no alto pela luz de um olho-lâmpada - símbolo da mortífera tecnologia - seguida de duas figuras de animais. No centro um cavalo apavorado, em disparada, representa as forças irracionais da destruição. A direita dele, impassível, um perfil picassiano de um touro imóvel. Talvez seja símbolo da Espanha em guerra civil, impotente perante a destruição que a envolvia. Abaixo do touro, encontra-se uma mãe com o filho morto no colo. Ela clama aos céus por uma intervenção. Trata-se da moderna pietá de Picasso. Uma figura masculina, geometricamente esquartejada, domina as partes inferiores. A direita, uma mulher, com seios expostos e grávida, voltada para a luz, implora pela vida, enquanto outra, incinerada, ergue inutilmente os braços para o vazio, enquanto uma casa arde em chamas. Naquele caos a tecnologia aparece esmagando a vida.
Guernica foi a ante-sala do martírio das populações de Varsóvia, de Londres, de Berlim, de Hamburgo, de Leningrado, de Dresden, de Hiroxima e de Nagasaki, que padeceriam, devido aos bombardeamentos em massa, dos mesmos tormentos das imagens dilaceradas do quadro de Picasso.
Para encerrar, existe uma história contada sobre Picasso, de que ele se achava fora da França no início dos anos 40, quando o país foi ocupado pelos nazistas. Ainda assim, voltou e continuou pintando suas telas. Pintou alguns rostos de mulheres em desespero. E aí um general nazista da ocupação mandou chamá-lo e perguntou-lhe, mostrando alguns desses quadros:
– “Foi o senhor que fez isso?
– Não, respondeu, prontamente, Pablo Picasso, acrescentando: foi o senhor.”
Abaixo um vídeo sobre Guernica, a pintura de Picasso interagindo com algumas pinturas surrealistas de Salvador Dalí, muito interessante, refletir, refletir...

4 comentários:

Cris disse...

Bom dia mesmo....amigo.
A passagem do tempo, quando ele pisa na borboleta...lembrou-me da síndorme do "de repente"...a ordem "misteriosa" oculta dentro do caos. É que chamamos de Efeito Borboleta!
Precisamos dessa mexida sempre, para refletir.

Bj.

dois corações disse...

Bom dia.
Parabéns pelo post.
Valeu o toque na "alma" e nos corações(2).
Estamos arrumando a casa.
Hoje ela está linda.
Venha viver um pouquinho e deixe marcas na sua pele, com o chicote da paixão.
Abraço!

citadinokane disse...

Cris,
O retrovisor serve pra isso, a gente segue em frente, mas sempre olhando pelo retrovisor da história, para não cometermos os mesmos erros, né?!
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Dois corações,
Já estive lá e vou voltar novamente para arrumar a minha rede, lá no cantinho de dois corações, estarei me embalando e sonhando, quietinho... bem quietinho...