quinta-feira, maio 03, 2007

Onze anos do massacre

Encontrei o livro de um colega advogado, mas estou falando de um advogado que assumiu um compromisso: lutar ao lado dos "esquecidos"...
Walmir Brelaz lançou um livro sobre "Os sobreviventes do massacre de Eldorado do Carajás", não permite o esquecimento de uma ferida aberta no coração da América do Sul, muitos mortos e mutilados pela ação de confronto da polícia e os sem-terras... O conflito ocorreu em 17 de abril de 1996, ficou conhecido como "O Massacre de Eldorado de Carajás".
Walmir em trabalho acadêmico, demonstra a violação do princípio da dignidade humana por parte do Estado do Pará, visto que os sobreviventes foram abandonados a própria sorte, muitos necessitando de tratamento médico devido as seqüelas do confronto. Agora com o novo governo, a governadora Ana Júlia assumiu compromisso com todos de virar a página dessa história triste, e providenciar todo atendimento necessário aos sobreviventes e também pensão para as viúvas.
Pura coincidência, há uma semana atrás encontrei o Walmir e trocamos idéias rápidas sobre o livro, é a dissertação dele de mestrado que agora resolveu publicar, e faz muito bem, espero que a tragédia não se repita mais e que possamos avançar com políticas públicas e a tão sonhada "Reforma Agrária", proporcionando dignidade para os cidadãos do campo e a paz. O tema é polêmico, mas uma coisa não se pode deixar de refletir, é bom pensar, pensar bastante: o Brésil tem dívida com o Brasil.
Visitem o blog do Walmir Brelaz e leiam muito mais sobre este caso. O que me chamou muita atenção ao visitá-lo, ele consegue transformar em poesia o que ele escuta dos sobreviventes, abaixo um texto pungente e os depoimentos dos sobreviventes:


A Dor Entranhada

Sonho com pessoas que me perseguem
Todas querem me pegar
Fugir? Em vão
Estou preso em um pesadelo
Que me acorrenta
Na lucidez ou na escuridão
A dor física entranha-se no meu espírito
Cravando-me nítidas imagens
Eu vejo pais, mães
Viúvas e órfãos
Eu ouço tiros, gritos
Visões angustiantes
De um passado
Presente em meu sofrimento
E eles?
Ceifaram vidas
Abriram feridas que não cicatrizam
E ainda impunes
Livres, inocentes
Empunhando armas e patentes
Voluntários de novas operações
Justiça?!
Eu vivo o mesmo trauma
Não tenho saúde, alegrias
Condições físicas
Nem psicológicas de trabalhar
O cansaço toma conta de meu ser
Dor que não me deixa esquecer
O massacre que ainda não terminou
Mas, também sonho
E luto
Por uma vida sadia
Pelo direito de viver bem
Luto e sonho
Por uma vida digna
Pelo direito de ser feliz
Eu sonho. Eu luto
Eu sobrevivo ...


Rubenita Justiniano da Silva
"Eu sonho com uma multidão de gente querendo pegar em mim, sabe? Aquela agonia. Todas aquelas pessoas que pegam em mim, eu tomo um susto, eu fico apavorada. "

Maria Abadia
"E a vida é essa. De melhora mesmo a gente não pode contar de nada. Minha idade já está avançada, completei 65 anos. Me parece que eu não tenho esperança de nada de bom na minha vida, não."

Josimar Pereira de Freitas
"Meu maior sonho é esquecer o massacre, mas não dá. Quando a gente anda pelas ruas, encontra uma viúva, um órfão, um mutilado, o parente de um amigo que se foi. A gente não passa um dia sem comentar o caso. Foi terrível e não dá para esquecer. "


Antônio Alves de Oliveira (Índio)
"Nós vivemos os mesmos traumas do massacre (...) nós não temos saúde, nós não temos condições físicas nem psicológicas de trabalhar para sustentar nossas famílias. Então o massacre pra nós até agora ainda não terminou. O massacre pra nós só vai terminar no dia em que pudermos dizer: hoje nós temos os mandantes presos, temos as nossas viúvas e os nossos mutilados indenizados, aí nós podemos dizer assim: hoje acabou o massacre pra nós."

6 comentários:

Paola Vannucci disse...

NELITO

MEU AMOR

ESTOU AQUI ME ATUALIZANDO

DEMOREI MAS FOU JUSTO, MUITO TRAALHO AQUI E NA SEMANA PASSADA ENTREGUEI 4 MONOGRAFIAS, MINHA CABEÇA DÁ UM NÓ ASSIM

MAS ATÉ O FINAL DO DIA ME ATUALIZAREI SIM

VIM APENAS PARA DIZER QUE TE AMO MUITO MEU AMIGO

E TEM TB MUITAS NOVIDADES NO BLOG

J@de disse...

Marcas tristes na história do nosso país...
Vou lá ler o blog do autor...
Beijos!!

citadinokane disse...

Paola,
Linda presença, como diria o poeta Ivan Daniel.

citadinokane disse...

Jade,
Mas não demore, viu menina?

Walmir disse...

Pedro Nelito,
Muito obrigado pela divulgação de nosso livro neste teu interessante blog.
Felicidade pra ti e para os teus amigos(as).

citadinokane disse...

Walmir,
Conta com a gente, irmão.