quinta-feira, maio 03, 2007

Silêncio! O amor no ar...na água...


"Bendita lâmina grave que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais"(João Bosco/Aldir Blanc)
O poema que nasceu em silêncio

... é aquele que se fez no início das manhãs
quando o mundo estava em suspenso.
E denso, imprimiu sua trajetória na alma insana,
na febre tamanha que ocupa os desejos.
Febre de ti, que aos ritos de amor louco me compelia,
Febre de mim, que aos poucos e sem saída me perdia,
Febre de amor, que era a loucura daquele encanto,
Febre da dor, que era a ternura, ao avesso e tanta.
O poema que nasceu em silêncio
e tem a robustez de uma estória em apenso
tem a altura do grito desesperado,
que o mundo consolida nas memórias e nos lenços,
perde-se num sopro cansado
como a voz que vira acorde sussurrado e lento.
E eu gritava por ti, para dentro de todos os silêncios;
e eu gritava por mim, habitado por teus mistérios;
gritava o amor, num sonho acordado e intenso;
gritava a dor, entre soluços e esperas.
E meu grito é tropeço do coração
no tênue ponto entre a sagração e a insensatez,
entre a paixão e a lucidez de a ela não ceder,
entre a busca das palavras e do encontro
entre uma lua inquieta e a voz do poeta.
O poema que nasceu em silêncio
tem a magia das manhãs e é fonte de luz,
reflexo da alma em agonia. É língua em sintonia
com o fogo da existência
ecoando por mil vozes arrancadas de suspiros
que gritam, em todos os meus medos, por ti.
Nada faço, porém, que não faças antes por mim,
e o silêncio que pensas ouvir
é em verdade o clamor dos instantes em rodopio,
é a claridade de uma salva de assobios
que o peito amante verte, qual clarim.
O silêncio que pensamos ouvir
são parecenças do vazio repleto de nossas presenças,
são vontades que escapam das palavras, arredias...
são olhares arrancados da fotografia
do porvir, e instalados pelo oráculo da cumplicidade
na beleza límpida dos lírios brotados em nosso jardim.
Prelúdio da revelação mais pura,
o silêncio que trocamos tem a simetria do universo,
suas estrelas e luas, que amamos!
Tem a vibração primordial dos sinos
e soltam as amarras e viram este grito mudo
que só nossa amante alma reconhece, enfim.
( Mauro Veras em parceria com a poetisa Carol Marisco)
Mauro Veras

22 comentários:

J@de disse...

Lindo!!
Beijos!!

Diana L. Caffaratti disse...

Me costó esta vez desentrañar el contenido, pero al fin lo comprendí.
Muy lindo.
Saludos.

Segredos da Esfinge disse...

Por que esquecemos das Febres breves e loucas? São os deliríos que nos levam aos melhores momentos da vida´.
É no embalo inebriante que espero viver grande de parte da vida, chega se vida sóbria 100% do tempo.
Abraços

Felícia Feliz disse...

Gostei muito do texto!
Um beijão!

Sujeito Oculto disse...

Ótimo texto!

Cris disse...

MUITO LOUCO, MUITO LINDO, MUITO BELO, MUITO...

Bjs. Pedro

Segredos da Esfinge disse...

Pedro,
Te transformei em música.
Criei um novo blog.
E vc está lá em forma de canção.
Bjos

http://trilhasonorasegredosdaesfinge.blogspot.com/

citadinokane disse...

Jade,
Encontrei tempo pra responder.
Lindos são os poetas, que transbordam emoções.
Beijos

citadinokane disse...

Diana,
O conteúdo: amor!
Por isso decifraste ao final.
Besos

citadinokane disse...

Esfinge,
Vou te cobrar, um pouco de febres breves e loucas, hein?!
Para todos nós, né?
Bjs

citadinokane disse...

Felícia,
É "bão" as febres breves e loucas...
Beijos

citadinokane disse...

Sujeito oculto,
Boa a tua presença.
Abraços

Cris disse...

Ué...não vi minha resposta...isso é discriminação com eu?

não dou beijo.

citadinokane disse...

Cris,
Dizem que sou louco por agir assim, mas louco é quem me diz que não é feliz...

citadinokane disse...

Esfinge,
A canção é nossa... é a nossa cara!

citadinokane disse...

Cris,
Os loucos estão todos aqui na caixinha de comentários, inclusive... tu! és a mais bela louca de todas... ahahaha... pronto, resposta dada.
E mando beijos breves e loucos,
Pedro

Tozé Franco disse...

Bonito, sem dúvida.
Um grande abraço e bom fim-de-semana.

Lidiane disse...

Uau!

citadinokane disse...

Tozé,
Final de semana cheio de paz.
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Lidiane,
Febres loucas e breves para ti.
Abraços,
Pedro

Carol Marisco disse...

Que doçura encontrar este poema assim tão lindamente exposto!

Estava numa viagem navegadora e foi como reencontrar minha própria alma!

citadinokane disse...

Carol,
Tu reencontraste a tua própria alma...
Eu te encontrei, por isso peço que voltes sempre.
Abraços,
Pedro