quarta-feira, julho 11, 2007

Os uivos das hienas...

Remexendo uns papéis velhos do tempo de faculdade, hoje um verdadeiro alfarrábio... mexe aqui, mexe ali, encontrei umas anotações feitas com a minha indefectível caneta bic azul, comecei a rememorar as anotações, uma me chamou a atenção, era muito especial, na época eu estava muito empolgado com as leituras sociológicas, e fiz questão de compilar um pedaço do texto de Peter Berger, sociólogo americano, do livro "Perspectivas Sociológicas":
[Só nos afastando das rotinas corriqueiras da sociedade é que nos é possível confrontar a condição humana sem mistificações consoladoras. Isto não significa que somente o marginal ou o rebelde possam ser autênticos; significa que liberdade pressupõe uma certa liberação de consciência. Quaisquer que sejam nossas possibilidades de liberdade, elas não se poderão concretizar se continuarmos a pressupor que o "mundo aprovado" da sociedade seja o único que existe. A sociedade nos oferece cavernas quentes, razoavelmente confortáveis, onde podemos nos aconchegar a outros homens, batendo os tambores que enconbrem os uivos das hienas na escuridão. "Êxtase" é o ato de sair da caverna, sozinho, e contemplar a noite.]
Lembro da magia das novas leituras, elas me desatavam as amarras de uma cultura de massa e machista... Ah! como essa anotação reproduzia o meu sentimento por liberdade e novas descobertas...
Êxtase... o ato de sair da caverna, sozinho, e contemplar a noite... sem tambores...
Pô! as hienas continuam...

4 comentários:

Lorita disse...

Fugir do comportamento massivo, ir contra a cultura e se lançar em caminhos novos são pra poucos, viu? É mais cômodo continuar em nossa vidinha mais ou menos...
Vez ou outra eu estico meu pescoço fora da caverna, não me joguei ainda pq tenho medo do escuro! rs...

Bjm moço sumido

Mixikó disse...

Que bela partilha Pedro,merci...

Há sempre algo que julgamos esquecido...mas está lá no sotão da nossa memória...e relembrar é viver...é sair da caverna...e mergulhar no horizonte até onde a vista alcança...

Kisskiss

citadinokane disse...

Querida Lorita,
É muito difícil sair da caverna, quando era mais impetuoso puxei faca e espada para romper o umbral da caverna... todos temos medo do desconhecido, né?
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Mixikó,
As lembranças em borbotões...
Obrigado querida pela partilha.
Beijos,
Pedro