quinta-feira, outubro 25, 2007

Por inteiro - Oswaldo Montenegro

Quantas vezes eu e o amigo Duda Bueres buscávamos essas palavras? e mesmo no estágio em que a bebida e o cigarro de palha permitiam... Não conseguíamos...
A triste condição de um mero mortal e a poesia fugindo de nós...
Mixikó amiga blogueira, lembrou-me dessa condição ao comentar o texto de Oswaldo Montenegro, ele não escreve pela metade, escreve por inteiro...
Amiga lisboeta, conseguiste liberar um turbilhão de emoções, momentos inesquecíveis arquivados, não só para mim, mas para todos os meus amigos...
Eles falarão...

Metade(Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza

Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade não sei

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é a canção

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

6 comentários:

Mixikó disse...

senti-me de repente...numa sala cheia de...nada...somente eu e as cadeiras em volta vazias...ouvi...ouvi...e quando chegou ao fim...senti-me levantar e aplaudi para a sala vazia...

Que momento Pedro...só eu e este som...estas palavras na voz de OM.

Codinome Beija-Flor disse...

Isso que é sintônia "BLOGAL"coloquei o mesmo texto no omeu blog.
beijso

Xico Rocha disse...

Mermãozinho, eu não sei como um cara pode adentrar na alma das pessoas e extrair sentimentos comuns, que se não conseguimos decifra-los, ora postos, conseguimos traduzi-los por inteiro e compreendemos a perfeita harmonia dessas almas.
Abraços
Xico Rocha

citadinokane disse...

Mixikó,
A voz do Oswaldo Montenegro casa com o texto... emociona...

citadinokane disse...

Codinome,
Fui lá e confirmei. Estamos unidos por uma estranha telepatia...

citadinokane disse...

Xico,
Tenho pra mim que o Oswaldo tomou aquele chá do cipó santo(Santo Daime) e deu nisso...