quinta-feira, dezembro 06, 2007

Cadeiradas e o valentão

Destemido como esse cachorrinho, só o meu amigo Tico... Ele e eu já fomos mais irreverentes, voluntariosos e bravateiros. Depois vieram os filhos e ficamos molepracacete, virei apaziguador, é verdade, juro!
O Tico só mais tarde se acalmou...
Certa vez, lembro que estávamos em um boteco da vida, eu, Marcilhão, Fernando Maia e o indigitado Tico, o papo que rolava era sobre política, pura descontração, papo vem, papo vai e... de repente, do outro lado da rua, uma mulher discutia com um homem, este dentro de um fusca, seguia a mulher e um gritava com o outro, explodiam em impropérios, o que o cachorrinho acima expressa era fichinha perto do que o casal vomitava em plenos pulmões.
Tico imediatamente franziu a testa, e comentou rapidamente: - Olha a cagada aí!
O Marcilhão e todos nós falamos pra ele deixar pra lá, em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher... e voltamos a conversar sobre política.
Uns cinco minutos depois, escutamos os gritos da mulher, nos levantamos e enxergamos o homem fora do fusca(é um carro, ok?) e agredindo com socos e pontapés a mulher... Incontinênti, todos nós que estávamos ali entre risos e copos de cerveja, corremos em direção do agressor para impedir a barbárie. Corremos gritando para ele parar, o Tico era quem gritava mais alto e para o nosso espanto ele arrastava uma cadeira de ferro do boteco, pesadíssima, e quando chegamos diante do agressor (detalhe, o cara esmurrava a mulher sem dó) para impedir que ele continuasse o massacre, o intimorato Tico não contou até dois e chegou dando duas cadeiradas no valentão, o baque pegou forte no peito, cara e cotovelo... O valentão parou de bater na mulher e se virou pra perguntar pro Tico: - Por que fizeste isto?
O Tico transtornado, gritava e encarou de frente o valentão: - Bati com a cadeira, e agora vou fazer tu engolires a cadeira seu fdp! Ninguém bate em mulher na minha frente.
O mais inusitado e hilário aconteceu. O valentão começou a chorar copiosamente, chorava e passava a mão no cotovelo machucado pela cadeirada, em soluços ele dizia para o Tico: - Me agrediste sem saber que aquela mulher era um diabo... É minha amante, e faz o inferno na vida da minha esposa...
Seguramos o Tico e pedimos que ele recuperasse a tranqüilidade... a mulher? Onde ela estava? Simplesmente sumiu! E o valentão? Continuou chorando, passando a mão no cotovelo...
Fiquei pensando sobre a reação do Tico diante daquela situação, corremos para separar o agressor da sua vítima, mas o Tico correu arrastando uma cadeira de ferro... Freud explica? será que são traumas? Apenas traumas...

4 comentários:

Anônimo disse...

Legal ,muito legal a história e tenho uma ótima tb acontecida com um grande amigo meu Bianor Gemaque.Morávamos eu e Bianor num barraco em São Brás , namorávamos Lena e Mamá duas irmãs e um domingo tomavámos umas cervejas os 4 e aconteceu de um casal começar se porrar e o cara começou a encher a mulher de socos , Bia mais conhecido como búfalo ou toróide , era marajoara e não suportava injustiça (como Bruno)e foi pra cima do cara e começou a bater no cara e na mesma hora a mulher tirou o sapato e com o salto começou a bater no Bia gritando :"pára , pára quem bate no meu homem sou eu".Nisso a Mamá , muchacha de Bia , que era BI(baixinha invocada)se levantou , puxou a mulher ,a empurrou pra longe e gritou :"sai fora loca , porque no meu quem bate também sou eu".E o pé de pica terminou numa gargalhada geral.
Abs
Tadeu , covardão que na história toda não se moveu um minuto sequer da cadeira em que estava defronte da cerveja e do carangueijo o que me valeu uma escroteada geral da minha Lena que tb era BI

Ivan Daniel disse...

E depois, ninguém consolou o valentão? Pô, o cara tava chorando!!

citadinokane disse...

Tadeu,
KKKKK...
Mermão relataste a história como um verdadeiro paraense, é assim mesmo que acontece. Ahahaha...
Antes que me esqueça, tenho raízes marajoara, mas totalmente aculturado, não bebi leite da búfala, tenho muito receio te me aproximar desses bichos, mas deixa pra lá!
Estou vendo a cena desenhada por ti, o Bia indo pra cima do "cabôco", ehehehe...
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Ivan,
Ele ficou enchendo o saco do Bruno, explicando que a mulher não prestava e etc...
O Bruno ficou escabreado, e sussurrou pra gente que ia se mandar, podia ser que o "chorão" estivesse armando uma "casinha" e podia surpreendê-lo com uma navalhada...
Pô, mermão!!!
Cá pra nós, homem chorando, merece mais cacete, né?! Como é no Cabo Norte?
Abraços,
Pedro