sexta-feira, dezembro 07, 2007

Viver não dói

VIVER NÃO DÓI (Carlos Drummond de Andrade)
Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,

que gerou em nós
um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer

pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor e não
conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido
juntos e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.
Sofremos, não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos, não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
e ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos, não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
faz perder também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.

22 comentários:

Lilian Haber disse...

Obrigada por esse texto, lindo presente de aniversário (07.12). Cala fundo na alma, beijos.

Mari - Pedra de Alquimia disse...

Ah, que poeta perfeito...

VIVER NÃO DÓI (Carlos Drummond de Andrade)
Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós
um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor e não
conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido
juntos e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Amei Pedro. Lindo.

Bjs sem sofrimento tá.

Codinome Beija-Flor disse...

Ah! Meu amigo, nem sempre o sofrimento é opcional, te garanto.
Bjo

Cris Moreno disse...

Lindo!

Beijos.

citadinokane disse...

Lilian,
Caramba!
Escondeste a data e revelas de modo tão casual... arg! Vamos cobrar de ti, hein?!
Depois mandamos a conta, ok?
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Pedra,
Tudo bem, sem sofrimento...

citadinokane disse...

Codinome,
É a garantia Toshiba?
Peloamordedeus...
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Cris,
Caramba, é lindo mesmo!
Beijos,
Pedro

Anônimo disse...

Dom Pedrito de Belém ,
O que me intriga no Drumond é ele que escrevia isso tinha uma vida de funcionário público pacato e previsível.
vai entender a alma e a genialidade humana eu hein???
Abs
Tadeu

Lilian Haber disse...

Eu sou funcionária pública! Pacata e previsível!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Xico Rocha disse...

Grande Pedro Nelito, estou torcendo pela sua recuperação.
Este comentário é dirigido ao amigo Tadeu, na verdade é um pedido de desculpas. Eu explico, há alguns dias, eu fiz um comentário num outro poster, e brinquei com o Tadeu, só que eu estava cometendo um equivoco, pois pensava se tratar de um outro amigo (Nelito sabe quem), e fiz uma brincadeira, e só depois percebi que não se tratava de quem eu pensava. Por isso caro Tadeu aceite meu pedido de desculpas, com um forte e natalino abraço.
Xico Rocha

Anônimo disse...

Xico Rocha ,
Tirei de letra , afinal como respondí , quem sabe vc náo é um cunhado bastardo (minha dona patroa é Bia Rocha) e cunhado sacumé , né.
Desculpas aceitas e pode brincar comigo tb e descer o sarrafo que o couro é de jacaré.
Abração pra tú e pro Pedro e ano que nos vemos , recuperados eu e o Pedro , no Ranulfo.
Tadeu
Além do que és xara do meu caçula.

Anônimo disse...

Pela foto Lilian vc é genialmente bela.
Bjs
Tadeu

Tânia Defensora disse...

Querido Pedro
como foi bom ler esta poesia.
Pura realidade, a dor é opcional.
Carlos Drumond de Andrade é fabuloso.
Um abraço

citadinokane disse...

Tadeu,
A alma humana além de um labirinto no qual nos perdemos sempre, é enigma puro... Só Dios!

citadinokane disse...

Lilian,
É realmente, imprevisível!!!

citadinokane disse...

É Xico! Estou me recuperando... aos poucos...

citadinokane disse...

Tadeu,
Estaremos todos lá no Ranulfo!
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Tadeu,
Cuidado!!! Ela é amiga do Bianor, hein!?

citadinokane disse...

Tânia,
Drummond é fabuloso!
Beijos

Lilian Haber disse...

Obrigada Tadeu.

citadinokane disse...

Ave Lilian!