quinta-feira, janeiro 31, 2008

Símbolo Internacional do Casamento

Após um ano de intensos debates e com a preocupação de padronizar procedimentos e elaborar uma programação visual uniforme para o Mundo Globalizado, a Comissão de Direitos Humanos da ONU aprovou o novo SIC - Símbolo Internacional do Casamento. Olha aí em cima a logomarca... Linda?! Não sei. O Euro como moeda oficial... Ai ai ai... Saudades do velho Dólar, Cruzeiro, Peso... saudades...

terça-feira, janeiro 29, 2008

O Princípio ético republicano por Paulo Klautau Filho

Está se aproximando a eleição do quinto constitucional da OAB para preenchimento da vaga de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, vaga deixada pelo saudoso Desembargador Geraldo Lima que faleceu recentemente. Fico feliz por saber que as opções são muito boas, dentre as várias opções se apresentam os nomes de professores e nossos amigos: Paulo Weyl, Jean Carlos Dias e Paulo Klautau Filho. Todos são profissionais que possibilitarão um enriquecimento intelectual do Tribunal de Justiça do Pará, além de professores, são jovens advogados de atuação brilhante junto à sociedade paraense.
Teremos oportunidade de discorrer sobre cada um desses postulantes ao desembargo.
Hoje o post é sobre o meu amigo Paulo Klautau Filho, desde 1996 é Procurador do Estado do Pará concursado; estudou na USP, onde graduou-se em Bacharel em História(1989) e Bacharel em Direito(1994), depois fez Mestrado em Direito na UniversidadeFederal do Pará - UFPA(2001); "Master of Laws" pela New York University - NYU(2002); e Doutorado em Direito na Universidade de São Paulo - USP(2006).
Atua como Professor colaborador da Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Pará - UFPA, desde 2007; Professor de Direitos Humanos, Filosofia do Direito e Direito Constitucional do Centro Universitário do Pará - CESUPA, desde 2002; Coordenador da Escola de Governo e Cidadania do Pará (CESUPA), desde 2003; Professor Substituto das disciplinas Direito Constitucional e Teoria Geral do Estado da Universidade Federal do Pará - UFPA, Junho 1999 – Junho 2001.
Publicou os seguintes livros: "Igualdade e Liberdade: Ronald Dworkin e a Concepção Contemporânea de Direitos Humanos" (Belém: CESUPA, 2004); "A Primeira decisão sobre o controle de constitucionalidade" (Belém: Escola de Magistratura do Pará, 2005); "O Direito dos Cidadãos à Verdade Perante o Poder Público" (São Paulo/Belém: Método/CESUPA, 2008).
É também autor de vários artigos em períódicos especializados. Abaixo um artigo publicado no "O Liberal" um jornal de grande circulação em Belém. O Paulo é uma pessoa maravilhosa e digna para exercer qualquer cargo no campo jurídico, tem contribuído e continua contribuindo para o fortalecimento da nossa cidadania.
Salve Paulinho Klautau! A advocacia pública está honrada com a tua atuação impoluta.
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Os políticos e o princípio ético republicano. (Paulo Klautau Filho)

Em editorial recente, “O Liberal” criticou corretamente a utilização abusiva e vazia de conteúdo dos termos “republicano” e “cidadão” por parte de autoridades governamentais. Noto, contudo, que o editorial, apesar de ter citado a definição do dicionário de “cidadão”, deixou de tratar do significado de “republicano”
Em colaboração à abordagem do jornal, gostaria de oferecer uma sugestão para o conteúdo destes termos, sob o ponto de vista da Ética.
Numa definição simples, mas suficientemente esclarecedora, pode-se dizer que a Ética é o ramo do conhecimento que se dedica a responder o que é viver uma boa vida, como devemos viver em sociedade e como devemos tratar uns aos outros.
A Constituição Brasileira respondeu essas perguntas, a partir do caput de seu Artigo 1º que dispõe: “
A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito...” (sublinhei).
Na leitura que proponho, a república e a democracia, antes de serem formas político-jurídicas, constituem-se nos dois princípios éticos fundantes do Estado inaugurado com a Constituição de 1988.
O princípio ético republicano afirma a supremacia do bem comum sobre os interesses particulares. É certo, porém, que o “bem comum” também não é de fácil definição. E aqui entra o princípio ético democrático, ao afirmar que a definição do bem comum e a fiscalização das autoridades públicas na sua persecução cabe ao conjunto dos cidadãos brasileiros – o “povo soberano”.
Os dois princípios são, assim, indissociáveis e entrelaçados, na medida em que o bem comum do povo é definido pelo próprio povo, como titular do poder de controle político supremo; dito de outro modo, o princípio republicano realiza-se através da prática do princípio democrático pelos cidadãos. Ser cidadão, nestes termos, é se empenhar em definir o bem comum e promovê-lo diretamente ou indiretamente através da fiscalização e do controle da atuação de seus representantes.
A primeira definição do bem comum parte também da própria Constituição Federal ao estipular, como um de seus fundamentos, a dignidade da pessoa humana. A palavra dignidade decorre etimologicamente do latim, do verbo defectivo decet, que significa ser adequado, ser apropriado. Portanto, todo ser humano deve ser tratado adequadamente. Os critérios de adequação do tratamento dispensado aos cidadãos brasileiros residem nos direitos fundamentais individuais, coletivos, sociais, de nacionalidade e políticos arrolados principalmente nos artigos 5º a 17 da Constituição. Em outras palavras, o bem comum constitucional garante a todos os cidadãos brasileiros os direitos à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança, à propriedade (art. 5º), à educação, à saúde, ao trabalho, a moradia, ao lazer (art. 6º), entre outros.
Toda a estrutura de poder público instituída pela Constituição de 1988 - os Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo da União, dos Estados, Distrito Federal e Municípios – deve ter como meta de atuação o reconhecimento, a promoção e a proteção dos direitos fundamentais. As autoridades que se conduzirem neste sentido estarão agindo de forma republicana. Cabe, insisto, a todos nós, cidadãos fiscalizar tal conduta.
Eis aqui, portanto, uma proposta de conteúdo para o termo republicano. Lembrando que definir “republicano” é muito mais simples do que agir segundo tal princípio ético. Afinal, quantas autoridades e quantos cidadãos, no exercício de sua vida pública, de fato respeitam a primazia do bem comum sobre seus próprios interesses?
Pelo que, faço uma proposta “cidadã” ao jornal: que indague a cada um dos ocupantes de cargos de primeiro escalão dos três Poderes de nosso Estado, qual a sua definição de “republicano”.
Certamente seria um exercício político-pedagógico dos mais interessantes e instrutivos, no mínimo, pelo que aprenderíamos a respeito de nossos representantes.

Sentir...

Não sei quem são os autores da imagem acima e da frase abaixo, só sei dizer que elas não sairam da minha cabeça...

"As pessoas um dia podem esquecer
o que você disse;

Podem esquecer o que você fez;
Mas jamais esquecerão
o que você as fez sentir
"

domingo, janeiro 27, 2008

Minha película inesquecível...

Gosto e sempre estou revendo "Casablanca"... Essa imagem é marcante, Humphrey Bogart e Ingrid Bergman imortalizados... Sam(Dooley Wilson) não pare, continue tocando, por favor!

Insólita imagem

Na última passeata gay no Rio de Janeiro, uns vândalos resolveram quebrar o óculos da estátua de Carlos Drummond de Andrade, alguém captou o momento que um vendedor de óculos testava uns óculos no "Drummond", imagem insólita...

sábado, janeiro 26, 2008

Deserto

muitos desertos entre os homens... E como o deserto é belo!

1+1 = companhia


O Amor é uma Companhia (Fernando Pessoa)

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

A Lei Maria da Penha e o juiz de Sete Lagoas

Volto a tratar de um tema delicado, a violência contra as mulheres...
Em agosto de 2006 foi sancionada a Lei Maria da Penha (nº 11.340), o legislador buscou aumentar o rigor nas penas para agressões contra a mulher no lar, sem dúvida alguma um instrumento para atenuar esse tipo de violência.

No ano passado saiu uma reportagem na "A Folha de S.Paulo", a mesma tratava das sentenças e o pensamento de um juiz de Sete Lagoas (MG), este considerava inconstitucional a Lei Maria da Penha.
O nome do meretíssimo? - Edilson Rumbelsperger Rodrigues. Tinha que ser Edilson meudeus!? Pois bem, este juiz rejeitava os pedidos de medidas contra homens que agrediam e ameaçavam suas companheiras.

A lei em 2006 quando entrou em vigor fez muitos valentões cearenses serem recolhidos nas celas das delegacias de polícia, um verdadeiro marco na defesa da mulher e contra a violência doméstica.
Mas... aí apareceu o juiz Edilson Rodrigues e resolveu agir, contra a Lei Maria da Penha, e ainda soltou a seguinte pérola: "Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (...) O mundo é masculino! A idéia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem!".

Ah, Edilson! Tomara que "Deus masculino" tenha pena de ti, provavelmente, o "Deus feminino" ainda será capaz de te acolher no colo... apesar desse tipo de pensamento.
Na época "A Folha de São Paulo" mencionou que uma das sentenças do juiz havia chegado ao Conselho Nacional de Justiça. Em 12 de fevereiro do ano passado, o juiz Edilson Rodrigues sugeriu que o controle sobre a violência contra a mulher "tornará o homem um tolo".
O juiz Edilson Rodrigues usava uma sentença-padrão, repetindo os mesmos argumentos nos pedidos de autorização para adoção de medidas de proteção contra mulheres sob risco de violência por parte do marido.
O que eu mais repito aos meus alunos, leiam o livro da vida, leiam livros que possibilitem a humanização da atuação profissional, antes de ser um profissional tecnicamente competente, há de preponderar o cidadão ativo...

Se seguirem esses conselhos, teremos menos juízes para apoquentar a vida dessas mulheres maravilhosas, né?!
Eu nem precisava escrever uma linha sequer sobre o tema, bastava olhar as imagens acima para ver que o juiz de Sete Lagoas ficou devendo para a sociedade...

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Salvador Dali analista...


Recebi um e-mail que achei muito legal sobre as possibilidades de interpretação da obra de Salvador Dali, pintor surrealista espanhol; R. Dias estudiosa sobre psiquê discorre sobre a arte de Dali, é coisa de louco! Ahahaha... Pode ler sem surtar!
"Recebi umas ilustrações de Salvador Dali que me fizeram pensar seriamente...
Gosto de Salvador Dali, gosto da associação de elementos delirantes e oníicos, ele é praticamente um psicanalista das telas, as frequentes imagens duplas, lindas imagens, respondendo de maneira incrível às inquietações vividas por ele e a um inconsciente latejante. Nelas ele parece perceber a construção da impossibilidade da existência humana tal qual ela é vivida. É como se seu trabalho buscasse a Verdade do sujeito que não existe, sujeito inacabado, único, portador de um pedido que muitas vezes vem travestido, camuflado, escondido e sobretudo que não é dito, num mundo em construção e destruição permanentes, mundo em desencanto, desilusão mas com esperança.
Acho que é o dever básico de todo analista, é a acolhida desse desejo do sujeito e é acima de tudo e de todos, amoral, sem cor, cheiro, sabor ou tato...somente pura escuta... o ofício do psicanalista é escutar o além do que foi dito, nisto consiste toda a interpretação do desejo do sujeito, afinal a vida passa a ser examinada, rasgada, esmiuçada, confrontada, sofrida, gozada, esta sim merece ser vivida. E ele viveu em toda sua abragência... "

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Valeu!!!

segunda-feira, janeiro 21, 2008

E então, que quereis?...

Cabe a pergunta... algumas vezes é preciso perguntar aos incautos: o que quereis?!
Deixo Maiakóvski perguntar, ok?
Beijos no coração! Rsrsrsrs...

E então, que quereis?...
(Maiakóvski)
Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?

O mar da história
é agitado.

As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.
(1927)

domingo, janeiro 20, 2008

Pra que mentir?! Se tu sabes...

O Brutus Vieira mandou mais uma, chegou de férias de São Paulo, e chegou com todo gás, ele disse que é apenas uma estorinha muito sutil, bastante sutil... Vamos lá!
"Um sujeito se dirigiu à atendente da casa lotérica:
- Olha, não tenho a menor idéia sobre quais números escolher para comprar um bilhete da Loteria Federal. Você poderia me ajudar?
- Claro! Respondeu ela, vamos lá!
- Durante quantos anos você freqüentou a escola?
- 8
- Perfeito, temos um 8.
- Quantos filhos você tem?
- 3
- Ótimo, já temos um 8 e um 3. Quantos livros você já leu até hoje?
- 9
- Certo, temos um 8, um 3 e um 9. Quantas vezes por mês você faz amor com sua mulher?
- Caramba! Isso é uma coisa muito pessoal - diz ele.
- Mas você não quer ganhar na loteria?
- Está bem, 2 vezes!
- Só??? Bom, deixa pra lá. Agora que já temos confiança um com o outro, me diga quantas vezes você já deu a bunda(sexo anal)?
- Qual é a tua? - diz o homem - Sou espada!
- Não fique chateado. Vamos considerar então zero vezes. Com isso já temos todos os números: 83920.
O sujeito comprou o bilhete que correspondia ao número Escolhido.
No dia seguinte foi conferir o resultado. O bilhete premiado foi o Nº 83921.
Cheio de raiva, comentou:
- Puta-que-pariu!!! Por causa de uma MENTIRINHA BESTA eu não fiquei milionário!!!"

sábado, janeiro 19, 2008

As coisas que ficam

"De tudo Ficam Três Coisas:
A certeza de estarmos sempre começando
A certeza de que é preciso continuar
E a certeza de que podemos ser
Interrompidos antes de terminarmos.

Portanto:

Fazer da interrupção um caminho novo,
Da queda um passo de dança,
Do medo uma escada,
Do sonho uma ponte,
Da procura um encontro".

(Fernando Sabino)

Para uma Menina com uma Flor

Eu e o Rogério mergulhamos num turbilhão de sentimentos que o amigo Carlos David entornara no chão, em plena confraternização no Boteco da Computer Store. De tudo que foi dito, acabei encontrando o que ia na alma do meu amigo e na minha, vivemos emoções parecidas... coisa que só o nosso poetinha saberia traduzir...
David, mermão! Leia o texto abaixo de Vinicius, e se uma lágrima insistir em visitar-te, deixa a água rolar... Nunca será ridículo expressar sentimentos, por favor acredite! Compreendi o quanto és humano e peço-te que continues compartilhando com os amigos essas emoções...

Quantas vezes li o texto "Para uma Menina com uma Flor"? Muitas! e todas às vezes, me emocionei... Queria ter a criatividade de Vinícius, a verve poética, como um bisturi que corta e expõe as entranhas... Nunca consegui, por isso, balbuciava com os dentes cerrados: "esse texto é meu". Agora, David, esse texto é teu!

Para uma Menina com uma Flor (Vinicius de Moraes)

"Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.

E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.

E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.

E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor".
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Abaixo encontrei o vídeo com o texto de Vinicius, declamado por Felipe Marcelino, muito legal!


quinta-feira, janeiro 17, 2008

Nosso estranho amor...

A voz de Marina Lima deliciosamente derramada em meus ouvidos, marcava e dava um fecho numa relação, mais um flerte, algo mal resolvido, cheio de reticências e interrogações... A testosterona implacável, como a juventude, percorria cada milímetro do meu corpo, e quiçá, até o branco dos meus olhos... Esta substância envolvia não só o meu corpo, mas a minha alma, não esqueçam! Eu era apenas um baby búfalo marajoara, néscio na arte do amor... [Locobueres se estiver lendo vai abrir um largo sorriso, pode rir mermão! não tô nem aí!] Amores não correspondidos era um peso em tenra idade, mas, constituiu-se no aprendizado necessário para uma maturidade tranqüila; naquela época, os afetos eram urgentes, carícias pudicas e um coração com os pés-fora-do-chão... Ela uma mulher bela, um sorriso lindo e o olhar enigmático... Quando nos despedimos para sempre, em nossos corações! Marina e Caetano faziam o dueto abaixo, a minha relação estranha e a música de Caetano deixaram marcas indeléveis no meu pobre coração... Por onde anda a bela mulher de olhar enigmático? É médica em São Paulo, e cada um pro seu lado e assim foi.[será que ela irá ler? acho que não!]


Nosso Estranho Amor (Caetano Veloso)

Não quero sugar
Todo seu leite
Nem quero você enfeite
Do meu ser
Apenas te peço
Que respeite
O meu louco querer...

Não importa com quem
Você se deite
Que você se deleite
Seja com quem for
Apenas te peço que aceite
O meu estranho amor...

Deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar
E sigamos juntos...

Deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração
Não me diga nunca não...

Seu corpo combina
Com meu jeito
Nós dois fomos feitos
Muito prá nós dois
Não valem dramáticos efeitos
Mas o que está depois...

Não vamos fuçar
Nossos defeitos
Cravar sobre o peito
As unhas do rancor
Lutemos, mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor...

Deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar
E sigamos juntos...

terça-feira, janeiro 15, 2008

A Paz que eu quero!


"Longe da felicidade
E todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo,
És manhã na natureza das flores"
(Nem um dia - Djavan - CD Malásia 1996)

Nas imagens acima, a atriz brasileira Bárbara Paz. Fotos enviadas pelo Tico Futrika, no final do e-mail, ele crava certeiro e enfático: - Eu quero essa Paz pra mim!!!
O que eu posso dizer?! - EU TAMBÉM QUERO!!!
Antes das críticas, vamos olhar pela lado estético, reparem nas linhas que contornam o corpanzil da moçoila, as curvas... huumm... agradecimentos ao artista que desenhou as curvas e as cores dessa obra-prima, só falta falar, né?!
O Tico, muito engraçadinho, ainda soltou uma pérola: - O dedão do pé só açúcar...

Os silêncios...

Rachel enviou-me uma poesia cheia de silêncios, não esqueçam blogueiros de todo o mundo, os silêncios dizem muito... e às vezes atormentam a alma de quem ama e de quem não ama. Sem silêncio e bem barulhento: Obrigado Rachel! A poesia de Maria Teresa Horta é bão demais.

Os silêncios (Maria Teresa Horta)
"Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo

Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo
que não digo

Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei não te persigo

Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo"
___________________
Maria Teresa Horta nasceu em Lisboa e fez a sua estréia na poe­sia em 1960, com o livro: Espelho Inicial. Jornalista, se associou na época ao grupo de "Poesia 61".
__________________
Para encerrar, mais uma poesia de Maria Teresa Horta, bem apaixonante, hein?!

Morrer de amor (Maria Teresa Horta)
Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso

domingo, janeiro 13, 2008

Quando a gente chega aos 40 anos...

"Quando a gente chega aos 40 anos, não suporta mais patrulhamento ideológico... e outras coisinhas mais..."
Fiquei pensando sobre isso durante toda semana.
Aí a pessoa chegou comigo e lembrou que eu tenho um amigo "tucano"... e continuo tagarelando, quis me convencer que "honestidade" é um valor burguês, portanto, mais valia a pena, alguém que rompesse com os padrões burgueses, avançando nas conquistas sociais, do que o político que administra tudo "certinho", "honestamente", mantendo a exploração capitalista...
Posso dizer, que fiquei incomodado com essa visão, e a pessoa que pensei inteligente, apresenta uma estreiteza de horizontes...
Passei a refletir tomando como referência um papo que bati com um amigo. Por uma questão de respeito, não citarei o nome do meu amigo, ele é advogado, grande advogado, estudamos juntos e compartilhamos muitas alegrias, compartilhamos utopias, e ideologias... ainda compartilhamos, mas... nós somos ultrapassados! O quê?! Não sou eu quem diz que somos ultrapassados. Deixa explicar melhor, aconteceu com o meu amigo, algo muito parecido que aconteceu comigo.
Ele tem um irmão, que era super engajado, politicamente falando, era "safo", participava dos movimentos sociais, na universidade era membro de centro acadêmico e DCE e sabia "Marx" pra cacete! Eu o conheci, e considerava que ele lutava o "bom combate"...
Eu e o meu amigo também participávamos dessas lutas, mas não tínhamos patentes de generais e nem queríamos... A luta árdua pela nossa própria sobrevivência, acabava tomando um tempo que dificultava acompanharmos as linhas de frente da disputa política, parecia aos olhos dos mais engajados, um deslize pequeno-burguês, um egoísmo engendrado pelas nossas contradições de classe. Ressalto, inexistentes, não éramos burgueses... Apenas porque tínhamos umas "latas velhas", pronto, lá vão os burgueses!
Ah! ia esquecendo, nós éramos dois caretas, a gente não fumava pôrra-nenhuma, e nem achava feio quem fumasse, cada um na sua... E tudo corria bem, desde que não falassem mal da nossa cevada, a paz reinava esplendorosa.
Mas, a gente percebia que olhavam torto pra nós...
O irmão engajado desse meu amigo, uma vez disse para ele: - Tu és um tremendo burguesão! Nem te entrosas com a turma... És de esquerda, mesmo?! Estás ultrapassado!
Sempre trocávamos impressões sobre esses revolucionários... Parecia que Canãa, para eles, estava ali na esquina.
Um dia desses, o meu amigo me confidenciou, que o irmão dele(o cara engajado, lembra?) estava doente, apareceu um tumor no cérebro... sabe quem bancou todo o tratamento? O cara que era chamado de burguesão. Não somente, bancou o tratamento, como viajou com o irmão para São Paulo e ficou no hospital como acompanhante, sofrendo e rezando pela vida do revolucionário.
Hoje, eu e o meu amigo, continuamos acreditando que a vida é bem mais que rótulos: esquerda e direita. É claro que ninguém é ingênuo pra dizer que não existem interesses de classes, mas não é possível pautarmos uma existência, achando que tudo que existe, existe em função de um interesse burguês ou proletariado. Existem questões de gênero e minorias, que não se encaixam muito bem nessa leitura maniqueísta, o velho discurso - virtudes dos adversários são defeitos, e vícios dos aliados, são virtudes...
CHEGA!!!
A imagem acima do Recruta Zero dando língua, é a melhor tradução do concretismo das minhas palavras, minha língua e do Zero são adagas enfiadas no peito do cinismo utilitarista deste início de milênio...
Ah! ia esquecendo, os meus amigos escolho pelas emoções que provocam em mim, não faço amizade como quem vai a um supermercado e pega o produto e olha as indicações na embalagem e depois se dirige ao caixa para pagar.
Não tenho amigo canalha e nem tampouco cafajeste.
Pra não esquecer:
"Com um só toque de amor,
todos
se transformam em poetas"(Platão)
Como ia dizendo no início do post, depois que a gente chega aos 40, odeia ser policiado...



sábado, janeiro 05, 2008

Meu monólogo...

Monólogo De Orfeu(Vinicius de Moraes)
Mulher mais adorada!
Agora que não estás, deixa que rompa
O meu peito em soluços! Te enrustiste
Em minha vida; e cada hora que passa
É mais por que te amar, a hora derrama
O seu óleo de amor, em mim, amada...
E sabes de uma coisa? Cada vez
Que o sofrimento vem, essa saudade
De estar perto, se longe, ou estar mais perto
Se perto, – que é que eu sei! Essa agonia
De viver fraco, o peito extravasado
O mel correndo; essa incapacidade
De me sentir mais eu, Orfeu; tudo isso
Que é bem capaz de confundir o espírito
De um homem – nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga
Esse contentamento, essa harmonia
Esse corpo! E me dizes essas coisas
Que me dão essa força, essa coragem
Esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música!
Nunca fujas de mim! Sem ti sou nada
Sou coisa sem razão, jogada, sou
Pedra rolada. Orfeu menos Eurídice...
Coisa incompreensível! A existência
Sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos. Tu
És a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo, minha amiga
Mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! Criatura! Quem
Poderia pensar que Orfeu: Orfeu
Cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres - que ele, Orfeu
Ficasse assim rendido aos teus encantos!
Mulata, pele escura, dente branco
Vai teu caminho que eu vou te seguindo
No pensamento e aqui me deixo rente
Quando voltares, pela lua cheia
Para os braços sem fim do teu amigo!
Vai tua vida, pássaro contente
Vai tua vida que estarei contigo!

Resposta ao tempo

Já postei a letra dessa música, mas como o ano está começando, inevitável o retorno ao Senhor Tempo...
Aldir Blanc é o letrista dessa música, diria que é um poeta, filósofo, psicanalista, médico...
Pois é... o Aldir era médico!
Abandonou a medicina para se tornar um dos maiores letristas da MPB, o poeta... a melodia é do maestro Cristóvão Bastos, excelente músico, faz parte da banda que acompanha o Chico Buarque.
Escutando a música na voz de Nana Caymmi, peguei a orientação médica, olhei e amassei... Aldir para mim, nessa composição, incorporou Édipo confrontando o seu destino... ahahaha... E como diria o nosso amigo Tadeu Schumann: "Olha o Aldir cheio de blefe, hein?!"
E o pior, ou melhor?! Vou acompanhar o Aldir. Já o enlacei, fraternalmente, pelo pescoço, o poeta olhou-me cismado, mas, quando mostrei o que ia na minha mão direita, ele sorriu... e seguimos irmanados... O que eu levava na minha mão direita? Respondo, incontinente, apenas segurava, firmemente, uma garrafa de Scotch Dimple YRS 15 OLD...
Querido Aldir! vou murmurando pelo caminho... Cutucas o velho Tempo com vara curta, e ele desforra na gente... Ele zomba do quanto eu chorei, porque ele sabe passar... E eu não sei... Ele ri! Fico sem jeito calado...

Resposta ao Tempo
Nana Caymmi
Composição: Aldir Blanc/Cristovão Bastos

Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Pra ter argumento...

Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei

Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo...

Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei...

E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos...

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto...

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver...

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer...

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto...

E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver...

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer...

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer...

sexta-feira, janeiro 04, 2008

William Blake: pintura e poesia.

Pra quem não conhecia, eis o poeta e pintor William Blake.
O inglês William Blake(1757-1827) foi poeta, pintor e ilustrador. Viveu uma vida com muitas dificuldades econômicas, e não obteve o recolhecimento público em vida. Desde criança, Blake tinha o desejo de ser pintor. Foi aprendiz do ilustrador James Basire. Aos 12 anos Blake começou a escrever poesias e ilustrá-las. Acabou desenvolvendo o método "illuminated printing" (impressão iluminada), utilizava uma matriz de cobre para desenhar e imprimir a ilustração e o texto de seus poemas.
O Jardim do Amor

Tendo ingressado no Jardim do Amor,
Deparei-me com algo inusitado:
haviam construído uma Capela
No meio, onde eu brincava no gramado.

E ela estava fechada; "Tu não podes"
Era a legenda sobre a porta escrita.
Voltei-me então para o Jardim do Amor,
Onde crescia tanta flor bonita,

E recoberto o vi de sepulturas
E lousas sepulcrais, em vez de flores;
E em vestes negras e hediondas os padres faziam rondas,
E atavam com nó espinhoso meus desejos e meu gozo.

William Blake

Oh, Pietá!


Ano novo, momento de reflexão, pinçando na memória alguns acontecimentos que me tocaram profundamente no ano passado, relato um caso ocorrido no Rio de Janeiro, a cidade é belíssima, inclusive, prometi para a minha filha que quando eu recebesse a parte da minha herança(ahahaha... me engana que eu gosto), iria comprar um apartamento no Rio bem próximo ao mar, a garota ficou vidrada no Rio e quem não fica?! Mas, voltando ao relato, fiquei impressionado, sensibilizado mesmo, como não poderia deixar de ser, uma bala "perdida" acabou "achando", infelizmente, um rapaz que passava pela rua... baleado, ensangüentado e sem o socorro devido, o rapaz chama pela mãe, mas quando ela chega ao local, encontra o corpo do filho já sem vida... Ela senta na calçada em silêncio, põe a cabeça do filho no colo, não grita, apenas o silêncio... acaricia os cabelos do filho, olha ternamente para o rosto do mesmo...
Essa cena me comoveu, primeiro a indignação - segurança lamentável; e segundo a ternura maternal. Um fotógrafo captou a imagem do filho no colo da mãe, imediatamente chamaram a foto de "Pietá carioca".
Meus amigos, em plena emoção, escrevi as linhas abaixo, não tenho pretensões literárias, apenas expressei um sentimento que rasgava o meu peito, transbordaram lágrimas, sou pai, sou mãe, sou sentimento, todo sentimento...

" Oh, pietá!
Mãe amorosa eternamente
debruçada sobre o filho...
O olhar a percorrer a imensidão
de um corpo inerte.
Roubada a vividez de teu rebento,
o que resta mãe?!
Mas o olhar insiste em descer candidamente
sobre o corpo do filho...
O grito contido.
As lágrimas vertem...
Ungüento derradeiro, mas que não perfuma.
Atônita...
O olhar perdido na imensidão
de um mundo que se esvai...
Oh, mãe!
Olhai, olhai, olhai..."
_______________
1ª imagem: Pietá de Michelangelo.
2ª imagem: Pietá de Paula Rego
3ª imagem: Pietá de William Blake

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Outros navios negreiros...

Novamente, peço desculpas, não sei quem é o autor da fotografia abaixo, mas como a beleza e o contraste me chamaram a atenção, publico e faço algumas pequenas considerações sobre a imagem.
A discussão continua atual sobre a inclusão de parcela significativa da sociedade brasileira... Os negros historicamente foram esquecidos pelos detentores do poder, a imagem abaixo sintetiza a situação do negro brasileiro, há o contraste entre o branco do algodão e a pele negra do trabalhador... Contraste vivenciado cotidianamente pelos nossos irmãos negros(quase sempre pobres, ou muito pobres) e o restante da sociedade que não se acha negro... São necessárias as políticas públicas de inclusão social para atenuar e por fim ao contraste social, a caridade não constrói cidadania, enseja solidariedade... Como diria Gonzaguinha: Mas, doutor, uma esmola a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão.
Que as nossas diferenças sejam vivenciadas democraticamente, e mesmo na diversidade, é possível criarmos uma unidade.
E para encerrar, algumas linhas de um jovem que ficou profundamente sensibilizado com o sofrimento dos negros em nosso país no século XIX, Castro Alves em "Navio Negreiro", destila sua indignação com a escravidão...
Outros navios negreiros, aportam aqui e acolá... até quando meu Deus?!

É bom escutar Castro Alves...

Navios Negreiros - Parte V(Castro Alves)
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Formiga e o mundo corporativo


Iniciando mais um ano, 2008 chegou cheio de promessas para a humanidade. Para iniciarmos com esperança no coração de dias melhores, cabe lembrar uma historinha, na verdade uma fábula: A Cigarra e a Formiga. Esta fábula é atribuída a Esopo e foi recontada por Jean de La Fontaine.
Só pra gente lembrar um pouquinho da fábula:
Tendo a cigarra cantado durante o verão,
Apavorou-se com o frio da próxima estação.
Sem mosca ou verme para se alimentar,
Com fome, foi ver a formiga, sua vizinha,
pedindo-lhe alguns grãos para agüentar
Até vir uma época mais quentinha!

(...)
Muda o tempo e a ambientação, mas, a história se repete, como diria Nicolau Maquiavel: a natureza humana, é repleta de vícios, por isso as mazelas humanas se repetem...
Trazendo para os nossos dias, quantos talentos desperdiçados pelas empresas, hein?! Formiguinhas continuam tendo pela frente uma parafernália de técnicas de reengenharia...
Mas, vamos ver como funciona o estranho mundo corporativo...
Todos os dias, uma formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. A formiga era produtiva e feliz.
O gerente marimbondo estranhou a formiga trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.
A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga.
Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas.
O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões.
A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora colorida.
Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões! O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial. A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada.
A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer um estudo de clima. Mas, o marimbondo, ao rever as cifras, se deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação. A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: Há muita gente nesta empresa!!!

E adivinha quem o marimbondo mandou demitir???

A formiga, é claro!

Porque ela andava muito desmotivada e aborrecida...

2008 e aquele abraço!

o ABRAço dO bLoG eM ToDoS Os LeItOres-aMigos E nÃO-AmIGOS!
VIvA 2008, InTENsamENTe!
Se Não qUISer, NãO vAi aTRaPalHar qUEM QUeR, Ok?!