quinta-feira, janeiro 03, 2008

Outros navios negreiros...

Novamente, peço desculpas, não sei quem é o autor da fotografia abaixo, mas como a beleza e o contraste me chamaram a atenção, publico e faço algumas pequenas considerações sobre a imagem.
A discussão continua atual sobre a inclusão de parcela significativa da sociedade brasileira... Os negros historicamente foram esquecidos pelos detentores do poder, a imagem abaixo sintetiza a situação do negro brasileiro, há o contraste entre o branco do algodão e a pele negra do trabalhador... Contraste vivenciado cotidianamente pelos nossos irmãos negros(quase sempre pobres, ou muito pobres) e o restante da sociedade que não se acha negro... São necessárias as políticas públicas de inclusão social para atenuar e por fim ao contraste social, a caridade não constrói cidadania, enseja solidariedade... Como diria Gonzaguinha: Mas, doutor, uma esmola a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão.
Que as nossas diferenças sejam vivenciadas democraticamente, e mesmo na diversidade, é possível criarmos uma unidade.
E para encerrar, algumas linhas de um jovem que ficou profundamente sensibilizado com o sofrimento dos negros em nosso país no século XIX, Castro Alves em "Navio Negreiro", destila sua indignação com a escravidão...
Outros navios negreiros, aportam aqui e acolá... até quando meu Deus?!

É bom escutar Castro Alves...

Navios Negreiros - Parte V(Castro Alves)
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . .

8 comentários:

Mylene Ribeiro disse...

Pedro

Em que mundo vamos parar se esse preconceito ridículo continuar a evoluir ?!

Me entristece saber que as pessoas são julgadas pelo que tem, pelo que crêem e pela sua raça .

Acho que Castro Alves, foi uma das primeiras pessoas a refletir sobre o preconceito . Vc sabia que já li o Navio Negreito todo . Fenomenal !!! Me arrancou lágrimas . Pq sou humana demais, não consigo ficar indiferente ao ver o sofrimento alheio .

Obrigado por me fazer refletir novamente !

Bjos

elvira carvalho disse...

Pois eu não acredito em superioridade de raças. Brancos , negros, chineses, indíos, todos somos de carne e osso, todos temos o sangue vermelho, o coração do peito, e o cérebro na cabeça. Todos nascemos nus, e todos morremos. Então somos superiores em quê?
Um abraço e um Bom Ano

Patrícia Gabriela disse...

Enquanto o homem q se diz tão racional se fizer distingüir por raças e etnias, ele vai continuar sendo o infeliz sem cerébro que sempre foi! =/

Adorei sua visita e o texto q me deixa-se, eu respondi lá nos meus comentários,viu?

Beijos caro amigo!

citadinokane disse...

Mylene,
Grata surpresa, saber que existe dentro desse coração jovem, tanta sensibilidade... Puxa! Vale a pena viver, para ler o que escreveste, vou dormir em paz!
Obrigado por continuar vindo aqui, sempre bem-vinda!
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Elvira,
Meus braços estão enlaçados com os teus e perfilamos juntos nesta luta...
Abaixo os preconceitos de todos os matizes e viva a vida!!!
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Gabi,
Novamente em sussurro no ouvido: Obrigado querida amiga. Ahahaha...
Beijos,
Pedro

Lidiane disse...

Pedro, eu sou baiana, e como boa baiana, aprendi a amar, desde cedo, os versos de Castro Alves.
E a lutar, como posso, pela mesma causa que ele.

Beijos.

citadinokane disse...

Lidiane,
Os versos de Castro Alves parecem navalhas na carne... cortam e sangram a hipocrisia...
Lutar sempre!
Beijos,
Pedro