quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Bissexto - Pedro Galvão

Recebo o convite abaixo para comparecer ao lançamento de mais um livro do genial Pedro Galvão, uma coletânea de poemas... Pedro tem outros livros publicados. Eu vou!
Das vezes que visitei a casa de Pedro Galvão, sempre o encontrei com um livro na mão e um charuto entre os dedos... Atenção estudantes de comunicação, para se tornar um grande publicitário, é inevitável, aprendam a fumar charutos, e só os cubanos, viu?! Ahahaha... Eu vou!


Pedro Galvão formou-se em Direito pela Universidade Federal do Pará e presidiu a União Acadêmica do Pará (UAP). A ditadura militar mudou o rumo de Pedro Galvão, acabou se tornando um dos publicitários mais premiados do Brasil. Foi preso por quase dois meses, depois em 1968, tornou-se redator da agência Mendes. Rapidamente foi promovido a supervisor de criação.
Pedro trabalhou em diversas agências pelo Brasil: JMM, Standard, Denison, JWT e GiovanniFCB, para em seguida criar em Belém, a Galvão Propaganda. Pedro foi vice-presidente nacional da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap).
Pedro Galvão já conquistou dois Leões em Cannes. A Galvão Propaganda é a agência mais premiada do Norte, expressão do talento desse grande publicitário.

Bissexto(Pedro Galvão)

O poeta amador recolhe os restos
de si, b/erros, fragmentos em desordem,
tritura os imprestáveis, joga textos
no lixo - os que ferindo já não mordem.
E o que sobra a doer nas mãos vazias?
Escória na bateia, algo de entranha,
a vida em metro avesso a assimetrias
e dicção defasada, a dor que arranha,
dúvida muita, o não de Deus, tão pouca
metáfora - um clarão, e já se apaga,
a fereza do amor gritando rouca
sangra o infinito, mas nenhuma saga,
a amada, bissextias, tempo e sorte
neste livro bissexto, riso e morte.

Caminhante Solitário

Amigos!
Peço mil desculpas pelo abandono repentino do blog, no redemoinho cotidiano somos arrastados...
O tempo escorre por entre os dedos, e de repente a gente percebe que fevereiro passou... E o ano novo vai começar agora em março.
Sinto-me como o romântico Jean-Jacques Rousseau em seu "O Caminhante Solitário", lançando pela estrada divagações sobre o mundo em mutação, transformações que assustam e mesmo assustado corro nessa direção, quero ser arrebatado para esse estranho mundo novo... As contradições se lançam na minha cara, e estou aberto e receptivo ao novo, mesmo assustado vou descobrindo novas emoções e conhecendo pessoas... Gosto muito de novidades, sem perder as referências que me guiam nesse-mundo-de-meu-deus.
Apesar de muito trabalho queremos a felicidade! É isso! Por favor, sejam felizes!!!
Estou com o som ligado, escutando Gal Costa, "... ela é tão bela/que por certo/hão de ressuscitá-la..." poesia de Maiakoviski...

O Amor (Maiakovski)

Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zôo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o Universo;
a mãe,
pelo menos a Terra.

domingo, fevereiro 17, 2008

Restituição do IPVA

O amigo Dirceu Rilke é advogado e solicitou-me que divulgasse a informação abaixo, o pedido do amigo é uma ordem.

"SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA: RESTITUIÇÃO DO IPVA

Quem teve o veículo furtado ou roubado pode solicitar a restituição do IPVA proporcional ao período em que não fez uso do veículo.
É o tipo de informação que ninguém divulga. Por que será?

Veja o Art. 4º da Lei nº 8.115 de 30 de dezembro de1985, no § 6º:
§ 6º. A dispensa do pagamento do imposto, na hipótese dos parágrafos 4º e 5º. (veículo roubado ou furtado), no exercício em que se verificar a ocorrência, desonera o interessado do pagamento do tributo na proporção do número de meses em que o titular do veículo não exerceu direito de propriedade e posse e, os casos de furto ou roubo, enquanto esses direitos não forem restaurados.
§ 7º. Nos casos de veículos furtados ou roubados, sempre que forem restaurados os direitos de propriedade e posse violados, o contribuinte deve comunicar o fato, imediatamente e por escrito, à Fiscalização de Tributos Estaduais (art.12 § 2º).
Se tiver alguém nessa situação, repasse a informação.
É possível amenizar um pouco o prejuízo além de exercer o seu direito. A solicitação de restituição do Imposto deve ser feita na Secretaria da Fazenda, Guichê do IPVA. "

Bebida faz mal pra vista

Se beber não vá para frente do monitor do computador, ok?!

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Novamente a amizade

Kelly deixou comentário no post sobre o "Nilton y David", e resgata um texto que trata da amizade, um fragmento da palestra do psicanalista Jorge Forbes(Sinopse por Andréa Naccache).
Ah, a amizade novamente! O que seria do homem sem a amizade e o amor? Ter amizade pelo o "outro" é amar! E quando o "outro" se internaliza em noss'alma pelo amor, vemos o nosso reflexo nele, e passamos a chamá-lo de AMIGO.
Falando de amizade e amor, as lembranças em borbotões... e lá se vão três lustros... ai meu Deus! como o tempo é implacável...
Voltando, estou em um auditório, sentadinho, na platéia comigo, Wanderlei, Edilson(o juiz Nicholas Marshall) com aquele ridículo "rabinho-de-cavalo" e o Luís Otávio(o capitão caverna), nós estudantes de Direito, e todos com muita vontade de atear fogo nos códigos... Calmamente, aquele senhor, cabelos brancos, com um portunhol de sotaque forte, começava a sua palestra... Luis Alberto Warat vai transgredindo e anunciando os seus "manifestos", silentes ficamos, atentos ao que falava aquele jurista e psicanalista argentino. Revelava aos estudantes de Direito, que existiam muitas vidas e desejos... vidas e desejos por novas possibilidades no campo jurídico, e a necessidade de rompermos a condição de meros reprodutores das "verdades" jurídicas postas, carcomidas pela poeira do tempo, mas, ainda assim repetidas pelas bocas dos doutos professores das faculdades de Direito... Inesquecível quando se reporta ao amor, o silêncio era perturbador na platéia, os revolucionários não entendiam nada, amor? no Direito? que porra é essa? Não entendíamos porque éramos imaturos... Queríamos a verve contundente de Edmundo Arruda e Amilton Bueno, e não debater o amor no Direito... Passados os anos, agora compreendo a complexidade da qual falava Warat, era estranho conjugar amor e Direito, e a platéia naquele momento demonstrava a dissintonia com o tema, e com o olhar fixo na platéia Warat encerra a palestra dizendo: - Lamento por ser um escritor de uma grande ausência!
A grande ausência... o amor. Basta ler algumas poucas páginas dos seus livros e encontraremos o amor abraçado com o Direito, leiam:"A Ciência jurídica e seus dois maridos"; "Manifestos do surrealismo jurídico"; "O amor tomado pelo amor"; "Manifestos para uma ecologia do desejo".
Depois me deparei com os escritos de outro psicanalista, Roberto Freire(não é o político, hein!) - "Sem Tesão Não há Solução", suspeito que "Tesão" seria a expressão de um sentimento que enlaça a beleza e a alegria em cada coisa ou situação vivenciada, talvez, "Tesão" fosse a melhor tradução do "amor" para aqueles jovens que queriam atear fogo nos códigos...
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Abaixo parte da sinopse sobre a palestra de Jorge Forbes(imagem abaixo), enviada pela jornalista e mestranda Kelly Kalynka:

A AMIZADE SOLIDÁRIA

Talvez possamos pensar em três tipos de amizade, diz Jorge Forbes. Do amigo com quem dividimos um prazer, do amigo com quem dividimos uma vantagem ou um trabalho (a mais desacreditada das amizades) e, enfim, a do amigo íntimo que nós não sabemos porque está conosco, não sabemos porque faz parte da nossa casa. O amigo solidário.
Essa é uma amizade marcada pelo “estranho” de que falou Freud (na tradução castelhana, “sinistro”), Das Unheimliche (escrito em 1919) – o íntimo que surpreende. Assim é esse amigo que ao mesmo tempo fascina e aterroriza. Alguém que nos faz lidar conosco mesmos, uma pessoa que a razão não é suficiente para explicar a preferência.
Esse amigo é, em certo sentido, para nós, nós mesmos. Ela nos confronta com nosso Dasein – termo da filosofia alemã usado para falar do “ser no mundo”, do ser em relação com as coisas, que Lacan aplicou ao dizer que, na psicanálise, uma pessoa “come o seu Dasein”. Esse é o amigo na solidão da incompreensão até de si mesmo.
Qualquer uma das outras formas de amizade recupera, inevitavelmente, o dualismo entre o bem e o mal, porque tenta atribuir às coisas os valores que existem na linguagem.
Só a amizade solidária deixa o objeto estar além do entendimento e da linguagem, no “mais que tu” dito por Lacan, como um “estranho” freudiano, sustentando a arbitrariedade do signo lingüístico.
Nos anos 50 e 60, Lacan comentava os trabalhos do lingüista Ferdinand de Saussure especialmente por essa sua proposição da “arbitrariedade do signo lingüístico”. Ela quer dizer que não existe linguagem natural - se existisse, não haveria diferentes termos, em diferentes idiomas, para denominar uma mesma coisa.
A arbitrariedade do signo lingüístico nos leva a viver no mal-entendido, disse Lacan. Mas, ao contrário do que se pode imaginar – Jorge Forbes enfatiza – o mal-entendido é criativo, porque ele nos envolve todo o tempo na inesgotável tentativa do bom entendimento.
(Sinopse por Andréa Naccache)

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Playboy em braille?

O Bruno me enviou a charge abaixo, falando em inclusão digital... e finaliza dizendo - só não ver, quem não quer! A charge acima reproduz o que vai no imaginário popular machista, será que os caras nunca conseguem ler aquelas reportagens maravilhosas que são publicadas na Playboy? Sério! existem reportagens interessantes... mas, os incautos ficam amassando as folhas da revista com lascívia impudorada, deixando marcadas as páginas com os dedos suados e trêmulos de tanto manusear freneticamente... a revista. O Nilton Atayde sempre comprava a PlayBoy, porque ela trazia excelentes receitas de culinária, inclusive, ele aprendeu a fazer um estrogonofe maravilhoso, creme de leite, cubos de filé, cogumelos e um cálice de vinho "periquita", uma delícia! Playboy é cultura!

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Ajudam-me ao eterno: Nilton y David.

Já fui acusado, por uma amiga virtual, de ter uma alma andrógina, pra ficar bem entendido a colocação acima, realmente gosto de acolher os amigos com muita ternura, vejo a amizade como Epicuro (um filósofo da antigüidade grega). Este identifica a possibilidade do prazer e felicidade, sempre que os amigos se reunem no "Jardim"(imaginariamente um espaço privado onde os amigos podem ter prazer, que seria a ausência da dor e da perturbação). Para Epicuro os deuses não interferem na vida humana: "O homem é livre para buscar a felicidade".
Um preâmbulo era necessário...
Dois amigos partiram para terras distantes, e com certeza a ausência será sentida e aguardaremos o dia do reencontro, eles viajaram em busca da felicidade...
Nilton Atayde foi para Buenos Aires - Argentina, iniciar o seu doutorado em Direito em terra dos Hermanos, sei que não irá demorar, fez um bota-fora etílico com os parceiros Locobueres e Xico Rocha, não pude me fazer presente, mas fica aqui o registro: - Amigo Nilton, estaremos caminhando contigo em cada calle da capital portenha...
David Carneiro, o "Carlos Chacal" foi para Londres - Inglaterra, aprimorar o idioma inglês e aprender o mundo, a partir de uma metrópole multicultural... É um aprendizado para toda vida.
Sexta-feira passada, antecedendo o carnaval, conseguimos, apesar de toda correria para a viagem, sentar e compartilhar algumas impressões sobre esse aprendizado que se apresenta para o nosso amigo.
O nosso amigo já deve ter chegado a Londres e tomara que não resolva voltar antes do tempo planejado, só porque não tem "açaí com jabá" por lá, né?
O papo foi muito legal e dei o meu CD "Orfeu da Conceição" de Vinicius de Moraes, relançado em 2006 para comemorar os 50 anos da peça escrita e dirigida pelo poetinha... Foi entregue ao amigo com a promessa feita por ele, de que iria escutá-lo e pediria perdão a todas mulheres que ele amou(poucas ainda), são apenas 19 anos de vida, o David é um neófito nas coisas do coração, mas o cara é um poeta e expressa suas emoções facilmente...
Fica a homenagem aos dois amigos a poesia de Appleyard:
O tempo meus amigos (Jose Luis Appleyard)
Saber que os amigos não necessitam de tempo,
saber que são os mesmos
e todavia distantes
a aqueles que o foram
quando os anos nossos
nos brindaram sua essência
do "companheiro eterno".
Porém voltam, persistem
e são tempo e castigo:
a idade não diferencia
a visão do amigo.
Minha idade, tua idade, a sua
não são marcas brutais
que separam os meus
O tempo
-novamente me enfrento com o tempo-
é uma forma doce
da constante lembrança.
Saber que os amigos
são de minha voz o tempo.
Saber que eles comigo
Ajudam-me ao eterno.
E então, cada dia
se volta ao princípio
de saber que um amigo
é uma voz sem tempo.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Os verdadeiros heróis. "Big Brother Brasil" e o mais importante...

Não sou contra quem gosta do "Big Brother Brasil", um reality show tupiniquim que causa nosencefalia aguda, cuidado!!! Mas, não é privilégio brasileiro, existem outros programas pustulentos como o "BBB" espalhados por todo o mundo, a imbecilidade foi globalizada, ahahaha... Por isso é bom ficarmos atentos para não esquecermos o que é mais importante, né?!
Vai abaixo o e-mail que recebi, compartilho com todos, e peço que reflitam sobre cada linha rabiscada...
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“E agora vamos falar com os nossos heróis...”
Saudação (infeliz) usada pelo jornalista Pedro Bial ao se dirigir aos participantes do programa Big Brother Brasil: Se alguém se encontrar com ele, pergunte-lhe, por favor, qual a definição de “herói” no dicionário dele...
No nosso, Herói é uma coisa muito diferente...
Herói é a Dra. Vanessa Remy-Piccolo, jovem pediatra francesa de 28 anos de idade. Ela que abriu mão do seu conforto para servir na África, como voluntária do programa Médicos sem Fronteiras.
Ela relata que cansou de atender crianças que com um ano de idade pesavam em torno de 3,6 kg, que corresponde ao peso de um recém-nascido.
Heroína que relata que muitas mães chegam até ela dizendo que levaram os alimentos doados para casa, mas que seus filhos parecem que desaprenderam a se alimentar e se recusam a abrir a boca.


Herói é Martial Ledecq, cirurgião voluntário do Médicos sem Fronteiras, que, arriscando a própria vida, atende, em meio a bombardeios, os civis feridos num Hospital de Tebnine, sul do Líbano, vítimas de uma recente guerra que de tão nefasta não poupou nem os observadores da ONU, e nem mesmo as equipes de ajuda humanitária internacional. Herói, caro Pedro Bial, é quem, nestes dias desleais em que vivemos, enxerga o sofrimento alheio, e se prontifica a amenizá-lo no que estiver ao seu alcance.
Herói são aqueles que abrem mão dos confortos pessoais em prol do coletivo, aqueles plenos de uma vida na qual a paixão sobrepuja a omissão...
Herói é aquele que é solidário, que partilha dons e bens...
Mas há também muitos heróis que falam a nossa língua... E não são as “celebridades” instantâneas
do BBB. Embora estejam pertinho da “casa mais vigiada do Brasil”. Heróis como Jacinta, enfermeira do projeto Meio-fio, promovido pelo Médicos sem Fronteiras no Rio de Janeiro, que examina mãe e filho, moradores de rua. Heróis como a médica Renata, que visita aqueles que nem aos precários serviços de saúde pública têm acesso, como este morador de rua, no Largo da Carioca, centro do Rio de Janeiro. Heróis como o educador Altayr, que partilha seus conhecimentos com uma moradora de rua no centro do Rio de Janeiro. Heróis como a psicóloga Andréa, que, a exemplo da pediatra francesa, semeia saúde e esperança, por onde passa.
Heróis como a enfermeira Eriedna, que aqui atende o Sr. Nilton no núcleo de atendimento do Médicos sem Fronteiras. Heróis como Sr. Nilton, que com o apoio recebido conseguiu encontrar um trabalho, e hoje não mais mora nas ruas.Heróis como Sr. João, um dos moradores de rua atendidos pelo projeto Meio-fio, que relata:
"De manhã eu começo a circular igual a um peru doido. Eu só paro na hora do almoço e depois, à noite, pra dormir. Mas catar latinha não é fácil não. Hoje em dia tem uma concorrência muito grande pelas ruas".
Será que o Sr. João resistiria à tentação de catar as latinhas e garrafas de bebida vazias, com as quais a produção do BBB tenta a todo custo embriagar os participantes do programa nas festas que promove?
Sr. João provavelmente juntaria as latas sim, escondidas num canto da casa, para quando a fama instantânea passar...
Quando o cara que já foi um dos mais brilhantes repórteres do país, vibra e discute os namoricos, as intrigas e as futilidades do programa BBB como se fossem o assunto mais importante da atualidade, é sinal de que algo está lamentavelmente errado... É preciso acreditar que um outro mundo é possível. E pequenos gestos poderão produzir mudanças significativas.
Um ato simples, que certamente poderá resultar em benefícios concretos, será o de iniciar uma campanha de conscientização para que ninguém mais atenda aos apelos melodramáticos de Pedro Bial, e que, ao invés de efetuar ligações para o programa Big Brother, contribua para entidades que atuam em prol de causas sociais.A cada paredão, com milhões de ligações para o programa, os centavos e centavos pagos formam rios de dinheiro, e engordam ainda mais as já milionárias fortunas dos donos, diretores e apresentadores televisivos...
Se você tem algum amigo, familiar ou conhecido que liga para o programa, aconselhe-o, ao invés, a doar a quantia para algum programa humanitário.
Ao invés de ligar para o Big Brother Brasil, contribua com alguma instituição que realmente precisa de ajuda.
E não faltam entidades sérias que contam com o nosso apoio para prosseguir com suas nobres atividades.
Listagem de algumas outras entidades e projetos:
www.unicef.org/brazil/lista_projetos06.htm
Certamente existe alguma instituição de amparo aos necessitados atuando na tua cidade.
Os recursos destas instituições provém, na sua maior parte, do apoio voluntário, - material e humano -, necessitando, portanto, de nosso auxílio e colaboração para que possam fazer diferença e recuperar o valor da vida dos tantos destituídos, excluídos da sociedade.
Quem são os teus heróis?
Quem são as tuas heroínas?
Divulgue esta idéia por e-mail ou blog.
Vamos deixar a cargo dos familiares dos participantes, que têm interesse particular no assunto, decidir se fulaninho ou fulaninha deve ou não sair do programa.
Colabore com quem realmente precisa de você.

domingo, fevereiro 03, 2008

Refletir no carnaval com os Malvados

As tirinhas de André Dahmer para aproveitar o carnaval, ahahahaha... É impressionante como "Os Malvados" com sutileza, tocam nas feridas da alma, e vão mexendo, mexendo...





Retiro para pensar e laborar a vida

Estou em retiro em um mosteiro, olha o meu quarto é igualzinho com a imagem acima, bem simples, o ventilador é o suficiente... sou hóspede. Consegui escapar e conectar-me para dizer que estou em profunda reflexão, orando e laborando bastante, e peço perdão aos meus amigos pagãos que se lançam de forma intrépida aos festejos de momo, da carne e se submetem aos acalantos do deus Dionísio... Estou aqui pensando e rezando por todos, que as estrepulias não acarretem malogros na quarta-feira de cinzas, divirtam-se que eu estou na retaguarda segurando a barra de cada um.
É possível encontrar algumas mulheres metidas nesses roupões, olham para o chão e impera o silêncio, quando não estamos orando ou cantando...
Visitar os monges não é algo do outro mundo, até o arquiteto Corbusier já esteve em companhia de monges beneditinos, na ocasião do projeto para La Tourette na década de 50, olha a fotografia abaixo.

Lá vou eu no final da tarde, com ou sem chuva, meditar sobre as vicissitudes da vida, profundas reflexões...
Não tenho permissão para revelar o meu paradeiro, mas estou bem, estou com Deus no coração e muitos mistérios na cabeça... Será que conseguirei sair daqui?!


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Deixei algumas postagens prontas e um amigo irá publicá-las aqui mesmo, é claro!
Adios hermanos!!!

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Para que serve um Tribunal? por Jean Carlos Dias


Postei sobre o Paulo Klautau Filho, agora devo postar sobre um jovem advogado brilhante, trata-se de Jean Carlos Dias, uma pessoa querida, não esqueço... iiihhh esqueci! quantos anos já se vão? Poucos com certeza, o Jean é bem jovem também, promovi juntamente com alguns alunos na UFPA uma semana de Sociologia Jurídica e dentre vários juristas convidados, lá estava o Jean, ombreando-se ao futuro Ministro de Justiça do governo FHC - o nosso querido professor Paulo de Tarso Ribeiro, pois bem, o Jean foi um palestrante que empolgou a juventude reunida naquele auditório.
Fomos contemporâneos na faculdade de direito da UFPA, depois de formado, o Jean em 1993 fundou um escritório de advocacia na área do Direito Empresarial no qual atua até hoje.
Com intensa atuação na Justiça Comum e Federal, é também Advogado no Banco do Estado do Pará S/A.
Graduou-se em bacharel em Direito em 1993 - UFPA.
Concluiu o mestrado em Direito em 2002 na UFPA.
Tornou-se Doutor em Direito em 2007 na UFPA.
Publicou os seguintes livros:
- “ O Direito Contratual no Ambiente Virtual”. Editora Juruá em 2001, já na segunda edição. Foi o primeiro livro a tratar do tema e considerado um êxito editorial.
- “A gestão das sociedades anônimas” publicado pela mesma editora em 2001, com a segunda edição prevista para fevereiro de 2008.
- “ Tutelas de Urgência” lançado pela Editora Juruá em 2003.
- “Curso Crítico do Processo de Conhecimento” lançado em 2005 pela Ed. juruá, esgotado rapidamente, em 2007 foi publicada a segunda edição.
- “ O Controle Judicial de Políticas Públicas” foi lançado em 2007 pela Editora Método na prestigiada Coleção Gilmar Mendes.
Atualmente é professor do Centro Universitário do Pará - CESUPA.
Publicou mais de quarenta artigos nas principais revistas e informativos jurídicos brasileiros.
É Diretor-Geral da Escola Superior da Advocacia do Estado do Pará tendo organizado vários cursos de atualização, pós-graduação e de conhecimentos conexos, tanto na capital como no interior do Estado.
O Jean é também candidato ao Desembargo pelo quinto constitucional. E se apresenta como um profissional ético e comprometido em construir a cidadania que queremos, o Desembargo se enriquece com a participação desse jovem advogado à disputa da vaga de desembargador. Amigo Jean conte com o nosso apoio, vai abaixo um artigo do Jean sobre o tribunal, psiu! Vamos escutar o nosso amigo, ok?

Para que serve um Tribunal?(Jean Carlos Dias)

Um importante pensador americano, Richard Posner, diz que a razão de ser de um Tribunal é garantir o pluralismo, isto é, permitir que um conjunto amplo de visões jurídicas, filosóficas, morais, econômicas, entre outras, concorram entre si em um ambiente orientado para a produção de decisões.
A diversidade na composição de um Tribunal é uma garantia de que as decisões levarão em consideração, o mais amplamente possível, todas as possíveis vertentes para a solução de uma demanda jurídica.
No Brasil os Tribunais garantem a pluralidade por vários mecanismos, talvez o mais importante o acesso pelos quintos constitucionais. Suponho, porém que isso não responda a pergunta que intitula este ensaio. Ao lado desta percepção, penso que tão importante quanto a eficiente produção de decisões é o papel que os Tribunais devem assumir como depositários dos mais importantes e basilares valores fundamentais.
Muitas vezes analisei decisões em que o pano de fundo era uma percepção redutora da função que os juízes devem exercer. Ao invés de atores sociais relevantes, muitas vezes os membros do Judiciário se vêem como espectadores da última fila do espetáculo sem fim que é a evolução de uma sociedade e revelam isso em suas decisões.
Já tive oportunidade, na minha tese de Doutorado, de demonstrar que essa percepção não está apoiada em nenhum fundamento realmente relevante a não ser uma visão arcaica de democracia.
Os valores fundamentais, qualquer que seja sua formatação teórica, dependem muito da imagem que o Poder Judiciário faz de si mesmo.
Por incrível que pareça, algumas das críticas que recebi foram direcionadas à minha fé nos juízes. Forma de provimento, ausência de atualização técnica, ineficiência, insensibilidade, foram algumas expressões com as quais meus críticos esperavam abalar minhas convicções a respeito.
Reconheço que algumas vezes essas expressões se aplicam ao cotidiano dos Tribunais, mas ao lado delas, algumas outras se mantém firmes e vistosas: honestidade, compromisso, independência, coragem, dedicação, esperança e muitas outras que muitos juízes me revelaram na sua atividade.
A relevância do Judiciário, a meu ver, está intimamente ligada ao que pensam de si os próprios juízes. Ao contrário dos que alguns pensam, eles têm motivos suficientes para ter alta estima, ajudaram a consolidar a democracia brasileira, estão se tornando cada vez mais respeitados institucionalmente, revelam um forte compromisso com os valores básicos, enfim, têm demonstrado possuir as capacidades necessárias para se portarem com interlocutores de importância nas interações sociais.
Há problemas? Sem dúvida, mas isso não deve ser introjetado para assumir um niilismo patológico ou leniência, pelo contrário, é tempo de ter esperança e buscar a superação.
Os Tribunais servem para decidir mas também para inspirar, para ordenar mas também para sugerir, para orientar e também dar o exemplo. Em síntese, para serem os guardiões da promessa de um futuro melhor.