quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Novamente a amizade

Kelly deixou comentário no post sobre o "Nilton y David", e resgata um texto que trata da amizade, um fragmento da palestra do psicanalista Jorge Forbes(Sinopse por Andréa Naccache).
Ah, a amizade novamente! O que seria do homem sem a amizade e o amor? Ter amizade pelo o "outro" é amar! E quando o "outro" se internaliza em noss'alma pelo amor, vemos o nosso reflexo nele, e passamos a chamá-lo de AMIGO.
Falando de amizade e amor, as lembranças em borbotões... e lá se vão três lustros... ai meu Deus! como o tempo é implacável...
Voltando, estou em um auditório, sentadinho, na platéia comigo, Wanderlei, Edilson(o juiz Nicholas Marshall) com aquele ridículo "rabinho-de-cavalo" e o Luís Otávio(o capitão caverna), nós estudantes de Direito, e todos com muita vontade de atear fogo nos códigos... Calmamente, aquele senhor, cabelos brancos, com um portunhol de sotaque forte, começava a sua palestra... Luis Alberto Warat vai transgredindo e anunciando os seus "manifestos", silentes ficamos, atentos ao que falava aquele jurista e psicanalista argentino. Revelava aos estudantes de Direito, que existiam muitas vidas e desejos... vidas e desejos por novas possibilidades no campo jurídico, e a necessidade de rompermos a condição de meros reprodutores das "verdades" jurídicas postas, carcomidas pela poeira do tempo, mas, ainda assim repetidas pelas bocas dos doutos professores das faculdades de Direito... Inesquecível quando se reporta ao amor, o silêncio era perturbador na platéia, os revolucionários não entendiam nada, amor? no Direito? que porra é essa? Não entendíamos porque éramos imaturos... Queríamos a verve contundente de Edmundo Arruda e Amilton Bueno, e não debater o amor no Direito... Passados os anos, agora compreendo a complexidade da qual falava Warat, era estranho conjugar amor e Direito, e a platéia naquele momento demonstrava a dissintonia com o tema, e com o olhar fixo na platéia Warat encerra a palestra dizendo: - Lamento por ser um escritor de uma grande ausência!
A grande ausência... o amor. Basta ler algumas poucas páginas dos seus livros e encontraremos o amor abraçado com o Direito, leiam:"A Ciência jurídica e seus dois maridos"; "Manifestos do surrealismo jurídico"; "O amor tomado pelo amor"; "Manifestos para uma ecologia do desejo".
Depois me deparei com os escritos de outro psicanalista, Roberto Freire(não é o político, hein!) - "Sem Tesão Não há Solução", suspeito que "Tesão" seria a expressão de um sentimento que enlaça a beleza e a alegria em cada coisa ou situação vivenciada, talvez, "Tesão" fosse a melhor tradução do "amor" para aqueles jovens que queriam atear fogo nos códigos...
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Abaixo parte da sinopse sobre a palestra de Jorge Forbes(imagem abaixo), enviada pela jornalista e mestranda Kelly Kalynka:

A AMIZADE SOLIDÁRIA

Talvez possamos pensar em três tipos de amizade, diz Jorge Forbes. Do amigo com quem dividimos um prazer, do amigo com quem dividimos uma vantagem ou um trabalho (a mais desacreditada das amizades) e, enfim, a do amigo íntimo que nós não sabemos porque está conosco, não sabemos porque faz parte da nossa casa. O amigo solidário.
Essa é uma amizade marcada pelo “estranho” de que falou Freud (na tradução castelhana, “sinistro”), Das Unheimliche (escrito em 1919) – o íntimo que surpreende. Assim é esse amigo que ao mesmo tempo fascina e aterroriza. Alguém que nos faz lidar conosco mesmos, uma pessoa que a razão não é suficiente para explicar a preferência.
Esse amigo é, em certo sentido, para nós, nós mesmos. Ela nos confronta com nosso Dasein – termo da filosofia alemã usado para falar do “ser no mundo”, do ser em relação com as coisas, que Lacan aplicou ao dizer que, na psicanálise, uma pessoa “come o seu Dasein”. Esse é o amigo na solidão da incompreensão até de si mesmo.
Qualquer uma das outras formas de amizade recupera, inevitavelmente, o dualismo entre o bem e o mal, porque tenta atribuir às coisas os valores que existem na linguagem.
Só a amizade solidária deixa o objeto estar além do entendimento e da linguagem, no “mais que tu” dito por Lacan, como um “estranho” freudiano, sustentando a arbitrariedade do signo lingüístico.
Nos anos 50 e 60, Lacan comentava os trabalhos do lingüista Ferdinand de Saussure especialmente por essa sua proposição da “arbitrariedade do signo lingüístico”. Ela quer dizer que não existe linguagem natural - se existisse, não haveria diferentes termos, em diferentes idiomas, para denominar uma mesma coisa.
A arbitrariedade do signo lingüístico nos leva a viver no mal-entendido, disse Lacan. Mas, ao contrário do que se pode imaginar – Jorge Forbes enfatiza – o mal-entendido é criativo, porque ele nos envolve todo o tempo na inesgotável tentativa do bom entendimento.
(Sinopse por Andréa Naccache)

6 comentários:

Mami disse...

Pedro

O amor ao amigo é algo tão maravilhoso que quase indescritivel. Ter alguém com quem compartilhar as verdades e até as mentiras, sá com muito amor e cumplicidade, e além de rudo "xingá-lo" e respeitá-lo, e por aí vão os contrapontos, que reunindo alguns pontos, somam AMIZADE. Parabéns para você e seus visitantes que exaltam os amores aos amigos. Abração

elvira carvalho disse...

Um amigo, verdadeiro, leal, capaz de nos apoiar, ou nos travar se fôr o caso, que nos elogie e nos repreenda, que seja para o bem e para o mal é uma benção dos seus.
Um abraço

citadinokane disse...

Oi Mami!
São demais os perigos dessa vida... Para enfrentá-los, inventaram os amigos.
Abs,
Pedro

citadinokane disse...

Elvira,
Deus abençoa o homem com o amor dos amigos.
bjs,
Pedro

Um Momento disse...

Como é bom ter um amigo para partilhar todos os nossos bons e maus momentos...

Deixo um beijo amigo

(*)

citadinokane disse...

Um Momento,
Amigos para sempre!
bjs,
Pedro