domingo, abril 27, 2008

Adeus Zezeu!

Não. Eu não deveria ter recebido essa notícia...
Bruno me telefona e diz secamente, ainda que mergulhado numa intensa tristeza, "Zezeu morreu!"
Bruno passou em casa e fomos, rapidamente, cumprir um compromisso que havíamos assumido, neste domingo, com outras pessoas e depois nos dirigimos para o velório... Lá, tristeza, tristeza...
Havia muito tempo que não encontrava a querida Ângela, irmã do Zezeu, e finalmente voltamos a nos encontrar, nos abraçamos, e eu tinha somente a oferecer os dois braços e todo sentimento do mundo... Os amigos presentes, comoção, o corpo no caixão, a fotografia dele ali, o corpo inerte... as lágrimas... e o sorriso perdido em sua face, pálida... Tudo muito rápido, o tumor maligno... e a vida esvaindo-se...
Já disse, alhures, não sou poeta. Recorro aos poetas para expressar o sentimento que me vai. Tomo como recurso para expressar-me, alguns excertos dos poetas Cassiano Ricardo e Carlos Drummond de Andrade:

Para o Elizeu

"Poema do amigo morto (Cassiano Ricardo)
Quem morreu, não foi ele.
Foram as coisas, que deixaram
de ser vistas pelos seus olhos.
Quem morreu, não foi ele.
Foram os objetos que a sua
mão deixou de tocar...
(...)
Não foi o sangue que lhe parou
de fluir, nas veias:
foi, antes, o vinho que ficou imóvel,
na garrrafa.
Não é ele o defunto, é o mundo
que morreu nos seus cinco sentidos.
É o sol,
o grande sol pendido
que ainda lhe ilumina o rosto.
É a rosa,
a rosa quente que já esfria,
no corpo onde, a todo momento,
abria e fechava a corola...
--------
Deus triste (Carlos drummond de Andrade)
Deus é triste.
Domingo descobri que Deus é triste
pela semana afora e além do tempo.
A solidão de Deus é incomparável.
Deus não está diante de Deus.
Está sempre em si mesmo e cobre tudo
tristinfinitamente.
A tristeza de Deus é como Deus: eterna.
Deus criou triste.
Outra fonte não tem a tristeza do homem.

Programa de Nivelamento - FCAT


Convidado pelo professor Chedid Abdulmassih, ministrei no sábado pela manhã/tarde na Faculdade de Castanhal - FCAT, palestra sobre: "Globalização e os desafios da Ciência Jurídica". Posso dizer que foi um sábado muito proveitoso, o diálogo/debate com os alunos sempre desperta novas perspectivas em torno do Direito.
O almoço tive a satisfação de compartilhá-lo com o Diretor Geral da FCAT - professor Mário Neto, um verdadeiro gentleman, e o professor Chedid, que dispensa comentários, este sempre muito dinâmico na coordenação do curso de Direito da FCAT, implementando juntamente com a direção da faculdade um programa muito interessante, denominado - "Programa de Nivelamento", com vários palestrantes e temas bem atuais, sendo ministrado aos sábados...
Gosto do tema "Globalização" e quero participar novamente dessa experiência.


terça-feira, abril 22, 2008

Pessoa!


"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)

sexta-feira, abril 18, 2008

Pai tô com fome...

Amigos! O Alex Alan pediu que fosse divulgado, ele acredita, independente de ser verdadeira, histórias de solidariedade podem amolecer corações endurecidos pelo estresse cotidiano, o que eu acho?! Concordo com o Alan, eu li e fiquei com os olhos marejados, pô! já disse que corre em minhas veias suco lusitano, então pronto! Formação humanista faz a gente ficar preocupado com o outro... Lição para pensarmos de noite na cama... É a história não autorizada do povo brasileiro.

"Se acharem que vale a pena repassem, pois nunca é tarde para começar e sempre é cedo para parar!!! "

PAI TÔ COM FOME

Ricardinho não agüentou o cheiro bom do pão e falou:
- Pai, tô com fome!!!
O pai, Agenor, sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede mais um pouco de paciência...
- Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome,pai!!! Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria a sua frente...
Ao entrar dirige-se a um homem no balcão:
- Meu senhor, estou com meu filho de apenas 6 anos na porta, com muita fome, não tenho nenhum tostão, pois sai cedo para buscar um emprego e nada encontrei, eu lhe peço que em nome de Jesus me forneça um pão para que eu possa matar a fome desse menino, em troca posso varrer o chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço que o senhor precisar!!!
Amaro, o dono da padaria estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido, pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele chame o filho...
Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que imediatamente pede que os dois sentem-se junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF(Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo...
Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua... Para Agenor , uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa apenas com um punhado de fubá...
Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada...
A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena família em casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de 2 anos de desemprego, humilhações e necessidades...
Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar:
- Ô Maria!!! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até chorando de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?!?!
Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer...
Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em paz e depois conversariam sobre trabalho...
Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já que sua fome já estava nas costas...
Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório...
Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e desde então, sem uma especialidade profissional, sem estudos, ele estava vivendo de pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que há 2 meses não recebia nada...
Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria, e penalizado, faz para o homem uma cesta básica com alimentos para pelo menos 15 dias...
Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem e marca para o dia seguinte seu início no trabalho...
Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso...
Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança de dias melhores...
No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria ansioso para iniciar seu novo trabalho...
Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele sabia porque estava ajudando...
Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro dele chamava-o para ajudar aquela pessoa...
E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o mais dedicado trabalhador daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com seus deveres...
Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que abriu vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar...
Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras letras e a emoção da primeira carta...
Doze anos se passam desde aquele primeiro dia de aula...
Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros , advogado, abrindo seu escritório para seu cliente, e depois outro, e depois mais outro...
Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que fica impressionado em ver o 'antigo funcionário' tão elegante em seu primeiro terno...
Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que mistura os mais necessitados que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida diariamente na hora do almoço...
Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado pelo seu filho , o agora nutricionista Ricardo Baptista...
Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor impressionava a todos que conheciam um pouco da história de cada um...
Contam que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia, quase que a mesma hora, morrendo placidamente com um sorriso de dever cumprido...
Ricardinho, o filho mandou gravar na frente da 'Casa do Caminho', que seu pai fundou com tanto carinho. 'Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço. Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!!!'

Quem sabe um dia?!

Quero agradecer o carinho e as linhas encaminhadas por uma pessoa que conheci recentemente e que empatizamos de "primeira"...
Dirijo-me para o amigo novel - Roberto, pô meu irmão! o teu carinho fraterno deixou-me sensibilizado, como sempre o amigo "Carlão" gosta de lembrar, "os amigos nós reconhecemos..."
Roberto te envolvo num forte abraço fraterno e sigamos juntos!
Abaixo o texto que ele entregou-me...
"Quem sabe um dia
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir. Porque
amigo não se pede, não se compra, nem se vende. Amigo a gente sente!
Eu sempre sonhei em ter uma coluna no jornal. Sim, para escrever as coisas que todo mundo leva entaladas na garganta, e matar os amigos de alegria. Entretanto, as meditações sobre o assunto verteram-se na confecção de uma teoria para a assimilação da arte. Nada metafísico, por favor. Em lugar de definições palavrosas, descobri que existe os sinais(símbolos), como aqueles da alma, que estão no âmago de cada pessoa. É um sinal que se sensibiliza com o som das palavras, com a beleza das imagens e dos gestos. Um tipo de bigorna ou martelo da alma.
Fico às vezes fantasiando sobre as frases mais ressonantes que já li. Essa característica recalcitrante do pensamento pode ter algo a ver com o funcionamento da memória; sobre ela sabemos muito pouco(ou quase nada). Com sorte, descobrimos, já na vida adulta, que o jeito como nosso pai se referia ao filé suculento no churrasco acabou interferindo em nossa experiência de vida.
De alguma forma hoje, a desunião caótica deste mundo tirou algumas frases de mim. Não estou aqui para aborrecer o leitor com minúcias dos meus hábitos, mas aprendi com minha mãe a acreditar no poder da água corrente. Antes de continuar no assunto, outra pérola da educação matriarcal: “seca no vento”. Esta frase tem a substância de dez livros de auto-ajuda. Se soubéssemos secar mais coisas ao vento, como as lágrimas, por exemplo, nossas vidas certamente melhorariam. Troco tudo pela inexatidão dos ensinamentos de mãe.
Caro Professor Pedro, a vida urbana não é feita de grandes emoções. Quando não estamos em nossos compartimentos, corremos sobre trilhos. Que Deus lhe dê sempre saúde para continuar sua jornada de vida porque pessoas assim como o senhor fazem toda diferença. Um dia quem sabe eu não chegue a escrever para um jornal e divulgar meus sinais e pensamentos para podermos aplaudir quem realmente merece...!
Hoje me limito a dizer vale a pena conhecer pessoas com visão e sensibilidade....!!!
Um abraço Fraterno do aluno(amigo)
Roberto Lobo Saleme"

sexta-feira, abril 11, 2008

Pirataria e homens partidos...

Desculpe-me amigo Davis e Dennis, mas a conversa de ontem no "Ventura Bar", me deixou inquieto, um pouco decepcionado... O Dennis sempre muito reticente ao tema debatido, e quando cheguei em casa e liguei a tv, ainda muito pensativo, alguns dados divulgados numa reportagem me deixaram mais irritado, "o crime organizado investindo pesado em pirataria de Cds e DVDs, dominando praticamente 70% do mercado, gerando o fechamento de lojas especializadas, inclusive em magazines"...
Pô Davis! Até tu?!
Não farei "cavalo de batalha", ok?! Mas, por favor! Tema proibido em mesa de restaurante, e mais... vou processar todos vocês, garaio!
O meu soco no estômago desse assunto... A poesia de Drummond!
Abraço-me com a indignação do poeta, besteira né Dennis?! Mas, é o nosso tempo, homens partidos... Ah! se o saveiro estivesse no porto...

Nosso Tempo(Carlos Drummond de Andrade)
"Este é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.
Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimo, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.

(...)

O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme."

terça-feira, abril 08, 2008

Deficiências

Sobre as nossas deficiências, fica a lição do poeta gaúcho Mário Quintana, é preciso aprender com ele, e aprender a superar as nossas limitações... Sem medo de amar!

DEFICIÊNCIAS (Mário Quintana)

"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.

domingo, abril 06, 2008

Smith: mentira, sexo e vídeo-tape...

Sentadinho, quieto, comecei a escutar a história que um amigo havia vivenciado.
Com um ar de seriedade, ele começa dizendo que havia ficado responsável de ciceronear pela nossa Belém, cidade bela e morena, um alemão que veio fazer uma inspeção na empresa que ele trabalha, depois da semana inteira de trabalho pesado, o alemão que falava um portunhol confuso e sempre trocando o artigo dos substantivos, por exemplo: - "A homem..." Esse meu amigo achava muito engraçado, mas evitava expressar para o alemão, ficando sempre muito sério.
Pois bem, ao final de todo trabalho, numa sexta-feira ou seria sábado?! Nem ele lembrava ao certo... mas, retomando o "causo" contado pelo meu amigo, Smith, o alemão, queria conhecer a noite de Belém, ele dizia todo jocoso e libidinoso ao mesmo tempo: - "Smith quer saber agora, onde estão os mulher desse cidade..."
O meu amigo pediu o anonimato, é claro que vou respeitar, senão perco as historinhas românticas para publicar aqui no blog. Voltando, o meu amigo, então pensou: - "Pô! vou levar esse gringo lá no "Locomotiva", e aí eu quero ver ele pegar fogo com as meninas que brincam por lá!"
Ele virou-se para o Smith e disse: - "Smith vais gostar de uns garotas de uma casa de show, onde vou te levar", e ainda acrescentou: - "Nunca mais te esquecerás desse lugar!"
Passou num caixa eletrônico e sacou uma graninha para garantir a alegria do Smith, chegou ao hotel e interfonou para o gringo descer, Smith desceu todo perfumado e muito alegre, finalmente, depois de uma semana de intenso trabalho teria um merecido relax...
Segundo o relato do meu amigo, Smith explodia em libidinagem, só falava: "Cadê os mulher?!" Ele respondia: - "Calma Smith, vais te dar bem pra cacete!"
Depois que chegaram na casa de show, sentaram e pediram uns drinks, o meu amigo percebeu que tinha 1 mulher para 20 homens... Ele desesperado, chamou o garçom e disse: - "Que garaio é isso?! Só tem macho nessa pôrra!", o garçom com um sorriso amarelo, retrucou: - "Estão realizando um congresso de médicos na cidade e chegou um ônibus cheio de turistas, e as meninas sairam com esses caras..."
Smith sem muito entender e decepcionado, resmungou para o meu amigo depois de uma garrafa de uísque: - "Paraense sacaneia com Smith, trouxe Smith aqui pra empalação... só têm as homens, isso não se faz, não me esquecerei desse dia..."
Lá pelas 3h da madrugada, Smith estava de pileque e começou a dormir na mesa, o meu amigo colocou Smith no carro, voltou até o salão da boate e pegou um lenço de papel, em seguida pediu para uma moça deixar a marca de batom no lenço de papel, ela nem se incomodou e atendeu o pedido.
Chegando ao hotel, meu amigo se dirigiu à gerência e pediu ajuda para colocar Smith no quarto, antes já havia passado na sua casa e pedido para a esposa uma calcinha... Deitou Smith na cama, tirou a roupa dele, deixou Smith nuzinho, como veio ao mundo... arrumou uma garrafa de uísque pela metade, deixou virada ao lado da cama, a calcinha toda rasgada, despedaçada ao lado da garrafa e o bilhete(aquele lenço de papel, lembra?): -"Amor, você foi voraz, selvagem, rasgou a minha calcinha sem que eu terminasse de dizer o seu nome, foi maravilhoso, não te esquecerei, jamais! Beijos da sua amada Gio", e fechando o bilhete um beijo no papel a marca de batom indelével.
À noite, ele foi buscar Smith para levá-lo ao Aeroporto, já que o gringo iria para São Paulo, ficou esperando Smith, um pouquinho preocupado, mas, quando Smith apareceu todo contente e deu um abraço efusivo, incomum entre os germânicos, meu amigo entendeu que Smith estava feliz... No caminho para o Aeroporto, Smith disse: - "Ontem tive um dia de atleta sexual, fiz um mulher muito feliz, só que o uísque fez Smith perder um pouquinho a memória, não lembro muito bem do mulher que devorei na cama, mas ela deixou um bilhete que levarei comigo para sempre!"
Meu amigo, asseverou: - "Não te esquecerás nunca mais daquele lugar, não?!" O alemão com um sorriso nos lábios e um ar de quem-sabe-o-que-quer, apenas, assentiu balançando a cabeça com um suspiro de satisfação...

sexta-feira, abril 04, 2008

Aberta a porteira...


"Na fumaça negra vinda na brisa da manhã
Ah, como é difícil tornar-se herói
Só quem tentou sabe como dói
Vencer satã só com orações"
(Agnus Dei by Aldir Blanc e João Bosco)
Não é meu propósito nesse diário de bordo fazer charminho (a Mari é implacável!), e também não sou Sílvio Caldas (um cantor com vozeirão da velha guarda, que todo ano se despedia do palco, e quando a grana rareava, lá ele voltava... ahahaha...), não sei cantar e pronto. Mas, voltando ao início, ou melhor, ao post anterior, não é possível "vencer satã só com orações", já dizia o poeta maior da MPB, vivo - o médico Aldir Blanc, em "Agnus Dei", letra de Aldir e música de João Bosco, com interpretação única, impecável de João Bosco, ninguém consegue trinar os falsetes de voz que João produz, agudos melodiosos... é bão ouvir João Bosco! Sempre voltando, utilizei o trecho de Agnus Dei para dizer que o "meu amor profano estava e continua entre a cruz e a espada", e vou dizer algo mais, diante da experiência da blogosfera, sinto-me como o visionário Jean-Jacques Rousseau em seu romance "A Nova Heloísa", ele é pura ansiedade, seus personagens expressam isso, diante do mundo novo que se abria, a velha modernidade... Rousseau falava pela boca de Saint-Preux, este escreve para Julie, a amada que ficou no campo, sobre suas impressões da cidade: "Todos se colocam freqüentemente em contradição consigo mesmos" e continua "Começo a sentir a embriaguez a que essa vida agitada e tumultuosa me condena. Com tal quantidade de objetos desfilando diante de meus olhos, eu vou ficando aturdido. De todas as coisas que me atraem, nenhuma toca o meu coração, embora todas juntas perturbem meus sentimentos, de modo a fazer que eu esqueça o que sou e qual meu lugar", para finalizar ele arremata "Eu não sei, a cada dia, o que vou amar no dia seguinte... eu vejo apenas fantasmas que rondam meus olhos e desaparecem assim que os tento agarrar..."
Por incrível que pareça para muitos, a blogosfera para mim é tudo isso que foi descrito acima por Rousseau... Ainda fico assustado, é humano, profundamente humano o meu sentimento, mas sinto uma atração indefectível por esse lugar, tento me afastar para cuidar da vida real e não consigo, o carinho de pessoas distantes e tão próximas, é contradição constante...
Beija-flor, Mami, Mari, Rogério, Tozé, Carlos Ponte, Dirceu, Hellen, Lilian, Cris, Ivan, Lia, Elvira, "Carlão", Rafaela, Amanda, Luciane, Lívia, Tânia, Kiara, Jussara e muitos outros amigos, vocês venceram... Uma vez por semana postarei, porque eu gosto também.
Beijos,
Pedro
P.S.: O cadeado foi aberto, onde passa boi, passa boiada... ahahaha...