sexta-feira, abril 18, 2008

Pai tô com fome...

Amigos! O Alex Alan pediu que fosse divulgado, ele acredita, independente de ser verdadeira, histórias de solidariedade podem amolecer corações endurecidos pelo estresse cotidiano, o que eu acho?! Concordo com o Alan, eu li e fiquei com os olhos marejados, pô! já disse que corre em minhas veias suco lusitano, então pronto! Formação humanista faz a gente ficar preocupado com o outro... Lição para pensarmos de noite na cama... É a história não autorizada do povo brasileiro.

"Se acharem que vale a pena repassem, pois nunca é tarde para começar e sempre é cedo para parar!!! "

PAI TÔ COM FOME

Ricardinho não agüentou o cheiro bom do pão e falou:
- Pai, tô com fome!!!
O pai, Agenor, sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede mais um pouco de paciência...
- Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome,pai!!! Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria a sua frente...
Ao entrar dirige-se a um homem no balcão:
- Meu senhor, estou com meu filho de apenas 6 anos na porta, com muita fome, não tenho nenhum tostão, pois sai cedo para buscar um emprego e nada encontrei, eu lhe peço que em nome de Jesus me forneça um pão para que eu possa matar a fome desse menino, em troca posso varrer o chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço que o senhor precisar!!!
Amaro, o dono da padaria estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido, pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele chame o filho...
Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que imediatamente pede que os dois sentem-se junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF(Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo...
Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua... Para Agenor , uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa apenas com um punhado de fubá...
Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada...
A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena família em casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de 2 anos de desemprego, humilhações e necessidades...
Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar:
- Ô Maria!!! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até chorando de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?!?!
Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer...
Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em paz e depois conversariam sobre trabalho...
Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já que sua fome já estava nas costas...
Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório...
Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e desde então, sem uma especialidade profissional, sem estudos, ele estava vivendo de pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que há 2 meses não recebia nada...
Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria, e penalizado, faz para o homem uma cesta básica com alimentos para pelo menos 15 dias...
Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem e marca para o dia seguinte seu início no trabalho...
Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso...
Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança de dias melhores...
No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria ansioso para iniciar seu novo trabalho...
Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele sabia porque estava ajudando...
Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro dele chamava-o para ajudar aquela pessoa...
E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o mais dedicado trabalhador daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com seus deveres...
Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que abriu vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar...
Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras letras e a emoção da primeira carta...
Doze anos se passam desde aquele primeiro dia de aula...
Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros , advogado, abrindo seu escritório para seu cliente, e depois outro, e depois mais outro...
Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que fica impressionado em ver o 'antigo funcionário' tão elegante em seu primeiro terno...
Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que mistura os mais necessitados que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida diariamente na hora do almoço...
Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado pelo seu filho , o agora nutricionista Ricardo Baptista...
Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor impressionava a todos que conheciam um pouco da história de cada um...
Contam que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia, quase que a mesma hora, morrendo placidamente com um sorriso de dever cumprido...
Ricardinho, o filho mandou gravar na frente da 'Casa do Caminho', que seu pai fundou com tanto carinho. 'Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço. Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!!!'

18 comentários:

Tozé Franco disse...

Belíssima história. Comovente.
Lembrei-me de uma passagem do Novo Testamento em que Jesus diz que "Sempre que visitaste um doente no hospital, um preso na prisão, deste de comer a um esfomeado, foi a Mim que o fizeste"
(estou a citar de cor).
Um abraço.

Lih disse...

linda a historia!!! adorei!

Tânia Defensora disse...

Oi Pedrinho!
Acreditar no ser humano é uma das coisas mais nobres do mundo.
Eu já havia lido e como sempre me emocionei.
Beijão

Carlos Ponte disse...

Ah, este meu empedernido coração que não chorou no fim da história. Sabe Pedro, a história é, realmente, bela, mas, enquanto se vai lendo, pela nossa mente vão desfilando as hordas de Agenores em busca de pão e, por mais que se procure, não há meio de se encontrar os Amaros. Este pensamento não deixou que o meu coração deixasse escorrer uma lágrima que fosse.
Desculpe, mas da próxima lerei com o espírito totalmente vazio. Assim eu consiga.
Um grande abraço do amigo
Carlos Ponte

A Poetinha disse...

Eu chorei, domingo de manhã eu sentei e chorei.
Um beijo Pedro.

elvira carvalho disse...

Muito bonita a história que alguém me enviou por mail, e que por isso eu já conhecia.
Sem tempo para mais, deixo um abraço, e uma chamada de atenção para o dia 24 de Abril.
Uma boa semana

Hellen Rêgo disse...

Lindo!
To levando.
Abraços

citadinokane disse...

Tozé,
Sempre tocou-me profundamente essa passagem bíblica...
Não dou esmola, luto por um mundo diferente, é possível mudar o mundo com solidariedade que transforma a vida.
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Oi Alice!
Que possamos construir histórias lindas, é possível!
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Tânia,
Eu acredito que pode ser diferente, nós fazemos a diferença!
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Carlos,
É verdade!
São poucos Amaros e muitos Agenores...
Mas, existe esperança!
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Lili,
Fiquei emocionado também... Existe um coração aí dentro, né?!
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Elvira,
Uma boa semana, e vou ficar atento no dia 24 agora.
Beijos,
Pedro

citadinokane disse...

Hellen,
Pode levar...
bjs,
Pedro

Flavinha disse...

Eu já conhecia essa história. E, se chorei quando a li pela primeira vez, não fiquei menos emocionada agora. Herança do meu sangue luso, talvez?

Por que será que é preciso lembrar sempre às pessoas sobre solidariedade - algo tão simples, tão ao alcance de todos nós? Um pedaço de pão, uma palavra que seja - qualquer doação feita de coração aberto é capaz de mudar a vida de uma pessoa. Façamos nossa parte, pois.

Lindo demais esse texto.

Beijo, beijo, beijo.

citadinokane disse...

Flavinha,
Pôxa! Dá um nó na garganta... e a certeza de que um outro mundo é possível!
Pessoas solidárias são essenciais nesse processo.
Tô com fome de cidadania.
Beijos,
Pedro

as-nunes disse...

Pedro
Um abração aqui de Leiria - Portugal.
Emocionei-me, claro, com o texto. É que não se trata só de literatura. Se todos os que têm condições para ajudar, o fizessem, não fossem tão egoístas e safados, o Mundo podi ser muito mais feliz para os que a sorte da vida empurram, sem instrumentos de navegação, para o alto-mar.
Transcrevi na íntegra o texto...
António

citadinokane disse...

António,
Em alto-mar e sem instrumentos de navegação... realmente amigo, sem uma mão amiga é difícil superar as dificuldades dessa vida.
Pessoas preocupadas com o próximo são imprescindíveis!
Beijo no coração meu amigo,
Pedro