terça-feira, junho 10, 2008

Copo seco e simplicidade.

O Augusto chegou próximo e disse: - Mermão, cadê o Bueres?! Tá sumido, né?
Respondi que todos nós havíamos mergulhados no redemoinho chamado vida, e que de vez em quando vínhamos à superfície, tomar fôlego, e depois mergulhávamos novamente no turbilhão enlouquecedor...
Com o olhar sério e o ar fraterno, Augusto quase sussurrando, advertia ao meu ouvido: - É hora de encontrar tempo, voltar calmamente ao blog e falar das coisas simples, e viver garaio!
Eu sempre correndo... É preciso parar! Concordo, e como concordo com ele.
Sentencia o meu amigo Augusto, qual profeta no auge do sucesso: - Pensas, que pensas, e ao contrário, não pensas... Correr assim não leva ao lugar sonhado... Talvez a um quarto de hospital.
Estou refletindo as palavras do profeta, são sábias, como sábio é o amigo Augusto Nunes.
Pensativo, agarrei pelo pescoço do Ballantine's, e olha os dizeres da garrafa - Amicus humani generis, Vinicius traduziria da seguinte maneira: - O uísque é o melhor amigo do homem, um cachorro engarrafado.
Ah, poetinha!
O copo com umas pedras de gelo, e n'outro momento o copo já cheio, e a música de Lô Borges na vitrola... e de repente, e não mais do que de repente, o copo cheio de ar... ahahaha... como a gente fica alegre com o scotch escorrendo pela goela, meudeus!
Augusto era pra relaxar? Tô calmo, calmo...
Gostaria de dialogar com a Sandra Leite(Isso é bossa nova), e diria que o conterrâneo dela marcou a minha adolescência - Lô Borges, ele falava o que ia no meu coração, uma fala tão urbana, sentimentos simples, mas polidos, ok?!
Amigos quero resgatar a simplicidade que insiste em fugir, mas com esse Ballantine's na mente e coração, tá difícil... Para ser mais simples, deixo a letra da música do Lô Borges. Pô, o copo tá seco de novo!

Uma Canção (Lô Borges/ Ronaldo Bastos)

Uma canção é leve e pode sustentar
Toda emoção
Que pesa demais
E num passe de mágica faz voar
É gota d’água e faz transbordar
Vai na enchente arrastando
O que pode transformar
Em nuvem do céu
Da inundação

Uma canção é clara e pode penetrar
Negro desvão
Que um raio de sol
Com a súbita chama faz clarear
Um viajante que se fez perder
Por sua estrela se inicia
Nos mistérios de querer
A lâmina ser
De tal precisão

Qualquer pessoa pode assoviar
A voz humana se decifra
Quando canta por prazer
De juntos trilharmos uma canção

Uma canção é lenha e pode consumir
Uma paixão, um caso de amor
Que o som das palavras vai traduzir
É rima simples e retém calor
Se ilumina quando toca uma pessoa
Que se quer bem perto da brasa do coração

Uma canção tem cheiro e pode transportar
Uma fração de um tempo qualquer
Que a gente viveu num outro lugar
É diamante para lapidar
Na pedra bruta segue o veio da beleza
Quando faz soar cristalina revelação...

14 comentários:

Aline disse...

Pedro querido, cuidado com esse copo cheio heim? rs...

e realmente vc tá sumido, sinto saudades de ti e teus coments sempre tão agradáveis.

já comentei com vc sobre o vinho periquita que tomei aqui né? acho que sim! rs...

Bjos meus

Carlos Ponte disse...

Pedro, no dia em que escreve festejamos o dia de Portugal. Foi ontem mas permita-me que o acompanhe no Ballantine's,ou mesmo com um verde cá da terra: À nossa mãe-pátria! Ergamos a nossa taça bem alto. Ultimamente não tenho sido tã assíduo como desejaria mas, como diria um político cá da terrinha depois de ter sido destituído pelo presidente da republica: tenho andado por aí!
Um abraço meu amigo.

Augusto Nunes disse...

Meu Mestre e Guru,

Quem está precisando de umas doses desse puro veneno de cascavel sou eu... Mas falta-me agradável companhia, afinal, somos todos lobos, gostamos mesmo é da sacanagem da matilha. Rsrsrsrs.

Lô Borges... Ah! aqueles tempos...

Essa simplicidade... Uma canção poderá sempre ser bem mais que uma simples canção.

Abraços, meu irmão.

Augusto.

citadinokane disse...

Aline,
O copo ficou vazio... Sem esse relax, a cabeça não segura, mas está tudo "dominado" e muito obrigado pelo carinho. Sonho com o dia em que iremos brindar a alegria de estarmos "passageiros" nessa bela nave - terra, com nossas taças transbordando de "periquita" e felicidade, saúde!!!
Beijos querida jornalista,
Pedro

citadinokane disse...

Amigo Carlos,
Tenho andado por aí, também!
Amigo tenho um presente para te dar, como faço para entregar-te?
Um grande amigo meu estará zarpando para "meu Portugal querido", e estou enviando junto uma camisa do blog, ele ficará 45 dias em Porto.
Vou te escrever, ok?!
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Augusto,
Levei ao pé da letra o que falaste.
Sabes que estou preparando um cantinho em casa para provarmos desse veneno, não?!
Pois bem, já comprei uma adega climatizada para os vinhos que os amigos Carlos Ponte e o Tozé irão indicar, não faltará um "periquita", com certeza.
Abraços e mantenha-se calmo meu amigo, ok?
Pedro

elvira carvalho disse...

Com o pai e a mãe acamados, também eu me deixei submergir no mar dos sem tempo.
Um abraço

Carlos Ponte disse...

Ok Pedro, fico esperando a missiva e o amigo.

edson marques disse...

Pedro,

gostei (muito!) do teu texto!


Só não entendo por que você precisa sair da vida para tomar fôlego...

A Vida é um doce suspírito santo!


Abraços, flores, estrelas..

Sandra Leite disse...

Pedro, Pedro querido...

Aqui estou!!!
A Arte já é por si um antídoto a toda e qualquer monotonia. Salve a grande arte!
Confesso que não gosto de whisky. sou fanática por vinho e vodka. Mas prefiro a arte para me levar aos limiares lunáticos, onde tudo será possível. Onde tudo É possível..
E Lô é Lô...Nesse domingo estranho de SP pensar no Clube da esquina ...saudade!
É a saudade de quem ficou, saudade dos ausentes que sempre me acompanham....
Saudade que fala...

Beijos, querido....



PS: quando quiser falar comigo meu email é sandraleitebh@gmail.com

citadinokane disse...

Elvira,
Fico torcendo pela recuperação o mais rápido dos teus pais.
Saúde, saúde, saúde...
Pedro

citadinokane disse...

Carlos,
Estou correndo para encontrar o meu amigo. Vou ao teu blog deixar o meu contato, ok?
Abraços

citadinokane disse...

Edson,
Na verdade, são muitas vidas... ahahaha...
Gosto da vida que proporciona a doce presença de pessoas amigas.
Obrigado por visitar-me.
Abraços,
Pedro

citadinokane disse...

Sandra,
A saudade mata a gente, mas é boa! Sentir saudades, é sinal que momentos felizes aconteceram.
O uísque é acidental, o que vale mesmo é a arte.
Que tal um cálice de "periquita"?
Vou escrever para ti querida mineirinha.
Beijos,
Pedro