terça-feira, junho 03, 2008

A "missa" do Carneiro

Já faz algum tempo que recebi o texto abaixo, é da lavra do meu querido amigo -Professor José Carneiro. Não precisa dizer que a correria do dia-a-dia, fez com que só agora fosse postado a "Missa" do Carneiro...
Publico na esperança de refletirmos sobre a nossa religiosidade e também, peloamordedeus, na expectativa de que os sermões tenham a simplicidade das parábolas de Jesus Cristo, aquelas estorinhas até hoje me acompanham, incrível! mas é a pura verdade... E como diria o Carneiro: - Ô seu padre vai estudar!
Amén!

Missa com estranha reflexão do padre (José Carneiro)

Já fui um grande freqüentador de missas, nos meus tempos de sacristão e de católico praticante. Mas isso foi há muito tempo. Hoje, como sabem os que me conhecem, não vou à missa, a não ser em ocasiões especialíssimas. E porque? Não é só pelo meu agnosticismo, é que acho o cerimonial da missa alguma coisa chatíssima, sobretudo quando o oficiante (padre) é “desprovido” de qualidade intelectual etc, etc. Aos domingos pela manhã costumo assistir (um modo de dizer, o correto seria “olhar”) a missa na Tv animada pelo padre Marcelo Rossi (argh!) e não consigo melhorar a minha opinião a respeito da chatice do evento. Claro que com o padre Rossi a coisa assume proporções estratosférica em matéria de saturação. No meu entender, a missa do padre Rossi afasta cristão do sacrifício da missa, tal a pieguice com que ele tenta “embalar” (enganar, estaria melhor dito) os incautos fiéis que madrugam para irem àquela missa dominical.
Na semana passada fui a uma missa de Sétimo Dia, homenagem póstuma ao pai de um grande amigo meu, falecido aos 92 anos depois de vários anos de sofrimento. A essas missas sinto alguma obrigação de ir, embora saiba de antemão que vou passar em torno de uma hora fazendo sacrifício literal e não religioso, como sugere o nome de “santo sacrifício da missa”... Essa missa não teve nada de especial, a não ser o fato de que foi celebrada em uma igreja luxuosa e confortável, climatizada e com bancos estofados, coisa que eu nunca vira na minha vida. Mas o padre, cujo nome nem procurei saber, deslustrou o evento com o seu sermão algo disforme.
Pra começar, ele se referiu ao fato de que missa de sétimo dia era um costume cultural, que a sociedade havia introduzido nas suas relações. Ele não disse que era um ritual da Igreja Católica, o que me surpreendeu.
Em seguida mencionou a idade do falecido, 92 anos, dizendo que ele havia recebido uma dádiva de Cristo superior a vinte anos; sim, porque, para ele, a idade preconizada por Cristo para a humanidade é a de 70 anos, mais do que isso é uma questão de vontade divina (ou quem sabe, insisto eu, Cristo esquece de alguns e vai deixando, não?). Segundo o próprio padre, depois que ele completar 70 anos, vai pedir aos Céus que o mandem buscar, pois isso é o que está escrito nas lições que o Cristo nos deixou. Eu ouvi isso, com meus ouvidos. Quando ele fez ponto parágrafo nessas elucubrações, os presentes se entreolharam, visivelmente espantados com aquela novidade que ribombava pelo interior do luxuoso templo católico.
Finalmente o sacerdote afirmou que o pai do meu amigo já tinha sido recebido por Deus, no Céu, que esquecera suas falhas e seus pecados ficando só com as boas ações que ele havia praticado em sua vida terrena. Segundo o padre, Deus não olha para as maldades que cometemos, quem faz isso somos nós mesmos, são os nossos vizinhos etc, etc. Um amigo que estava próximo virou-se pra mim e comentou: “eu não sabia disso, pelo visto não há motivos para preocupações”.
Felizmente o padre encerrou suas reflexões e continuou o ritual da missa.

2 comentários:

Anônimo disse...

Concordo com o Professor Carneiro.
Aliás não suporto os sermões, pelos lugares comuns.

Paulo

citadinokane disse...

Paulo,
O lugar comum... sempre a mesma coisa, quero novidades, concordo contigo, mermão!!!