quinta-feira, junho 05, 2008

O Canto Noturno de Nietzsche e a balada de Jober

"É noite; ai de mim, que tenho que ser luz! E sede do que é noturno. E solidão!
É noite: como uma nascente, rompe de mim, agora, o meu desejo - e pede-me que fale.
É noite: falam mais alto, agora, todas as fontes borbulhantes. E também a minha alma é uma fonte borbulhante.
É noite: somente agora despertam todos os cantos dos que amam. E também a minha alma é o canto de alguém que ama."
(Nietzsche)
No livro "Assim falou Zaratustra", Nietzsche derrama poesia e expõe as nossas incontidas ansiedades... Por que vivemos ansiosos? Boa pergunta, né?!
Aprendi algumas lições com o meu amigo Jober Nunes, e irei escrever um post sobre essas lições, estou propenso depois de conversar com o Jober a dar uma bicuda-no-pau-da-barraca e iniciar minhas aulas de violão... Hein?! Sei, ninguém entendeu nada, né?
Resumindo: O amigo Jober, poucas pessoas sabiam, estava com os dias contados aqui na terra. Descobriu uma enfermidade, os médicos consideraram fatal, sem solução... estágio avançado, impossível de reverter.
Pois bem, o intimorato Jober, ciente do mal que o dominara, depois de dois dias cabisbaixo, resolveu tomar algumas atitudes, primeiramente foi fazendo a partilha dos bens que acumulara em sua curta vida, sabe-como-é-que-é?! Tô falando de patrimônio, o carro destinou para fulano, a mansão em Salinas para sicrano, o apartamento para beltrano e etc. Deixou tudo arrumadinho, e ainda pagou as despesas do futuro funeral, crematório e o escambau...
O resistente Jober foi pra frente do espelho, franziu a testa e fez uma careta bem feia e disse pra morte: - Fdp! Eu não tenho medo de ti, se tu queres me levar, podes meter a cara que não vai ser fácil, garaio!!!
E prosseguiu o estranho diálogo com a indesejável megera: - E tem mais, vou viver a vida intensamente e com muita felicidade, mete a cara fdp!
Após bater esse papo com a desgraçada da "morte", o renovado Jober, no outro dia foi se matricular no curso de Violão, um desejo desde adolescente que adiava sempre, e mudou a sua postura com a vida, poucas pessoas sabiam dessa doença do nosso amigo, e ele sempre sorrindo, nunca maldizendo nada, sorrindo... agradecendo cada dia vivido, vivido intensamente, abraçando a todos, transmitindo uma energia prenhe de paz e amor...
Ele conta que não se preocupava com a morte, porque percebia que depois que começou a cativar a "vida", conquistou uma tranqüilidade que inexistia antes.
Desde então, nunca mais deixou de todos os finais de semana tomar banho de praia e assistir o pôr-do-sol em Mosqueiro.
Para finalizar, o alegre Jober depois de um tempo, fez novos exames, e inexplicavelmente, segundo os médicos, havia acontecido um "milagre", a doença regrediu, não só regrediu, por incrível que possa parecer, não existia mais nada... a não ser vida!
Pô, esse cabra-da-peste levou uma largura daquelas, né?! E ele até casou!
Aprendi contigo Jober, que a gente tem que olhar firme, fitar com determinação os olhos dos demônios que embaraçam a nossa caminhada rumo à felicidade, e enfrentá-los sem medos, com muito amor no coração...
Não pretendo encarar a morte, ainda, falta-me mais um pouco de experiência. Qualquer coisa eu te chamo, mermão!!!
Será que depois de ler o post, o amigo Tico Futrika (já me confidenciou a vontade de ser bailarino) irá se matricular no balé da Ana Unger?! O que os amigos acham?
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Fdp= Filha da pluta

2 comentários:

David Carneiro disse...

Antes de mais nada, que bela poesia! A ansiedade vez em quando me pego de cheio. É quando eu me lembro da simplissíssima mas bela música:"...será que nada vai acontecer?". Estou me curando aos poucos, com boas doses de existencialismo, experiências, projetos e pessoas que nos fazem simplesmente nos sentir mais vivos!

Um grande abraço amigo!

citadinokane disse...

"Carlão",
És muito nietzschiano, não?!