domingo, setembro 28, 2008

As primaveras...

Ceci Fernandez deixou para que eu refletisse, compartilho com todos:

"Aprendi com as primaveras
a me deixar cortar
para poder
voltar inteira"
(Cecília Meireles)

quarta-feira, setembro 24, 2008

Um olho cego...

Aprendi com as letras de Zé Ramalho e fiquei um pouquinho sábio...
O tempo se encarrega de cicatrizar feridas e paixões.
Com o tempo assistimos os incautos provarem da sua própria energia malfazeja...
Não há escapatória, é a lei da causa e efeito, e não adianta se esconder...
Como diria o rei Roberto Carlos - o bem e o mal existem!
Por hoje, fica a mensagem para quem enfia punhal em quem só quis o teu bem.
Cego não guia cegos...
"É quando o tempo sacode
A cabeleira
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia
Procurando por um..."
(Zé Ramalho)

terça-feira, setembro 23, 2008

E então, o que quereis?

Companheiro Duda Bueres,
Escrevo este post como se fosse uma carta, é verdade, uma carta aberta, endereçada a ti...
E então, o que quereis? Lembras que numa noite perdida, cheia de viola e vazia de estresse, balbuciei esses versos de Maiakovski, poeta revolucionário russo (1893-1930), entre a polifonia de vozes e acordes dissonantes do teu plangente violão, fiz o esforço de memória e os versos foram saindo:
"Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes..."
Deste gargalhadas de contentamento, sempre incentivando a arte, a poesia, a música... És um eterno aprendiz do bem viver, com o violão no colo, solenemente disseste - Essa também é do Maiakovski:

Não acabarão com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme
fiel
e verdadeiramente.


É meu poeta e feiticeiro...
Estás mergulhado até o talo nessa campanha eleitoral, foste indicado para disputar uma vaga de vereador, aí na câmara de Ananindeua, aceitaste o desafio de levar a bandeira da cultura e da preservação do meio ambiente... Pascoal te chamou de guerreiro, até brinquei dizendo que não eras pôrra nenhuma de guerreiro, mas um simples soldado e pronto!
Hoje percebo que sairemos mais fortes dessa disputa. Como mais fortes? É elementar meu caro, nós não vendemos nossa alma para o diabo... Como o apóstolo Paulo, nós combatemos o bom combate, fomos fraternos, pacíficos, mesmo quando o punhal penetrava nossa costa e percebíamos as digitais do aliado que nos jurava amor eterno...
Em um momento de descontrole nosso, desejamos a vingança da mão de Javé nele... mas, com o apoio do companheiro David Carneiro e Pascoal, a vontade de vencer os covardes e anunciar que estamos na disputa se alevantou em nós.
E porque amamos firme, fiel e verdadeiramente, iremos superar tudo e ao final daremos muitas gargalhadas e construiremos uma outra história juntamente com David Carneiro, Pascoal, Bruno, Nilton Atayde, Élcio Aláudio, Mariazinha, Cibele, Alex, Flávia, Flavinha, Flávio, Ray, Léo Tocatins, Rocha e muitos outros...
E então, que quereis?(Maiakóvski)
Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.
Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.
(1927)

segunda-feira, setembro 22, 2008

Ridículas...


Todas as Cartas de Amor são Ridículas (Fernando Pessoa)

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

domingo, setembro 21, 2008

Justiça de Classe!

Os trechos abaixo são de Liebknecht, no início do século passado ele fazia referência ao posicionamento parcial dos juízes, quando estes julgavam os trabalhadores em questões sócio-econômicas, mais propriamente nos casos de greves.
Leitura que o social-democrata Maurício Leal adora!

ESTADO DE DIREITO E JUSTIÇA DE CLASSE (Karl Liebknecht)
Trechos de uma palestra realizada para os trabalhadores na cidade de Stuttgart na Alemanha, em 23 de Agosto de 1907.
Companheiras e companheiros do Partido!
Devo começar de maneira um pouco seca.
Quando se fala de Justiça de Classe, deve-se, em primeiro lugar, falar do Estado.
Nós, marxistas, entendemos sob o conceito de Estado não meramente uma organização de seres humanos que se encontram ligados pela descendência, pela nacionalidade ou pelo local comum de residência.
Em nossa concepção, o Estado pressupõe, antes de tudo, o fato de que, no interior das organizações de seres humanos, existem diversas camadas que possuem distintos interesses.
No conceito de Estado, já está incluído o conceito de Justiça de Classe.
Encontramos sociedades de classes já mesmo nos períodos mais remotos do desenvolvimento da humanidade.
Desde há tanto tempo, possuímos também um Estado.
Esse Estado é organizado no sentido daquela parte da população que possui a maior influência.
Em um primeiro aspecto, vale o princípio da maioria democrática que significa a submissão de uma minoria numérica.
Porém, a dominação pode ser exercida não apenas através da maioria numérica, senão ainda através da maioria com poder visível que pode também tornar uma minoria mais forte do que a maioria da população.
A superioridade econômica de uma minoria da população pode conduzir a que uma domine sobre uma maioria.

(...)
A Justiça de Classe exprime-se em quatro sentidos:
Preambularmente, se expressa na própria condução do processo judicial.
Todos os dias presenciamos as circunstâncias de que acusados dos "melhores estamentos", ao surgirem diante do Tribunal, com um bom traje, são tratados, já na audiência, de modo inteiramente distinto daquele com o qual se trata os pobres diabos, trabalhadores ou "canalhas" da Social-Democracia.
Isso é Justiça de Classe!
A seguir, então, ela se manifesta na contemplação unilateral do material do processo judicial e na apreciação parcial da situação fática.
Essa é, talvez, a parte mais importante da Justiça de Classe!
Obviamente, existem muitíssimas exceções entre os juízes.
Isso não ignoro.
Conheço, especialmente em Berlim, também algumas forças muito competentes em que se pode depositar a mais plena confiança.
Porém, onde seriamente entra em jogo, a Justiça de Classe jamais fracassou.
Não defendo a concepção de que os juízes pervertem, por exemplo, o Direito, consciente e maldosamente.
Certamente, juízes desse último gênero também existem.
Desses, entretanto, não nos ocupamos.
Pois, não é a existência da exceção de indivíduos criminosos, senão a regra, i.e. o caráter de classe dos juízes, o que adquire, socialmente, importância.
Os juízes agem, em geral, com a melhor das consciências, porém no marco das melhores das consciências não logram nada fazer senão Justiça de Classe!
Não são capazes de conceber a situação fática corretamente.
Compreendem tudo, de modo diverso.
Aos seus olhos, tudo adquire um significado distinto.
O orador comprova essa afirmação com uma série de exemplos da prática social efetiva dos processos judiciários.
Os juízes não possuem sensibilidade para com um acusado proletário, precisamente porque vivem, pensam e sentem, em um outra dimensão.
O que não presenciamos em nossos processos sobre questões de imprensa!
Que absurdo de interpretações!
O orador recorda o Processo da Ilha do Imperador.
É característico o modo segundo o qual se procedeu, outrora, visando a deduzir, das notícias do "Vorwärts (Avante!)" uma injúria à Sua Majestade, o Imperador.
Pensem, a seguir, no "Processo das Manchetes", movido contra o "Leipziger Volkszeitung (Diário Popular de Leipzig)", em razão de dois artigos intitulados : "Böhme e Liman" e "Die Leipziger Justiz auf der Anklagebank" (A Justiça de Leipzig no Banco de Réus)", consistiu meramente em um informe acerca do curso de um processo judicial.
Nesse último caso, a manchete haveria, em verdade, de anunciar : "a Justiça trunca, de maneira pior do que o acusado o faz, razão porque os papéis estão, em certa medida, trocados."
Exigi a leitura, em voz alta, do artigo em questão, para demonstrar esse fato.
Porém, o Tribunal de Leipzig rejeitou, sumariamente, meu pedido.
Apenas a "manchete" foi lida e, por causa desse título suspenso no ar ("Die Leipziger Justiz auf der Anklagebank" (A Justiça de Leipzig no Banco de Réus)"), nosso companheiro de Partido, Herre, teve de mofar durante dois meses na cadeia.
Nada obstante, é assim que se interpreta, quando se é inimigo político.
Um proletário jamais teria senteciado dessa forma.
Isso é Justiça de Classe !
Entretanto, a Justiça de Classe externa-se também na interpretação das leis.
Também essa última atividade é fortemente influenciada pelo ponto de vista de classe dos juízes.
A jurisprudência dos Parágrafos de Extorsão que, além disso, é extremamente distinta para empregadores e empregados, fornece-nos o mais inequívoco exemplo.
Isso é Justiça de Classe!
A Justiça de Classe manifesta-se, igualmente, no descomunal rigor das penas contra os odiados política e socialmente e, sobretudo, contra os social-democratas.
Já me referi ao Processo de Köslin.
Naquela ocasião, no quadro da greve dos pedreiros de Kolberg, um trabalhador, já porém penalmente reincidente, respondeu a um policial que conclamava os grevistas a irem para casa :
"Por que deveríamos nós ir para casa. De igual maneira, os fura-greves também poderiam dirigir-se para as suas casas."
Isso custou ao homem três anos de penitenciária.
Há dois anos, em uma cidadezinha da Turíngea, chamada Hildburghausen, em que se situa uma faculdade de tecnologia na qual, evidentemente, estudam os que pertencem aos "melhores estamentos", ocorreu uma "Revolta dos Estudantes", visto que um estudante de tecnologia - aliás por boas razões - foi preso por um policial.
Os estudantes de tecnologia reuniram-se nas ruas, agrediram as autoridades policiais, empreenderam um ataque contra a delegacia de polícia, golpearam vidraças.
Bombeiros e policiais militares precisaram ser acionados, sendo que, apenas depois de muito esforço, conseguiu-se limpar o local.
Diversos estudantes de tecnologia foram acusados.
Um deles defendi, então, na cidade de Meiningen.
Eles todos, considerados em seu conjunto, foram castigados com penas pecuniárias de aproximadamente apenas 100 marcos alemães, por cabeça.
Com isso, não afirmo que a Sentença de Meiningen tenha sido equivocada.
Foi correta.
Erradas, inteiramente duras e parciais, são apenas as sentenças de perturbação da tranqüilidade pública, proferidas contra os trabalhadores organizados.
Em Köslin, a hidra da greve encontrou-se por detrás dos acusados.
Os juízes foram parciais.
Isso é Justiça de Classe!
A Justiça de Classe é implementada contra o proletariado odiado não apenas através da interpretação de leis especiais: ela se apresenta não somente no extraordinário rigor em relação aos trabalhadores, senão também na grandiosa clemência e na compreensão benevolente, concedidas aos pertencentes das classes dominantes, se estes se tornam, por alguma vez, objeto de apreciação do Poder Judiciário.
Citei provas disso.

Justiça de Classe?!



Recebi do meu amigo Nilton Atayde, além de doutorando em Direito, é um profundo conhecedor das mazelas humanas... Conhece muuuiito!!!
Sempre muito preocupado com os rumos da política, encaminhou-me o texto abaixo sobre a recente atuação do Presidente do STF no caso "Daniel Dantas", o banqueiro que tentou subornar um delegado da Polícia Federal, pelo menos isso foi registrado pela Imprensa brasileira... Vamos ao texto, precisamos refletir sobre a seleção para a magistratura, a nomeação de magistrados para as Cortes Superiores traz algumas surpresas, nem sempre agradáveis, né?!

"Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial..."
(O que pensam os ADVOGADOS DO BRASIL sobre o assunto?)

JURISTA DALMO DALLARI PREVIU A TRAGÉDIA GILMAR MENDES EM 2002

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, em 8 de maio de 2002, o jurista Dalmo de Abreu Dallari alerta sobre o que seria a indicação do advogado Gilmar Mendes para o Supremo Tribunal Federal. É impressionante! Se Dalmo de Abreu Dallari não fosse um competente profissional, diríamos que ele tinha bola de cristal.

Dalmo previu como ninguém a tragédia que Gilmar Mendes provocou na Justiça do país. O desastroso governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não acabou. Gilmar Mendes contribuirá para afundar ainda mais na história o governo do ex-presidente FHC.

"DEGRADAÇÃO DO JUDICIÁRIO, A TRÁGICA INDICAÇÃO DE GILMAR MENDES" por Dalmo Dallari

Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais. Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.
Essas considerações, que apenas reproduzem e sintetizam o que tem sido afirmado e reafirmado por todos os teóricos do Estado democrático de Direito, são necessárias e oportunas em face da notícia de que o presidente da República, (FHC),com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo Federal, ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e à toda a comunidade jurídica.
Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional.
Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.
Segundo vem sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação, agora concretizada, do atual advogado-geral da União, Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente da República, para a próxima vaga na Suprema Corte. Além da estranha afoiteza do presidente - pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga -, o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.
É oportuno lembrar que o STF dá a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e dos atos das autoridades públicas e terá papel fundamental na promoção da responsabilidade do presidente da República pela prática de ilegalidades e corrupção. (...)
Indignado com essas derrotas judiciais, o Dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um "manicômio judiciário". Obviamente isso ofendeu gravemente a todos os juízes brasileiros ciosos de sua dignidade, o que ficou claramente expresso em artigo publicado no "Informe", veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (edição 107, dezembro de 2001).
Num texto sereno e objetivo, significativamente intitulado "Manicômio Judiciário" e assinado pelo presidente daquele Tribunal, observa-se que "não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo".
E não faltaram injúrias aos advogados, pois, na opinião do Dr. Gilmar Mendes, toda liminar concedida contra ato do governo federal é produto de conluio corrupto entre advogados e juízes, sócios na "indústria de liminares".
A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista "Época" (22/4/ 02, pág. 40) que o chefe da Advocacia Geral da União, isso é, o Dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400,00 ao Instituto Brasiliense de Direito Público - do qual o mesmo Dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários - para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na "reputação ilibada", exigida pelo art. 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.
A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a argüição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou "ação entre amigos". É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Cesária Évora, Diva!

Nascida em Cabo Verde (27/08/1947), Cesária Évora é uma Diva...
O amigo Tico Futrika convidou-me certa vez para acompanhá-lo até à casa da tia dele, conheceria uma pessoa que adorava música boa, e quando cheguei lá confirmou-se a afirmação do meu amigo. Só uma coisa me incomodou profundamente, a tia do meu amigo tinha feito uma seleção musical em um cd, fez questão que eu escutasse, adorei! Ela insistia em falar sobre cada música que tocava, muito bacana, gostei... Mas... Sempre tem um mas no meu caminho, ahahaha... Chegou numa música, reconheci a voz forte de Cesária Évora, maravilhosa! Caetano Veloso e Marisa Monte têm bom gosto, gravaram com essa Diva, mas... A tia do meu amigo afirmou peremptoriamente: - Essa cantora é cubana!
Não titubei e rebati: É Cesária Évora!
Ela insistiu que era cubana, e ficou até zangada.
Aprendi a fazer jogo de cintura e recuei... Chamei o amigo de lado e disse no ouvido dele: - Ei garaio, essa cantora é a Cesária Évora, mermão!!!
Ele ainda argumentou: - Tens certeza?
Esqueçam o diálogo acima.
Cesária Évora ficou conhecida como a Diva dos "pés descalços", porquê?
Responderei calmamente, Cesária apresenta-se sem sapatos em solidariedade aos sem-tetos e às mulheres e crianças pobres de seu país.


Em 2004, a cantora ganhou o prêmio Grammy de melhor álbum de world music contemporânea.

Os Malvados


Pés descalços?...


quarta-feira, setembro 17, 2008

Murmúrio na madrugada

Janela aberta e uma tristeza cortanto o peito, jogo o olhar aqui de cima sobre o movimento da rua... Vozes e alegres gargalhadas.
A madrugada avançando, o silêncio tomando conta de tudo, tudo em silêncio,
só o silêncio...
Oh, insônia!
Por que eu prisioneiro?
Entre murmúrios visito Cecília Meireles, e como ela murmura, né?!
Murmúrio
(Cecília Meireles)
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!


sexta-feira, setembro 12, 2008

Quando olhaste bem nos olhos meus

Chico Buarque e Francis Hime conseguiram produzir uma música em que a alma feminina se expressa em plenitude.
Agora a interpretação de Elis Regina, sempre arrancou uma lágrima minha... Garaio! Por que essa mulher foi embora?!
Ela chora de verdade no vídeo, havia acabado o relacionamento com o César Camargo Mariano... Até hoje tenho raiva desse cara!

Atrás da Porta (Chico Buarque - Francis Hime)

Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus, juro não acreditei
Eu te estranhei, me debrucei
Sobre o teu corpo e duvidei
E me arrastei, e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, teu pijama
Nos teus pés, ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho

Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
Só pra provar que ainda sou tua

quinta-feira, setembro 11, 2008

Bossa: Estamos aí!

Amigos, a comemoração dos 50 anos de Bossa Nova é por todo o território brasileiro, a minha cidade, a querida Belém irá comemorar a mais importante invenção brasileira: a bossa, é claro!Com muita música e sentimento...

Um cantinho e um violão
Este amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama

Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar
...
(Tom Jobim)

Na natureza...

Depois da Lei Seca.

"Na natureza nada se cria,
nada se perde,
tudo se transforma.
Cana dá álcool,
álcool dá cana."

quarta-feira, setembro 10, 2008

Minha memória.


Mermão! Essa letra bate e fica. Alguma dúvida? Eu respondo. Ahahaha...
Memória da Pele (João Bosco / Waly Salomão)
Eu já esqueci você
Tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre
A sonhar em vão
Cor vermelha carne da sua boca, coração
Eu já esqueci você, tento crer
Seu nome, sua cara, seu jeito, seu odor
Sua casa, sua cama
Sua carne, seu suor
Eu pertenço a raça da pedra dura
Quando enfim juro que esqueci
Quem se lembra de você em mim
Em mim
Não sou eu sofro e sei
Não sou eu finjo que não sei, não sou eu
Sonho bocas que murmuram
Tranço em pernas que procuram enfim
Não sou eu sofro e sei
Quem se lembra de você em mim
Eu sei, eu sei
Bate é na memória da minha pele
Bate é no sangue que bombeia
Na minha veia
Bate é no champanhe que borbulhava
Na sua taça e que borbulha agora na taça da minha cabeça
Eu já esqueci você, tento crer
Nesses lábios que meus lábios sugam de prazer
Sugo sempre
Busco sempre a sonhar em vão
Cor vermelha, carne da sua boca, coração

terça-feira, setembro 09, 2008

Vai minha tristeza...

A minha nada interessante existência traz algumas lembranças que quero compartilhar com os parceiros bloguistas.
Passei um ano no meio da selva amazônica, eu estou dizendo um ano inteirinho, viu?! Não é fácil mermão! Fui pra lá porque precisava ganhar uns trocados...
Eram os anos oitenta, tinha acabado de ser aprovado no vestibular, logo no início das aulas estourou uma greve, moleza né?!
Eu era Técnico em Mecânica e pintou uma proposta de emprego no jornal, para a área da minha formação, empresa de mineração na Selva do Xingu, o salário muuuiiito bão... não deu outra, peguei a minha mochila e meti a cara no mato, literalmente.
Não tinha noção do que me esperava, cheguei em Altamira num vôo de avião grande, muito confortável. Depois de recepcionado pelas pessoas da empresa, fui conduzido até uma aeronave pequena, um teco-teco... na verdade era um monomotor, bem pequeno... Foi horrível a viagem, olhava para baixo e horizonte, só enxergava verde, a floresta amazônica era um oceano verde a perder de vista, ficava imaginando um bocado de besteira, pensei: - Se o avião cair, sobrevivendo da queda, com certeza serei presa fácil das onças, jaguatiricas e sucuris... Ai Jesus!!!
Não lembro na minha vida de ter rezado tanto.
Quando o avião pousou, resisti em sair do mesmo, eu estava no meio da Selva, estou dizendo Selva!
Já estava morrendo de saudades dos amigos e família, não suportaria muito tempo, mas era valente e não daria um passo atrás, iria resistir e vencer o desafio...
Não irei aprofundar os meus dias no inferno verde - Amazônia.
Gostaria de deixar o registro musical dessa vivência, ok?

Continuarei, só um pouquinho mais.

A malária matava, eu sabia, e resolvi levar a vida sem pensar muito nisso, ia desbravando a mata com um pouco de medo das onças e cobras, posso dizer que respeitava a natureza.
Quando anoitecia e tudo silenciava, eu aprendia a amar a música de João Gilberto e isso acalmava o meu coração... E dentre muitas músicas, inesquecível para mim - "Chega de Saudade", ela traduzia minha tristeza... os meus sentimentos.
Sei que uma das mulheres de Vinicius de Moraes odiava os "peixinhos a nadar no mar" e "os beijinhos que eu darei na sua boca", mas eu adorava o violão e o modo de cantar jazzístico de João Gilberto. Cada letra, palavra cantada por ele me preenchia totalmente...
Quantas vezes João, me pegava sonhando voltando pra casa ao som de "Chega de Saudade"?

"Vai minha tristeza,
e diz a ela que sem ela não pode ser,
diz-lhe, numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso Mais sofrer.
Chega, de saudade
a realidade, É que sem ela não há paz,
não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai..."
(Vinicius de Moraes)

sábado, setembro 06, 2008

O Campeão!

Escutei essa história ano passado e me espoquei de rir.
Não sou baú pra guardar as coisas e resolvi contar. Não ofenderei ninguém, apenas achei engraçado o desdobramento da mesma.
O meu amigo Tico Futrika praticava natação quando era adolescente e resolveu depois dos trinta praticá-la novamente. Pelo que me contou, a modorra dominava a sua vontade, ia muito raramente aos treinamentos de natação na piscina do Clube do Remo, onde o Laio, filho dele treinava também.
Um dia o Laio disse: - Pai vai ter o campeonato de Master lá no Clube, disputa vai!?
Ele respondeu ao filho: - Meu garoto, vou me escrever e darei show de bola na natação, tu verás!
O Laio todo contente respondeu: - Oba, papai será campeão!
O olímpico Tico, no dia da disputa, acordou com uma senhora ressaca de cerveja, a esposa querida foi a responsável por chamá-lo... Ele rebateu puto da vida: - Amor como ousas me acordar nessa situação!
Ela, amavelmente, acarinhando a pequena cabeça do campeão, disse: - Meu amorzinho e a natação?!
Ele com aquela vontade de vomitar a alma e depois morrer, retrucou: - Eu tenho que ir?
Ternamente e resignada respondeu forte: - Claro campeão!
Ele entendeu.
O filhinho dele estava esperançoso, huumm... Esperançoso não, tinha certeza que o pai atleta iria ganhar uma medalha.
O Tico saiu de casa reclamando para a esposa e disfarçando para o filho, falava: - Filhão, o papai vai ganhar uma medalha pra você, ok?!
O filho todo alegre dizia: - Yes!
Chegou lá, o Laio foi disputar as provas dos meninos de dez anos e o meu amigo Tico ficou sentado num banco com as pernas cruzadas... Esperando...
Pois é...
A merda foram as pernas cruzadas...
O Tico meio sonolento, com vontade de morrer e vomitar, não necessariamente nessa ordem...
Pernas cruzadas muito tempo, circulação de sangue prejudicada, né?
Ele estava de sunga verde-abacate (bem discreta, não?!) esperando a prova de Master, sonolento e com vontade de vomitar...
Gritaram: - Tá na hora!
O Tico levantou confuso, e sentiu a perna pesar, caminhou até o árbitro, a perna pesava mesmo, mancando por conta da falta de circulação de sangue em uma das pernas, na verdade ele puxava uma das pernas... E perguntou para o árbitro: - Onde é o meu lugar?!
De pronto ele respondeu: - Raia 5!
Puxando a perna e confuso, o Tico se posicionou na piscina, ia ganhar a medalha para entregar ao filho e falaria uma frase do Che Guevara, que no momento não lembrava, mas, falaria...
Recebeu o comando para se posicionar, atendeu... Muitas coisas passavam na cabeça dele, lembrou da mãe incentivando-o, quando criança, para que não desistisse nunca e superasse as dificuldades.
Cerrou os dentes, agora totalmente concentrado, se preparou...
Iria ganhar aquela prova, custasse o que custasse, iria ganhar...
Se jogou na água e tratou de dar braçadas com vontade de louco, nadou, nadou, nadou...
Bateu na borda da piscina e retornou. Encontrou os concorrentes na metade da piscina e vibrou!
Antes de bater na outra borda da piscina para confirmar a vitória, ele gritou: - Sou bom pra garaio!
Venceu.
Subiu.
Ficou esperando os concorrentes.
Estava soberbo, era campeão!
A ficha caiu...
Percebeu a cagada...
Continuou puxando a perna... Ai Jesus! Não podia deixar de puxar...
O terceiro colocado não tinha braços.
O segundo colocado, tinha uma perna só...
Ele errou de prova.
Disputou a prova de natação dos atletas para-olímpicos.
Pegou o filho e a esposa rapidamente, puxando a perna, mancando... Com a medalha no peito foi para o carro...
Ainda escutava a mãe dizendo: - Não desista nunca!
A perna pesava muuuiiito...
Afinal de contas, ele era campeão!