quinta-feira, outubro 30, 2008

A você, com amor

Nesses dias em que repensamos comportamentos e projetos para o futuro, com ternura e delicadeza ela chega e me envolve de carinho e cheiros... Huumm... Sangue do meu sangue, carne da minha carne e sonho do meu sonho! Eis aí a poesia que tomei emprestada do meu poetinha para dizer-te: - O amor é a memória que o tempo não mata...

A você, com amor (Vinícius de Moraes)

O amor é o murmúrio da terra
quando as estrelas se apagam
e os ventos da aurora vagam
no nascimento do dia...
O ridente abandono,
a rútila alegria
dos lábios, da fonte
e da onda que arremete
do mar...

O amor é a memória
que o tempo não mata,
a canção bem-amada
feliz e absurda...

E a música inaudível...

O silêncio que treme
e parece ocupar
o coração que freme
quando a melodia
do canto de um pássaro
parece ficar...

O amor é Deus em plenitude
a infinita medida
das dádivas que vêm
com o sol e com a chuva
seja na montanha
seja na planura
a chuva que corre
e o tesouro armazenado
no fim do arco-íris.

terça-feira, outubro 28, 2008

Subcomandante Marcos: Estamos aqui!

Impossível ficar indiferente ao EZLN - Exército Zapatista de Libertação Nacional, esse movimento mexicano é prenhe de uma rebeldia que transborda magia, mitos, utopias e poesia...
Estou aguardando janeiro chegar. Eu, Davi e Bueres vamos lançar nosso CD com músicas de combate, todos nós estaremos juntos ao Subcomandante Marcos aqui em Belém, participando do Fórum Social Mundial, estou me preparando para quando janeiro chegar...
Xico Rocha o nosso andarilho juramentado, já havia comentado comigo dessa rebeldia diferente, o Xico esteve em Chiapas no México e ficou com uma boa impressão do movimento.
Assisti o vídeo sobre a caminhada dos zapatistas pelo México, o título do DVD - Marcos "Estamos Aqui", vi e revi os discursos do Subcomandante Marcos para as multidões no México, belíssimos!
O romantismo chapliano, o entusiamo, o rosto encapuzado criando a mística, quantos
subcomandantes Marcos existem, hein?!
Vai sendo criada uma cultura revolucionária com muita força literária, mormente, nos artigos do subcomandante Marcos.

ESTAMOS AQUI(Subcomandante Marcos)
"E nós?
Cada vez mais esquecidos.
A história não era mais suficiente para evitar que morrêssemos, esquecidos e humilhados.
Porque morrer não dói, o que dói é o esquecimento.
Descobrimos, assim, que não existíamos mais, que os governantes tinham se esquecido de nós na euforia de cifras e taxas de crescimento.
Um país que se esquece do seu passado não pode ter futuro.
Então tomamos as armas e penetramos nas cidades onde éramos animais.
Fomos e dissemos ao poderoso Aqui estamos!
E gritamos para todo o país Aqui estamos!
E gritamos para todo o mundo Aqui estamos!
E vejam só como são as coisas porque, para que nos vissem, tivemos de cobrir nosso rosto;
Para que nos nomeassem, negamos o nome;
Apostamos o presente para ter um futuro;
E para viver...
Morremos."

domingo, outubro 26, 2008

Estresse que nada!



Pois é...
Quarta-feira já vinha sentindo um mal-estar, na quinta desabei literalmente, a cabeça e o corpo não respondiam como dantes, e como diria o cancioneiro popular: - Na volta do barco é que sente, o quanto deixou de cumprir...
Dores de cabeça, um gosto amargo na boca e uma sensação de Déjà vu (expressão da língua francesa significando "já visto"), não é pra rir, é verdade! Senti a mesma sensação de vinte anos anos atrás, quando sofri um grave acidente no meio da selva amazônica, mais precisamente no Xingú, caminhão tanque saiu da estrada e caimos uma ribanceira, pegou fogo, mas sobrevivi... E voltei a sentir aquela sensação de despedida, o filme da nossa vida passando em segundos.
Soro na veia, remédios entupindo o Citadinokane, repouso e recomendação médica para mudar a vida e uma sentença: - Se não mudares o ritmo da vida, podes encomendar o paletó de madeira!
Pensei, pensei...
Depois de dois dias numa cama, decidi. Nesse domingo vou pegar as crianças e vou me enrolar nas areias da praia do Paraíso, na ilha do Mosqueiro.
Tchau estresse!!!

quarta-feira, outubro 22, 2008

Mercado Financeiro segundo Tozé

Nesses dias de crise do mercado financeiro, recebo a explicação de como funciona o mesmo, segundo Tozé. Vem de além-mar a explicação, vamos ler né?

"Estava-se no Outono e, os Indios de uma reserva americana perguntaram ao novo Chefe se o Inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave. Tratando-se de um Chefe Indio mas da era moderna, ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo, no entanto, para não correr muitos riscos, foi dizendo que sim senhor, deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para aguentar um Inverno frio.
Mas como também era um líder prático e preocupado, alguns dias depois teve uma idéia. Dirigiu-se à cabine telefônica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou: "O próximo Inverno vai ser frio?" -"Parece que na realidade este Inverno vai ser mesmo frio" respondeu o meteorologista de serviço.
O Chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico: "Vai ser um Inverno muito frio?" "Sim", responderam novamente do outro lado, "O Inverno vai ser mesmo muito frio".
Mais uma vez o Chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas. Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional: "Vocês têm a certeza que este Inverno vai ser mesmo muito frio?" "Absolutamente" respondeu o homem "Vai ser um dos Invernos mais frios de sempre."
"Como podem ter tanto a certeza?" perguntou o Chefe.
O meteorologista respondeu: "Os Indios estão a aprovisionar lenha que parecem uns doidos."

É assim que funciona o mercado de ações."

terça-feira, outubro 21, 2008

Mouse, barbas e ninhos.

A arte não tem fronteiras, criatividade...
Bruno enviou-me e arrematou singelamente: - É pura adrenalina!
Será?! Sem discussões filosóficas, deixa pra lá!

domingo, outubro 19, 2008

Alguém cantando

Os dioses quiseram que eu amasse a música desavergonhadamente, mas como nas tragédias gregas, estou fadado a amá-la perdidamente, sendo negado alcançá-la através de qualquer instrumento, nem a voz foi permitida... Lanço-me aos cânticos por vontade de fazer os dioses se revoltarem, sou completamente desafinado!
Por isso admiro a arte de tocar um instrumento ou cantar.
Quantas vezes me aborreci com Caetano Veloso?! Muitas vezes.
Mas, como não perdoá-lo pela arte que pulsa em todo o seu ser?
Ei Caetano! Estás perdoado, mermão!Alguém Cantando (Caetano Veloso)

Alguém cantando longe daqui
Alguém cantando longe, longe
Alguém cantando muito
Alguém cantando bem
Alguém cantando é bom de se ouvir
Alguém cantando alguma canção
A voz de alguém nessa imensidão
A voz de alguém que canta
A voz de um certo alguém
Que canta como que pra ninguém
A voz de alguém quando vem do coração
De quem mantém toda a pureza
Da natureza
Onde não há pecado nem perdão

Santarém, onde sou mais paraense!

Em homenagem ao amigo e poeta santareno Paulo Paixão, tenho algo a dizer: - Santarém é o lugar onde mais me senti paraense!
A cultura paraense, o que somos, o jeito de ser do nosso povo... Vem carregada de tintas santarenas, é só ler os poemas e as letras das canções (músicas que lançaram Fafá de Belém no cenário nacional) do poeta Ruy Paranatinga Barata, este nasceu no "canto" dos rios Tapajós e Amazonas, na querida cidade de Santarém.
Santarém é o lugar onde mais me senti paraense!
Minhas emoções se alevantam(é assim que os nossos caboclos falam, ahahaha... com entonação forte, hein!?) ao ler a poesia de Paranatinga...

HOMENAGEM A LEON BOY(Ruy Barata)
Saberás quem somos
pela ausência da voz,
pelo rio envelhecido
e na fadiga das frases dissipadas.
Diante de ti a nudez falará por nós
pois as dádivas e sonhos dispersamos
e as mãos vazias dissiparam o tempo.
A fêmea e a cidade conquistamos,
mas do Invisível
a rosa que colhermos será sempre
viçosa e fresca sobre a nossa tumba.
Somos da terra o sal
mas nem sabemos
e deitados na Parábola morreremos
na primavera das palavras novas,
no segredo que faz nossa alegria.
Estrangeiros na pátria que elegemos
vazios do santo amor,
pobres da Graça,
a saudade da hora não cumprida,
a tristeza do rei que inveja o escravo.
Do livro A linha Imaginária
Edição Norte - 1951
Como não suspirar de satisfação ao comer no Restaurante Piracatu postas generosas de peixe Tambaqui ou Tucunaré, com pimenta de cheiro amassada na hora com tucupi, huumm... Deus meu! Perdoai! Perdoai o pecado da gula. Soy daqui e adoro os cheiros e sons de Santarém, vai lá pra ver!
Para encerrar ficam as imagens de Santarém e a letra de uma música que considero um verdadeiro hino a esse lugar maravilhoso: - Santarém, vou além dos teus encantos...
Minha Amazônia, tuas lendas, muitos encantos e outras magias numa cidade que revela a sensibilidade dos encontros das águas, das almas... Com Beto Paixão, representante do movimento cultural Canto de Várzea, o Hino de Santarém, impossível ficar parado:
Dança na Mata (Beto Paixão)
A lua é cheia
E o salão está vazio
O povo dança
Na sombra da castanheira
O Amazonas dá sinal que liberou
O amor é livre
E pode ser feito na areia
O boto vem
E vai dançar com a cabocla
Cintura fina
Cheirando a patchouli
Olhos azuis
E dizem que ela é morena
É uma pérola
Que brilha nesse rio
Santarém/Vou além
Dos teus encantos...


Fotos de Santarém: Ronaldo Ferreira

quarta-feira, outubro 15, 2008

Textos Apócrifos

"Com o tempo você vai percebendo
que para ser feliz com outra pessoa,
você precisa em primeiro lugar,
não precisar dela.
Percebe também que aquela pessoa
que você ama ou acha que ama,
e que não quer nada com você,
definitivamente,
não é a pessoa da sua vida.
Você aprende a gostar de você,
a cuidar de você e,
principalmente,
a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas…
é cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas,
você vai achar,
não quem você estava procurando,
mas quem estava procurando por você”.
Um pequeno esclarecimento aos amigos blogueiros, no mundo virtual existem muitos textos apócrifos, sem autoria ou com autoria errada. As pessoas adoram Mário Quintana, e costumam colocá-lo como autor de textos e poesias que nunca escreveu.
A escritora Martha Medeiros tem muitos textos divulgados pela internet como se fossem de Quintana.
Como o amigo Ânderson comentou o texto acima das borboletas como se fosse de Quintana, fui pesquisar e descobri que o mesmo pertence não ao velho e bom Quintana, mas à escritora Kátia Cruz e a frase “O segredo é não correr atrás das borboletas…” é de D. Elhers.

terça-feira, outubro 14, 2008

O PIOR


"O pior dos problemas da gente
é que ninguém tem nada com isso."
Mario Quintana - Caderno H

domingo, outubro 12, 2008

Coração...

"Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar
Que o amor pode de repente chegar... "


Em "Caminhos cruzados" de Tom Jobim, aprendemos que nas coisas do amor é imprescindível chorar, não adianta, em vão tentar raciocinar.
Que tolo fui eu... Ahahaha... Não choro mais, porque pleno sigo adiante.

Uma frase...


"Eu não sou normalmente alguém que ora,
mas se você estiver aí em cima,
por favor me salve Superman."
(Homer Simpson)

Anel no quarto dedo, ninguém separa!

A Mari encaminhou uma mensagem para o meu correio eletrônico, com a seguinte pergunta: Sabe por que o anel de compromisso(casamento) se usa no quarto dedo?
Fiquei pensando num bocado de respostas, huumm... desisti e fui ler o restante do e-mail, a querida blogueira que abandonou a vida virtual, infelizmente essas coisas acontecem na blogosfera, blogs cheios de mensagens inteligentes e boas para o relax da alma, ficam órfãos, é verdade! Ficam sem pai e sem mãe...
Mas, voltando ao anel, olha o que a Mari nos conta sobre o famigerado anel, ai Jesus!

"Existe uma lenda chinesa que conseguiu explicar de uma maneira bonita e muito convincente...
Os polegares representam os pais.
Os indicadores representam teus irmãos e amigos.
O dedo médio representa a ti mesmo.
O dedo anelar (quarto dedo) representa o teu cônjuge.
O dedo mindinho representa teus filhos.
Agora junta tuas mãos palma com palma, depois, une os dedos médios de forma que fiquem apontando a ti mesmo, como na imagem...
Agora tenta separar de forma paralela teus polegares (representam teus pais), vais notar que eles se separam porque teus pais não estão destinados a viver contigo até o dia da tua morte, una os dedos novamente.
Agora tenta separar igualmente os dedos indicadores (representam teus irmãos e amigos), vais notar que também se separam porque eles se vão, e tem destinos diferentes como se casar e ter filhos.
Tente agora separar da mesma forma os dedos mindinhos (representam teus filhos) estes também se abrem porque teus filhos crescem e quando já não precisam mais de ti, se vão, una os dedos novamente.
Finalmente, tente separar teus dedos anelares (o quarto dedo que representa teu cônjuge) e vais te surpreender ao ver que simplesmente não consegues separá-los. Isso se deve ao fato de que um casal está destinado a estar unido até o ultimo dia da sua vida e é por isso que o anel se usa neste dedo.
Algo curioso e legal de saber."

sábado, outubro 11, 2008

Papo cabeça!









Duas senhoras idosas estavam tomando o café da manhã num restaurante.
Rogéria notou alguma coisa engraçada na orelha de Bruna e disse:
- Bruna, você sabe que está com um supositório na sua orelha esquerda?!
Bruna respondeu:
- Querida! Você tem certeza?
Ela levou a mão até a orelha e puxou o supositório, olhou para ele e então disse:
- Rogéria, estou feliz que você tenha visto...
- Por que Bruna?
Bruna retruca:
- Já sei onde encontrar meu aparelho auditivo...

sexta-feira, outubro 10, 2008

Caymmi - Velho Lobo do Mar!

No dia da morte de Dorival Caymmi, escutei o velho e bom comunista Maurício Pascoal declamando um texto escrito pela poetisa Maria Flor, a nossa querida Mariazinha, rasguei a folha da agenda e abaixo tratei de publicá-lo, compartilhando com todos...

VELHO LOBO DO MAR
Foi num Sábado!
e não era em Copacabana,
o pescador dos dois Amor partiu em sua jangada;
teria ido ele pra “Maracangalha” ou pro reino de Iemanjá?
Foi de terno branco, chapéu de palha e sem Anália,
ele foi só.
Com a benção do Senhor do Bomfim partiu.
Nunca mais falará da Preta do Acarajé,
de sua Alegre Menina,
da baiana que ginga
rebola mexe e remexe
as cadeiras
quando entra no samba,
Das Rosas e do Coqueiro de Itapuã.
Se santa Bárbara o abençoou, ele encontrou Janaina
para lhe dizer - O Que é Que a Baiana Tem.
Fez sua Oração à Mãe Menininha e Promessa de Pescador.
Quem Vem pra Beira do Mar sabe O Dengo Que a Nega Tem.
Em Noite De Temporal, falou do Navio Negreiro, do Bem do Mar e Pescaria.
Em Dois de Fevereiro, jogou flores para sua rainha e
falou do Tabuleiro da Baiana, da Baixa do Sapateiro, e
quando Santa Clara Clareou,Tia Anastácia usou
Um Vestido de Bolero e perguntou: Você Já Foi à Bahia, não?
Então Você Não Sabe Amar.
Cantou a Balada do Rei das Sereias,
saudou Dora, Doralice,
Maricotinha e disse
Adeus às 365 Igrejas.
A Jangada Voltou Só.


A “CANÇÃO DA PARTIDA”.
Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do Mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer...

SALVE DORIVAL CAYMMI.

Mariazinha – em 16 – 08 – 2008.

sábado, outubro 04, 2008

Utopias, sonhos e desejos...


Eduardo Bueres na véspera da eleição me liga e diz parafraseando Pablo Milanés e Chico Buarque:
"Já foi lançada um estrela
Pra quem souber enxergar
Pra quem quiser alcançar
E andar abraçado nela"
Insiste que a hora é agora, agradeceu a minha presença e a do amigo Nilton Atayde, mas espera no domingo o corpo e a alma lançados no bom combate...
Respondi ao telefone afirmativamente: - Estaremos no front subcomandante!
A mensagem acima é parte da versão que Chico Buarque fez para a Canción por la Unidad Latinoamericana de Pablo Milanés, o meu compositor e cantor cubano.
Não preciso dizer que adoro essa música, as duas abordagens abaixo, a primeira de Pablo, retratando um contexto de adversidades, uma canção engajada, citando Bolívar, José Martín e Fidel Castro...
Na abordagem do Chico Buarque, ele substitui a estrofe:
"Bolívar lanzó una estrella que junto a Martí brilló,
Fidel la dignificó para andar por estas tierras.
Bolívar lanzó una estrella que junto a Martí brilló,
Fidel la dignificó para andar por estas tierras."

Chico substitui pela estrofe dita pelo amigo Bueres:
"Já foi lançada uma estrela
Pra quem souber enxergar
Pra quem quiser alcançar
E andar abraçado nela."
A abordagem de Chico não é menos engajada, busca tocar a sensibilidade do brasileiro, de frente para o Oceano Atlântico e de costa para a América Latina, acredito que teremos essa unidade quando virarmos de frente para nossos hermanos...
Abaixo a letra e a música de Pablo Milanés, não posso esconder que as palavras ditas com a sinceridade de Pablito me contaminaram a alma, mas não foi de agora, desde a minha juventude, cheia de utopias, sonhos e desejos... O Eduardo tão insistente, havia dito que somos assim, cheios de utopias, sonhos e desejos... Vai o meu sorriso esperançoso para o domingo de eleição... utopias, sonhos e desejos!
Canción Por La Unidad Latinoamericana (Pablo Milanés)
El nacimiento de un mundo se aplazó por un momento
un breve lapso del tiempo, del universo un segundo.
Sin embargo parecía que todo se iba a acabar
con la distancia mortal que separó nuestra vidas.

Realizaron la labor de desunir nuestras manos
y a pesar de ser hermanos nos miramos con temor.
Cuando pasaron los años se acumularon rencores,
se olvidaron los amores, parecíamos extraños.

Qué distancia tan sufrida, que mundo tan separado
jamás hubiera encontrado sin aportar nuevas vidas.
Esclavo por una parte, servil criado por la otra,
es lo primero que nota el último en desatarse.

Explotando esta misión de verlo todo tan claro
un día se vio liberal por esta revolución.
Esto no fue un buen ejemplo para otros por liberar,
la nueva labor fue aislar bloqueando toda experiencia.

Lo que brilla con luz propia nadie lo puede apagar,
su brillo puede alcanzar la oscuridad de otras costas.
Qué pagará este pesar del tiempo que se perdió.
de las vidas que costó, de las que puede costar.

Lo pagará la unidad de los pueblos en cuestión,
y al que niegue esta razón la historia condenará.
La historia lleva su carro y a muchos nos montará,
por encima pasará de aquel que quiera negarlo.

Bolívar lanzó una estrella que junto a Martí brilló,
Fidel la dignificó para andar por estas tierras.
Bolívar lanzó una estrella que junto a Martí brilló,
Fidel la dignificó para andar por estas tierras.


El nacimiento de un mundo
Se aplazó por un momento
Fue un breve lapso del tiempo
Del universo un segundo

Sin embargo parecia
Que todo se iba a acabar
Con la distancia mortal
Que separó nuestras vidas

Realizavan la labor
De desunir nossas mãos
E fazer com que os irmãos
Se mirassem com temor

Cuando passaron los años
Se acumularam rancores
Se olvidaram os amores
Parecíamos estraños

Que distância tão sofrida
Que mundo tão separado
Jamás se hubiera encontrado
Sin aportar nuevas vidas

E quem garante que a História
É carroça abandonada
Numa beira de estrada
Ou numa estação inglória

A História é um carro alegre
Cheio de um povo contente
Que atropela indiferente
Todo aquele que a negue

É um trem riscando trilhos
Abrindo novos espaços
Acenando muitos braços
Balançando nossos filhos

Lo que brilla con luz propia
Nadie lo puede apagar
Su brillo puede alcanzar
La oscuridad de otras costas

Quem vai impedir que a chama
Saia iluminando o cenário
Saia incendiando o plenário
Saia inventando outra trama

Quem vai evitar que os ventos
Batam portas mal fechadas
Revirem terras mal socadas
E espalhem nossos lamentos

E enfim quem paga o pesar
Do tempo que se gastou
De las vidas que costó
De las que puede costar

Já foi lançada uma estrela
Pra quem souber enxergar
Pra quem quiser alcançar
E andar abraçado nela ...

sexta-feira, outubro 03, 2008

Acordo ortográfico

Prestem bem atenção!
Sobre o acordo ortográfico, eu havia pensado em escrever algo, mas... O meu amigo António Nunes de Leiria - Portugal, escreveu e vou reproduzir, nem pedi permissão, mas ele não ficará aborrecido.
"29 Set 2008 - O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, assina hoje, no Rio de Janeiro, o decreto para promulgação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Em declarações à Lusa, à margem do colóquio Machado de Assis, que começou hoje na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, Lauro Moreira explicou que a data escolhida é simbólica, coincidindo com o aniversário da morte de Joaquim Maria Machado de Assis, que considera um dos escritores brasileiros mais "universais".
"O Presidente Lula da Silva aproveitou a comemoração do centenário da morte de Machado de Assis para assinar o decreto naquela que é a casa de Assis (a Academia Brasileira de Letras), fundada por ele", disse o embaixador.
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De notar:
¨ Que da biografia oficial de Machado de Assis consta que o mais representativo escritor brasileiro morreu a 29 de Setembro de 1908;
¨Que nós, aqui em Portugal, ainda andamos feitos puritanos a subscrever abaixo-assinados(*), ainda há e haverá vultos intelectuais de peso que não se estão a acomodar ao Acordo Ortográfico da Língua Lusófona. Há escritores a ameaçar continuar a escrever como se não houvesse Acordo Ortográfico e as Editoras andam em grande alvoroço, indecisas...
Afinal queremos que o Português seja uma língua falada e escrita em todo o Mundo ou não? Se continuamos nesta pose qualquer dia ficam os Portugueses a falar uma Língua morta (quem sabe se não voltamos ao latim. Então é que "hoc opus hic labor est").
Tenho que confessar que, talvez por uma questão de nacionalismo saloio, andei indeciso em assumir uma posição a favor ou contra. Temos que nos decidir: ou sim ou não, nem que para isso seja necessário ir a referendo nacional. De qualquer modo, o Acordo já está aprovado oficialmente. Só não sabemos quando é que entrará em vigor de facto (ou de fato?!) em Portugal!...
Sem dúvida que fomos nós, os Portugueses, que demos novos mundos ao Mundo! Através da nossa vocação marítima, mercantilista e religiosa, afoitámo-nos por todos os Mares nunca dantes navegados e colocámos no Mapa-Mundi novas terras que a Europa não sonhava que existiriam.
Sofremos e fizémos sofrer muitos povos para que que Fernando Pessoa pudesse escrever em jeito sebastiânico, no seu poema, Mar Português: Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! ...
De qualquer modo, esse Passado que não podemos nem queremos apagar, porque faz parte da nossa História, não nos pode cegar a ponto de não querermos ver a realidade dos tempos modernos.
Somos muitos milhões a falar português, mas estamos dispersos por todo o Planeta. Há que fazermos concessões uns aos outros para que este sentimento, que já é muito forte e mais será, de Lusofonia, não esmoreça. Será esse sentimento, moldado pelo sofrimento, pelo convívio e pela força indomável do Tempo, que vai alavancar, inevitavelmente, O ACORDO ORTOGRÁFICO.
(*)
Aproveito, revoltado comigo mesmo, para pedir desculpas a quem, tempos atrás, na minha indecisão, eu prometi assinar um desses abaixo-assinados. Hoje não o faria. E não tenho vergonha nenhuma de dizer que não me arrependo de ter andado entre o sim e o não. E de hoje estar a dar o dito por não dito."