sexta-feira, outubro 03, 2008

Acordo ortográfico

Prestem bem atenção!
Sobre o acordo ortográfico, eu havia pensado em escrever algo, mas... O meu amigo António Nunes de Leiria - Portugal, escreveu e vou reproduzir, nem pedi permissão, mas ele não ficará aborrecido.
"29 Set 2008 - O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, assina hoje, no Rio de Janeiro, o decreto para promulgação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Em declarações à Lusa, à margem do colóquio Machado de Assis, que começou hoje na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, Lauro Moreira explicou que a data escolhida é simbólica, coincidindo com o aniversário da morte de Joaquim Maria Machado de Assis, que considera um dos escritores brasileiros mais "universais".
"O Presidente Lula da Silva aproveitou a comemoração do centenário da morte de Machado de Assis para assinar o decreto naquela que é a casa de Assis (a Academia Brasileira de Letras), fundada por ele", disse o embaixador.
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De notar:
¨ Que da biografia oficial de Machado de Assis consta que o mais representativo escritor brasileiro morreu a 29 de Setembro de 1908;
¨Que nós, aqui em Portugal, ainda andamos feitos puritanos a subscrever abaixo-assinados(*), ainda há e haverá vultos intelectuais de peso que não se estão a acomodar ao Acordo Ortográfico da Língua Lusófona. Há escritores a ameaçar continuar a escrever como se não houvesse Acordo Ortográfico e as Editoras andam em grande alvoroço, indecisas...
Afinal queremos que o Português seja uma língua falada e escrita em todo o Mundo ou não? Se continuamos nesta pose qualquer dia ficam os Portugueses a falar uma Língua morta (quem sabe se não voltamos ao latim. Então é que "hoc opus hic labor est").
Tenho que confessar que, talvez por uma questão de nacionalismo saloio, andei indeciso em assumir uma posição a favor ou contra. Temos que nos decidir: ou sim ou não, nem que para isso seja necessário ir a referendo nacional. De qualquer modo, o Acordo já está aprovado oficialmente. Só não sabemos quando é que entrará em vigor de facto (ou de fato?!) em Portugal!...
Sem dúvida que fomos nós, os Portugueses, que demos novos mundos ao Mundo! Através da nossa vocação marítima, mercantilista e religiosa, afoitámo-nos por todos os Mares nunca dantes navegados e colocámos no Mapa-Mundi novas terras que a Europa não sonhava que existiriam.
Sofremos e fizémos sofrer muitos povos para que que Fernando Pessoa pudesse escrever em jeito sebastiânico, no seu poema, Mar Português: Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! ...
De qualquer modo, esse Passado que não podemos nem queremos apagar, porque faz parte da nossa História, não nos pode cegar a ponto de não querermos ver a realidade dos tempos modernos.
Somos muitos milhões a falar português, mas estamos dispersos por todo o Planeta. Há que fazermos concessões uns aos outros para que este sentimento, que já é muito forte e mais será, de Lusofonia, não esmoreça. Será esse sentimento, moldado pelo sofrimento, pelo convívio e pela força indomável do Tempo, que vai alavancar, inevitavelmente, O ACORDO ORTOGRÁFICO.
(*)
Aproveito, revoltado comigo mesmo, para pedir desculpas a quem, tempos atrás, na minha indecisão, eu prometi assinar um desses abaixo-assinados. Hoje não o faria. E não tenho vergonha nenhuma de dizer que não me arrependo de ter andado entre o sim e o não. E de hoje estar a dar o dito por não dito."

8 comentários:

elvira carvalho disse...

Sempre é difícil tomar uma decisão assim. Penso que tem que haver um concenso. Se se adoptar como válida apenas a maneira de escrever portuguesa daqui, será uma violência sem tamanho para o português desse lado do Atlântico. E vice versa. E temos que contar com os países Africanos que falam Português.
E depois é sempre difícil, fazer o povo aceitar estas leis. Só daqui a alguns anos, as novas gerações que começam nas escolas já a aprender assim, não porão resistência.
Imagine que eu vivo numa Av, que se chamava a Av. da India. Logo após o 25 de Abril de 74, a Av. foi rebaptizada de Av. Escola dos Fuzileiros Navais. Se algum estranho aqui passa e pergunta onde fica esta Av, a alguém com mais de 35 anos, vão dizer-lhe que não sabem. Porque para essas pessoas esta é a Av. da India. Eu sei, ainda em Agosto o meu cunhado, veio cá e perguntou e não sabiam. E ele perguntou pela Av. da India e disseram-lhe logo onde era.
Um abraço e bom fim de semana

uma paixão amazônica disse...

Ai que ódio. O latim não é uma língua morta. É a língua das ciências.

Beijos, Pedrão.

Jofre de Lima Monteiro Alves disse...

O acordo ortográfico é uma decisão meramente política e circunstancial, cujo preceitos nada têm de científicos. Basta atentar na subtileza desta questão.

Um dos argumentos a favor do acordo consistia no facto de quando havia uma cimeira, o comunicado final era redigido em duplicado, em Português, versão europeia, e em Português, versão brasileira.

Mas isso é uma falácia, pois este acordo de paninhos quentes alterou somente 1% da grafia portuguesa e 0,2% das palavras em versão d’além-mar.

Várias centenas de palavras terão, pois, dupla grafia, de modo que teremos sempre os tais dois comunicados...

A questão da dupla grafia é uma falsa questão, pois o inglês tem várias ortografias (inglesa, americana, australiana..., embora menos radicais do que a divisão existente na Língua Portuguesa), e ninguém anda de caldeirinha a unificar a língua inglesa!

Para além disso, a eliminação de fomenas mudos (como o C e o P) irá causar alguma confusão, por não darem qualquer indicação das regras de pronúncia.

Depois o acordo penalizou a grafia e a dicção portuguesa, ao seguir unicamente as regras de pronunciação brasileira, que abrem naturalmente todas as vogais de modo uniforme, enquanto nós fazemos diversas distinções fonéticas entre elas.

Não se trata de ser “Velho do Restelo” mas o acordo é tão-somente político, de tal maneira que os mais reputados linguistas estão na sua maioria contra este acordo cozinhado e que é naturalmente anti-científico. Por alguma coisa será.

Não vejo como tal acordo irá contribuir para tornar a nossa língua mais global e planetária.

Passei por aqui com gosto, pois apreciei tudo quanto vi e li. Boa semana com tudo de bom.

citadinokane disse...

Elvira,
Verdade absoluta!
Só os mais novos não resistirão.
Do meu lado não gostei a retirada de acentos e tremas... huumm... Deixa pra lá!
Abs

citadinokane disse...

Cris,
O latim vive! Onde mesmo?! Ahahaha... Nada de ficar aborrecida, hein?! Ainda utilizo em meus textos jurídicos...
bjs

citadinokane disse...

Jofre,
Como tu tens dúvidas, não é diferente comigo.
Vale a intenção, não?!
abs

as-nunes disse...

Só queria chamar a atenção para:
1) Infelizmente (assim o digo agora) segui a via técnica/científica para os meus estudos;
2) Portanto, não sou expert em matérias Linguísticas, com grande pena minha;
3) Uma coisa, no entanto, me parece que é um facto: concordo que o Latim ainda é usado (e com propriedade) em casos específicos, por exº termos jurídicos e científicos ( A Botânica, por exemplo) mas isso não pode significar que se possa apelidá-la de língua viva no sentido de Língua de uso corrente pelo vulgo e nas relações normais entre os homens. E já há muito tempo!
Só por isso é que a apelidei de Língua morta. Concordo que seja a mãe da Língua das ciências, mas não é a Língua das ciências! Nada tenho contra o latim. Até estive para ser padre da Igreja Católica, melhor, estive quase a entrar para o seminário! Roí a corda antes de pôr o pé na soleira da porta.
Sem ódio!
Um abraço

citadinokane disse...

António,
Vou assinar contigo o comentário.
abs