sábado, fevereiro 14, 2009

Carta ao cão que passeia...

"Oh! Meu velho e Invisível
Avôhai!
Oh! Meu velho e Indivisível
Avôhai!"(Zé Ramalho)


Sabe aquelas anotações esquecidas num canto qualquer? Pois é... jogando papéis fora, encontrei uma anotação do velho e bom Duda Bueres.
Engraçado é que o dublê de segurança do portal do inferno, costuma anotar os seus devaneios em papel de carteira de cigarro, sempre achei estranho essa mania, o cara começava a fazer essas anotações quando o álcool entrava na corrente sanguinea, doido... ele rabiscava com sofreguidão e dizia num ritual todo dele e em voz alta a palavra: Avôhai!

Por que guardei a anotação? Não sei. Talvez o louco seja eu, ou quem sabe o cão que passeia?!

"Carta ao cão que passeia...

O dom do ser humano de se expressar com arte,
em todas as suas multiplicidades, seja da forma escrita, visual,
oral, gestual e outras... serão sempre motivos para uma espécie
de presumida verdade superior, que coloca-nos montado

sobre nós mesmos,
como se fôssemos,
simultaneamente,
cavalo e cavaleiro,
a percorrer as veredas etéreas da inspiração.
Uma fatal rapariga no falar, um verdugo no pensar,
uma flauta no inspirar para depois o expressar,
essas seriam

talvez
umas das vias do bom canetêiro.

É claro que com relação a isso,
não há regras estabelecidas para uma craniotomia,
mas fundamental, ao meu sentir,
é o domínio das somas dessas habilidades,
que alguns denominam na ausência de outra expressão,
de talento.
Visto dessa forma, é dada vênia para transformar estórias tristes
e
até de mau gosto
em contos superiores,
dependendo do filtro do djim, nome dado pelos árabes a entidades,
benfazejas ou maléficas, superiores aos homens
e inferiores aos anjos,
que manipulam com as suas filigranas de luz
os pensares
e emprestam por exemplo significado ao dó,
(s.m.): Comiseração; lástima; compaixão;
tristeza; luto;
ou
a primeira nota
da moderna escala musical.
São eles os novos djins,
com esses vieses, que nos comovem
e nos fazem recorrer
cada vez mais em busca dos nossos espaços
pequeníssimos,
mas indeterminados de tempo,
nossos instantes,
produtos desta força,
pela distância
que vai do ponto fixado
à direção
das nossas impressões
de
existência."
Eduardo Bueres, o pró-louco

6 comentários:

Anônimo disse...

Du caraio ,
Isso em papel de cigarro ... poxa um cracaço esse Bueres e que ele não me barre no portal.
Os artistas são a ponte entre Deus e nós mortais medianos.
A proxima vez que for aí que tal levarmos o Duda pra beira do rio ???? rsrsrsrs
Abs
Tadeu

citadinokane disse...

Tadeu,
Vamos puxá-lo do portal e o enfiaremos no Beira-rio, depois iremos hidratá-lo com cerpinha, né?!

Anônimo disse...

Te cuida Duda , te cuida mermão ,
O escore meu e do Pedro é conta de basquete né isso Dom Pedrito
Abs
Tadeu

citadinokane disse...

Pô Tadeu!
Será que o cara aguenta, hein?
Bora ver, né?!
abs

Anônimo disse...

Meu Mestre e Guru,

Pelo tamanho do texto fico imaginando a dimensão da carteira de cigarro. Rsrs

Abraços Mermão.

Vou na despedida do Ministro...

Augusto Nunes

citadinokane disse...

Ei Augusto!
Tô só te observando, boné na cabeça igual de skatista, né? Cheio de manha, mermão!
O cigarro era o Arizona, lembras?
abs