terça-feira, março 10, 2009

Psicopata e Poder Político - Stael Sena


Fica abaixo o texto do professor Stael Sena, é necessário refletir sobre os psicopatas que invadem a cena política brasileira.

Psicopata e Poder Político (Stael Sena Lima)
A relação entre a psicopatia e o poder político abrange variados aspectos. Talvez o mais expressivo deles seja que um psicopata político é louco pelo poder. Esta constatação, porém, não deve induzir à conclusão de que todo político seja psicopata. Todavia, não se pode negar que o exercício do poder constitui o ambiente onde ele se movimenta como peixe na água. Para o médico psiquiatra, Hugo Marietan, uma das maiores autoridades no assunto na América Latina, esse tipo de psicopata não é necessariamente um doente mental, mas sim um modo de estar e agir no mundo, embora haja opinião designando-o como tal e nu de valores éticos ou morais. Um político psicopata em geral é um grande mentiroso, um verdadeiro artista na arte de mentir e dissimular. É capaz de mentir com a palavra e com os gestos. Por isso, é hábil em fingir sensibilidade de modo convincente. Tais características talvez constituam critérios para distingui-lo de um político considerado normal. Outra característica de um político psicopata envolveria sua capacidade de persuasão e manipulação. Assim, ele seria capaz de induzir as pessoas a fazer coisas que não fariam se não estivessem sob o seu efeito persuasivo. E para tal seria capaz de usar desde a chantagem até a coerção. De modo que ameaçar, assegurar postos de trabalho, utilizar o que pode como instrumento de pressão seria alguns dos expedientes por ele utilizados com certa freqüência. Essa espécie de político, sempre visaria quebrar a vontade e o bom senso dos que o cercam que normalmente ficam submissos, reféns do estado do macaco que não vê, não escuta e nem reage diante do comando e solicitações anormais. Com efeito, esse estado de submissão, consciente ou não, alimentaria a conduta do político psicopata. O político psicopata encararia como regra o exercício da Administração Pública, bem como os recursos a ela inerentes, como se fosse propriedade privada e familiar, excluído qualquer interesse público e utilidade social. Portanto, as pessoas que cercam o político psicopata, que poderiam ser inclusive pessoas de alto nível intelectual, seriam para ele coisas ou sujeitos sem direitos. Com efeito, as pessoas para ele não passariam de meros instrumentos ou meios, a serviço de seu interesse. O político psicopata sempre trabalharia, exclusivamente para si, embora em seu discurso costume afirmar o contrário. Como afirmado, o político psicopata teria grande facilidade de mentir e muita dificuldade em dizer e enfrentar a verdade. O pior cenário para o político psicopata seria o de ausência de crise. Por isso, ele não se adaptaria a tranqüilidade, não a suportaria. Ele precisa de crise, pois na paz, ele não tem papel. Talvez por isso, as sociedades e corporações lideradas por políticos com essas características viveriam de crises em crises. Portanto, se não há crise, o político psicopata a fabrica, ele precisa sempre desestabilizar as coisas. Afinal de contas, ele, além de ser uma personalidade controladora, necessita ser reconhecido como o salvador. A primeira oportunidade para varrer o político psicopata do cenário do exercício do poder é no ato de eleição, ou seja, é imprescindível não escolhê-lo para evitá-lo. A segunda, caso eleito é reduzir seu poder ao máximo.
Em síntese, ainda é possível dizer que tem gente consciente e que é possível escolher outros políticos, que podem ser até carismáticos, mas não seriam necessariamente psicopatas nos termos expostos.
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Stael Sena Lima é Pós-graduado em Direito, UFPa

4 comentários:

Anônimo disse...

Gostei muito deste artigo do professor Stael. Há tempos venho me inquietando com esta questão do PODER e gostaria de me aprofundar mais e pesquisar POLÍTICA e PSICANÁLISE, se vc souber de alguem que esteja estudando isso aqui, me avisa.
A propósito, o perfil psicológico traçado pelo prof. Stael me deu "meda", pois infelizmente reconheci algumas pessoas de meu meio social com este perfil.
Égua deixa eu me cuidar...
Ass: Anna Cláudia Lins

citadinokane disse...

Anna,
No passado não muito distante, nós dois convivemos com uma pessoa que o poder quase o enlouquece, lembras?
Deus o chamou para uma conversa íntima, juro que às vezes sinto saudades dele, me pego rindo sozinho quando lembro de algumas estórias que ele inventava...
Réquiem para quem precisa.
bjs

Anônimo disse...

É... Pedro, tens razão. Acreditas que me lembro do cheiro daquela sala até hoje? E me pego rindo também. A vida nos ensina muitas coisas...
bjs,
Anna Lins
P.S: vou tomar vergonha na cara e criar uma identidade logo.

citadinokane disse...

Anna,
Encontrei um lenço de papel com uma mensagem assinada por ele e direcionada pra mim... Fiquei até emocionado.
bjs